Catalepsia
6 Capítulo 5. Batalha
Notas iniciais

A intensa luta no Going Merry fazia minutos parecerem horas. Barulhos de espadas, faíscas, tiros, fumaça e balas de canhões se espalhavam pelo navio. Durante um bom tempo de batalha, todos já estavam bem cansados e com muitas feridas pelo corpo.
Robin usava a sua akuma no mi em quem ousasse chegar perto. Torcia pescoços, quebrava ossos e apagava seus oponentes. Mas armas de fogo eram sua fraqueza, já que o alcance de uma arma é de longa distância e nunca se sabe de onde e quando virá. E era exatamente isso o que ia acontecer nesse exato momento. De novo.
Um dos invasores preparava sua arma para mais um tiro contra os Mugiwaras, com a mira exatamente para as costas da Nico Robin.
— Haha! Se conseguirmos pegar o Demônio de Ohara, aumentará ainda mais o lucro da invasão e a popularidade do bando do Sangue Azul!! — o invasor já estava começando a puxar o gatilho quando sentiu uma fumaça de cigarro ser soprada em volta de sua cabeça. Automaticamente, o pirata ficou extasiado pela presença esmagadora logo atrás de si. Sentia o puro ódio sendo emitido pela presença.
— Atirar numa jovem dama desprotegida... quanta covardia! — com mais um nuvem de fumaça ao redor de sua cabeça, o homem conseguiu sair do estado estático e mover seu corpo, virando-se de frente para o cozinheiro do navio, Sanji, o perna negra.
Antes mesmo de o invasor conseguir pensar em fugir ou qualquer outra coisa, Sanji arremessou o pirata para longe, que atravessou o navio e caiu no mar, com um único e poderoso chute.
— Nunca mexa com as minhas Mellorines! — dando mais uma tragada em seu cigarro e tirando o excesso das cinzas do mesmo, se virou para voltar ao foco da luta, e logo foi encurralado por cinco piratas invasores fortemente armados com espadas e armas de fogo.
Percebendo que não deixariam ele passar facilmente, resolveu encarar o desafio.
— Bem, se insistem... — Sanji partiu pra cima dos cincos de uma vez, ignorando totalmente as armas que estavam portando.
Enquanto isso, no convés do navio, Nami lutava com fervor, usando o Clima Tact, ela usava o espaço aberto em seu favor. Fazia aparecer bolhas azuis e vermelhas, onde continham ar frio e quente, que formavam nuvens de chuva. Relâmpagos e trovões caiam destas, atingindo seus oponentes e fazendo-os caírem no chão. Até o momento, a ruiva conseguia segurar a situação sem problemas, todos os invasores que a desafiavam perdiam para a navegadora.
Porém, como nem tudo é um mar de flores, três piratas a confrontaram de uma vez. Sem demonstrar medo, Nami se defendeu de todos os ataques com uma certa dificuldade. Mantinha sempre certa distância deles, entretanto, essa só diminuía, já que os piratas a empurravam para a borda do navio.
Luffy lutava com Alehandro perto de onde Nami se encontrava, a luta estava difícil, já que Luffy não conseguia acertar o pirata invasor direito. Ele sempre desviava dos golpes, e, quando encontrava uma abertura na defesa do mugiwara, acertava sem pudor.
Alehandro não tinha muitas habilidades corporais, era como as de qualquer um. Porém, era um ótimo estrategista. Pensava e repensava em diversos ataques e probabilidades enquanto lutava. O nobre sangue azul corria pelas veias do garoto, que sempre se encontrava a vários passos à frente do inimigo.
De repente, um grito ecoa pelo navio. Quando o chapéu de palha olha para a direção do som, vê Nami perdendo o equilíbrio e quase caindo da borda do navio para o mar, encurralada por um trio de invasores que não a permitia escapar.
Nesse momento Alehandro percebe a fraqueza do seu rival. O repentino interesse do adversário na ruiva. Se aproveitando da falta de atenção deste, atacou, deixando Luffy na defensiva e sem saber o que fazer para ajudar sua companheira.
— Mugiwara, se eu fosse você, prestaria mais atenção em você mesmo do que na ruivinha ali atrás. — ele sorria sarcasticamente, enquanto ditava ordens para que seus subordinados não tivesse dó de Nami.
Quando Luffy viu que nenhum de seus companheiros poderia ajudá-la nesse momento, resolveu ariscar todas suas fichas na sorte, acertou o próximo golpe em Alehandro com toda a força, fazendo-o perder um pouco do equilíbrio.
Nami já estava sem espaço para desviar, encontrava-se presa entre três piratas inimigos e o parapeito do navio. Se tentasse ir para trás, cairia no mar. Enquanto sua cabeça pensava em possíveis maneiras de fuga, que não eram muitas, duas mãos a pegaram de surpresa e a enrolaram em um abraço estranho, meio elástico.
Levantando a cabeça para ver de quem pertencia essas mãos, como se já não tivesse uma grande suspeita do dono dos braços, viu seu capitão — que deveria estar lutando com o invasor.
No momento em que estava sendo puxada para perto homem borracha, Alehandro se recupera e parte para cima de o chapéu de palha novamente. Quando finalmente Luffy consegue trazer a sua companheira para perto de si, o capitão da tripulação invasora já estava no meio de um golpe. Ele estava com a mira na ruiva — considerado como o ponto fraco de Luffy.
A única coisa que o moreninho conseguiu fazer antes que a navegadora fosse acertada foi se colocar no meio e receber o golpe em seu lugar. Assim, ele foi arremessado para o outro lado do navio.
Durante o "voo", Luffy se colocou de costas para a ruiva não sentir o impacto da batida. Ela não esperava que a situação ficasse assim, e não se mexeu até perceber que já haviam parado. Ele ainda tinha seus braços ao redor da dela.
— Nami, você está bem? — eram raros os momentos em que podia se ver uma face preocupada no rosto do capitão, um deles foi agora.
— Sim, estou. — ela estava um pouco atordoada com tudo que aconteceu em poucos segundos.
— Que bom, tome mais cuidado. — ele respondeu com seu típico sorriso no rosto e ajeitando o seu chapéu enquanto se levantava, indo em direção ao seu oponente que ria descontroladamente da situação.
Luffy não deixaria a situação sair barata, agora ele lutaria ferozmente. Não permitiria que ele simplesmente saísse ileso. Por mais que ele previsse seus ataques e sempre atacasse quando estava desprevenido, agora seria diferente.
Atacou sem deixar que Alehandro atacasse de volta. Esse só se defendia e recebia todos os danos, tentando pensar em alguma estratégia. Porém, uma boa estratégia não significa vencer.
Não adianta saber o ponto fraco do oponente, o lugar e o momento certo de atacar, se não existir tempo o suficiente para isto. Já caído e sem forças, o capitão dos Piratas de Sangue Azul dá a ordem para que todos os seus tripulantes recuassem.
— Mugiwara... você não parecia tão forte pra sua recompensa.. mas... acho que me enganei.. — ele disse enquanto era levado por alguns capangas para fora do navio. — Não será assim da próxima vez!
— Isso é o que acontece quando mexem com meus companheiros! — o capitão dos Chapéus de Palha sorria sapeca, enquanto dobrava o braço e mostrava o muque, se exibindo.
Finalmente, o pirata de sangue azul bate retirada com seu navio, deixando um Merry acabado e uma tripulação mais ainda.
— Bem, finalmente acabou! — disse Zoro, arrumando suas espadas na bainha, extremamente machucado.
— Uffa, pensei que não acabaria mais! — Usopp suspirava com os olhos quase fechando. Já não tinha mais controle sobre o próprio corpo, assim como todos da tripulação Mugiwara.
Como todos estavam muito cansados e feridos, simplesmente caíram no deque do navio e dormiram.
~
Algum tempo depois, Chopper acordou com muita dor de cabeça. Estava desmaiado devido uma pancada que levou de um invasor. Estava com certa dificuldade de locomoção, já que ainda estava tonto.
Olhando ao redor, se deparou com uma cena totalmente diferente de quando perdeu a consciência, o barco estava perigosamente acabado e cheio de furos, como se uma metralhadora tivesse passado por toda a extensão sem dó. Era como se alguém tivesse tentado matar um rato a todo custo, não importando a arma usada.
Mas o que chamou a atenção do jovem médico foi todos os seus companheiros jogados pelo chão do deque. O primeiro pensamento do pequeno foi à derrota total contra o bando do Alehandro, mas logo tirou essa ideia da cabeça, Luffy nunca perderia assim, não importava a força do oponente, e Chopper tinha muita confiança no seu capitão. Então tratou logo de se levantar e começar a cuidar de seus companheiros, pois a vida deles estava em suas mãos.
Um por um, foi aplicando os primeiros socorros nos ferimentos mais leves para garantir a sobrevivência de cada membro da tripulação, mas logo voltaria em cada um para fazer o tratamento completo nos ferimentos mais graves.
Mesmo estando com vários machucados e com uma dor de cabeça insuportável, Chopper priorizou o tratamento de seus nakamas antes de seu próprio bem estar.
Como sempre, Zoro estava com muitos cortes pelo corpo e perdeu muito sangue, mas não corria risco de vida. Já Luffy não sofreu tantos ferimentos externos, mas estava bastante desgastado. Nami, Robin e Usopp tinham bastantes arranhões e cortes pelo corpo, mas nada grave.
Sanji já estava em um caso diferente, além dos ferimentos básicos que todos tinham da luta, ele ainda estava com os músculos das pernas extremamente danificados pelo uso excessivo do seu modo de luta, mas nada que um bom descanso não ajudasse, principalmente quando se fala de um membro do trio monstro e sua incrível capacidade de recuperação.
Mas o que todos tinham em comum, era que precisavam de um banho, roupas novas e descanso.
Entretanto, o que mais preocupou o medico foi à situação da marinheira, já que os machucados eram muito mais profundos do que os dos outros. Tinha dois ferimentos que mais preocuparam a rena: um que passava por toda a extensão da coxa esquerda, e o mais preocupante, um no lado direito da barriga. Ainda sangrava um pouco, mas o principal perigo era a possibilidade do corte ter acertado algum órgão vital.
Depois de passar muito tempo examinando a situação e definindo que tipo de tratamento daria a ela, Chopper deu seu diagnóstico e trabalhou com fervor nos cortes da marinheira, pois as feridas eram realmente mais complicadas do que esperava. Ele não poderia ser digno de seu sonho se não conseguisse reverter a situação de Tashigi.
~
Precisou de um bom tempo para a rena conseguir estabilizar o quadro da marinheira. O suor já escorria pelo rosto do mesmo, causado por tanto esforço. Os ferimentos eram muito expostos e requisitava muita concentração e paciência do médico. A situação também não favorecia fazer esse tipo de tratamento ao ar livre, e a dor de cabeça ainda não tinha passado. Mas finalmente, com um suspiro de alivio, conseguiu salvar a vida da azulada. Sem tempo a perder, voltou aos seus companheiros e continuou a tratá-los.
O sol já estava se pondo quando Chopper finalmente terminou. No céu já começava a aparecer algumas estrelas, mesmo com o tom alaranjado que restava do fim do dia a oeste do navio. O mar estava bem tranquilo, o que era muito bom, já que o navio não aguentaria uma tempestade em sua condição atual.
O médico precisou de bastante tempo para ajeitar cada um de seus "pacientes" em seus devidos lugares, tempo suficiente para a lua aparecer no alto do céu, acompanhada por milhares de estrelas com uma brisa suave, deixando a noite agradável.
Tashigi ficou na enfermaria, já que o quarto das meninas não tinha mais espaço e Chopper se recusava a deixa-la dormir numa cama improvisada no chão. Logo depois disso, ele voltou para o deque e sentou encostado no mastro, observando o céu estrelado. Não demorou muito para o seus pensamentos começarem a voar. Voar para bem longe, para a ilha de Drum.
"Como está a Doutora? Como está o castelo? E as pessoas da cidade? Será que continua fazendo tanto frio como quando eu estava lá? E aqueles coelhos? Será que estão bem? Como será que tá a relação deles com o povo da cidade?"
Questionamentos atingiam sua cabeça constantemente. Perguntas que só seriam respondidas no dia que voltasse a sua terra natal.
Mas a pequena rena não se arrependia de suas escolhas, mesmo não sabendo o que esta acontecendo com as pessoas que ele considerava sua família. Se não tivesse vindo com Luffy, nunca iria conhecer a imensidão do mar e viver tantas aventuras. Se não tivesse escolhido entrar para esse bando, poderia nunca conseguir realizar seu sonho... achar a cura para todas as doenças. Com o Chapéu de palha, ele sentia que iria realizar todos estes.
Nesse momento, uma estrela cadente atravessou o céu, iluminando-o e deixando um rastro de luz para trás. Demorou só alguns segundos, mas foi o suficiente para deixar o medico maravilhado. Logo lembrou que quando se vê uma estrela cadente, pode-se fazer um desejo. Fechou os olhos e sussurrou o pedido.
— Eu desejo que meus companheiros melhorem logo.
Como se ouvisse seu pedido, a porta do quarto das meninas rangeu ao abrir, dando espaço para duas silhuetas de mulheres saírem.
— Nossa, já tá de noite! —Nami comentou, sendo seguida por Robin. Chopper se levantou rapidamente pra falar com elas, mas antes mesmo de formular uma frase, a porta do quarto dos meninos se abre, revelando todos os garotos.
— Bem, parece que dormimos demais. —Sanji olhava para o céu enquanto falava. Até que seu olhar se voltou para suas mellorines, e como sempre, se tornar um furação do amor. — Nami-swan!! Robin-chan!! — voou de encontro as garotas com os olhos em forma de coração.
— Tsc. Quanta idiotice. — Zoro estava de braços cruzados num canto do navio.
— O que você disse, Marimo?! — indo até o esverdeado, Sanji se esqueceu totalmente de suas damas.
— Você ouviu! E quem você chamou de Marimo, Ero-cook?!
— Do que me chamou, seu...
Sanji e Zoro estavam com algumas veias pulsantes na testa e prontos para começar uma luta. Antes que a situação piorasse, Nami surgiu no meio dos dois e deu um tremendo cascudo na cabeça deles. Enquanto Zoro xingava Nami baixinho pelo galo que fez nascer em sua cabeça e Sanji continuava no chão, bajulando a ruiva com corações nos olhos e seu mais novo galo em forma de coração, Usopp dava uma olhada no navio.
— Oe, oe! Precisamos consertar logo o navio. Nunca se sabe quando virar uma nova tempestade! E pela situação que o Merry se encontra, não vai aguentar muito bem.. — Usopp disse abalado com a situação.
— Bem parece que não vai ter tempestade essa noite, então não temos com o que nos preocupar, arrumaremos isso pela manhã. — Nami estava estudando o céu e o clima.
— Comida!! Comida!! Comidaaa!!! Sanji, Comida!!! — Luffy gritava enquanto pulava de um lado para o outro, fazendo jus ao seu sobrenome. — Vamos fazer um banquete!!
— Bem, por que não?! Ganhamos mesmo, vamos comemorar! — a marinheira se dirige em direção à cozinha e é seguida pelos outros.
— Kanpaii!! — todos gritaram e comemoraram, batendo suas canecas com bebida uma nas outras, fazendo um brinde à vitória. Sanji fez muita comida, o bastante para alimentar uma cidade inteira, mas não o suficiente para alimentar um capitão esfomeando pós-batalha. Era uma típica noite depois de uma luta no bando dos chapéu de palha.
Depois de festejar, todos ainda estavam machucados e cansados, e resolveram ir dormir. Zoro insistia em ficar acordado de vigia, mais Chopper não permitiu tal imprudência, já que sabia que o esverdeado ia ficar treinando e que isso faria mal aos seus ferimentos. Então o espadachim foi ao quarto com os outros e fingiu dormir até que o médico dormisse também.
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Não muito tarde, Chopper resolveu dar uma olhada no navio para ter certeza que não tinha nenhum pirata escondido por algum canto do navio. Tomou um remédio para dor de cabeça e reuniu o pouco de coragem que restava para começar a busca.
Com uma lamparina acessa e se esforçando para não tremer, fez toda a ronda pelo navio e não encontrou nada além de mais vestígios de luta. O único local que faltava olhar era o depósito.
A lamparina não conseguia iluminar todo o lugar de uma vez, então era necessário entrar e vasculhar. Chopper já se encontrava meio sonolento por causa do remédio, cambaleava como um bêbado, mesmo não tendo bebido tanto assim no banquete. A sua visão já estava turva, e não conseguia ver direito.
Foi quando enxergou uma montanha de algodão doce que Sanji tinha guardado para ele, que adorava esse doce que parecia nuvens rosas e fofinhas.
Na situação atual da rena, a única coisa que ele fez foi se jogar na montanha rosa e entrar no mundo dos sonhos, onde podia ser um super-herói que voa e salva as pessoas. Ou que encontra uma ilha onde tudo era feito do algodão doce mais fofo do mundo.
Com tantos sonhos doces, Chopper adormece, se esquecendo totalmente da vigia no Going Merry.
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