Cavaleiro de Sangue
17 Capítulo 16
Notas iniciais
A carruagem pomposa parou em frente aos grandes portões de ferro do castelo. O símbolo do clã Uchiha soldado nas grades a fez sorrir.
O cocheiro abriu a portinhola e ajudou a bela dama a descer.
– Pode trazer meu baú por favor. — disse ela simpática antes de caminhar firmemente pelo caminho ladeado por flores até chegar as grandes portas de carvalho — mas não há ninguém para me receber? Ora…
Bateu na aldrava de metal e esperou por alguns minutos.
Uma senhora loura abriu uma das folhas de madeira e a observou de cima a baixo. O vestido cor de vinho era mais colado do que os que se usavam por ali, e o espartilho apertado fazia os peitos se elevarem aos olhos.
– Boa tarde, em que posso lhe ajudar? — perguntou forçando educação.
– Boa tarde — respondeu a outra sorridente — vim ver Itachi Uchiha.
– Itachi?
– Sim.
Tsunade arregalou os olhos ao ver o baú pesado sendo depositado ao lado da moça.
– E quem devo anunciar?
– Emanuelle Daphné, ele está a minha espera.
Tsunade concordou e abriu espaço para que a mulher e seu cocheiro adentrassem no castelo, em seguida correu para o segundo andar a procura de Itachi. O encontrou na agora nomeada sala de reuniões com Naruto e Sasuke.
– Senhor, há uma mulher — disse afobadamente fazendo uma careta — lhe procurando.
O moreno sorriu de canto e saiu sem dizer nada. Naruto e Tsunade correram a seu encalço deixando Sasuke bufando.
– Ora ora, então agora é Lorde Itachi — disse ela debochadamente indo ao encontro do homem todo trajado de preto.
– Você demorou — disse a enlaçando pela cintura e selando um beijo demorado nos lábios corados — Lady Daphné.
– Achei que não veria novamente estes longos cabelos negros…
– Sentiu saudade deles?
– Confesso que senti saudade de outra coisa… — disse com um sorriso de canto — me largou naquele quarto sem aviso prévio. Agora quero você com juros...
Ele a abraçou com força.
– Sinto muito por aquilo, agora venha, melhor eu lhe apresentar os moradores da casa antes que tenham um infarto de tanta curiosidade.
~ * ~
A velha cozinheira guardava seus tachos e panelas após o jantar ser retirado. Os cabelos oleosos pelo suor não lhe incomodavam, pelo contrário, agora cozinhar para um castelo cheio de pessoas animadas e felizes a fazia feliz. Estava tudo no lugar.
Limpou as mãos no avental novo com carinho, Sakura fizera questão de lhe dar roupas novas e até que havia gostado daquilo.
– Ainda trabalhando Tsunade.
Ela ralhou mentalmente. Aquele velho sempre a assustava.
– Já não comeu e bebeu o suficiente Jiraya? Quer mais alguma coisa?
– Mas que mal educada! A nova Lady do castelo pode não gostar de empregados assim.
Ela bufou.
– Aposto que ela não vai gostar de velhos intrometidos como você. O que tem atrás das mãos? — perguntou notando que ele escondia algo.
Sorrindo o senhor de cabelos grisalhos mostrou um cesto de vime. Puxou a toalha para mostrar o conteúdo a ela.
– Morangos! — exclamou deliciada.
– Os melhores! Trouxe da vila para você.
Ela apertou as mãos no avental sem graça.
– Oh não precisava se incomodar…
– Venha, a noite está fresca. Vamos comer esses morangos a luz do luar minha cara. — disse passando um braço pelo ombro dela e a empurrando para fora da cozinha.
– Não venha com gracinhas… e tire esta mão dai. Mas me dê os morangos.
Ele riu com gosto e juntos foram caminhar pelos campos floridos.
~ * ~
Sakura andava pelos corredores com um envolto em mãos. Seus passos ecoavam apressados. Muitos archotes iluminavam as bonitas tapeçarias que adornavam as paredes de pedra. As janelas estavam descobertas e bonitas cortinas balançavam com a fresca brisa de outono.
Ela amava aquela estação, era tempos de renovação, de esperança.
– Sakura — Hinata a chamou trazendo seu pequeno loiro nos braços. Os olhinhos azuis olhavam tudo com extrema curiosidade. Olhos iguais aos do pai. — Como estão os preparativos?
– Está indo tudo dentro dos conformes. — ela disse ansiosa sem parar de andar. Fez uma careta para o bebê que gargalhou balançando os bracinhos.
– Como ele está? — Hinata perguntou ajeitando o filho no outro braço enquanto este tentava pegar os cabelos rosadas de Sakura.
– Do mesmo jeito, não crê. — Sakura suspirou triste e Hinata lhe deu um sorriso de compaixão — Seu pai? Sua família? Teve notícias?
– Meu pai irá acabar definhando naquela prisão, não vejo salvação… Minha irmã, dizem que casou-se com um bardo, acredita? — As duas riram um pouco. — Boa sorte, minha querida. Vou até Naruto e Konohamaru fazer os dois tomarem um banho.
Sakura voltou seu caminho sentindo o coração palpitar de ansiedade. Estava feliz, pois seu filho crescia bem e o vilarejo vivia a prosperidade. Itachi e Sasuke levaram felicidade àquele povo, lhes deu esperanças e crescimento. O rei estava satisfeito com Konoha.
Entrou no quarto com cuidado, ele estava sentado de costas para ela. Parecia fitar a paisagem bonita que tinha de suas janelas. Sakura alisou a barriga com um sorriso esperançoso no rosto.
– Sasuke… — sussurrou sabendo que ele a ouviria.
– Sim? — respondeu ele suavemente sem virar o rosto para a esposa.
– Sente dor ao olhar para a luz? — perguntou suavemente ficando atrás dele.
Ele suspirou.
– Meu amor, já estou cansado disso. Buscamos todos os curandeiros, bruxos… nada adiantou, acha que isso vai? E sim, a luz me incomoda.
Sakura mordeu o lábio inferior e parou em frente a ele. Titã observava tudo com extrema atenção. Viu Sasuke levantar a cabeça e aspirar o ar em frente à ela. Lentamente a mão foi levantando-se e tocando a saliência na barriga dela com cuidado. Ela sorriu e ergueu o queixo dele com delicadeza.
– Superstições não curam cegueira, meu amor… — ela sussurrou vendo o emplastro de ervas que colocara nos olhos dele mais cedo.
– Nada cura a cegueira Sakura, acho que pode tirar isso dos meus olhos.
– Calma — ela cantarolou vendo-o balançar a cabeça e um sorriso mínimo surgir. — Passou a mão pelo rosto bonito e deixou que um sorriso estampasse seu rosto.
Ele não tinha mais esperanças em voltar a ver, mas ela havia feito pesquisas, havia consultado seus diários, procurado ervas e se empenhado para conseguir salvar seu amor de seu último tormento.
– Eu te amo, Sasuke… Independente do que aconteça eu estarei sempre do seu lado e jamais te deixarei na escuridão.
– Eu também te amo, aliás, amo vocês dois — disse ele depositando a mão na barriga saliente da mulher.
A brisa passou pelas cortinas daquele quarto, a melodia suave de pássaros que habitavam o belo jardim de Mikoto invadia o espaço com suavidade.
Sakura suspirou e deixou que suas mãos deslizassem pela testa dele e retirou os emplastros com cuidado. Viu os olhos se mexerem por debaixo das pálpebras grudadas.
Ela tinha medo, essa era sua única esperança. Ela também estava cega, estava cega pelo preconceito, pelo repúdio, pela revolta. Ela estava cego em suas dores, em seu passado, em seus pesadelos.
O coração dos dois, agora, batiam num mesmo ritmo e a felicidade havia criado uma nova perspectiva. Uma nova realidade. A vida havia os testado e agora dava seus frutos, bastava enxergar. Enxergar além do sangue que fez seu nome.
– Sasuke — ela sussurrou perto das pálpebras fechadas — Abra os olhos.
Fim
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