Cat Boy

14 Primo Mutado


Notas iniciais
Boris POV
Fala sobre o que aconteceu depois da batalha contra o Cavaleiro Fantasma (Capítulo "Sangue Negro"), e o que ocorre logo após a primeira transformação de Matteo (Capítulo Akrep).

Depois da luta com o “Cavaleiro Fantasma”, voltei à escola, e, pelo que parece, minha irmã tinha amenizado a situação, pois a primeira coisa que me perguntaram foi:

— O que você fez para libertarem elas? — Eis aqui a hora da verdade, quando eu tive que inventar uma desculpa absurda, para me safar, o que foi difícil.

— Eu... Eu chamei a polícia.

— E ficou esse tempo fora porque? — Eu comecei a pensar seriamente em contar a verdade, até que...

— O meu irmão seguiu o bandido, chamou a polícia e entrou na casa onde estávamos como reféns, se voluntariou para ficar no meu lugar, e eles trocaram reféns, pois nós nem vimos o rosto deles, depois, quando a polícia chegou, usou um truque inteligente para dopá-los e salvar todos que estavam lá, os donos da casa. — Coisa de gênio, isso que ela falou, o início foi inventado, mas o final veio de um livro sugerido pela escola como leitura, para uma avaliação de redação.

— Que nem aquele livro? Mas, Line e Boris, contem-me, porque eles vieram aqui? — Larissa, Larissa, você era intrometida até naquela época.

— Um dos bandidos era viciado, e...

— Teve um surto psicótico, e...

— Como tinha confundido Annie e Angeline com ex-namoradas...

— E me visto entrar na escola...

— As seqüestrou. — Eu terminando mais um dos paradoxos gimno-fraternais: completar as frases.

\"\"

Mas a pior das notícias ainda estaria por vir...

— Quem?

— O Matteo, seu primo. — Fiquei em estado de choque.

— COMO ASSIM!? E O CARA VAI FICAR SOLTO!? SÓ MESMO NA M**** DESSE PAÍS!! BRASIL: O PAÍS DA IMPUNIDADE!

— ELE SÓ FOI ATROPELADO E DESMAIOU! Ele está bem. — Na verdade ele estava em coma, mas não tinham me contado, eu adivinhei. — Mesmo assim. Eu quero ir ver como ele está.

— Vamos amanhã.

— Eu já sei que ele não está só desmaiado. — E assim, nossa discursão acaba.

\"\"

No hospital, fiquei umas quatro horas esperando ele acordar:

— Ele não vai acordar hoje, Boris — Minha madrinha Gabriela, tentando me levar à razão.

— Mas, eu sinto isso, e...

— Amanhã ele já está de pé, ele vai acordar!

— Eu tenho algo muito urgente pra falar.

— Eu volto logo.

— Matteo, se você pudesse acordar agora — Disse enquanto segurava seu braço, então uma luz saiu das minhas mãos, ele começou a se mexer, mas a pele dele começou a ficar com a forma de placas, um exoesqueleto, que ficou vermelho, ele teve uma convulsão, eu fiquei assustado, e aquela luz azul-clara me empurrou para trás.

— Você disse luz azul? —Disse Angeline.

— Sim.

— Mas não acha cedo para falar sobre isso?

— “Isso” o que? — Perguntou Larissa.

— Nada — Boris e Angeline com certeza têm alguns segredos...

\"\"

No domingo eu fui até a casa da minha avó, onde ficava também a casa da minha madrinha, a explicação: lá tinha uma “casa” no fundo do loteamento, e a casa da minha avó, a “casinha” do fundo foi reformada e virou uma casa, eu já morei lá, e agora, minha madrinha (e mãe do Matteo), estava morando.

Continuando: eu fui subindo a ladeira que nós chamamos de garagem (aquela da “queda fatal” da Line), e fui até uma área coberta do quintal, Matt veio a toda velocidade na minha direção, eufórico, ele ofegava bastante, parecia querer dizer alguma coisa, o que eu também queria:

— EU TENHO QUE CONTAR UMA COISA AGORA!! — A vontade dos dois culminou em um diálogo duplo: nós falamos ao mesmo tempo, eu já ia decidindo quem contaria primeiro, mas o impaciente do meu primo faltou com a educação:

— Deixa que eu conto, Big B. — Disse ele enquanto puxava camisa deixando as costas à mostra, algo começou a se mexer lá atrás, e uma cauda de escorpião vermelha, de tamanho proporcional ao seu corpo, apareceu pela esquerda, e eu fiquei confuso:

— Pensei que só eu... — E então eu fiz a força que um Super Saiajin faria para se transformar, e os pelos de gato apareceram lentamente, e então a minha cauda apareceu, o problema era que eu não conseguia manter. — Pena que eu não sei controlar — Essa foi a frase de efeito que precisávamos para que a minha transformação se anulasse e a cauda do Matteo, que parecia ter vida própria, se esconder entre suas costas e camisa, aquilo foi, para ele, a piada mais engraçada do século.

\"\"

Ás quatro da tarde, a “hora sagrada do futebol”, a cauda do Matt ficou maluca e se mexia freneticamente, ela se mexeu de tal maneira que ele ficou maluco, e gritou para o nada que ia à praça jogar bola, saiu correndo sem a autorização da mãe ou do padrasto, ou de quem quer que fosse, eu tinha que tomar uma providência:

— Não se preocupem: eu o trago de volta!

Então eu comecei a correr na direção da “quadra poliesportiva”, que era como o Governo do Distrito Federal de então, chamava as praças, eram locais arborizados, aonde as pessoas podiam passear, ir nas pistas de skate e nos parquinhos infantis de areia (como na praça Santos Dumont, que ficava perto da casa da minha avó materna), nas quadras de vôlei/futebol de areia (como na praça a qual nos dirigíamos), nas quadras de cimento de vôlei/futsal/basquete (como na quadra pública do CEM 01 de Sobradinho, que também era usada pelos alunos da mesma), ou nos aparelhos de ginástica, a versão infanto-geriátrica dos aparelhos de musculação (como em 99% das quadras, exceto as que não foram reformadas por questão de burocracia), para chegar lá, nós descíamos a ladeira por duas quadras, e atravessávamos uma pista movimentada que dava acesso a uma escola pública.

Ele chegou na praça e gritou alguma coisa para uns conhecidos que estavam usando os aparelhos de ginástica, eu cheguei lá e perguntei aonde ele foi e o segui atravessando a rua na direção de uma escola particular também próxima à ágora (praça pública em grego).

Ele seguiu na direção da quadra da escola (que era muito pequena), e circundou o edifício até achar um local aonde ninguém pudesse vê-lo.

Então ele enlouqueceu e começou a saltar sem direção, se jogando contra o chão e contra a grade, parecia uma cena de filme de exorcista, então, rasgando sua camisa, a cauda começou a se mexer mais loucamente que ele, surgiram quatro “bracinhos” de escorpião, que jogaram sua calça para longe, eu a peguei, então, placas de exoesqueleto de escorpião, escarlates, brotaram de todos os lugares da sua pele, e um escorpião gigante de cueca saiu correndo a uma velocidade absurda: eu tinha trabalho a fazer.

— Ólie, liga pro Roy. — Disse eu ofegante correndo atrás dele com o celular na mão direita.

— O que aconteceu?

— Eu estou na praça perto do CEF 03, correndo atrás de um escorpião gigante. SOCORRO!!! — Eu guardei o celular, e, espontaneamente, eu me transformei, pouco depois, a ajuda chegou.

\"\"

Em dez minutos eu estava em um helicóptero com o Óliver e o Roy, além de quatro homens fardados de verde-amarelo e vermelho que eu nunca tinha visto, dois dirigiam a aeronave, e um segurava uma metralhadora fixa no chão do veículo, atirando no chão tentando acertar meu primo nervosinho, nós já estávamos fora da cidade, e muito longe, sobrevoando ora fazendas, ora áreas quase descampadas de mata virgem (cerrado) seca, e às vezes no meio de um incêndio, aquela cauda balançando já tinha cortado umas quinze árvores e criado buracos em centenas, eu abri a porta de correr do helicóptero de duas hélices e gritei:

— EU VOU PULAR! — Eu abri uma cratera no solo queimado quando caí de pé, e, para não quebrar o meu tornozelo, eu emendei em outro salto, e outro, e outro, até sair correndo de verdade, a essa hora, lá na frente, a minha esquerda, dois dos agentes já teriam saltado de rapel (pendurados em cordas), junto com o Real, então o Invertido apareceu a minha direita, e continuamos correndo.

— Eles calcularam aonde ele iria e acionaram uma função de velocidade turbo, vamos.

— Continuam atirando nele?

— Sim. — O pior é que aquele exoesqueleto repele as balas.

— Roy, se apresse, ou isso vai ser uma carnificina.

Quando eles se encontraram com a fera, eu estava a 500m de distância, mas eu pude ouvir: primeiro foi o som da criatura se aproximando, depois, tiros, ricochetearam no exoesqueleto, e perfuraram um coração, que bateu três vezes e parou, depois, outro coração foi perfurado e ouvi som de um jato de líquido, um grito agonizante, e um corpo humano, com a pele seca, caindo no chão, ENVENENADO, um som de árvore quebrando, e a cauda bateu em metal (Óliver!), a sensação de um movimento repentino, e um coração perfurado, um grito que não era do Óliver, e o som da voz dele xingando o escorpião, seguido de:

— Você matou meus agentes sem piedade, seu monstro! VOCÊ VAI PAGAR CARO!! — Depois eu pude ver a luta do Ólie com o Matt, e, quando ele ia fazendo outra vítima, eu pulei e chutei a cara dele... ESSA ELE MERECEU!

— Oh honney, você salvou o Óliver, sorry por todas as vezes que eu te irritei.

— Sério Boris, a Joline pediu desculpas?

— Quieto Matt, não precisava disso.

— Agora é a MINHA VEZ! — Eu saí correndo à toda velocidade até a cratera que o Matt criou ao cair, ele se levantou, e eu fiz minhas unhas crescerem, tentei acertá-lo, e ele desviou para o lado, e como era rápido, ele pulou na minha direção e tentou me acertar com a cauda, eu esquivei, tentei chutá-lo e ele rolou, pulou com as garras tentando me acertar, eu esquivei, dei um soco, ele esquivou, outro golpe, uma cauda vindo na minha direção, eu salto, e giro no ar tentando chutá-lo, o escorpião usou todas as patas como impulso, saltou, eu dei um chute que criou um outro buraco, e então ele veio com aquela cauda, a dor foi insuportável, ele me jogou para trás e eu bati em uma árvore, então quando eu ia acabar morrendo, Roy chutou ele para longe com os dois pés:

— O gatinho está com medo? — Ele correu com os quatro membros, como uma pantera, e o monstro correu com os oito, quando iam colidindo, os dois usaram dois membros superiores, e unhas e pinças eram chacoalhadas em todas as direções em um “balé-assassino”, eles corriam para frente, para os lados e para trás, cada um objetivando a morte do outro, então eles usaram os outros membros, pinças envenenadas quebraram os braços do Invertido, que ficaram flácidos, e em um último movimento, ele os juntou atrás das costas, e deu um salto para trás, ainda no ar ele falou:

— Me desculpe, mas eu vou ter que usar, algo REALMENTE tenebroso! SKÍA!! — Falando a última palavra com uma voz grave, solene, e aterrorizante.

— Aquele feitiço?

— Exatamente.

— Desde aquela época?

— Desde a PRIMEIRA luta. — Aquela em que ele e o Roy lutaram.

Então, com os braços entrelaçados, e com uma energia sombria à sua volta, ele começou a dançar a “capoeira-irlandesa”, e eu chamei assim porque ele chutava o meu primo com as duas pernas, uma atrás da outra, e depois vinha com ganchos e martelos da capoeira, a energia negra que girava em volta de suas pernas, se chocava contra o exoesqueleto do Matteo, e era neutralizada por uma energia vermelha, em forma de escudo, que fazia o escorpião vibrar, e vibrar, ele vibrou tanto que enlouqueceu, e gritou pela morte do Roy, em japonês:

— SHINU!! — Mas não era a voz do Matt, era mais sarcástica, e monstruosa, depois ele explodiu. Sim, exatamente, explodiu. A energia vermelha resultante se expandiu, e jogou O Invertido para trás, porém, antes dele cair, a cauda envenenada do escorpião fincou-se no seu estômago, puxando-o para trás, antes de uma esfera de energia atingi-lo em cheio, claro, a criatura levou-o para mais perto ainda, e falou com sua voz pesada:

— Está com medo de mim? —Ele fez que não com a cabeça. — É uma pena, morrer mentido para si mesmo. HAHAHAHAHAHAHAHA!!— Então ele começou a girá-lo, se preparando para lançá-lo a uma distância de um quilômetro, quando eu corri e cortei a ponta da cauda da fera, dizendo:

— O gatinho está com medo? — Enquanto o Ryan caía no chão.

A cauda se recuperou, e eu lutei novamente: tentava, em vão, arranhá-lo, e ele vinha com todos os membros a incríveis velocidades, se mexendo descontrolado:

— Acha mesmo que pode salvá-lo.

— Com todas as minhas forças!

— Pois eu vou te contar um segredo: MESMO QUE EU SEJA DESTRUÍDO, EXISTEM MILHÕES DE FORMAS DE MATAR, E ELE SERÁ SEU PIOR INIMIGO!!

— Então eu vou salvá-lo, e salvá-lo e salvá-lo, e vou caçar todo o mal deste planeta!

— GAROTO TOLO!! Acha mesmo que um gato-demônio metido a herói pode me deter? MESMO!? Existo desde que vocês eram macacos sul-africanos!!

— O que é você?

— Não sou eu, somos nós, os inimigos da humanidade!

— Como?

— Ah, me esqueci, você é um reles homo sapiens comum, modificado pela inconstância da magia negra, não é nada de especial.

— E muito menos você.

— O QUE? VOCÊ ESTÁ ME MENOSPREZANDO?

— Você é uma reles marionete.

— VOCÊ E SUA ESPÉCIE MERECEM MORRER POR TAMANHA AUDÁCIA E OUTRAS TANTAS MAIS!!

— AH, O QUE É TODA ESSA INDIGNAÇÃO? VOCÊS VEEM DO ESPAÇO, DO INFERNO, E DE QUALQUER LUGAR DOLOROSO E SOMBRIO PARA NOS APAVORAR E NÓS QUE ESTAMOS ERRADOS? HEIN!?

— Vocês são o tipo de seres mais desprezíveis, que destroem tudo em que tocam!!

— E o que você criou? Você possui o meu primo, mas é você quem precisa de um EXORCISMO, eles estão te usando para tomar o que temos. PORQUE ELES TÊM INVEJA!!

— Inveja? INVEJA DE CRIATURAS INFERIORES?

— A suas faltas de: argumentos, motivos, coesão, e até o fato de dizer que são melhores só provam o contrário.

— Eu nem ligo, nós temos até o DIREITO de tomar tudo que vocês tem.

— Por que?

— PORQUE VOCÊS SÃO DESPREZÍVEIS, E ATÉ GUERREIAM ENTRE SI “EM NOME” DO MESMO DEUS, SÃO UMA RAÇA DE HIPÓCRITAS E ADORADORES DE ÍDOLOS DA RIQUEZA... FEITOS DE PAPEL!

— E você é o que? — Silêncio geral, seguido de:

— COM CERTEZA MELHOR QUE VOCÊS!

— Eu estava errado, nem todos podem ser salvos, me desculpe escorpião. — E depois dessa filosofia, Óliver veio por trás e injetou penicilina na cauda dele (a alergia familiar partilhada), o que fez as placas caírem, mas quando eu achei que já tinha acabado, ele começou a espancá-lo:

— ISSO É PELOS OUTROS!! ISSO É PELO ROY!! ISSO É POR MINHA ESPÉCIE!! ISSO É POR MENOSPREZAR MEU DEUS!! ISSO É...

— Óliver? Eu já bati o suficiente nele e... Não, eu não bati nele, eu bati em um escorpião do mal. E esse aí é o meu primo.

— QUE DISSE!?

— Que ele estava possuído, vamos, bata nesse monstro outro dia... — Disse enquanto acalmava um homem triste, sem razão, e perturbado pela fera interior do outro, chorando pelo mesmo motivo...

Eu e o Óliver tratamos do Roy com soro para veneno de escorpião, vestimos a calça no Matteo e eu o levei de volta para casa, enquanto estávamos no helicóptero, conversamos:

— Como você achou penicilina?

— Outra caixa que me enviaram.

—Csínetos DŒ?

— Exato.

— Então foi isso que ele fez?

— Na verdade ele foi obrigado a fazer, Larissa.

— É Boris, eu estava...

— Dominado pelo instinto do animal interior.

— Ótimo, hora do primeiro intervalo.

Notas finais
Desculpem-me por não ter postado no dia 07, eu estava viajando, mas Fevereiro Promete!!!