Catalepsia
1 Prólogo.
Notas iniciais

Era por volta da meia-noite, a lua já estava bem alta e o vento frio soprava calmamente do lado de fora. Poderia ser uma noite qualquer, onde todos já deveriam dormir, mas… havia uma luta intensa do lado de fora. Uma luta de crianças? Pode até ser. Uma luta em busca de honra? Sim, uma luta que não acabaria tão cedo. Uma luta que mesmo depois de terminada, continuaria para sempre.
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— Eu te desafio a lutar com espadas de verdade, sem ser as do treino! — disse Zoro, cansado de perder para Kuina, que já havia ganhado 2000 vezes seguidas. — Você tem uma espada de verdade aí, não tem?!
— Quer lutar? Tudo bem. — exclamou ela
— Lá vou eu. — bradou Zoro, segurando duas espadas em suas mãos.
— Venha! — Tanto Kuina como Zoro estavam com uma determinação de ferro.
Aquela luta mudaria o destino dos dois, e nenhum estava disposto a perder. De longe se escutou barulhos de ferro batendo, de espadas voando. O som da derrota.
— Com essa… São 2001 vitórias. — vangloriou-se logo depois de ter cravado a espada ao lado da cabeça de Zoro, que estava estirado no chão.
— Droga... que raiva! — a mão tampando o pequeno rosto não podia esconder as lágrimas do garoto.
— Não fica assim... quem tem que ter raiva aqui sou eu... — sussurrou ela com uma voz triste.
— Hã?!
— As meninas, quando crescem, ficam mais fracas que os homens... significa que, daqui a pouco tempo, vocês todos vão me superar... eu sempre ouço você dizer... que quer ser o espadachim mais forte do mundo!
— ...
— Tenho inveja de você, Zoro... por você ser homem! — chorava com a voz embargada e um semblante triste. — Eu também queria ser a melhor espadachim do mundo! Tenho raiva até do meu peito, que está começando a crescer... eu queria tanto ter nascido homem... — Kuina odiava ter nascido uma mulher. O sexo frágil, o vaso mais fraco. Sabia que seria superada em breve. Ela não suportava a dor de saber que não teria a força para buscar, lutar e realizar o próprio sonho.
— Calma aí! Você me vence e fica choramingando desse jeito? — Zoro nunca escutara palavras tão egoístas como aquelas. Não importava se ela era uma garota, ela tinha vencido. — Isso não é justo! Você sempre foi uma meta pra mim!
— Zoro...
— Esse papo de homem ou mulher... Se um dia eu te derrotar, você vai vir com essa mesma ladainha? Vai fazer parecer que não foi por mérito meu?! Então, por que eu tô treinando feito um louco pra te derrotar? Para de falar besteira! — ele jogou tudo pra fora, como se estivesse preso a muito tempo em sua garganta. — Agora, me prometa! Um dia, eu ou você, um de nós dois será o melhor espadachim do mundo!
Kuina se assustou com a mudança súbita de Zoro.
— Vamos competir para ver quem vai ser!
— Seu bobo... — ela finalmente sorriu. — Você sabe que é um fracote, mas tá prometido.
Nessa noite, uma promessa foi feita. Entre dois amigos e rivais.
Mas ninguém esperava... por aquilo.
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— Droga! Você se esqueceu da promessa de ontem? Tá fugindo de mim, Kuina?!
— Como... o ser humano é frágil, não... Zoro? — o pai da falecida e mestre do dojo de treinamento que pronunciou tais palavras.
— Mestre! — ele clamou entre lágrimas, tentando segurar o choro e parecer forte. — Posso ficar com a espada dela?
— …sim, claro. — concordou, embora estivesse com um sorriso triste no rosto.
— Eu vou ser forte por mim e por ela! — ele ainda não havia parado de chorar, na verdade, as lágrimas vinham com muito mais força agora. — Vou me tornar o melhor espadachim do mundo, para que meu nome chegue até ela nos céus! Eu prometo!
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— Oe, Zoro. Acorde
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