Notas iniciais
Este capítulo trata de André Yuri, o narrador nos momentos da entrevista de 2048. Nenhuma parte da ação acontece em 2011 neste capítulo, sendo que nos outros, a ação que ocorre em 2048 é restrita e trata mais de falas complementares.

AGORA que eu já apresentei todos os herois, vocês devem estar se perguntando quem é o narrador. Meu nome é André Yuri (não revelarei o sobrenome), eu sou cadeirante, tenho Distrofia Muscular tipo Ducchenier, uma doença hereditária que ataca o cromossomo “Y”, eu tenho 51 anos, e, segundo o meu câncer (Distrofia Muscular), eu poderia ter morrido desde os 15 anos de idade, mas não sou tão bem conservado como os meus herois.

Eu sou um escritor, na verdade eu sou um escritor desde os 14 anos de idade; primeiramente (isso foi em 2011) eu escrevi em sites de ficções amadoras, as chamadas fanfictions, aquilo era só brincadeira, mas aí eu comecei a me imaginar velho e famoso, e hoje estou aqui.

Quando adolescente, eu era gordo, exceto pelos meus braços esqueléticos, que eu nunca entendi porque eram assim, eu era nerd, aplicado na escola, e também era otaku (mas não deixei de ser), desde os 15 anos eu uso óculos (de tanto mexer em eletrônicos tive astigmatismo), eu tenho olhos castanhos e cabelo atualmente loiro grisalho, embora tenha passado por estágios: loiro-escuro, castanho-claro, castanho-escuro, e colorido de loiro por mudança de DNA (acidente de laboratóro), e tenho olhos castanhos.

Agora me imaginem de meia-idade (a expectativa de vida média agora é de 100 anos), segurando algo que para vocês pareça um tablet, mas que na verdade é um “auxiliador de escrita” da BR tEch, ou Brasilian Royal Technologies (Empresa do Boris), e que pode ser usado com um teclado portátil acoplado ou com canetas sem tinta, isso mesmo, usa-se qualquer caneta que não pode escrever, nele, por isso ele é chamado de: caderno do século XXI, bobagem, com os tablets foi a mesma coisa, mas os instrumentos tecnológicos (mas não os eletrodomésticos) pós guerra da invasão, são normalmente feitos com material biodegradável e por isso devem ser sempre guardados em invólucros plásticos, mas isso é uma longa história.

Meu renome cresceu muito quando as coisas sobre as quais escrevia se tornaram reais, como a invasão extraterrestre de 2039, na época as pessoas usaram meus livros como guias de sobrevivência, o que o próprio Hepteto Espetacular sugeriu. Na verdade, minha ligação com este grupo foi tanta, que a Larissa Cavalcanti, me pediu para vir no programa dela e escrever um livro sobre a entrevista, e o interessante é que será uma aventura adolescente (já estou vendo me chamando de “Tio André” nos sites de fanfiction).

Eu tenho uma irmã, Natália Yngrid, de 48 anos, que é muito bonita, ela até é casada com o Matteo Chiwanda de Verona Benevides Salazar do Hepteto Espetacular, e outra irmã, Sofia Yasmim (como disse, não revelarei o sobrenome), que é a agente da supermodelo Sofia Vitória Teixeira de Verona Benevides, e eu também não sou só escritor: eu trabalho na área de pesquisa científica da BR tEch, cujo presidente é Boris Yan Teixeira de Verona Benevides, e fui eu que criei “O Auxiliador de Escrita”, e trabalhei no projeto da “Máquina de Teletransportar” (que transformou o transito de São Paulo em um paraíso).

O porquê da minha fascinação com os super-herois? Não sei explicar (e talvez nem precise), o fato é: eu fui salvo por Boris e cia incontáveis vezes.

Enfim, eu saí do meu lugar, e fui “andando” (não esqueçam que eu estou na cadeira de rodas), até os bastidores, minha irmã Natália estava conversando com Matteo, e seus filhos: Violeta e Abel, Sofia estava conversando com Vitória e Boris sobre o marketing que os comentários sobre o ensaio causaram, Joline e Óliver estavam conversando com sua filha, Linda, que era conhecida como “Titânia Linda, A Maga de Armadura”, uma clara referência a Titania Erza (do mangá “Fairy Tail”), pois seus feitiços “Primores” (os preferidos e ou mais fortes de um mago), eram ligados a metais e ela criava uma armadura para lutar (além de ser ruiva). Fui falar com minha irmã, esposa de Matt, ela disse algo como:

— Como está indo o livro?

— Aos poucos...

— Lembre-se: você só tem cinco horas para terminá-lo.

— Pelo jeito vamos ficar aqui até o crepúsculo, já se passou uma hora e fizeram pausa para o almoço...

— Bem lembrado. Luíza vai preparar o almoço, e Boris convidou TODOS nós. — Todos se juntaram atrás do palco, e Larissa veio falar com Boris:

— Bem pessoal, agora é hora de almoço, então, eu acho que vocês podem se teletransportar para casa.

— Logo no horário de pico? — Nada nesse mundo é perfeito, mas eu tinha a solução:

— Podemos usar a linha restrita.

— Ela já funciona.

— Sim, Senhor Boris.

— Perfeito. Alguma objeção?

— Eu tenho — Disse Larissa. — Eu e minha filha vamos almoçar com meu marido que chegou de viagem.

— Sempre cabe mais um, ou dois.

— Estou indo buscá-los então. — Disse ela indo até uma das máquinas de teletransportar, e digitando um número, e ela voltou acompanhada, um minuto depois, então eu fiz os ajustes no relógio do Yan (Boris Yan), e um raio saiu dele e circulou à nossa volta, e nos vimos em um andar de apartamentos.

Boris falou assim que chegamos, enquanto caminhávamos à frente:

— Todos já devem estar nos esperando, mas eu vou avisar sobre a Larissa mesmo assim. — Então ele chegou perto de uma porta com senha, identificação biométrica, chave, e ainda um identificador de voz, porta lacrada, e apertou a campainha, uma mulher morena com cabelo preto liso, atendeu o interfone com vídeo:

— Boris meu amor, já estava ficando preocupada.

— É que eu trouxe visitantes extras.

— Larissa Cavalcanti e a família, que bom! — Então ele destravou a porta de todas as maneiras possíveis e impossíveis, e entramos. Lá, Luíza esperava, junto de seus três filhos: Bruno, Tomás e Gabriel, (o Guepardo Australiano, o Leão de Cristal e o Puma) todos cópias exatas de Boris, exceto por Tom, que tinha um cabelo preto e encaracolado.

A casa era um apartamento com pé-direito alto; com uma sala multiusos, com espaço para televisão, no centro, sala-de-jantar, à direita, e sala de descanso, à esquerda, além de um gigantesco lustre, e um conjunto de janelas em forma de polígonos atrás; dividindo o espaço com dois outros cômodos: um, à direita, a cozinha, com uma plataforma, em cima, sustentando o quarto do casal com suíte, e acessível por um elevador; e o outro, à esquerda, uma sala de leitura, dessa vez com os quartos dos garotos em cima, e perto de um lavabo. A mesa era enorme coberta com um pano branco bordado de verde nas extremidades, ela tinha 24 lugares: 11 em cada lado e um em cada cabeceira, todos foram ocupados, mas não era aquela mesa que eles usavam normalmente, eles tinham 20 mesas que encolhiam e ficavam em forma de bolas-de-gude metálicas, expostas em uma estante (outra longa história). Assim que todos se posicionaram, Boris ergueu uma taça cheia de néctar (o mesmo da nave csinética), ficou de pé, e pronunciou:

— BEM-VINDOS! É com grande prazer que acolho todos vocês em minha casa! Eu desejo saúde e felicidade aos nossos convidados! — E então ele se sentou, e todos erguemos as taças para o alto, e brindamos com uma frase em latim:

— FELICITÁTEM ET VITAM! — Felicidade e vida. Por ser em Latim, é uma frase intermediária entre as tradições mágicas e extraterrestres. Então os donos da casa se serviram e nós seguimos o a etiqueta.

O almoço foi divino, eles serviram uma salada de cozinhas regionais: ravioli (capellacci) de frango, ao alho e olho, uma reinvenção do clássico italiano; churrasco, no bom estilo gaúcho; paçoca de carne-seca, nordestina; teriyaki de peixe, grelhado japonês; cozido de abóbora, cenoura, berinjela e coco, ao melhor improviso csinético; pão de arroz, trigo e hortelã, também alienígena; e o prato principal: leitão à pururuca. Oh, Minas Gerais!

Depois do “insulto à gastronomia”, com aquele “almoço eclético” que deixou nossos paladares enlouquecidos, todos se despediram e saímos do apartamento, andamos por cinco metros e nos teletransportamos, dessa vez, todos foram ao estúdio.

Nos bastidores, todos foram se arrumar nos camarins, e Larissa falou antes do reinício das gravações:

— Eu, particularmente, não sei por onde continuar. — Ao que o locutor anunciou:

— Continuaremos com as gravações em cinco minutos. — Então todos tomamos nossos lugares e eu liguei o meu “auxiliador de escrita”, escrevendo sobre o que aconteceu no intervalo, na velocidade da luz, então começamos efetivamente a gravar:

— TELESPECTADORES, PLATEIA E ENTREVISTADOS! Vamos iniciar a minha parte preferida do programa: “AUDITÓRIO INDISCRETO”! Embora algum de nossos convidados tenham feito perguntas que a produção aceitou como muito necessárias, agora é a hora de se abrir! — Antes mesmo dela terminar, alguém da plateia levantou-se. — O que deseja saber, Adriana?

— Boris, é verdade que seu filho Bruno sabotou a “BR tEch & hEro”? — Neste momento, a expressão dele mudou de calma para desespero!

Notas finais
Gostaram? Esse capítulo é diferente dos outros e nos próximos, as partes da entrevista (e a chata da Larissa Cavalcanti) vão interromper menos e menos a ação que se desenrola em 2011, até que a entrevista rareie a um capítulo em 2048 a cada dez em 2011.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.