Cavaleiro - (Contos do Branco e Vermelho)
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Espero que goste.
O cavaleiro ainda podia sentir seu coração batendo acelerado, fazia muito tempo desde que batalhara daquele jeito, apesar de sentir que seu inimigo estava se segurando, assim como ele também estava.
— Deixar os meus desejos claros. Tsh... Isso deve ser fácil para alguém como ele dizer. Ele não sabe o que eu já vi e tive que sentir. E meus desejos... Eu mesmo não sei o que procuro exatamente. Bem, isso não importa agora. – Balançou a cabeça em negativa. – Devo terminar minha missão. Novamente voltou ao silencioso caminhar pelas escadarias. — Vejo que meu próximo anfitrião não possui o mesmo gosto por música que os últimos dois. Andando por mais alguns minutos, viu a próxima porta, mas a poucos passos de tocá-la sentiu um leve odor, meio adocicado, agradável. Abriu aporta. Aquele cheiro penetrava em suas narinas, era uma sensação estranha, porém muito relaxante. O andar lembrava levemente um pelo qual ele já havia passado, pois este também continha mobília que guardava uma grande quantidade de jóias e roupas, porém em uma quantidade um pouco menor. Mas, o lugar em si era mais como uma mansão que se esqueceram de colocar paredes para dividir seus cômodos. Uma grande mesa de jantar enfeitava o lado esquerdo do lugar, à direita havia uma cozinha com talvez mais de cinco metros de largura com um fogão à lenha que caberia facilmente uma pessoa dentro dele e uma geladeira igualmente grande. No centro, um grande sofá em forma de “L” era o que mais chamava atenção entre os criados-mudos, pilhas de almofadas ao chão, mesinhas e esculturas aos lados e, mais ao fundo, a cama de formato esférico de cerca de três metros de diâmetro, com pétalas de flores ao redor, mas tudo isso chamava pouca atenção comparado a mulher que se deitava ali. A cor de seus longos cabelos era ruivo até as pontas da franja sobre a testa e o final da cabeleira que caía até sua cintura, a coloração do cabelo mudava para um preto tão escuro como a noite. Os olhos eram verdes como esmeraldas e a pele levemente bronzeada. Possuía seios fartos, uma cintura fina acima de um quadril largo, cobertos por um longo vestido vermelho com detalhes negros. — Então você é o bravo cavaleiro que veio me visitar. Há muito tempo não recebo visita. – Ela falava com uma voz doce e misteriosa, capaz de atiçar qualquer um que ouvisse. — De fato sou um cavaleiro, mas acho que não seja por mim que esteja esperando. – Disse o cavaleiro, tentando desviar o olhar de seu corpo. Ela não lhe deu ouvidos, apenas começara a engatinhar pela cama em sua direção. — Meu belo cavaleiro, você está cansado, venha aqui e deite-se comigo. – Ao chegar à beirada da cama, ajoelhou-se e esfregou as mãos sobre o corpo, subindo lentamente o vestido que usava. O cavaleiro engoliu em seco ao ver aquela mulher tão de perto. A vontade de deitar naquela cama junto ao desejo por aquela mulher o estava fazendo esquecer todo o resto. Nada mais importava, somente queria tê-la para si. E ela, por sua vez, ao ver o cavaleiro estático vislumbrando seu corpo, esticou o braço o segurando pela nuca, o trouxe para si e o beijou, um beijo longo e doce. Doce como aquele perfume. O corpo daquela mulher tinha o mesmo perfume que ele sentira antes de entrar, um pressentimento de urgência o fez se afastar, ele precisava fazer com que aquele odor sumisse, levantou a mão e tentou estalar os dedos, mas antes que tentasse sua sedutora já estava de pé ao seu lado segurando sua mão para que não pudesse usar a mesma técnica que usara no primeiro andar. — Ops, querido, por favor, não faça isso. Vai deixar um cheiro de queimado em minha casa. Sobressaltado, o cavaleiro pulou para o lado se afastando novamente. – Quando levantou da cama? E o que este maldito aroma está fazendo comigo? — Esta é a casa de uma dama, querido, e como eu disse, há muito tempo não recebo visitas. É natural que o lugar tenha sido impregnado com meu próprio perfume, não é? – Sorriu – E me surpreende ver a velocidade com que você perde sua compostura. Vejo que sua exaustão é maior do que achei, mas não sou eu que irei revigorá-lo. — Do que você está falando? Estou completamente disposto! E o que me fez perder a compostura foi esse seu veneno. — Você me ofende falando assim, isso não é veneno. Minha fragrância apenas o desprende das amarras da timidez e o liberta da gaiola que sua mente cria para os desejos da carne, fazendo com que um dos desejos mais primários venha para fora. Não aja como se não tivesse gostado, afinal você também me beijou – Piscou enquanto lambia os próprios lábios. Lembrando de ter sentido o toque dela, o cavaleiro pressionou os próprios lábios. Ele realmente a queria, mas também, quem não desejaria uma mulher como ela? — Sei para que veio, e não vou lhe bloquear a passagem, cavaleiro.A passagem está logo atrás de minha cama, basta seguir por ela e chegará ao último andar antes de seu objetivo, mas lhe aviso:Tome cuidado, pois nas condições em que está agora, você pode acabar virando um brinquedo para minha senhora.
— E quais seriam minhas condições? — Deveria saber melhor do que eu, cavaleiro, você está cansado de tudo o que faz, mas por alguma razão o continua fazendo. Disse que está cansado, mas não era sobre seu corpo que eu me referia, e sim à sua mente. Assim como aconteceu no andar anterior, lembranças de um passado muito distante, flashes de suas recordações vieram à sua cabeça. Sorrindo, a respondeu: — Obrigado. – Virou-se em direção à porta, mas foi detido quando a bela mulher o virou e o beijou novamente, desta vez o cavaleiro a acompanhou por mais algum tempo. — Continue, cavaleiro. – Ela disse, saindo de seus braços e observando-o caminhar, sair de seu andar e deixar a porta fechar-se a suas costas. Riu sozinha, pensando: – Ainda terei aquele cavaleiro para mim. Vou gostar de consolá-lo no final de sua busca, afinal, a luxúria que há nele é forte.
Notas finais
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