Notas iniciais
Esse capítulo está um pouco mais curto, mas precisava acabar nessa parte e vocês vão entender o motivo quando lerem. Espero que gostem! Aceito críticas construtivas, sugestões, elogios etc

Cheguei à escola. Hoje, mudaríamos para outra sala nas duas primeiras aulas. Essa nova sala era maior e do lado oposto à antiga, mas no mesmo corredor. Nela, tinham muitos cavaletes, telas e armários enormes que guardavam todo o tipo de coisas. As mesas eram em dupla e, na frente da lousa, tinha um pequeno palquinho. A classe toda já estava lá quando a professora chegou e, obviamente, eu estava sentada com Georgia.

– Bom dia, alunos. Vamos começar a aula? – Todos se silenciaram. Nossa professora de artes era a senhora Clara, uma idosa adorável e, particularmente, minha professora favorita. Na Golden Valley, as aulas de artes eram mescladas entre artes plásticas, teatro e música. Geralmente, fazíamos um sorteio para decidir qual bimestre teria qual das três disciplinas como principal, mas as outras duas matérias sempre eram incorporadas o tempo todo, então era muito legal.

– Como tradição da escola, vamos decidir, por sorteio, qual das matérias será a principal esse bimestre. – Ela estava com um saquinho verde na mão e com expressão entusiasmada. Logo, chacoalhou o saquinho e tirou o primeiro papelzinho. Profª Clara me lembrava de minha avó.

– Tomara que seja música. – Georgia sussurrou para mim. Ela não é a maior fã de artes plásticas, mas manda bem em música e teatro. – Aposto um lanche que vai ser teatro. – Respondi, sussurrando também. Ela apertou minha mão, aceitando a aposta.

– Parece que esse ano começaremos com teatro, queridos. Inclusive já sei qual peça apresentaremos nesse outono! Um clássico, mas vocês só saberão depois de eu selecionar, com base em exercícios de improvisação, o elenco. – Sorri para Georgia, que revirou os olhos. Mas, a primeira coisa que eu pensei foi: Eu preciso do papel principal. Teatro é uma das minhas coisas favoritas no mundo e, além disso, acho que atuo particularmente bem.

Depois de uma aula inteira de exercícios de improvisação no pequeno palco da sala, feitos por cinco grupos sorteados pelos números da chamada, – onde, por azar, não fiz com ninguém que conhecia, apenas com alunos novos – já havia uma folha toda rabiscada com nomes em cima da mesa da professora. Conheci Lola e Jessy durante os exercícios, duas alunas novas muito simpáticas e que, inclusive, chamei pra comer comigo e com Georgia no intervalo. Não cheguei a prestar muita atenção nos grupos que foram antes do meu, pois estávamos tentando ensaiar alguma coisa.

– Então, alunos, já tenho os papéis. Na próxima aula, sexta-feira, entregarei os roteiros e começaremos a ensaiar. Agora quero que peguem uma folha e um lápis. – Voltamos para as mesas e a professora Clara começou a passar por cada mesa, entregando um pequeno papel para cada aluno com o nome do respectivo personagem. Até que ela chegou à nossa mesa e entregou um papel para mim e um para Georgia.

– E aí? Conseguiu o papel principal de novo? – Georgia perguntou, rindo. Ano passado, eu tinha pego o papel principal.

– Shhh... Daqui a pouco você vai descobrir. – Fingi um olhar de mistério para Georgia, logo depois rindo. Eu já estava começando a imaginar quem seria qual personagem dos alunos da sala. Eu estava bastante empolgada.

– Muito bem, alunos. Quero que cada um desenhe nessa folha como imaginam o figurino de seu personagem. Escrevam no topo da folha seu nome, número de chamada e o nome do personagem. Ao fim da aula, colaremos as folhas na lousa para que todos possam ver. – Clara anunciou, assim que terminou de entregar os papéis para cada aluno.

Bom, não sou a melhor em desenho, mas consigo me virar com alguma coisa. Dá pra entender o que eu desenho, pelo menos. Durante algum tempo treinei mil e um tutoriais de croquis – aqueles desenhos de moças ou moços de pernas e braços compridos, geralmente padronizados e com os projetos de roupas – na época em que eu queria fazer faculdade de Moda. Ainda bem que eu desisti. Rabisquei na folha uma moça com uma tiara feita de tranças e o restante do cabelo comprido caindo nos ombros, um vestido vermelho bufante longo, com detalhes em dourado e uma sapatilha preta. Levei algum tempo e, quando terminei, tentei espiar o da Georgia, que me olhou com cara feia.

– Você não vai me deixar ver o seu. Então, o meu também é surpresa. – Ela afirmou com a expressão firme, mas logo depois riu e voltou a desenhar. Pouco tempo depois, quando já faltavam cinco minutos para acabar a segunda aula, a professora gritou para todos pararem de desenhar e entregarem os desenhos, que ela os colaria na lousa. Todos entregaram e ficaram aguardando. Em menos de dois minutos, todas as folhas já estavam na parede.

O desenho de Georgia estava logo abaixo do meu, o que significa que ela teria um ótimo papel. Ela seria Senhora Capuleto. Lola seria a Ama, e Jessy seria Rosalina. No topo da lousa, estavam lá dois desenhos: A minha donzela e, ao lado dela, um rapaz vestido de maneira nobre e feito em traços precisos e bem delineados. Não precisei olhar o nome para saber de quem era. Procurei pela sala e rapidamente os olhos dele encontraram os meus. Ele sorriu.

Erin seria Romeu, e eu seria Julieta.

Notas finais
E aí, o que acharam? Gostaram do capítulo?