Castle Of Dreams

1 I - Verão de Surpresas


Cheguei despreparada naquela tarde de verão, apenas com minha mochila, livros e uma máquina antiga em mãos ao castelo onde os sonhos são bem vindos e principalmente as ilusões.

Eram férias e no final minha mãe vinha me buscar. Mas tinha muito tempo para ficar com minha avó, que depois de dias partiria à capital. Cheguei de barriga cheia, mas insistiram em comer mais um pouco; não sou boba, o lanchinho ficaria para mais tarde, à muito tempo não me aventurava por aqui. A última vez que estive na ilha, o guardião ainda era vivo, bem me lembro, seu olhar observador, guardava todos os segredos da ilha, além de plantar belas bananas e maças em seu quintal. Um pequeno rio banhava o meio das matas da ilha, andei até lá e naveguei por quase toda a ilha, dessa vez talvez por estar maior, vi a ilha com outros olhos, percebi um ar diferente, será que foi só impressão minha?

De longe avistei a filha do guardião, não sabia seu nome, mas por seu comportamento e pelas cartas na mão sabia quem era! O dia já ia se pondo e o lanchinho que guardei fez-me companhia à noite, percebi que ia demorar demais até o castelo, resolvi ficar por ali mesmo, já que eramos poucos na ilha, o que nos faria mal? No meio da noite escutei passos ao meu redor, mas não me preocupei, achei que era só um sonho e voltei a dormir.

Logo que acordei a fome bateu, e o suor parecia estar impregnado em mim, acordei mais cedo que minha vó, o que já não era novidade, tomei um banho rápido, vesti-me, peguei os rolos de filmes para a câmera, e desci, para que não percebessem meu sumiço noturno, mas a Betânia era mais esperta, de fininho chegou do meu lado e falou que percebeu meu sumiço, já que mais cedo foi me acordar e eu não estava lá. Só esperei o tempo de minha avó chegar para dar um beijo nela e ir tirar fotos, mas enquanto isso, fui mandar um e-mail, já que era o único jeito de me contactar com o outro lado do oceano.

"Cuidado, minha menina, sei que já ia sair, mas que bom que me esperou, precisava dizer que é pra não sair mais no meio da madrugada como ontem, ouço cada vez mais passos ao redor da ilha, e cada vez mais frenéticos, vou sair daqui a alguns dias, e preciso que tome mais cuidado!" — Não entendi porque ela falava isso com tanta calma, já que essas palavras não pareciam ser as mais confortantes de minha avó. Como já dizia meu avô:

– Melhor goiaba que já comi foi a de cemitério, os mortos fazem bem às plantas. — Fui atrás do lugar que parecia-me ser o mais cavernoso da ilha, em minha infância, e acertei, as melhores, mais bonitas e vivas flores estavam ali. Mas ao fundo ouvi algo estranho, com certeza passos de animais não eram, já que ouvi algo parecido com madeiras rangendo, passos acelerados, porém macios. A adrenalina disparou à mil, mesmo sem senti medo, parecia que algo não ia dar bem, de qualquer forma, lá fui eu. De tão abandonado que parecia chegava a ser bonito, mas não agradável, tirei fotos, aproximei o foco, mas do nada, para onde foi o barulho? Agachei-me e escondi o rosto parecendo uma criança com medo. Será que tinham me percebido?

Notas finais
Na verdade essa história já foi post de blog, um tumblr, mas agora é fic. Meta: daqui pras livrarias Õ/ -sqn