Cavaleiro de Sangue
7 Capítulo 6
Notas iniciais
“ Andou a pé até o castelo decidida á conseguir o emprego. Havia Acordado cedo e ajudado sua mãe na higiene matinal. Não disse onde ia, sabia que sua mãe não a deixaria sair. A fama do lorde ultrapassava a barreira do inimaginável e povoava o pesadelo daquelas pessoas sem esperança de um futuro melhor.
Ah, ela era orgulhosa. Isso era um pecado que deveria ser redimido em prol da saúde de sua mãe. Não queria servir aquele tirano de perto. Suas ações sem premeditação e levadas pela impulsividade já lhe renderam muitos hematomas e agora rendia à seus próximos também. Se os guardas faziam aquilo, quem dirá o que seu superior faria?
Teria que ser forte. Teria que trancar as palavras amargas que pediam para serem explodidas na cara de todo mundo. Teria que ter paciência e não fazer nada de imprudente.
Enrolou o xale velho em sua cabeça e abaixou o rosto para o chão para não ser reconhecida pelos feirantes que arrumavam suas tendas.
O caminho que pegaria não traria suspeitas de seu verdadeiro destino.
Decidiu ir pela borda da floresta, assim se alguém a reconhecesse, diria que estaria apenas indo buscar lenha para algum de seus serviços ou ervas medicinais para a mãe.
O ar estava frio àquela hora, ainda mais perto das árvores. Ela abraçou os braços protegidos pela manga fina do vestido e marchou até a construção de moradia do lorde.
Olhou mais uma vez para a estrada em direção ao vilarejo. Sabia que não havia ninguém ali, mas se sentia fazendo algo errado e isso trazia aquela sensação de ter alguém observando.
Andou a passos lentos até a entrada. Em sua mente ia decorando e ensaiando o que deveria dizer para não parecer mal agradecida e conseguir o emprego.
Olhou os muros tomados por plantas trepadeiras e mal cuidadas, o portão de ferro, começando a enferrujar. Viu as grandes torres de pedras cinza e as janelas cobertas por escuras e grossas cortinas.
Franziu o cenho ao ver o jardim seco e as árvores mal cuidadas na entrada. Aquilo não parecia a residência de um lorde.
– Moça?
A vozinha infantil a fez sobressaltar e olhar para o canteiro do que deveria ser de margaridas. Ali havia um garotinho maltrapilho todo sujo de lama.
– Bom dia, meu nome é Sakura Haruno. Por gentileza, gostaria de falar com a castelã. – disse com um sorriso bonito.
O garotinho se aproximou do portão com uma careta.
– A castelã? Ela não está. É amiga dela, senhorita? – perguntou curioso avaliando a moça.
– Oh, não – Sakura riu um pouco – Como é seu nome?
– Ah, desculpe. – o garotinho coçou a nuca de forma constrangida e sorriu – Konohamaru, senhorita. Á seu dispor.
– Konohamaru? Assim como o vilarejo? – perguntou curiosa se aproximando mais do portão.
– Sim – respondeu orgulhoso dando um sorriso de fechar os olhos de tão grande. – Homenagem. Mas então, a castelã só chega mais tarde.
– É uma pena – Sakura disse pensando que se talvez tivesse que voltar para casa poderia se arrepender daquela ideia e tentar outra coisa.
– O que a senhorita queria falar com a castelã? – Konohamaru perguntou curioso.
– Eu queria um emprego. – respondeu com um sorriso torcido.
– Emprego? Então você pode falar com a vovó. Só um minuto!
Sakura não teve tempo de falar nada e logo o garotinho desapareceu. Ela mexeu os pés com ansiedade voltando a olhar pelo terreno mal cuidado. Seria uma mentira deslavada dizer que não precisavam de gente, só se o lorde for mais nojento que sua reputação.
– Quem é você? – a voz estoica fez Sakura olhar para frente e ver a mulher loira e encorpada lhe olhando dos pés a cabeça.
– Er... Bom dia – Sakura faz uma reverência respeitosa – meu nome é Sakura Haruno e estou a procura de um emprego.
A loira ergueu uma sobrancelha surpresa, mas fechou a cara na hora.
– Que tipo de emprego? – perguntou mais rude.
Sakura se sentiu intimidada com o olhar avaliativo e confrontador da mulher.
– Eu faço qualquer coisa – disse rapidamente – lavo, passo, cozinho, capino, costuro, sei fazer remédios... eu faço o que precisarem. – disse rapidamente.
A loira apertou os olhos e cruzou os braços deixando os peitos ainda maiores.
– Já vendeu o corpo? – perguntou sem travas e Sakura quase engasgou. Parecia até que conversava com sua mãe.
– Jamais – respondeu balançando as mãos exasperada. – Tenho dignidade, senhora. Não me rebaixo à esse tipo de... trabalho.- disse convicta.
A mulher sorriu e relaxou os ombros.
– Sakura, meu nome é Tsunade e sou a cozinheira do lorde. O salário são 7 moedas de ouro por semana. Vá para casa e traga seus pertences.
Sakura não acreditou que havia conseguido tão fácil aquele emprego. Sorriu ouvindo a cada palavra, até que seu semblante murchou ao ouvir a última sentença.
– Trazer meus pertences? – repetiu.
– Sim, terá que viver aqui. Isso é um problema, porque se for...
– Não, não. – Sakura apressou-se em dizer – Sem problema algum.
– Ótimo. Estarei lhe esperando para ditar as regras do lugar.
Sakura assentiu deixando um suspiro escapar. Olhou ao redor e se deteve ao silêncio que ficou.
– Sra. Tsunade, quantos mais trabalham aqui? – perguntou curiosa com a falta de movimentação.
– Somente eu trabalho aqui. – respondeu simplesmente olhando pata uma torre em especial.
– Só a senhora? – perguntou espantada.
– Meus motivos são fortes, por isso não fui embora ainda. Uma pessoas tem de estar desesperada para vir até aqui. – ela se aproximou mais de Sakura e sussurrou – O mal mora aqui.”
Aquele urro fez os pelos de Sakura arrepiarem e seu corpo ter um espasmo de terror. Quando viu, já estava sozinha no cômodo. Naruto havia corrido assim que ouviu o lamento e sozinha, saiu de lá o mais rápido que pôde.
***
– Velha, eu vou lhe mandar chicotear! – a voz de Karin fez Sakura correr até a cozinha e ver Tsunade tremendo com o jarro de vinho em mãos e de cabeça baixa, enquanto a ruiva fervilhava de raiva apontando um dedo na direção da senhora.
Sakura nunca havia visto Tsunade tão submissa. E isso lhe acendeu uma chama que não deveria ser desperta.
– Mande – a voz de Sakura fez as duas olharem para a porta e verem a figura dela destemida — Vamos, mande chicoteá-la. – desafiou passando pela ruiva que a olhava com incredulidade.
– Pano de chão... – Karin olhou-a com o nariz franzido – Cale essa boca senão coloco-te no lugar dela.
– O que aconteceu, senhora? – Sakura ignorou Karin e sussurrou para Tsunade.
– Ela não gostou da limpeza que...
– Eu mando nesse castelo! Eu dou ordens aqui! – berrou a mulher estufando o peito e balançando a saia imunda – Não dei ordens que mexesse no lugar!
Sakura virou-se para ela sentindo todo o asco que aquela figura proporcionava à pessoas de bem.
– Não é porque a senhorita seja uma porca, que todos somos obrigados a viver em tal condição. – respondeu colocando Tsunade às suas costas.
Karin abriu a boca totalmente surpresa. Jamais havia sido tratado daquela maneira. Havia se acostumado com o medo que impunha nas mulheres. Naruto nunca havia lhe dado palavras bonitas, mas também nunca a desafiara. Aquela moça estava brincando com fogo.
– Pelo jeito, foi você quem resolveu passar por cima de minhas ordens. – Karin disse numa calma venenosa – Pois bem, isso chegará aos ouvidos de seu lorde e você terá o castigo que merece. – ela deu um passo
Sakura estremeceu. Karin percebeu.
– Se meu lorde não estiver de acordo com as mudanças, ele mesmo... — Sakura começou e sua voz tremeu um pouco.
– Ele não tem objeções. Pode continuar Sakura. — Naruto entrou na cozinha com a expressão cansada. — Karin, Sasuke não quer vê-la hoje.
O sorriso de Karin morreu no ato e olhou exasperada para Naruto.
– Ele... o que aconteceu? Ele não me recusa. — estava histérica.
Naruto deu um sorriso sinistro para a ruiva.
– Entre no quarto então, o lobo irá estraçalhar você. — Naruto deu de ombros e Karin abriu a boca assustada – Sasuke não está no melhor dia.
Karin se aprumou mexendo no corpete como um tique nervoso e fazendo os peitos saltarem para cima.
– Voltarei amanhã. — disse mais calma remoendo o ódio por dentro. — E você, tome seu lugar, trapo. — apontou para Sakura saindo em seguida com seus saltos ecoando pelo lugar.
– Virgem santíssima – Tsunade suspirou atrás de Sakura – Essa mulher é o demônio!
– Não devia abaixar sua cabeça para ela, senhora. — Sakura disse virando-se para ajudar a mulher – a senhora me botou tanto medo quando a conheci, faria essa aí beijar seus pé com bem menos.
– Ah menina, eu não gosto de olhar naqueles olhos. — Tsunade disse séria – ela se deia com o lorde, vai se saber que tipo de feitiços deve usar...
– Agora concordo com a vovó – Naruto riu – Essa é uma bruxa, das piores. Mas se preocupem com ela depois. O novo pessoal chegará ao anoitecer. Preciso que preparem um jantar para eles. Vovó, Sasuke não jantará hoje.
Dito isso ele deu as costas e deixou-as sozinhas subindo as escadas para o quarto do lorde.
– Conseguiram pessoas? — Tsunade perguntou surpresa.
– Cinco – Sakura sorriu animada. — Bom, mãos à obra.
***
Ao escurecer, a carruagem com os novos trabalhadores chegara ao castelo. Sakura preferiu recepcioná-los e com um bonito sorriso conseguiu acalmá-los. O temor pelo lorde era visível nos rosto deles. Algo que ela não poderia culpar.
Hinata estava entre os pobres e logo sua presença chamou atenção de Naruto, que passava para cumprimentar os novos moradores do castelo.
Os dois se olharam por um momento, até a garota desvia os olhos envergonhada e se esconder atrás das outras pessoas. Naruto franziu a testa, conhecia os traços Hyuuga em qualquer lugar. Jantou sem tirar os olhos da garota.
Hinata se sentiu desconfortável e descobriu estra sendo observada a todo momento pelo rapaz loiro a quem seu pai devia responder. Abaixou os olhos contemplando o cheiroso ensopado, mas sentiu seu estomago revirar.
Teria que ter cuidado.
***
Sakura estava animada. Mais pessoas havia se juntado à eles e agora aquele lugar iria ganhar mais vida, mais vozes.
Já passava das oito horas da noite quando todos foram bem acomodados e alimentados. Há pouco havia conseguido escapar e entrar em seu jardim.
O dia havia sido desgastante, mas mesmo assim conseguiu sentir aquela ansiedade para falar com o rapaz novamente.
Alisou o túmulo de Mikoto e sorriu para a pedra fria.
– Hoje a Terggot, a estrela da Descoberta, está brilhando mais. Interessante. Não é? Sempre amei ouvir as histórias das estrelas, quero dizer, as histórias que elas nos contam. – Sakura falava sozinha limpando o terreno apenas com a luz da lua como fonte. – Hoje vieram mais pessoas para o castelo, pessoas humildes que viram no convite a oportunidade de ganharem um lar com comida quente. Estou feliz em saber que o lorde está aceitando abrir as portas de seu lar para as pessoas e... nossa ele é filho da senhora, não é? – Sakura soltou uma risadinha e disse baixinho como se fosse um segredo – Pensei que ele fosse filho bastardo, jamais imaginei que um homem tão ruim pudesse ser filho de uma santa como a senhora.
Sakura continuou ser serviço falando sobre Tsunade, Karin e Naruto para o túmulo da lady. Até que ouviu passos se aproximando.
– Quem está aí? – perguntou quando o silêncio se fez.
– Sou eu.
Sakura sorriu ao reconhecer aquela voz. Aproximou-se do muro se sentindo bem.
– Vai se apresentar hoje? – perguntou com bom humor.
Ele se silenciou por um momento até soltar um riso baixo.
– O mistério não é divertido?
– Talvez. Não quando se é curiosa. – Disse tirando mais uma risada rouca dele.
– Acho interessante esse nosso encontro. – disse suave e ela ouviu o barulho surdo dele se sentando no chão. Ela suspirou inspirada nos contos românticos que lia quando mais nova e fez o mesmo escorando sua cabeça à pedra fria. – De onde vens, Sakura?
– Não irei responder nada sobre mim. – disse não contendo o sorriso ao ouvir um bufar dele. – Diga-me o porquê de estar aqui.
– Tenho trabalhos no vilarejo. – respondeu simplesmente – O que você faz aqui?
Sakura suspirou e olhou para a estrela mais brilhante no céu.
– Trabalho aqui.
– Mas a senhorita disse que repudiava o lorde. Por que justo aqui? – perguntou curioso com a voz baixa.
Sakura pegou um galho que estava à seus pés e começou a quebrá-lo em pedaços pequenos apenas para distrair as mãos.
– Minha mãe está doente. Muito doente. – suspirou pegando outro galhinho – Não arrumava dinheiro o suficiente para alimentá-la corretamente. O senhor deve ser um viajante rico ou um soldado do lorde, por isso não deve saber, mas desde a guerra tudo tem aumentado muito aqui, e comer acabou virando um luxo.
Sasuke engoliu em seco e passou a mão pelos cabelos frustrado e decepcionado consigo mesmo. Seu fantasma havia o privado de ver a realidade. Quando tudo aconteceu, o pânico tomou conta de seu ser e, desesperado, pensou mais em si e achou que o resto estaria melhor que ele.
O lobo pousou a cabeça no colo do dono e relaxou para tirar um cochilo. O silêncio que se seguiu foi cortado pelo barulho de dobradiças enferrujadas grunhindo para o vento.
– Sabe o que significa Hortum Poetry, senhor? – Sakura perguntou de repente olhando para a placa velha que balançava os acordando de seus devaneios.
– Jardim das poesias – Sasuke respondeu num sentimento de nostalgia.
– Sim, era uma história muito bonita que meu pai me contava quando eu era pequena. Sobre fadas, príncipes e um jardim onde o maior tesouro estava escondido. Jamais descobri qual era esse tesouro. – confessou rindo.
Sasuke abaixou a cabeça passando a mão pelo dorso de seu lobo e sorriu melancólico.
“– ... o príncipe rumou com seu alasão pelos campos de flores silvestres e deixou para trás o seu tesouro de ouro. O arco de jasmins o deu boas-vindas para o jardim das poesias, Hortum Poetry. O príncipe avançou com passos decididos, sabia que jamais iria se arrepender da escolha que fez, pois ali estava o maior tesouro que já existiu.
– Diamantes, mamãe? – o garotinho perguntou curioso e empolgado.
– Não, Sasuke – a mulher riu aninhando o pequeno melhor em seu colo enquanto mantinha o livro aberto para que o filho visse o desenho de um jardim mágico e um príncipe entrando pelo portal. – Algo ainda mais valioso.
– Mais? – perguntou pulando no colo da progenitora – Então era um dagão! – ergueu os braços mostrando a imensidão de sua imaginação.
A mãe riu o pegando no colo e colocando-o para dormir.
– Dragões não entram no Jardim das poesias, querido.
– E monstros?
– Também não. Lá só pode entrar coisas boas. – respondeu paciente.
– Entendi – disse pensativo. – Então a mamãe pode entrar. – ergueu os olhos brilhantes para a mãe.
Mikoto deu um beijo em sua testa e o cobriu.
– Você, papai e Itachi também podem.
O garotinho sorriu já se sentindo os olhos pesarem e sonhou com o jardim mágico que sua mãe contara.”
– Lady Mikoto adorava essa história. – disse por fim com uma falha em sua voz.
Sakura sorriu alisando a saia do vestido já sujo pela terra.
– Gostaria de ter conhecido ela. – confessou baixo demais.
– Era uma boa mulher. – Sasuke respondeu para a surpresa de Sakura.
Ela olhou para o céu vendo nuvens passarem por cima da lua cheia que centralizava no céu.
– Amanhã o senhor ainda estará aqui? – perguntou tímida se levantando.
Sasuke deu um meio sorriso se levantando também.
– Deseja que eu esteja? – perguntou com a voz grave e Sakura apertou os lábios reprimindo um “sim” ansioso.
– Se não for incômodo... – respondeu fazendo barulho ao andar até o portãozinho de madeira.
Sasuke deu um silvo e o lobo se levantou andando a seu lado.
– Estarei aqui.
Sakura sorriu e saiu. E como esperava, ele não estava mais lá.
***
Havia á pouco chegado em seu quarto quando Naruto entrou. Ainda estava entorpecido pela voz da garota. Tão suave e levemente tímida. Não se parecia com a agressividade e desafio que sempre escutava pelos corredores de seu castelo.
– Sasuke, já estão todos acomodados. São 5 pessoas, entre elas a filha de Hiashi. – Naruto já foi se servindo de vinho e colocando numa taça para Sasuke.
– Hn. Fique de olho nela. – disse recebendo a taça sentando em sua poltrona de couro. O lobo deitou-se à seus pés.
– Sakura fez um ótimo trabalho, não? – Naruto olhou ao redor e só então reparou que as cortinas estavam abertas. – Onde você estava, seu bastardo?
– Olha como me chama, idiota. Lhe mando à forca! – Sasuke fez falsa ameaça e Naruto riu.
O loiro foi até as cortinas e as fechou trazendo novamente à escuridão. O sorriso zombeteiro foi deixando sua face e Sasuke percebeu o clima ficar tenso.
– Juugo está retornando com a tropa. – disse baixo ainda de costas para Sasuke.
– Quem deu a ordem? – Sasuke perguntou segurando a respiração.
– Eu ordenei. – Naruto se virou sentando-se na borda da cama – Sasuke, entenda...
– Ele não morreu! Você não tinha esse direito! – Sasuke grunhiu entre dentes jogando a taça de vinho no chão com fúria.
Naruto continuou impassível e o lobo somente ergueu a cabeça. Sasuke puxou os cabelos e andou de um lado para o outro contendo a vontade de socar algo.
– Ele está morto, aceite Sasuke. Precisamos daqueles homens aqui, já que os de Suigetsu não podem deixar seus postos. Não sabemos o que Hiashi está tramando...
– Mate aquele miserável! Mate ele! Não quero que deixem as buscas ouviu? – o lorde fez esforço para não gritar.
– Sabe que não podemos fazer isso. Sasuke pense um pouco... Você está...
– Saia daqui.
A ordem foi seca e cheia de amargura e dor.
– Sasuke...
– Não me faça mandar duas vezes, Naruto.
O loiro assentiu triste saindo do quarto em tempo de ouvir algo quebrando contra a parede.
***
Sakura se compadeceu dos novos moradores. Deveriam estar assustados com os barulhos noturnos. Mal havia passado-se uma semana, mas aqueles grunhidos e estalos, começavam a fazer parte de sua rotina, apesar de ainda lhe darem um arrepio de medo.
Havia passado horas que barulho nenhum era ouvido e logo ela conseguiu pegar no sono. Adormeceu repetindo aquela voz grave em sua mente.
“O mistério não é divertido?... Jardim das poesias... Estarei aqui.”
A voz dele a fazia ter uma sensação gostosa. Sua natureza sonhadora a traía, estava interessada no estranho misterioso de voz bonita. Talvez quando partisse, talvez pudesse vê-lo...
– MALDIÇÃO!
Sakura abriu os olhos assustada.
– EU MATO TODOS! TODOS!
Levantou-se e foi até a janela. Reconhecia aquela voz. Ou estava ficando maluca?
– ME ABANDONARAM! EU OS ABANDONEI!
Sakura engoliu em seco procurando a voz. Não tinha dúvidas, apesar de estar meio embolada, era a voz daquele homem, o estranho que não saía de sua cabeça.
Pulou a janela para ver o que estava acontecendo. Se ele acordasse o lorde... Ela não sabia o que poderia acontecer.
Viu as luzes se acendendo nos quartos que os outros estavam ocupando, mas não deu atenção para as perguntas apavoradas, correu em direção a ele.
Bem a frente viu um vulto grande segurando uma espada larga e dando golpes cegamente em um tronco de madeira. Parecia fora de si e bêbado.
– AMALDIÇOADO!
Sakura conseguia ver suas costas com a capa mexendo junto com o movimento de seu corpo e um capuz cobrindo a cabeça. Agora de perto, ela podia afirmar com certeza que era ele.
Olhou para trás assustada e viu Naruto correndo com um gigantesco lobo atrás de si. O loiro arregalou os olhos ao ver Sakura.
– Saia daqui! — disse urgente enquanto o lobo corria na direção do homem que golpeava e gritava sem coordenação.
– O lobo! Vai machucá-lo! — Sakura se apavorou fazendo menção de correr até lá.
– Ele não vai! Sakura saia daqui! — Naruto gritou e correu em direção ao homem sofrido.
Sakura sentiu duas mãos frias tocarem seus ombros e viu Tsunade a puxando para longe.
– Ele precisa de ajuda. — Sakura disse vendo o lobo rodear o homem.
– Ele não tem mais salvação. — foi o sussurro de Tsunade.
Sakura olhou sem entender para a mulher até que seu corpo todo congelou ao berro de Naruto.
– Sasuke! Abaixe essa espada!
O loiro se jogou por cima do grande corpo e conseguiu desarmá-lo. Sakura abriu a boca em surpresa ao vê-los travando uma batalha.
– ME MATE! ME MATE! — ele berrava para Naruto, que já havia conseguido imobilizar Sasuke enquanto o lobo o farejava chorando baixo.
– Vamos, menina. — Tsunade a puxou pelo braço, mas ela não conseguia tirar os olhos das três sombras.
– Ele é... — murmurou abobalhada.
Tsunade respirou fundo e fechou a porta bloqueando a visão do lamento daquele homem grande que começou a chorar como uma criança nos braços do amigo.
– Lorde Sasuke Uchiha, o amaldiçoado.
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