Cavaleiro - (Contos do Branco e Vermelho)
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Passando por aquela grande porta, o caminho se fazia em uma longa escadaria em espiral, claustrofóbica e escura, mas nada que aquele cavaleiro já não estivesse habituado. E assim subiu por vários minutos e quanto mais caminhasse mais ele podia sentir um cheiro diferente no ar, não era um cheiro ruim, tanto até porque pareciam ser vários odores que se misturavam e faziam impossível distinguir o que era, porem quanto mais subia mais forte o cheiro ficava, quando aquilo já estava impregnado em sua narina foi que ele viu a próxima porta no final da escadaria, essa também era de metal solido porem enferrujados e ao se aproximar dela antes de abrir ele notou um brilho suave que cobria toda a superfície do material, tocou-a para abrir sentindo um leve liquido oleoso escorrendo, levou a mão próxima ao rosto e percebeu do que se tratava o cheiro e o que era aquele óleo.
— Gordura.
Sem hesitar adentrou ao salão para ver um novo cenário, muito diferente do anterior. As paredes o teto e até mesmo o piso era pintado com fortes cores de vermelho, amarelo e azul. Nas laterais Longas mesas que alcançavam de extremidade a extremidade das paredes estavam repletas de porções e mais porções de todos os tipos de comidas: Carnes, queijos, massas, doces belíssimos e diversos jarros cheios de bebidas das mais diversas cores. No centro do salão uma mesa redonda continha pequenas porções de quase tudo que havia nas outras, e sentado em uma cadeira grosa de madeira estava aquele que mais chamou a atenção do cavaleiro, até poderia se dizer que ele aparentasse ser alguém comum: pele clara e cabelos lisos que lhe caiam sobre a testa, mas o que impressionava era seu porte, estava muito, MUITO acima de seu peso a primeira vista aparentava pesar facilmente mais de duzentos quilos, e também era fácil de se ver o porque ao notar a ferocidade com que ele comia o que estava sobre sua mesa. Apesar de chamativo, o cavaleiro não desperdiçou seu tempo com aquele show grotesco, caminhou normalmente em direção da criatura que continuava sem tirar os olhos da comida, se aproximou e passou ao lado sem que nenhum deles fala-se uma única palavra, e seguiu em direção a saída que estava a alguns metros atrás do pesado ser. Mas antes de alcançá-la se ouviu.
— Posso saber onde você pensa que vai?
— Ora ora, perdão mas não quis atrapalhar, então simplesmente passei pelo Sr pois gostaria de ir falar com a sua mestra. – Disse o cavaleiro apenas virando o rosto – Então se me permite. – Finalizou, voltando a olhar para frente e dando mais um passo, mas se interrompeu ao ouvir um tapa na mesa.
— Não, não o deixo ir a lugar algum, a mestra não permite que ninguém suba então é melhor dar meia volta e sair. Para o seu próprio bem – Disse enquanto se apoiava na mesa que envergava enquanto ele se levantava.
— Sinto muito Sr, mas não posso voltar até que cumpra a missão a qual fui incumbido. – Disse o cavaleiro virando o corpo, apenas para calcular cerca de dois metros e meio daquele que agora estava de pé a sua frente, a camiseta não conseguia cobrir-lhe toda a barriga deixando a parte de baixo exposta, seu short possuía dois botões ou pelo menos possuía já que um deles já havia estourado e o outro já estava aberto para que não acontecesse o mesmo. Ele se levantou e deu um único passo e ficou encarando o cavaleiro para repetir.
— Volte, para o seu bem. Não desejo lhe causar mal.
O cavaleiro forçado a levantar a cabeça para olhar nós olhos do ser, mas, quando o fez não viu raiva ou qualquer sentimento agressivo, eram olhos neutros, olhos de quem assim como ele, apenas estava fazendo o seu trabalho.
— Novamente peço para que me de esse privilégio meu caro, serei rápido e com certeza não serei um incomodo para sua mestra – O cavaleiro respondeu dando uma leve piscada de olho e se curvando levemente em sinal de respeito.
— Assim como você está cumprindo ordens eu também estou. Não quero problemas, então lhe direi uma ultima vez. Volte – Falou fechando o cenho. Mas ainda não se detectava raiva em seu gesto.
— Entendo seu lado, e tão pouco eu quero problemas para nós dois, mas como vejo que estamos no meio desse impasse que tal nos sentarmos para discutirmos isso, e se me permite dizer não acha que estaria exagerando um pouco? – Disse o cavaleiro arqueando levemente a sobrancelha.
— É meu trabalho, tenho que levá-lo a serio. – O respondeu olhando para baixo coçando a cabeça.
— Óh sim, evidente, mas não era sobre seu trabalho que eu me referia.
— Sobre o que seria então?
— Bem, vejo este lugar está realmente repleto de comida e não me leve a mal, pois talvez ela realmente esteja deliciosa, mas será que o senhor não estaria engordan... – O cavaleiro não conseguiu terminar sua frase, pois agora sim aquele que estava a sua frente pela primeira vez mudara sua expressão de neutro para o ódio, e o cavaleiro só percebeu isso quando a imensa mão da criatura descia sobre ele, o impacto ecoou sobre todo o recinto fazendo com que o chão tremesse e as mesas derrubassem boa parte do alimento.
Silencio após o ataque.
Um liquido se espalhava pelo local do impacto.
O brutamonte estava curvado com a mão ainda tocando o chão, esse que por vez se prensou formando um pequeno buraco e aquele liquido pegajoso e viscoso o enchia pouco a pouco fazendo com que toda a sala agora mudasse levemente o seu odor. Estava acabado, ele não queria que tivesse sido daquele jeito, mas não teve outra escolha.
O cavaleiro ainda estava com o braço encostado na barriga da criatura, seu soco foi forte o suficiente para fazer com que ele perdesse a consciência por dois ou três segundos para que só então vomitasse todo o conteúdo que acabara de comer. Mas por fim sentiu o corpo repleto de gordura da criatura se mexer, e então ele também deu dois passos para trás se distanciando e baixando o braço.
— Sinto por isso, acho que acabei falando algo que não devia e revidando sem pensar.
— Acho que também acabei perdendo a cabeça não foi huhuhuhu, bem acho que depois disso não tenho mais como lhe impedir a passagem.
— Obrigado, bem, então eu já vou indo, novamente peço para que me desculpe por ter lhe agredido. – Disse o cavaleiro novamente andando em direção da porta.
— Tudo bem, antes não gostaria de ficar e comer alguma coisa comigo?
— Sinto recusar, quem sabe outro dia, hoje tenho que cumprir meus afazeres o mais rápido possível. – Disse sem se virar apenas deu um aceno de mão enquanto abria a porta e desaparecia enquanto ela se fechava a suas costas.
— Carinha legal, talvez eu realmente deva dar uma maneirada na comida... Nah, tanto faz, eu ainda estou com fome mesmo
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