Cavaleiro de Sangue
16 Capítulo 15
Notas iniciais
Hinata segurava seu arco com precisão. Seu coração batia ao mesmo timbre de batalha que escutava ecoar por aquele campo. Centenas de homens lutavam, digladiavam, morriam.
A seu lado, bravos arqueiros apontavam suas flechas e a aceitavam como líder.
– Atirem! — bradava apontando para os inimigos que tentavam subir a muralha e protegendo a parte danificada da mesma.
– Onde está aquele velho? — resmungou um dos homens acertando uma flecha na cabeça de um inimigo que estava atacando seu companheiro.
Hinata olhava triste para os pobres camponeses que pereciam nas mãos de soldados treinados. Tentou salvar os pobres homens que caíam manchando suas roupas com sangue, mas com o heroísmo e a honra intocados.
Varria seus olhos aguçados de caçadora atrás do chefe da guarda que lutava no meio daquela confusão de espadas e escudos.
Flechas foram disparadas a direção de inimigos que adiantavam-se no portão. Permaneceu firme, abatendo seus alvos e recebendo as flechas sujas de sangue que um soldado tirava dos mortos para serem reutilizadas.
Estava pronta para dar mais uma ordem quando seu movimento travou. Naruto e seu pai num duelo mortal. Quase deixou seu arco cair de suas mãos trêmulas, um dos arqueiros a amparou e perguntou se estava bem, mas nada ouvia, nada sentia. Olhou para os céus e rezo para que o justo fosse feito.
~ * ~
– Sakura, minha menina… — Tsunade se desesperou indo atrás da garota, mas a mão do velho soldado a parou e puxou para sua direção. Um dos homens de Sasori apareceu para ir em direção as escadas, mas parou abrupto ao se surpreender com o casal ali.
Jiraya girou Tsunade para suas costas num movimento jovem demais para ele e colocou-se em posição de ataque.
Um rugido foi solto da garganta do soldado de Suna e o primeiro ataque nem chegou perto de ser uma ameaça ao velho. Ele bloqueou todas as investidas e ainda jogou uma piscada para a mulher pálida atrás de si.
Tsunade arfou indignada com sua postura e impressionada com seu desempenho. Jiraya encarou sério seu oponente, já sentindo as costas reclamarem e os joelhos travarem. Girou a espada longa numa diagonal e desarmou o jovem soldado. Virou o corpo seguindo o movimento da espada e cortou o ombro direito de seu oponente fazendo-o gritar de dor quando o braço balançou inerte ao lado do corpo.
– Saia da minha frente, seu rato imundo.
O garoto correu em disparada e pulou a janela que havia escalado. Tsunade soltou o ar preso sentindo o coração palpitar de nervoso. Olhou para o velho que agora estalava as costas e depois para o rastro de sangue que menino deixou ao fugir.
– Você.. não o matou. — Afirmou tentando entender o porquê.
Jiraya soltou um gemido de dor e virou-se para ela com a expressão sofrida de quem já não tinha mais idade para aquilo.
– Era só uma criança, com o braço daquele jeito não vai machucar ninguém..
Tsunade impressionou-se e sorriu, um sorriso que murchou instantaneamente quando ouviu a voz daquele que há muito pensara estar morto.
– Itachi?
~ * ~
Naruto tremeu quando viu a grande porta do castelo ser derrubada, sabia que naquele momento seu melhor amigo estava em perigo, e ele faria qualquer coisa para salvá-lo.
Pulando por entre os corpos caídos e se esquivando de espadas furiosas ele chegou perto, bem perto do castelo. Mas alguém o parou no caminho.
– Então o chefe da guarda sobreviveu — a voz de Hiashi Hyuuga soou como brasa em seus ouvidos, o fazendo girar o corpo para encarar o traidor do seu Lorde.
– Sobrevivi, para cortar a sua cabeça maldito!
E com força brandiu a lâmina contra o outro. A briga foi bela, Hiashi lutava com maestria esquivando todo e qualquer golpe aplicado pelo loiro, mas é claro que Naruto não fora nomeado a um cargo tão alto por acaso, e fez jus ao seu nome.
Em um jogo de corpos ele deslizou pela direita, aplicando um golpe com o cotovelo nas costelas do outro. Hiashi arfou e atacou com raiva, o pior veneno em qualquer batalha.
Os insultos trocados atiçavam cada vez mais o Hyuuga, que perdia o tino da luta, e após receber um soco forte no rosto Naruto enlaçou sua espada com a própria, a atirando longe. Com uma rasteira derrubou o outro e antes que ele pudesse tentar levantar, roçou a lâmina afiada no pescoço largo.
– Seu…
– Você não merece misericórdia — disse Naruto apertando com mais força a lâmina, fazendo um fio fino de sangue brotar onde a pele era rasgada — mas não vou matar o pai de Hinata.
– Hinata? — repetiu o outro arregalando os olhos — minha filha…
– Sim, sua filha. É mais honrada do que o homem que a criou.
– Então não vai me matar.
– Não, mas você vai lembrar de mim — e com força pisou no rosto do outro, quebrando o nariz com um barulho agoniante.
Antes de voltar o corpo para a entrada do castelo ele ouviu o som da corneta e seus olhos quase lacrimejaram com o visão de milhares de homens cavalgando ferozmente pelo horizonte. Eles traziam o estandarte da casa Uchiha, e de longe Naruto reconheceu a cabeleira branca de Suigetsu. Agradeceu aos deuses por ele ter conseguido sair de Suna a tempo, mas o que fez seu coração tremer foi o grito rouco e furioso. O grito de Itachi Uchiha.
– Estamos salvos … — sussurrou enquanto os corpos caiam ao chão.
~ * ~
Sakura permaneceu em estado de choque ao ver a cabeça de Sasori Akasuna rolar pela janela, indo de encontro ao seu exército condenado.
Olhou para o seu Lorde e percebeu porque era chamado de cavaleiro de sangue. O liquido vermelho cobria seu rosto e respingos salpicaram as vestes negras. De repente sentiu lágrimas quentes brotarem em seus olhos, e fez o que julgava ser o mais certo. Correu em sua direção.
– Sasuke! — disse em desespero o abraçando com força.
O lorde retribuiu o abraço sem se importar com a sujeira que estava e com os cortes que sofrera. Apertou o corpo magro contra o seu e aspirou o perfume de flores misturado com suor que ela exalava.
– Você está bem? — perguntou com a voz firme, porém ofegante.
– Estou, eu estou! Você conseguiu, você o matou! Salvou seu povo… — gaguejou ela tocando em cada pedaço do rosto dele, como se para checar que estava tudo bem.
– Itachi… — sussurou ele lembrando da voz que escutara — Itachi está aqui! — soltou quase desesperado. Não estava louco, havia ouvido com toda certeza a voz dele.
– Seu irmão?
Os dois ouviram então passos pesados pelo piso do castelo, e Sakura agarrou as vestes de Sasuke com força ao ver uma dúzia de homens cobertos por sangue e poeira pararem no arco que separava o grande salão do corredor de entrada do castelo. Todos olharam fixamente para Sasuke e quando ela pensou em puxá-lo para correr dali, num instinto protetor, um outro homem apareceu em seu campo de visão.
Ela não o conhecia, mas a aparência a fez olhar para Sasuke e voltar a olhá-lo. Os mesmos olhos negros, o mesmos traços no rosto fino. Era tão bonito quanto Sasuke, porém possuía um ar mais imponente, aquele dado a homens mais velhos. Os longos cabelos negros presos a um rabo de cavalo baixo balançavam a brisa que lambia o campo de batalha, e ela soube quem ele era.
– Sasuke… — disse ele tremendo os lábios.
Itachi então correu para o irmão e Sasuke deixou-se ser abraçado no escuro. Dois homens crescidos, com marcas de batalhas e compartilhando um momento fraterno e cheio de saudade. Sasuke sentia o corpo vibrar de emoção e até Titã se afastou com a cabeça baixa se colocando ao lado da garota.
Sakura levou as mãos a boca para conter a emoção pela cena que presenciava, era emocionante.
Sasuke deixou as lágrimas brotarem sem vergonha, chorou pelos anos que vivera sem o irmão, pelos anos no escuro, pela morte dos pais. E Itachi o segurou com firmeza, enquanto o abraçava com força.
Ambos caíram de joelhos no chão frio sem se soltar por nenhum segundo, não disseram nenhuma palavra, apenas permaneceram abraçados como se suas vidas dependessem daquilo.
Sakura sentiu uma mão fria em seu ombro e ao virar para encarar a pessoa se deparou com uma Tsunade emocionada. As lágrimas corriam pela face pálida enquanto a outra mão apertava o crucifixo com força.
– Lady Mikoto… eles estão aqui, seus dois meninos — murmurou com a voz embargada.
~ * ~
Hinata não acreditou quando viu que estavam ganhando, pasma viu seu pai ser contido por dois soldados e levado para longe com o rosto ensaguentado. O exército que chegara de surpresa devastara completamente o de Sasori e agora poucos homens se mantinham em pé.
As tropas gritavam pela vitória e ela sentiu a garganta tremer, nunca estivera numa guerra antes, mas se precisasse voltar a uma, saberia que a sensação de vitória era a melhor que alguém poderia sentir na vida.
Deixou o arco cair ao som das inúmeras vais. Com surpresa viu seu corpo ser abraçado pelos colegas sobreviventes e ouviu muitas aclamações de agradecimento.
Feliz por se sentir útil pela primeira vez na vida ela se deu conta de que Naruto ainda estava lá em baixo, e então correu. Correu porque sobrevivera por ele, correu por queria encontrar e comemorar a vitória com o homem em que dera o primeiro beijo.
~ * ~
Itachi levantou o irmão e o fitou com atenção. O sorriso de felicidade não cabia em seu roso enquanto encarava o rosto maduro de Sasuke entre suas mãos. Mas então, a expressão foi se tornando tensa quando sentiu que havia algo errado, algo fora do lugar, e quando Sasuke girou os olhos desfocados ele sentiu uma pontada no peito. Seu irmão estava cego.
– Sasuke… meu irmão… — a voz do mais velho saiu confusa, desesperada enquanto tentava focalizar os olhos negros e sem vida que permaneciam úmidos. — O que aconteceu? Meu irmão…
Sasuke franziu a cara em sofrimento sentindo os dedos gélidos de Itachi passarem pelas pupilas fechadas ao contato. As mãos do mais velho tremiam quando solto o rosto de Sasuke e o abraçou com mais força do que da última vez.
– Eu não sabia… não sabia… as lendas. Eu achava que eram…. não acreditava que era um monstro… achava que era um tipo de brincadeira…. meu irmão.
Sasuke apertou os olhos sentindo um gosto amargo em sua boca. Seu irmão estava ali e nada mais importava. Todo o sofrimento que passara não importava. Sua fé era inabalável, ele sabia, sentia que Itachi estava vivo.
– Itachi … — disse ele postando as mãos nos ombros do irmão ao se afastar e recobrar sua voz — onde você estava… eu te procurei tanto.
A voz trêmula e embargada do irmão fez Itachi sentir uma compaixão enorme por aquele homem. O garotinho que não entendia o porque dele não poder brincar para estudar táticas de guerra agora era um homem feito, um Lorde que tomara para si responsabilidades demais, em uma época triste demais. Ele merecia todas as explicações do mundo.
– Sasuke é uma longa história, tenho certeza que teremos muito tempo para discutir sobre isso, mas o que precisa saber é que eu descobri sobre a traição de Hiashi logo que a primeira guerra acabou, e segui oculto de todos para conseguir aliados para nosso clã. Sabe que perdemos quase tudo com a guerra não sabe? Quase morri naquela guerra e fui cuidado pelos pais de um dos soldados. Achei que aqui estaria a salvo com você no poder e com essa lenda que colocaram em volta de ti, por isso foi uma longa jornada, mas graças a isso o exército de Suna se encontra morto as portas do seu castelo.
– Do nosso castelo — disse Sasuke apertando os lábios finos para não chorar novamente.
A emoção de ter o irmão perto novamente era algo que ele não possuía explicar, naquele momento, mesmo com os milhares de mortos em seus campos, com parte do castelo destruído ele podia julgar ser o homem mais feliz do mundo. Ele tinha o irmão, e tinha Sakura.
~ * ~
Naruto não acredita no que estava acontecendo, os urros de vitória o deixaram levemente perdido.
– Nós vencemos… vencemos…
Viu Juugo sorrir e brandar a espada suja de sangue contra o céu que agora apresentava os primeiros raios de sol, viu Suigetsu descer do cavalo e abraçar o velho amigo. Mas ele queria ver Itachi com os próprios olhos, e depois queria socar aquele Uchiha maldito por ter ficado tanto tempo desaparecido.
Ao caminhar de volta para o castelo ouviu gritos finos e histéricos, reconheceu o próprio nome naquela voz desesperada e olhou para trás.
Hinata.
Sorriu, sorriu verdadeiramente, sorriu com paz. E quando a morena coberta de suor e sujeira jogou o corpo contra o dele, foi a melhor sensação que sentira na vida.
Enlaçou o corpo magro com os braços e a levantou do chão ligeiramente, quando encontrou os olhos claros ele sentiu o peito bater mais forte.
– Eu sobrevivi.
Ele concordou abrindo um enorme sorriso.
– Sobreviveu… — e a beijou.
O beijo longo e demorado fez ambos perceberem que agora, haviam encontrado seu lugar, um no outro.
~ * ~
Três dias haviam se passado. As desgraças da guerra estavam em toda a parte nos arredores do castelo. O vilarejo havia sido depredado por soldados de baixa patente que eram covardes demais para entrarem em batalha. Sakura havia conseguido acomodar todos no castelo, em contrapartida era abençoada com a ajuda de todos para a reconstrução do que podiam com o o que tinham.
Tsunade nunca se sentira tão feliz, estava cozinhando grandes banquetes para as centenas que dormiam em acampamentos ou dentro das paredes de pedra daquele castelo. Hinata ajudava como podia, mas decididamente socializar não era seu forte, então ficava ao lado de Naruto, tratando os feridos e limpando os cômodos que usariam.
Um missa fora rezada para os mortos no dia seguinte à pequena guerra. Muitos homens, pais de família, maridos honrados e filhos amados, pereceram em nome de seu lar. Todos, um por um, nomeados pela voz rouca e anciã do velho sacerdote, foram lembrados nas orações daquele povo sofrido.
Algumas famílias retornaram sem conseguir achar algo melhor fora dali e foram recebidos de braços abertos pela bela donzela que eles conheceram quando menina e que agora parecia uma rainha.
– Senhora Tsunade, por favor, toque o sino que já iremos começar. — Sakura sussurrou para a mulher que parecia desgostosa com algo. Tsunade deu um salto assutada olhando primeiro para trás e depois para Sakura.
– Agora mesmo, menina. Tenho que sair daqui mesmo… — resmungou saindo do local. Sakura estranhou aquela reação, mas logo compreendeu quando viu o velho Jiraya dar um sorriso sapeca e fazer uma reverência breve para a moça e sair correndo atrás da cozinheira loira.
Naquele dia, Sakura sentia uma emoção forte que transcendia a ansiedade. Dormira no quarto de Sasuke aquela noite, e quase morreu envergonhada quando Hinata e a cozinheira invadiram o local e abriram as cortinas da cama do lorde. Sasuke não estava a seu lado, mas o constrangimento era tamanho por ser flagrada ali.
Tsunade não fez perguntas e não a repreendeu, Hinata a puxou da cama como se tivesse ciência do que deveria fazer. Sakura tentou perguntar, mas nenhuma das duas respondia, apenas trocavam palavras sobre o seu cabelo e sua pele e começaram a vesti-la com uma variedade de vestidos e espartilhos que as duas trouxeram. Os cabelos foram lavados, penteados, trançados e presos com um belo pente de pedras azuis. Os olhos foram destacados com o pó claro que bateram em seu rosto e as bochechas apertadas para ficarem coradas. Um líquido com cheiro de amoras e cor bonita foi passado em seus lábios. Passara, o que parecia horas, mas Sakura se surpreendeu ao ver a bela dama num vestido esmeralda olhando para ela com a mesma expressão.
Suspirou fazendo de tudo para não morder o lábio e estragar o trabalho das duas mulheres quando o povo começou a entrar no grande salão ao som dos sinos que batiam em forte melodia no alto da torre de vigia.
Mulheres em luto traziam suas crianças seguras pelas mãos enquanto ainda vestiam seus véus negros. Guerreiros feridos, antes chamados de camponeses, hoje vistos como heróis, marchavam com suas honras intactas e o espírito nobre reverberando pelo peito.
As mulheres, os idosos e os feridos se acomodavam em bancos dispostos à frente, enquanto todos os outros permaneciam em pé à espera.
Sakura estava no canto direito, de frente para eles. Ela segurava as mãos em frente ao corpo enquanto o coração batiam com força no peito daquela menina que virara mulher. Que assumira uma responsabilidade que não era sua e que aceitara um fardo que não lhe deram. Ela sorria de forma gentil para os que a cumprimentavam e sentiu bem quando Hinata se colocou a seu lado e passou forças com um toque em seu braço.
– Uma vida nova. É isso o que vai acontecer hoje. O começo de uma vida nova, depois de tanto sofrimento.. — Sakura sussurrou para a amiga que a olhava com admiração.
– Eu… sinto muito por ter deixado chegar à este ponto, Sakura. Eu podia… — Hinata remoía a culpa que carregava em nome de sua família. Não conseguia se perdoar por não ser destemida o bastante para dar um basta quando ela sabia que havia algo errado.
Agora seu pai jazia preso em uma das celas nas masmorras e sua família foragida. Era impossível não sentir a humilhação que a falta de integridade e de caráter haviam manchado seu sobrenome.
– O destino sabe como jogar, Hinata — Sakura a interrompeu com um sorriso amoroso, daqueles compartilhados por irmãs — O que você fez, foi algo heroico, será lembrado por gerações através dos bardos. Seu sobrenome será lembrado por ter a mais bela e corajosa arqueira de Konoha.
Hinata olhou surpresa para a moça que não era mais velha que ela, mas que passava uma sabedoria e uma força acima de sua idade. O calor do agradecimento rompeu por seu coração e os olhos marejaram de emoção.
– Obrigada… — sussurrou de volta com a voz embargada.
Sakura sorriu a abraçando.
– Pode deixar comigo, senhora. — Naruto fez as duas rirem e abraçou sua amada confortando aquele coração frágil. — Sasuke já vai entrar.
Sakura virou-se quando a trombeta começou a tocar, e todos, sem qualquer exceção, se levantaram.
Titã e Sasuke passaram pelo arco com passos majestosos. O cavaleiro usava uma capa preta que cobria todo o seu corpo, a seu lado, o grande lobo andava perto de sua perna e rosnava quando um degrau se aproximava, fazendo Sasuke o acariciar em agradecimento quando conseguiu se colocar onde deveria.
Ela colocou a mão no peito, sentindo o palpitar e seus olhos umedeceram. Ele olhava para frente, com o queixo erguido e os olhos vagos, mas sua presença era tão forte e estarrecedora que todos ficaram mudos encarando a figura do misterioso lorde amaldiçoado. Titã olhou para Sakura, e como se tivessem uma ligação sobrenatural, Sasuke voltou o rosto para a mesmo direção e sorriu de canto. Ela não sabia como, mas ele sentia que ela estava ali, e mesmo ciente que ele não a via, ela sorriu de volta.
Então a voz dele soou como um trovão.
– Moradores de Konoha, meu povo. Eu lhes devo muito, os devo inclusive a minha vida. Peço perdão por tê-los deixado nas mãos de um bandido e terem sofrido tanto. Sinto muito por ter perdido o que meu pai e meus antepassados construíram com tanto amor e sabedoria. Eu não merecia a ajuda que me deram nesta batalha contra Suna, e mesmo assim vocês confiaram no homem que viam como um demônio, sou eternamente grato por isso.
Todos os presentes o ouviam com atenção.
– Seus maridos, filhos e parentes que deram a vida por Konoha jamais serão esquecidos, eles são nossos heróis — ele puxou o ar com força — me escondi todos esses anos por medo, por medo da minha fraqueza física, e esse foi um erro. Moradores de Konoha, meus amigos, porque é isso que vocês são agora, eu lhes dou a minha palavra de que uma nova era se inicia hoje, e seus sofrimentos ficarão nos dias sombrios do passado. Agradeço a todos e a cada um pela fé que depositaram em mim, e em Sakura — disse ele virando o rosto para a mulher e estendendo a mão para chamá-la até ele, sorrindo ela pegou em sua mão e olhou envergonhada para o povo — Esta mulher entrou no meu castelo e me fez ver como todos vocês viviam, ela me fez ter vergonha do que eu havia me tornado, e agora as coisas são diferentes. Quero lhes apresentar meu irmão mais velho, o primogênito Uchiha, que agora é o vosso Lorde por direito. Itachi Uchiha! — e estendeu o outro braço para o irmão — devemos muito a ele e seus homens. Agora, rezemos aos mortos, e saboreemos a refeição que compartilharemos juntos, como amigos.
Uma palma foi batida discretamente, outra se juntou a primeira e logo todos o aplaudiam de pé. Itachi apertou o ombro do irmão e sorriu abertamente, virando-se para Naruto e os outros soldados. Sasuke então pegou a mão de Sakura e a puxou com delicadeza.
– Me encontre no jardim quando tudo acabar.
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– Lady Mikoto — ela chamou o nada sentindo o cheiro dos jasmins florescendo perto dali. Passou a mãos delicadamente pela parede fria e sorriu vendo que seu recanto permaneceu alheio à guerra.
– Sakura — chamou Sasuke ao sentir a presença da mulher e ouvi-la chamar tão amavelmente sua mãe.
Ela prendeu a respiração e sorriu nostálgica pousando a cabeça na parede de pedra. Seu coração disparou com a breve entonação da voz dele dizendo seu nome.
– Meu lorde… — ela respondeu segurando o riso ao ouvi-lo bufar de leve.
– Sasuke. — ele sussurrou de volta e ela sorriu.
– Vai se esconder de mim, Sasuke? — ela brincou e sorriu ao escutar a breve risada dele.
– Desta vez será diferente — disse ele dando a volta no muro de pedra e entrando no campo de visão da rosada, ele caminhou até a sua frente, onde parou fitando o vazio — desta vez preciso de você na minha frente, Sakura.
A mulher respirou fundo e deu um passo a frente, reparou que ele sentia o cheiro do lugar e mexia a cabeça na direção da flores que ela plantara ali. Titã não havia entrado com Sasuke, aguardava no portal de pedra, como desse privacidade aos dois.
– Estou aqui — ela tocou-lhe a mão e o puxou para mais perto.
Ele se aproximou e ficou a centímetros do rosto dela.
– Sakura, nunca achei que diria isso a alguém, mas, quando eu estive sobre a perspectiva da morte naquela noite, só pensei uma coisa, na verdade, em uma coisa que eu não havia dito.
Ele sentiu ela arfar como se estivesse ligeiramente nervosa.
– O-o que…?
– Que eu amo você.
A boca da mulher se abriu em surpresa, a mão trêmula foi até o rosto que o encarava incrédula. O coração batia forte, num ritmo que jamais havia entrado. Seu cérebro, sempre sagaz, estava em pane. Não conseguia formular palavras, não sabia o que fazer. O tremor em seu corpo, a elevação da temperatura de seu rosto e os sinais claros de emoção em seus olhos não deixavam duvidas. O sentimento era recíproco.
Ele então encostou suas faces e buscou algo no bolso, retirou de lá uma caixa de veludo negro e abriu em frente a mulher. Na tampa o símbolo da família Uchiha e no centro uma aliança fina e delicada, feita do puro ouro e com uma preciosa e pequena pedra no centro. Não houve tempo para compreender o gesto, a mão dele tateou seu rosto e fez uma carícia delicada pousando a testa na dela. Num sussurro quase mudo ele proferiu o que ansiava saber:
– Sakura Haruno, você aceita ser a minha esposa?
Ela fechou os olhos tentando absorver o que havia escutado. Sentiu suas mãos suarem frio e tremerem. O ar faltou, o peito apertou. Sasuke desencostou a testa da dela preocupado com os sons que escutava vindos dela.
– Sakura…
Sem perceber, as lágrimas começaram a rolar.
– Eu não sou da nobreza, não podemos…
– Não renunciei o título somente por Itachi. — ele a interrompeu sentindo um mal estar subir por seu estômago.
Infelizmente, ele não conseguia enxergar o brilho que os olhos verdes ganharam, nem o sorriso que brotou nos lábios pintados de amora.
– Então…. — Sakura soltou o ar e olhou para a aliança que brilhava embaçada pela lágrimas que tomaram os olhos dela. — eu… — riu enxugando uma lágrima que caiu. Sasuke a ouviu fungar e ficou mais preocupado.
– Sakura?
– Isso parece um conto que os bardos contam… — riu novamente e Sasuke, apesar de não estar completamente certo, sorriu com o timbre dela e aguardou que se acalmasse.
Sakura pegou a mão dele junto da caixinha e retirou a aliança. Sasuke engoliu em seco e sentiu o objeto ser deixado na palma de sua mão. Sakura, delicadamente, colocou as pontas dos dedos na mesma mão que deixou a aliança.
Na sua frente estava o homem que mais odiou, mais culpou, até conhecê-lo…. Na sua frente estava o homem que mais sofreu, mais chorou e foi injustiçado. Acariciou o rosto bonito e suspirou diante da beleza surreal daquele homem.
Ela iria apagar as lembranças do cavaleiro de sangue de sua mente, iria criar lembranças boas e curar a alma de Sasuke.
– Sasuke… eu aceito.
“Mas eu vejo suas cores reais
Brilhando por dentro
Eu verei suas cores reais
E é por isso que eu te amo
Então não tenha medo de deixá-las aparecerem
Suas cores reais
Cores reais são lindas
Como um arco-íris”
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