Castle on the Hill
3 I'm on my way
Notas iniciais
I'm on my way
Driving at 90 down those country lanes
Singing to "Tiny Dancer"
And I miss the way you make me feel, and it's real
We watched the sunset over the castle on the Hill
Eu nem podia acreditar! Com 14 anos estava a dirigir o carro do meu pai sob os olhos desatentos do meu irmão James. A velocidade a que eu ia permitia que os meus longos cabelos ruivos esvoaçassem livremente. O sol já ia baixo, e uma cor avermelhada espelhava-se no céu nublado. O James era o rapaz mais louco e imprudente que eu alguma vez conheci! Este foi o seu último ano em Hogwarts, e pode-se dizer que o laboratório de poções já teve melhores dias. Eu só consegui gargalhar quando o ouvi a contar a história de como o tinha enchido de espuma só com um sabonete muggle. Lendário! Estivemos o verão todo juntamente com o Albus (que nesse ano tinha passado por situações bem complicadas juntamente com o Scorpius, situações essas que quase destruíram a linha temporal do mundo mágico) a planear a sua “viagem de finalista”. No dia em que eu estaria a embarcar para o meu 5º ano em Hogwarts ele estaria neste mesmo carro em direção à Holanda para viver as mais loucas aventuras juntamente com os seus ex-colegas. De repente, um som familiar chegou-me aos ouvidos.
—Pelas barbas de Dumbledore! – exclamou o James.
—Que piada James… – respondeu o Albus secamente, que odiava aquela expressão.
—Não! É… é a nossa música! – respondeu ele, subindo o volume até ao máximo.
I'm on my way
Driving at 90 down those country lanes…
E era mesmo! À pouco tempo os nossos pais visitaram Londres enquanto nós os três fomos ver um concerto num grande pavilhão da cidade. O cantor chamava-se Ed Sheeran, e tinha uma voz que movia multidões. Desde que tenho convivido com alguns Muggles cheguei à conclusão de que a sua cultura é bastante atraente. E os doces são absolutamente deliciosos (embora os da minha avó Molly continuem a ser melhores). As nossas vozes convergiam em gritos desafinados sobre castelos no topo de colinas e cigarros enrolados.
—Anota o nome da música para não te esqueceres quando estiveres na Holanda – pedi eu ao James enquanto virava à esquerda conforme as indicações do Albus.
—Não é preciso… — disse ele, com um sorriso matreiro e levantando a manga da t-shirt.
Uma tatuagem de uma sombra do castelo de Hogwarts e as palavras “Castle on the Hill” encontravam-se tatuadas no seu ombro. Arregalei os olhos e afirmei, voltando a concentrar-me na estrada:
—O pai vai matar-te!
—E quê!? A mãe também tem, estou-me nas tintas para o que ele pensa.
Olhei de relance para trás e certifiquei-me que o Albus estava de olho nas árvores que cobriam a floresta e não em nós.
—Não achas que os pais já tiveram chatices suficientes este ano…
—Olha Lily eu sei que isto foi difícil para ti, o facto de eles praticamente não te terem escrito, de terem visitado Hogwats e nem sequer te terem ido ver, mas eles pediram desculpa! – ele suspirou e continuou – Além disso, tu tens de começar a viver mana. Não vais estar neste mundo para sempre… nem lá perto.
No inicio do verão havia tido uma grande discussão com os meus pais pelas razões que o James referiu. Durante um ano inteiro os meus pais só tinham tido olhos para o Albus, e isso deixou-me profundamente posta de parte. Se não tivesse sido a companhia do James provavelmente ter-me-ia desmanchado em lágrimas mais do que uma vez durante as manhãs em que todos recebiam cartas de casa, exceto eu e ele. Foi um ano difícil, mas felizmente tudo se resolveu.
—Chegamos! – disse o Albus subitamente, interrompendo-me o pensamento.
Parei o carro em frente a uma grande montanha.
—É aqui? – perguntei eu desiludida.
—Claro que não, temos de subir! James, agora que podes fazer magia fora da escola, mete-nos lá em cima.
—É para já!
Os três demos as mãos e Aparecemos no topo do gigantesco monte, dentro de uma fortaleza de pedra completamente destruída. Olhei em volta e o cenário era PERFEITO! A vermelhidão do céu intensificou-se, o sol já pouco exposto, as nuvens escarlates.
—Como é que descobriste este sítio mano?
—No último verão quando o Scorpius veio passar a semana a nossa casa nós viemos dar uma volta de vassoura, e descobrimos isto! — ele parecia levemente corado, vá-se lá saber porque – Pensei que seria um bom sítio para passarmos o nosso último sunset juntos.
—E achas-te bem! Mas não vai ser o último, é só o último deste verão… – disse o James, sentando-se na relva molhada – Cheguem-se aqui.
Os três estávamos lado a lado, abraçados num silêncio cheio de felicidade. Se houve coisa da qual eu nunca me pude queixar foi de ter crescido sozinha, porque não cresci. Sempre tive a melhor companhia do mundo, os meus irmãos!
—Não vai ser a mesma coisa sem ti em Hogwarts, vamos ter saudades… – disse eu aconchegando-me a ele.
—Pois não! – confirmou ele algo convencido e lisonjeado – Mas eu sei que vocês vão continuar com o legado dos Potter lá.
Depois piscou-me o olho e beijou-me na testa em sinal de proteção. E lá estávamos nós, a ver o último sunset sentados no nosso pequeno castelo na colina…
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