Notas iniciais
Boa noite leitores lindos deste Nyah! Como estão neste domingo? espero que bem! E como domingo é o dia oficial do tédio, viemos resolver os vossos problemas! Capitulo fresquinho!!!! Espero que gostem tanto quanto nós gostamos de escrever!! Boa leitura ^^

Sasuke tivera um sono agitado. Depois de finalmente ser colocado em seus aposentos por um Naruto visivelmente preocupado ele caiu no sono quase que imediatamente, o vinho possuía seus efeitos.

Os sonhos novamente povoaram sua mente, sangue, morte e dor. Aquela era sua sina, aquela era sua história, o seu passado.

No fim, tudo se resumia a um mar vermelho de sangue quente e pútrido, à carne rasgada e ossos quebrados. No fim, tudo se resumia à guerra.

Naruto observava o amigo se remexer na cama, o sol lançava seus primeiros raios sobre o mundo e ele não havia pregado o olho nem uma única vez naquela noite. Queria que o sofrimento acabasse, queria que a dor sumisse e queria que a luz da vida voltasse aos olhos de Sasuke, mas nada disso acontecia.

O lobo levantou o pescoço quando sentiu que o dono acordava, rápido pulou na cama e se aconchegou no colo do mesmo.

– Naruto... – resmungou ele sentindo uma enorme dor de cabeça ao levantar o corpo.

– Parece que bebeu muito ontem.

– Não quero mais viver.

O chefe da guarda arregalou os olhos diante daquele comentário. Nunca, em momento algum de sua agonia Sasuke proferira aquelas palavras.

– Sasuke, eu não quero ouvi-lo falando essas besteiras novamente! – disse com raiva levantando da poltrona de couro – honre seus amigos, honre as pessoas desta vila, elas precisam de você!

“A vila, as pessoas... Sakura”. Lembrou-se da jovem moça desbocada. Tinha coragem de passar por cima da lenda que ele era e teimar em fazer o contrário. Não hesitava em dizer e fazer o que achava ser certo, mesmo com a possibilidade de ser morta ou torturada pelo monstro que eles haviam feito dele.

Aquela garota passava por cima de tudo para conseguir o que precisava. Com uma pontada no peito, ele se deu conta. O vilarejo precisava dele, ela precisava dele, sua mãe precisava dele.

Levantando a cabeça e fitando o amigo no escuro ele disse com a voz firme.

– Vou tomar conta desta vila e das pessoas que a habitam, e você vai me ajudar.

Naruto sorriu quase que emocionado, seria uma nova esperança?

– Sabe que estou aqui para isso meu amigo, mas você pretende se mostrar? – perguntou em um tom incerto.

– Ainda não, isso seria perigoso. Quando as pessoas me virem, será um caos. – disse pensativo coçando o queixo e sentindo a barba rala.

O outro concordou em silêncio.

– A vila precisa estar bem segura para isso. – Naruto disse também ficando pensativo.

Os dois entraram numa reflexão profunda. Uma reflexão que criava expectativa no coração daquele Chefe da Guarda que havia desistido de tudo para cuidar de seu amigo, e no de um lorde que não acreditava em esperança.

– Mande Tsunade preparar uma boa refeição para mim, e um banho também. Depois iremos conversar, e desta vez, sobre política.

***

Naruto descera as escadas satisfeito, talvez as orações da velha Tsunade tenham finalmente surtido algum efeito sobre o Lorde.

– Vovó, o Lorde quer almoçar. Faça algo bem ao gosto dele.

A mulher assentiu ainda em silencio, o loiro estranhando olhou para os lados. Ela estava sozinha.

– Onde está Sakura?

Tsunade virou-se para ele e ainda enrolando o terço nervosamente com os dedos disse:

– A menina está assustada por ontem.

Naruto arregalou os olhos e passou os dedos pelos cabelos louros e bagunçados. No calor do momento esquecera por completo que Sakura vira Sasuke atiçando a espada sobre o tronco daquela árvore.

– Como ela está?

– Um pouco assustada, mas bem. Está ensinando os novos serviçais da casa.

– Certo, diga que quero lhe falar mais tarde.

A mulher assentiu e voltou as suas panelas, mas não sem antes dizer:

– Este lugar é amaldiçoado filho, deveria sair daqui antes que acabe como ele.

***

Sakura viu os raios de sol entrarem pela cortina puída.

Não havia pregado os olhos durante toda a noite. Sua mente estava numa bagunça que seus pensamentos não conseguiam chegar a um consenso.

Tudo no que ela conseguia pensar era naquela voz. Uma voz que antes não tinha corpo e agora se apresentava como um grandalhão bêbado e violento. Que clamava a morte e maldições.

Respirar não era mais uma atividade natural. Toda hora tinha que se lembrar de mandar ar para os pulmões de tão nervosa que estava.

Desde que foi deixada em seu quarto e obrigada a rezar junto à Tsunade pela alma de todos naquele castelo, não conseguia pensar em outra coisa.

Seria tão impossível ser coisa inventada de sua cabeça?

Seria tão irônico se afeiçoar por aquele que somente guardou sentimentos ruins?

Não conseguia ligar aquele homem misterioso, mas nada mais fazia sentido em sua mente e aquela sensação de ansiedade e confusão tiravam seu sono.

Amanheceu e ela não tinha sono, mas sabia que depois ele cobraria seu preço.

Levantou-se e lavou se rosto na bacia de água em seu quarto e chacoalhou a cabeça a fim de tirar aqueles pensamentos de sua mente.

Estava confusa demais para se manter sã. Precisava acalmar seus pensamentos e seus nervos, e logo foi-se ao jardim abandonado para ver se encontrava algo que pudesse usar numa infusão para os nervos.

Os braços circulavam o corpo por causa do vento frio e as passadas eram rápidas até a frente do lugar.

Parecia abandonado, como todo o resto, mas uma única figura pequena fazia parte do cenário, todo sujo de barro fuçando na terra.

– Konohamaru? – Sakura se aproximou do pequeno e ele logo ergueu a cabeça para ver quem era.

– Bom dia, moça. – Cumprimentou tímido limpando as mãozinhas sujas na roupa.

Sakura sorriu gentil e olhou aos pés dele reconhecendo algumas ervas que Tsunade usa para cozinhar.

– O que você está fazendo? – perguntou se agachando ao lado dele, que voltou a fazer seu serviço.

– Estou colhendo plantinhas pra vovó. – respondeu maroto mostrando as ervas em sua mão. – Ela me dá uma e eu procuro igual.

Sakura viu que ele pegava poucas ervas utilizáveis e sorriu para aquilo.

– Olhe, estas aqui não são as ervas que ela precisa. Veja bem...

Konohamaru olhava encantado para a moça enquanto ela mostrava as diferenças e as propriedades de cada planta. O sol já havia nascido por completo quando ele entendeu tudo o que ela disse.

– Muito obrigada, moça...

– Me chame de Sakura. – disse se levantando e vendo Tsunade aparecer na porta com uma colher de pau na mão e um saco de pano na outra.

– Ixi, eu tenho que ir. – ele disse rápido pegando as ervas e levando até Tsunade que assistia os dois com desconfiança e curiosidade.

Konohamaru correu até a loira e, orgulhoso, estendeu as ervas à ela que sorriu satisfeita ao ver que acertou na colheita. Logo ele recebeu o saco e desapareceu atrás da casa acenando para Sakura.

– Onde ele mora? O que faz aqui? – Sakura perguntou vendo-o subir no muros do castelo como um felino e desaparecer na floresta.

– É um garoto de rua. Não gosta de ser preso, diz que vai ser criança para sempre. – riu cruzando os braços e olhando para o local em que o garoto desapareceu – Naruto já tentou fazê-lo morar aqui, mas diz que banho ele não vai tomar, então foge. Ele vem quando tem fome e eu dou comida em troco de serviço. Não se pode educar um vagabundo, não?

Sakura concordou com um sorriso cálido que foi ficando triste. Engoliu em seco sentindo pena pelo garoto. Pensaria em algo para ajudá-lo depois.

Infelizmente, um outro problema tomava sua mente e ela não consegui formular nada de bom.

Tsunade sorriu balançando a cabeça, mas logo seu sorriso morreu ao ver Sakura séria lhe encarando.

– Vamos, entre. – Tsunade faz um gesto impaciente com a mão.

Sakura respirou fundo esquecendo suas ervas para o chá e seguiu a mulher. Queria a todo custo não falar sobre a noite anterior. Ainda era muita coisa para digerir. Mas sabia que logo teria que ser confrontada.

Entrou na cozinha de cabeça baixa, preparada para ouvir o que Tsunade tinha a dizer, mas se surpreendeu com o barulho tímido de talheres.

Na cozinha estava os novos trabalhadores tomando seu café da manhã. Todos de olhares assustados e cansados. Parecia que não fora somente ela quem teve uma péssima noite.

– Bom dia. – cumprimentou-os com um sorriso que não condizia com seu humor. – Espero que o lorde não os tenha assustado muito. – disse num leve bom humor tomando suas próprias palavras para si.

Havia dois homens de idade e suas esposas e uma moça de cabelos negros e modos nobres. Sakura sorriu confortando-os quando viu que eles se entreolharam receosos.

Tsunade resmungou algo como “Vamos todos para o inferno”, mas somente Sakura ouviu por estar mais perto. A garota limpou a garganta chamando a atenção deles.

A melhor maneira de se distrair e aliviar o clima seria sendo uma boa anfitriã, o que agradeceu por Karin não estar ali para fazê-lo.

– Já estão alimentados? – eles assentiram sem dizer nada, ainda com os olhos apavorados. Sentiam um certo conforto com a naturalidade e confiança que falava com eles. – Ótimo, vamos então que temos muito à fazer!

Os senhores se levantaram, mas somente a moça continuou sentada, olhando amedrontada para a moça a sua frente.

– Er, senhorita...

– Só Sakura – ela disse fazendo um aceno de cabeça.

– Sou Hinata. Bom, Sakura, fui mandada para ser companhia da castelã. Onde posso encontrá-la? – Hinata questionou tímida e com os olhos inchados de sono.

Sakura olhou para Tsunade, a mulher fez um sinal de quem não iria se meter e voltou a cozinhar.

– Ajude Tsunade enquanto a... castelã – disse com asco – não chega. Os outros me sigam.

Sakura acalmou-os com muita gentileza e bom humor. As senhoras ficaram horrorizadas com o estado dos cômodos que Sakura ainda não havia estado, mas os homens não mostravam qualquer sinal de aversão. Estavam necessitados e o chefe da guarda havia proposto um bom negócio com eles. Não tinham do que reclamar.

– Muito bem. Começaremos aqui dentro e os senhores podem trabalhar com a jardinagem, exceto pelo jardim privado na ala oeste. – pontuou depois de mostrar todo o andar inferior. – As regras são: Não saiam do quarto à noite, não subam ao segundo andar, não abram as cor... – ela se interrompeu lembrando-se de, inconsciente ou não, ter quebrado todas as regras em menos de uma semana. Isso a divertiu. – não conversem com o lorde. Qualquer coisa podem perguntar à mim ou à Tsunade. – disse repassando tudo em sua mente para ver se não tinha esquecido nada e acabou vendo o medo no rosto deles. Ela sorriu e se aproximou deles como se fosse contar um segredo – O lorde é só um pouco doido, mas eu juro que ele não morde.

Um das senhoras riu baixinho e os outros ficaram mais aliviados.

– Sakura! – Naruto apareceu no lugar cumprimentando todos com um aceno – Precisamos falar em particular.

Sakura desmanchou o semblante despreocupado e ficou tensa. Olhou para os quatro que os observavam curiosos e sorriu de canto.

– Podem começar, qualquer coisa podem ir perguntar à Tsunade. – disse por fim e Naruto a olhou com as sobrancelhas arqueadas. – Venha.

Ela o conduziu até a biblioteca. Naruto sorriu ás suas costas. Tão rápido quanto mostrou sua teimosia, mostrou também uma competência e versatilidade como anfitriã que o fazia se sentir uma visita em seu próprio lar.

Ela se virou para fitar a janela. Sua cabeça estava confusa demais e o tempo que teve para esquecer o ocorrido da última noite. Respirou fundo e esperou que o loiro começasse.

– Sakura, você está bem? Sei que o viu ontem... bem, não era para você ter visto aquilo. — disse ele com aflição

– Não deveria ter visto o quê? O que vi foi um homem, se é que posso chamá-lo assim, descontrolado. — respondeu seca abraçando seus braços ao sentir um desconforto subir por sua espinha.

Ele suspirou cansado, caminhou até uma cadeira empoeirada e deixou que o peso do corpo ali caísse.

– Ele sofre a perda do irmão Sakura, às vezes penso que está perdido para sempre, mas, hoje vi um fio de esperança.

Sakura virou a cabeça com um pouco de surpresa para encarar o homem.

– Sobre o que diz, senhor? — perguntou com a voz mais calma.

– Sasuke está disposto a ajudar as pessoas da vila. Antes ele parecia alheio a tudo, e agora — disse ele pensativo — está diferente, algo mudou. É como se ele enxergasse tudo o que acontece lá. Vamos agir Sakura e eu prometo que as coisas irão mudar. O que eu quero saber é, se mesmo depois do que viu você ainda quer continuar aqui?

O sorriso saiu fácil no rosto da garota. Não acreditava que aquilo realmente estava acontecendo. Ela se aprumou ao pensar estar com cara de boba e deu um sorriso mais contido.

– Se para este propósito ele está disposto a sair das sombras, então vocês têm meu apoio. Continuarei aqui. — disse firme.

Naruto soltou o ar preso nos pulmões.

– Graças aos céus Sakura, não sei o que faria agora se você saísse daqui. Como estão os novos empregados?

– Com certeza não sou tão indispensável — disse mais leve se aproximando do rapaz de um modo iluminado — estão ótimos! Ficaram um pouco assustados por causa do... você sabe... mas consegui acalmá-los.

Naruto se levantou e pôs as mãos nos ombros da jovem.

– Você fez muito por este lugar Sakura, percebe como está diferente? Acho...acho que isso afetou o Sasuke. Ele até quer tomar banho! — disse ele com um olhar apavorado.

Sakura riu com gosto. O clima havia ficado tão leve de repente e ela pensou que isso sempre acontecia quando estava perto de Naruto.

– Posso lhe pedir um favor, Naruto? — perguntou depois de se controlar.

Ele sorriu com a felicidade dela.

– É claro Sakura, peça o que quiser.

– Vá até os homens e passe serviço à eles, por favor. Estava pensando em restaurar o jardim de entrada — disse gesticulando para o local — por gentileza, veja no que mais ele podem ser úteis. Depois conversaremos sobre Konohamaru. — terminou séria.

– Konohamaru? — disse ele arqueando a sobrancelha — faz tempo que não vejo. Aconteceu algo?

– Não, mas não o quero morando sozinho mais... — disse pensativa — mas depois falamos sobre isso, temos muito o que fazer agora. — bateu as mãos empolgada.

Ele sorriu e foi para a porta.

– Falarei com os homens!

***

O resto do dia passou sem nenhum imprevisto, Naruto permaneceu com os novos empregados do castelo dando ordens e explicações sobre tudo que deveria ser feito. Estranhou não ter visto a garota Hyuuga em meio aos outros e logo se forçou a tomar mais cuidado.

A noite então caiu sem piedade, junto dela nuvens carregadas de chuva e raios.

– Valha-me Deus! — disse Tsunade fazendo o sinal da cruz pela décima vez enquanto o loiro jantava.

– Pare com isso vovó, é só chuva.

– E vento! — disse ela agarrando o avental e olhando pela janela — dizem que nas noites de ventania os mortos caminham pelas terras dos vivos, seus espíritos são carregados pela tempestade até os lugares mais terríveis do mundo.

Naruto arregalou os olhos visivelmente preocupado.

– Vovó, não seria o caso de procurarmos um curandeiro?

– Por que um curandeiro? — uma das mulheres perguntou apavorada também olhando um raio cortar as janelas do salão enquanto jantavam.

Sakura escondeu o riso terminando sua sopa.

– Porque a vovó não está mais no seu juízo perfeito — disse ele ainda observando a mulher com o olhar preocupado.

Tsunade levantou a colher de pau para dar na cabeça do garoto quando uma Hinata ensopada adentrou o local segurando a saia do vestido acima do tornozelo para não tropeçar.

– Senhorita! — Tsunade se apressou para perto da moça.

Naruto ergueu os olhos e vasculhou, sem querer, o corpo da moça em seus trajes molhados, levando um chute por baixo da mesa de Sakura o repreendendo.

– E-eu estava caminhando na orla da floresta... e a chuva... me pegou de surpresa. — disse tremendo os dentes e se abraçando contra o frio.

– PELO FILHO DE DEUS! ESTE LUGAR ESTÁ PERDIDO! — gritou a mulher assustando todos — COMO UMA SENHORITA ANDA SOZINHA PELA FLORESTA A NOITE?

– Vovó, por favor — disse Naruto se levantando e se pondo entre a cozinheira e jovem moça.

– Por favor? Minha filha naquela floresta existem coisas do demônio! Coisas ruins que ficam na espreita!

– Existem? — Hinata esqueceu o frio e arregalou os olhos apavorada.

Sakura deixou de se preocupar e reprimiu o novo riso

– Existem! Temos que rezar muito, muito! Você tem um rosário?

– Que tal irem rezar no quarto? — Sakura disse com um sorriso fingido de gentileza, mas escondendo uma gargalhada. Naruto olhou sem entender para Sakura — E leve Naruto com vocês para que ele seja salvo, também. — Terminou não aguentando a cara de horror do loiro.

– Eu tenho um rosário no quarto! — Hinata disse esperançosa.

– Sakura você é... — começou ele sendo interrompido pela cozinheira que já o puxava pelo braço.

– Isso mesmo Sakura, Naruto precisa rezar para parar de propor que eu vá a curandeiros! Homens ainda! Eu ficaria mal falada pelo resto de minha vida...- e assim um Naruto apavorado e uma Hinata amedrontada seguiram a velha mulher até seus aposentos.

Sakura riu muito e se despediu dos dois casais que seguiram para seus aposentos assim que os três se retiraram dali. Ainda balançava a cabeça contendo os últimos risos quando escutou os barulhos de saltos vindo ferozes em sua direção.

Olhou para trás somente para ver Karin entrando com as roupas e cabelos ensopados e o rosto vermelho de fúria.

– Ainda está comendo sua morta de fome? — disse a ruiva levantando o prato de sopa e virando em cima da rosada — comendo a MINHA comida?

Sakura saltou para trás sentindo o caldo quente escorrer em sua cabeça, pescoço, ombros...

– O quê... — ficou pasma olhando-se, mas logo ergueu o olhar, furiosa para a mulher a sua frente. — Para algo tão baixo, não poderia ser outra pessoa...

– Você não cansa de ser tão irritante? Sua putinha pobre! Quero saber quem foi que deu autorização para contratarem empregados para o meu castelo! — cuspiu ela tremendo de fúria.

– Seu? — Sakura tirou um pouco do caldo de seus cabelos e sorriu em desafio para a ruiva — Primeiro, não me chame como uma sua igual. Segundo... Foi eu quem os contratou. — desafiou querendo saber até onde aquela mulher iria.

A castelã cerrou os olhos e fechou os punhos com força.

– Eu vou bater tanto em você que a imunda da sua mãe vai ter que levantar daquela cama fedida pra cuidar das suas feridas! No meu castelo mando EU! O Lorde saberá disso seu pano sujo! — disse ela cuspindo na face da outra.

Sakura não sabia como a ruiva soubera de sua mãe, mas isso foi a última coisa que pensou quando sentiu o sangue ferver em seu interior. Controlou-se além do limite para não tocar naquela mulher. Queria fazer o que a outra ameaçava, mas algo pior passou por sua cabeça.

Rapidamente, saiu da cozinha e alcançou as escadas. Um novo raio cortou as janelas, mas ela estava determinada, não iria admitir aquilo.

Bufando, ela ignorou os gritos de Karin às suas costas e abriu as portas do quarto dele com estrépito.

– Lorde, eu... — começou com a voz alta e decidida, mas calou-se em seguida.

Sasuke levou um susto quando a porta do seu quarto foi aberta com tanta violência. Os gritos de Karin ecoavam no corredor, mas a única coisa que ele conseguiu pensar era na voz dela. Ela estava ali ,ela viera ao seu encontro.

– O que significa isso? — foi a única coisa que conseguira dizer em meio aquela confusão.

– Esta imunda! Como se atreve a entrar no quarto dele! — gritou Karin puxando Sakura pelo ombro com força.

O quarto estava escuro, mas Sakura sentiu os olhos dele a observando até que seu ombro foi brutalmente puxado para trás.

– Imunda... você é que é a imunda. Me solta. — puxou o próprio ombro com força — Pode fazer suas porquices por aí que eu não vou me meter, mas falar da minha mãe... isso eu não vou admitir. — disse entredentes em uma ameaça baixa.

– Eu vou acabar com a sua insolência!

– Karin já chega! — a voz do Lorde ecoou firme e por uns instantes os únicos sons eram dos trovões que sacudiam o castelo.

– Mas Sasuke...

Ele caminhou até as duas mulheres que brigavam em sua porta, a sentiu perto e não conseguiu segurar o instinto quando pousou uma mão sobre o ombro de Sakura.

– Não admito este tipo de situação em meu castelo, você deveria saber.

– Eu sei meu Lorde, por isso mesmo quero que esta mulherzinha saia daqui, ela não merece trabalhar para o senhor.

Sakura sentiu um frio percorrer sua espinha e estancou no lugar segurando a respiração ao sentir o toque forte e quente em seu ombro. Teve vontade de virar-se e ver-lhe o rosto, mas sabia que veria somente o contorno de sua cabeça, então continuou encarando o que seria Karin a sua frente.

– Se o... — Sakura limpou a garganta ao sentir a voz falhar — meu Lorde preferir que eu saia... mas com essa mulher eu não divido o mesmo teto.

Sasuke segurou o impulso de apertar a pele sob sua mão, o lobo ainda rosnava ao seu lado.

– Karin, não pedi pelos seus serviços. Saia.

A castelã arregalou os olhos incrédula, não acreditava no que estava acontecendo.

– Mas Sasuke, você não pode...

– Eu posso muitas coisas, agora saia.

Ela tremeu de raiva e mordeu os lábios com força.

– Eu sei o seu segredo Sasuke....

– Realmente quer me ameaçar?

Sakura pendeu a respiração, tanto pela ameaça corajosa de Karin, quanto pelo rosnado baixo perto de sua perna. Seu corpo estremeceu de leve quando os dedos dele apertaram de leve seu ombro ao senti-la tensa.

Ela viu o contorno de Karin se agitando no escuro e murmurando coisas baixas.

– Não ousaria ameaçar você, meu Lorde — disse a mulher com a voz carregada de deboche.

– Saia do meu castelo Karin, antes que o lobo não segure a vontade de estraçalhar sua perna.

– Eu saio, mas volto. E você, não pense que me esquecerei de você, e da sua mãezinha — rosnou ela antes de sair carregada de raiva.

O lobo pareceu escutar o que seu mestre disse e rosnou mais alto se aproximando mais das pernas de Sakura. Ela pode até sentir o calor do pelo do animal. Mas a raiva maquiou seu medo e ela não segurou a língua.

– Meretriz — Sakura murmura de raiva — Mulher nojenta... — sente os punhos fechados e trêmulos de raiva e as lágrimas ácidas caem sem controle. — Se ela se atrever... eu...

Sasuke por puro impulso se prostrou totalmente atrás de Sakura e abraçou com leveza. Não soube como nem porque fizera aquilo, mas, no instante que sentiu o calor do corpo dela se afastou totalmente para a escuridão.

– Ela não vai fazer mal a sua mãe... diga-me, onde ela mora?

Sakura, ao sentir os braços a rodearem sentiu suas pernas tremerem, mas não era medo. Sua respiração ficou presa, e mesmo que ele tivesse se afastado tão rápido quanto havia chegado, ela ainda sentia o local formigar. Demorou em entender a pergunta.

Virou-se para o nada e respirou fundo sentindo o cheiro de almíscar.

– Por que o senhor quer saber...? — perguntou confusa.

– Porque quero que a traga para o castelo. Este lugar é bem grande e, você ficará mais tranquila. — disse ele virando-se para a parede, tinha que se afastar dela rápido.

O agradecimento ficou mudo em sua garganta. Ficou frio onde ele estava depois que se afastou. Sentia-se num transe, não tão incomodada com a falta de luz.

Um trovão clareou o lugar e ela viu o lobo a olhando de perto e depois desaparecendo no escuro.

Mordeu os lábios e abaixou a cabeça pensativa.

Uma nova lágrima caiu, mas dessa vez era de alívio. Sua mãe teria uma chance.

– Obrigada, senhor — disse em voz fraca. Tinha muitas coisas para verbalizar em agradecimento, mas as palavras simplesmente travavam no nó que se formou em sua garganta. Decidiu sair de lá para chorar em paz. Antes de fechar a porta, murmurou em voz embargada. — Boa Noite.

Ele suspirou com o coração pesado, no fundo não queria que ela saísse daquele quarto.

– Boa noite...Sakura.

Notas finais
E então? gostaram? Se sim, comentem, favoritem e recomendem! Esperamos pela opinião de cada um de voces leitores lindos!!! Nos vemos nos comentários! Beijoca grande minha e da Pan!! :***