Cavaleiro de Sangue
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Naruto estava furioso.
Subiu as escadas quase escutando os joelhos da Hyuuga, que andava atrás de si, baterem uns nos outros de tanto que tremia.
– Ele não tem garras no lugar das mãos – Naruto havia dito pela terceira vez desde que haviam acabado o terço e Tsunade ter se negado veementemente em preparar o banho do lorde, alegando não querer macular a sua alma no antro do demônio.
– Ma-mas – a garota engoliu em seco parando no meio da escada e segurando as mãos trêmulas. Fechou os olhos com força tentando anular aquele medo absurdo que o escuro e as palavras de Tsunade a faziam ter.
“Ele é só um homem. Um homem normal. Só. Um. Homem” se forçava a pensar.
– Srta. Hyuuga? — Naruto a chamou já no topo da escada. — Ande logo.
Hinata abriu os olhos mais determinada. Levantou um pouco as saias e subiu com um pensamento em mente: Honrar sua família.
Naruto observou o contorno da garota no escuro e cerrou um pouco os olhos com desconfiança. Apesar de parecer frágil e facilmente influenciável, havia algo nela que fazia Naruto não querer desgrudar seus olhos.
Talvez, ela fosse digna de desconfiança e, por isso, todos os instintos de Naruto apitassem para a presença da garota.
Sentiu que ela não tremia mais e se tratando da filha de quem era, sabia que devia ver isso como algo ruim.
Com a mão na porta, Naruto pensou em algo e sorriu.
– Srta. Hyuuga? — sussurrou.
– Sim. Sir Uzumaki. — respondeu no mesmo tom.
Naruto virou a maçaneta e fez com que a porta rangesse de propósito. Mas, antes de abri-la completamente, virou-se para trás e sussurrou uma última vez. Ainda mais sinistro.
– Não olhe nos olhos dele.
Hinata segurou a respiração enquanto a porta era aberta. Naruto entrou e Hinata o acompanhou mais lentamente, já sentindo as pernas tremerem.
– Meu lorde – Naruto cumprimento de forma pomposa e extremamente debochada, coisa que Hinata não percebeu pelo medo.
Aquele quarto era ainda mais escuro que o resto da casa.
– O que quer? — Sasuke respondeu grosso de algum lugar e sua voz estoica e grave fez a garota dar um gritinho mudo e saltar em uma direção qualquer, esbarrando em algo duro.
Naruto sentiu as pequenas mãos agarrarem seu casaco nas costas e sorriu.
– Srta, Hyuuga irá preparar seu banho hoje. — continuou com sua falsa cordialidade.
– Hn. — foi a única resposta do lorde, que não saiu de seu canto.
Naruto podia ter acendido o archote que havia usado da última vez que Sakura havia preparado o banho, mas preferiu testar a garota. Puxou seu casaco e se afastou deixando-a sozinha no meio do nada.
– Me-me-meu lorde. — Hinata gaguejou cumprimentando-o quando se viu sozinha.
Tudo havia ficado em silêncio por um instante até que barulho de cochichos fizeram os pelos de sua nuca se arrepiarem.
– Espero não ter motivos para... castigá-la. — Sasuke se pronunciou com a voz ainda mais grave e felina, dizendo a última palavra de forma lenta.
Hinata paralisou de medo e sua cabeça pesou, por isso não ouviu o riso que Naruto falhava em abafar.
– Cla-cla-claro senhor – respondeu com a voz trêmula.
Cegamente ia apalpando o nada a procura dos baldes e da banheira que deveria preparar para o banho de seu lorde.
A cada passo dado, somente seus pés faziam qualquer barulho naquele quarto, e ela sentia que estava sendo observada. Atentamente.
“Coragem Hinata. Coragem” repetia inúmeras vezes em sua mente. Não queria dar mais motivos para seu pai se envergonhar. A família estava em suas costas. Deveria agradar o lorde.
Sentiu a superfície fria da banheira quando andou mais ao centro e se aliviou. Alívio que sumiu rapidamente ao ouvir mais sussurros vindo do canto.
Os olhos marejaram e a boca se apertou. Decidiu ignorar.
“Coragem. Co-coragem” nem seus pensamentos eram tão decididos quanto deveriam.
O barulho de algo arranhando a madeira a vez retesar e parar com as mãos no nada e as costas arqueadas procurando os baldes no chão.
Um rosnar humano preencheu o quarto. Um rosnado rouco que vinha do fundo da garganta e que ficava mais alto.
E um rosnar animal o sucedeu.
Os dentes já batiam de medo. Não conseguia controlar.
Algo pesado se arrastou, o que a fez imaginar ser uma grande poltrona ou cadeira pesada. E logo passos lentos foram ouvidos, vindo lentamente em sua direção.
O corpo todo tremia, dessa vez. As mãos já estavam juntas em frente ao peito e os olhos arregalados para o nada.
Não conseguia se mexer.
Sentia frio, como se todo o calor do cômodo houvesse se dissipado.
Os passos se aproximavam.
Em sua mente, Hinata imaginou tudo aquilo que Tsunade e as outras pessoas do vilarejo haviam dito sobre o lorde. Imaginou garras enormes e pretas saindo no lugar das unhas, caninos pontudo prontos para sujar seu sangue, uma língua bifurcada que lambia os lábios feridos e famintos por carne humana de uma virgem. Sim, diziam que ele farejava as virgens.
Um arrepio passou por seu pescoço e por toda a extensão de sua coluna ao imaginar os pelos lupinos que ele teria por todo o corpo e os pés de bode fazendo aquele barulho...
Os passos estavam próximos.
Ela abriu a boca, mortificada ao sentir o som da respiração em seu ouvido.
– Hina...
A garota olhou lentamente para trás, sentindo o corpo se afastando, e encontrou dois olhos amarelos, longe de si, a observando.
– Kyaaaaaaah!!!!
Não dera tempo para Naruto terminar. Por puro instinto, a garota correu pelo quarto e achou a porta, saindo tão rápido que não pôde ser visto nem seu vulto.
Sasuke gargalhou e Naruto teve que se sentar no chão para não bater em algo de tanto que ria.
– Não... não acho que esta menina seja algum tipo de ameaça. — Sasuke disse se recuperando – Acredito que Hiashi tenha sido infeliz em seus planos. — alisou o lobo em seu colo com um sorriso divertido, enquanto os olhos do animal brilhavam amarelos no escuro — Que tipo de ideia foi essa de colocar o Titã em meu colo? — disse bem humorado, mas Naruto nem ouviu, estava ocupado gargalhando no chão.
– Você viu? — Naruto gargalhava sem parar sentindo até falta de ar – Ela... ela... — não conseguia terminar.
Sasuke limpou a garganta e Naruto, enfim ficou quieto e alerta.
– Sasuke? — perguntou receoso.
– A garota foi embora. — Sasuke disse mortalmente sério.
– Er... sim. — Naruto respondeu ainda sem muita convicção de onde o lorde queria chegar.
– Isso quer dizer... — Sasuke disse no mesmo tom de antes.
Naruto engoliu em seco forçando seu cérebro a tentar entender o amigo, mas não conseguia chegar a nada.
– … quer dizer... — repetiu se levantando do chão e arrumando o casaco.
– Que você preparará meu banho.
– Ah, não!
(...)
Naruto bufava sentado na poltrona de Sasuke enquanto o mesmo terminava de vestir as roupas negras dignas de um Lorde.
– Então a Sakura entrou aqui? Não imaginei que ela fosse tão corajosa – disse o Chefe da Guarda abismado após ouvir atentamente o relato do amigo sobre o acontecido
– Entrou, nunca pensei que ela faria isso. – confessou sincero.
Sasuke sentou na cama e o lobo veio se enrolar ao seu lado.
– Acha que a Karin diria mesmo o seu segredo para alguém? Sabe que isso seria um problema bem grande.
– Eu sei, mas duvido que ela fale. Por mais raiva que possa estar sentindo agora ela me ama. – disse convencido de sua certeza. As juras de amor e lealdade que já ouvira dela, davam a sensação de segurança. Ela podia tê-lo traído inúmeras vezes, mas não o fez.
– Sasuke, Sasuke... uma mulher traída pode fazer coisas inimagináveis. — Naruto riu alto.
– Como se você entendesse muito de mulheres Naruto, a única mulher que você conhece é a Tsunade.
O loiro fez um bico e estreitou os olhos.
– E você só conhece essa daí, com aquela cara feia de quem comeu e não gostou.
– Erro seu amigo, antes de Karin eu me deitei com muitas outras.
– Tão feias quanto.
– Ah cale a boca Naruto. Mas voltando ao assunto, não, acho que ela não teria tanta coragem.
– Mesmo assim é bom ficar de olho. Ela se sente no lugar da dona daqui, da sua mulher Sasuke. Você mandando ela embora para defender a Sakura deve ter sido pesado pra ela.
O lorde deu de ombros no escuro.
– Não me importo, cuidaremos da Karin depois.
O sorriso do loiro se alargou e um olhar malicioso tomou seu rosto.
– Falando na Sakura...
***
Mal havia amanhecido e um rapaz, com vestes surradas e expressão cansada, batia na porta da residência Hyuuga.
Estranhamente, o próprio Hiashi o atendeu. Nas mãos do rapaz um pergaminho caprichosamente enrolado e selado se estendia na direção do homem, que o pegou e jogou uma moeda nem esperando o agradecimento e fechando a porta no rosto do rapaz.
Seus passos eram lentos, enquanto olhava aquele pergaminho como se conseguisse lê-lo através do papel.
Abriu a porta de sua biblioteca com calma, para não fazer barulho e a fechou com o mesmo cuidado. Sentou-se em sua mesa confortável e puxou uma lâmina de uma das gavetas.
Encarou o selo azul feito em cera. Sorriu
Não era o selo vermelho sangue do lorde de Konoha, muito menos o selo amarelo ouro do rei Sarutobi.
Selo azul.
Selo da família responsável por outro pedaço de terra. Lugar denominado Suna.
Lar de lorde Akasuna.
Delicadamente, Hiashi abriu o pergaminho com sua lâmina, tendo o cuidado para não danificar o conteúdo. Abriu lentamente e absorveu aquelas palavras como se fosse um bom e velho vinho.
“Quando a nova ressurgir,
o buraco irá se abrir.
No dia do descanso,
Haverá o meu avanço”
Não foi preciso ler duas vezes. O sorriso vitorioso tomou conta dos lábios daquele homem, e os olhos claros brilharam na iminência do que iria acontecer.
Guerra.
(...)
A meretriz limpava as lagrimas do rosto sentada junto a uma calçada suja na periferia da vila.
– Isso não vai ficar assim Sasuke, não vai! – disse amargurada e com a voz embargada.
Levantou e espanou o vestido sujo. A cor vermelha estava com tons amarronzados causados pelas manchas de lama e poeira, mas ela não se importou.
Arrumou os cabelos de forma desajeitada com os próprios dedos e fez uma pose empertigada.
Ela amava aquele homem. Amava-o por inteiro, amava os cabelos negros, o corpo branco pela falta de sol, amava suas mãos, seu rosto, sua boca.
E mais ainda, o amava por ser a segunda pessoa no mundo a saber de seu segredo.
Ele confiara tanto nela, deixara que dividisse a sua cama, deixara que lhe tocasse a face, deixara que lhe conhecesse.
E agora – pensou ela com amargura enquanto seus saltos faziam barulho pela calçada de pedra já gasta pelo tempo – uma camponesa qualquer o fizera virar as costas para ela, o fizera mandar embora do castelo a única mulher que lhe tocara depois... depois do que lhe acontecera.
Passou pelo guarda de forma decidida, sabia de muitas coisas. Os anos naquele castelo lhe proporcionaram muitas descobertas, ela ouvira muitos sussurros do Lorde com Naruto.
Bateu na porta de ferro e esperou até que outro guarda abrisse a mesma.
– O que deseja? – nada de senhorita no final da frase, como sempre ela era tratada como uma qualquer, não como a mulher do Lorde.
– Quero falar com Hiashi Hyuuga.
– E quem devo anunciar?
– Karin, a meretriz do Lorde Uchiha. – respondeu ela com nojo.
***
Sakura havia descido ate o vilarejo com Naruto. O loiro havia ido dar uma volta para ver como estavam os guardas, disse que não iria interferir ainda, só mostrar estar presente e averiguar a situação.
Ela desceu da carruagem segurando o sorriso em seu rosto.
Respirou fundo e abriu a porta. Logo foi recepcionado pelo barulho de tosses carregadas.
Mordeu o lábio preocupada e correu até o quarto de sua mãe.
– Mãe? Cheguei. — disse baixo vendo-a tomando algo que Chiyo havia preparado.
As duas senhoras olharam surpresas para trás e sorriram quando viram a garota. Mebuki não se aguentava de saudades e Chiyo, sabendo disso, deixou as duas conversarem a sós.
– Como está, minha filha? Tem se alimentado bem? Não a tratam mal? — a mãe perguntou preocupada alisando o rosto de sua filha.
Sakura fechava os olhos sentindo o carinho e o coração se esquentando de felicidade.
– Sim, me tratam bem e eu... me pediram para levá-la comigo. — disse sem olhar nos olhos da mãe.
– Me levar com você? — a mulher repetiu sem entender. — Minha filha, não sei se aguento tal viagem...
Sakura engoliu o nó em sua garganta. Havia mentido para a mãe sobre seu local de trabalho. Mebuki era tão religiosa quanto Tsunade e havia criado uma resistência e medo pelo lorde que não havia como explicar.
– Mãe — começou lentamente — preciso que a senhora me escute e me compreenda. Não estou num vilarejo vizinho...
– Onde você está trabalhando, Sakura? — perguntou no tom mais forte que pode e tossiu por isso, expelindo um pouco de sangue em seu paninho.
Sakura se repreendeu por mentir, e ajudou a mãe a se deitar.
– No castelo do lorde. — respondeu de uma vez vendo o rosto da mãe ficar vermelho e depois pálido em segundos.
– Não... Não... Minha filha.... — A mulher murmurava horrorizada e com as mãos trêmulas sobre a boca.
– Mãe, a senhora confia em mim? — Sakura perguntou rápido antes que o cérebro de sua mãe voltasse a ficar em ordem e ela começasse seu sermão.
– Achei que sim... — a mulher respondeu ainda mortificada.
– Mãe... o lorde não é um monstro, nem um demônio. — acrescentou tomando as mãos da senhora e olhando fundo nos olhos dela. — Ele é um homem que sofreu muito e que não sabia o que havia acontecido com seu povo. Ele abriu seus olhos e começou a consertar tudo. Por favor, só dessa vez... deixe suas crenças de lado e acredite em mim.
Os olhos verdes brilhavam com tanto fervor, o pedido havia saído com tanta ternura e apelo que Mebuki suspirou pensando no assunto com seriedade.
Minutos incontáveis se passaram e Sakura já havia pensado que não a levaria de lá.
– Eu vou, mas para garantir que o mal não a pegue. — a mulher disse olhando para a cruz pregada na parede.
Sakura sorriu, nunca havia sentido tanta esperança em sua vida. Lá a comida era boa, depois de totalmente limpo iria ser um local seguro e saudável para se viver. Havia também a floresta ao lado, que ajudaria os pulmões.
Sakura deu as moedas para Chiyo agradecendo o serviço e a atenção e logo arrumou as coisas da mãe deixando o lugar que sempre vivera.
Mebuki não estava muito feliz, e não gostou da ideia de ter que ser levada no colo por Naruto, até a carruagem.
O caminho até o castelo foi silencioso. E quando entraram pelos portões, inúmeros sinais da cruz foram feitos pela mulher enferma.
– Que a proteção divina cai sobre nós... — murmurou crente.
Naruto olhou Sakura não querendo acreditar naquilo e tudo o que recebeu foi o sorriso feliz da garota. Sorriso iluminado que o fez sorrir também.
(...)
Sakura cuidou que sua mãe ficasse bem instalada e pelo resto do dia deu atenção para mesma.
Tsunade muito solicita e feliz por ter outra mulher com suas mesmas crenças para ter com quem conversar preparou um ensopado forte e encorpado para que a mesma comesse e recuperasse suas forças.
Quando a noite caiu fria e serena acima do castelo a velha cozinheira bateu nos aposentos de Mebuki e fez com que Sakura saísse para jantar e se lavar, dizendo que ela mesma ficaria ali para que juntas pudessem rezar um terço.
A jovem saiu sorrindo aliviada e feliz, jantou com os dois casais de senhores, um Naruto animado e uma Hinata quieta, porém, antes de se deitar decidiu que havia outra coisa que precisava ser feita.
Havia colocado seu melhor vestido, deveria estar apresentável diante do lorde, apesar de duvidar que ele a enxergasse em tal escuridão. Subiu as escadas e respirou fundo antes de bater na porta.
Sasuke achou estranho a batida aquela hora, não era Naruto, pois reconhecia seus passos. O lobo ergueu a cabeça e rosnou de leve.
– Entre. — disse seco pousando a mão na cabeça no animal, acalmando o mesmo.
– Boa noite meu lorde — disse baixo abrindo a porta — Posso entrar? — perguntou quase em tom submisso. Quase.
Ele imediatamente sentiu o peito esquentar. Ela novamente ali? Se empertigou na poltrona e disse com a voz firme:
– Sim. O que deseja Sakura?
– Gostaria... de agradecer — respondeu mais firme fechando a porta. — E me desculpar. Foi muita gentileza de sua parte nos abrigar em seu castelo... — disse olhando para o escuro e agradecendo por ele não a ver sem jeito — Fiz mal julgamento do senhor.
– Acredito que o seu julgamento é compartilhado por todos desta vila. — respondeu ele mais pensativo — Sua mãe está bem? — não sabia como se mostrar preocupado, nunca agira de tal forma em anos.
Sakura concordava com ele. Mas ele também não havia dado motivos para não acreditarem nas crendices. Porém achou melhor guardar aqueles pensamentos para si.
– Está sim, muito obrigada. — respondeu ainda no lugar e segurando as mãos em frente ao corpo em sinal de respeito. — Vou deixá-lo descansar.
– Pode preparar meu banho? Ou está muito cansada para isso? — disse ele rapidamente com a voz mais rouca do que pretendia. Não queria que ela saísse tão rápido.
Sakura estremeceu ao ouvi-lo. Mas não foi de medo.
Engoliu em seco e deu mais um passo para frente.
– Estou ás suas ordens, meu lorde — respondeu com educação e sentiu a voz falhar um pouco, limpou a garganta — Posso aceder um archote para preparar o banho?
– Pode, mas que ele fique somente perto da banheira. – disse depois de longos segundos.
– Sim senhor. — respondeu apalpando a parede e encontrando o que desejava.
Conseguiu acender o archote que Naruto usou da vez que esteve lá e se sentiu exposta novamente, mas não ousou olhar para o canto em que ele estava.
Jamais imaginou que se sentiria constrangida com a presença daquele homem. Homem que aprendeu a odiar e admirar em pouco tempo, mas se sentia assim e nem sua personalidade forte conseguiam combater aquilo.
– Está nervosa. Ainda tem medo de mim? — Perguntou ele ao captar todas as reações do corpo dela.
Sakura sorriu de costas colocando a água aquecida na banheira.
– Não é medo, meu lorde. — respondeu mais segura — Estou envergonhada, na verdade. — despejou mais um balde de água visualizando naquela voz o homem por trás do muro.
Ele sorriu no escuro.
– Vergonha de mim? Não pareceu ter vergonha ao conversar com um homem desconhecido no jardim. Aposto que lá eu seria mais perigoso do que aqui.
Sakura parou no ato o que fazia e sorriu divertida.
– Eu acreditei naquele homem que disse que não me faria mal. — disse sorrindo e virando-se para o canto escuro — Me envergonho do mau julgamento e de ter dito palavras ofensivas sobre o senhor no jardim... — disse secando as mãos na saia de seu vestido de forma inconsciente. — O banho está pronto senhor, precisa de mais alguma coisa?
– Preciso que apague o fogo. — respondeu ele levantando da cadeira velha e gasta e começando a se despir das pesadas roupas que usava.
O lobo se enrolou preguiçoso no local quente que o dono estivera e Sasuke se pôs a caminhar em direção a banheira quente.
Sakura arquejou escutando o tecido cair no chão, mas decidiu fazer o que ele mandava. Foi até o archote e apagou escutando os passos se aproximarem dela.
– Boa noite, senhor. — Disse quase sem fôlego o escutado se aproximar ainda mais.
O corpo não respondia e sua imaginação já começava a vaguear.
Ele parou atrás dela e deixou que seu corpo quente emanasse calor para ela através de um toque sutil e forte em sua cintura.
– Eu quero que fique — sussurrou-lhe no pé do ouvido — Cante pra mim.
Sakura sentiu o toque e a sensação extasiante que ele provocou. Pensou que quase perdeu os sentidos quando o ouviu sussurrar. Uma voz tão serena e tão forte ao mesmo tempo.
As pernas perderam as forças e só não sucumbiu, pois ele já havia se afastado e o barulho de água a acordou. O coração disparava e a respiração descompassava. Nunca havia chegado tão perto de homem. E tinha certeza que aquele estava nu.
– Cantar, senhor? — repetiu incerta e a voz saiu um pouco esganiçada.
Ele sorriu torto, sabia como a deixara e secretamente se arrependeu por não ter feito mais.
– A não ser que prefira entrar nessa banheira, estou certo que está com calor Sakura.
Sakura engasgou-se e tossiu não acreditando no que ouvira. Respirou fundo várias vezes até se aprumar. Olhou para frente com outra determinação.
– Não sou uma mulher da vida, senhor — respondeu duramente — Vou me retirar.
– Sakura espere. Não quis lhe ofender, perdão se assim pareceu. Mas, por favor, cante pra mim. – disse afoito se arrependendo do que havia dito.
Sakura já estava em direção a porta quando o ouviu se agitar e sentiu a sinceridade em suas palavras. Não era certo ficar no mesmo cômodo com um homem nu, mas estava escuro, por isso não via nada, e ele não tentaria nada. Assim acreditava.
– Tudo bem, meu lorde. — lembrava-se que havia uma cadeira simples ali perto, então a procurou com as mãos e sentou-se.
Ele continuava quieto dentro da banheira esperando que ela cantasse. Deixou que a água quente relaxasse seu corpo. Sorriu de canto pensando no tom atrevido que ela usava. Ele era seu lorde, se desse uma ordem deveria ser atendida na hora. Mas ela não era submissa.
Sakura abaixou a cabeça tentando olhar suas mãos, mas não via nada além da escuridão. Mexeu o pé e o barulho fez o lobo rosnar baixinho e ela o sentiu perto de si, mas um assovio baixo o fez se calar.
Sakura tremeu, mas respirou fundo e tentou se lembrar de qualquer música para cantar naquele momento, mas somente uma lhe vinha em mente, e nunca apareceu mais apropriada.
There's a song that's inside of my soul / Há uma música dentro da minha alma
It's the one that I've tried / É a que eu tentei
to write over and over again / escrever de novo e de novo
I'm awake in the infinite cold / Estou acordada no frio infinito
But you sing to me over and over and over again / Mas você canta para mim e novamente e novamente
So I lay my head back down / Então eu abaixo minha cabeça
And I lift my hands and pray / E junto minhas mãos e rezo
To be only yours I pray / Para ser somente sua, eu rezo
To be only yours I know now / Para ser somente sua eu sei agora
You're my only hope / Você é minha única esperança
Sing to me the song of the stars / Cante para mim a canção das estrelas
Of your galaxy dancing / Da sua galáxia dançando
and laughing and laughing again / e rindo e rindo de novo
When it feels like my dreams are so far / Quando sentir que meus sonhos estão longe
Sing to me all the plans / Cante para mim os planos
that you have for me over again / Que você tem para mim novamente
Sasuke forçava a respiração a ficar no mesmo tom quando ela começara a cantar. A voz dela, a letra tudo aquilo lhe trazia uma sensação nunca sentida antes.
Escorou a cabeça na borda da banheira e deixou que seus pensamentos vagassem por entre aquelas palavras tão doces.
Palavras que carregavam um sentimento que ele ainda não conseguia compreender, mas que para ela se traduzia em agradecimento.
So I lay my head back down / Então eu abaixo minha cabeça
And I lift my hands and pray / E junto minhas mãos e rezo
To be only yours I pray / Para ser somente sua, eu rezo
To be only yours I know now / Para ser somente sua eu sei agora
You're my only hope / Você é minha única esperança
I give you my destiny / Eu te dou meu destino
Im giving you all of me / Estou me dando por inteira
I want your symphony / Eu quero sua sinfonia
Singing in all that I am / Cantando tudo o que sou
At the top of my lungs / No máximo dos meus pulmões
I'm giving it back / Eu estou dando tudo que tenho
So I lay my head back down / Então eu abaixo minha cabeça
And I lift my hands and pray / E junto minhas mãos e rezo
To be only yours I pray / Para ser somente sua, eu rezo
To be only yours I pray / Para ser somente sua, eu rezo
To be only yours I know now / Para ser somente sua eu sei agora
You're my only hope / Você é minha única esperança
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