Notas iniciais
Desculpem a demora, mas poxa, quase 200 visualizações e 4 comentários? Bem, mesmo assim agradeço a todos que comentaram, muito obrigada mesmo! E também meus sinceros agradecimentos a Crazy Yeah que favoritou, muito obrigada! Aproveitem o cap! E por favor, comentem! Apenas aviso que essa historia não será um simples clichê. Talvez um clichê...original rsrsrsrs

Aqueles corredores nunca pareceram tão longos.

Porém, o momento era perfeito.

Tudo que faltava era a música típica de filmes que ação, à lá Missão impossível.

O plano consistia no seguinte:

1°: Eu e a Mari ao meu lado, iríamos pelo corredor, e pararíamos atrás de uma curva.

2°: Ela iria na frente e veria se estava tudo Okay, se não estivesse, ele imitaria o som de uma vaca(nem me pergunte...).

3°Eu iria até o armário do Marcos drogado Still (vulgo: traficante do colégio/ vulgo: amor platônico da Mari/ vulgo: já nasci com os olhos vermelhos, não, eu não fumei baseado), e depois arrombaria com minhas técnicas infalíveis e ninjas de arrombamento.

Tradução: Bora descer a marreta!

4°: Sairíamos de lá como se nada tivesse acontecido e com minha pulseira para a festa.

5°: Subornaríamos o tiozinho das câmeras para apagar a ultima filmagem, e fingiríamos que nada aconteceu.

Ai você, talvez se pergunte: Porque vocês não pedem para ele ao invés de arrombar?

Ai é que está o cerne da questão meu caro gafanhoto.

Todos, eu falo sério, todos, tem medo de falar com o Marcos. Bem, é claro que ele tem uma tribo, como assim chamamos as separações de grupos, mais até os “amigos” dele, são meio receosos. Não sei...talvez por..um dos amigos dele ter dado o dinheiro do lanche dele sem o Marcos pedir, ou talvez por...sei lá...o “amigo” dele ter se ajoelhado no chão pedindo desculpas depois de olhar diretamente em seus olhos, não sei né...

Porém, talvez ainda se perguntem: Porquê pedir justamente para ele?

O Marcos drogado Still (vulgo: traficante do colégio/ vulgo: amor platônico da Mari/ vulgo: já nasci com os olhos vermelhos, não, eu não fumei baseado), sempre tinha pulseirinhas extras, que ele de alguma forma conseguia, e que usava para extorquir dinheiro de alunos que não tinham sido convidados. Por que sim...Melanie não dava festas livres para a escola toda, era simplesmente uma coisa limitada.

E além do mais, eu não iria implorar para Melanie os ingressos, vai ela decidi me bater! Sim meu caro leitor, aquele mico leão dourado em trajes esdrúxulos já havia me batido...ela e sua gangue, várias vezes, mais quem se importa? Bem, o cerne da questão é que eu tenho dignidade...bem...so um pouco, mais eu tenho okay? Vamos apenas deixar isso esclarecido.

Autoestima? Não tenho. Amor próprio? To catando no chão. Respeito? Ele sumiu. Dignidade? Resta pouca. Porém senhoras e senhores, ainda há uma esperança! As jujubas ainda não acabaram!

Voltando ao assunto...

Porém, como sabemos, nem todo plano é perfeito.

E percebemos suas primeiras falhas, logo em seus primeiros minutos.

—Muuuuuuu!

O sinal de Mari ecoava em meus ouvidos, e ansiosa, fui até ela.

Havia um tiozinho da limpeza no corredor, segurando um esfregão, e ao lado dele estava um balde amarelo.

Ele parecia mais morto do que vivo. Sério mesmo, chegava a duvidar se ele respirava.

Fui até ele com Mari em meu encalço, e cutuquei sua bochecha...ele nem se mexeu.

Estava cogitando a ideia de ligar para a ambulância como boa auxiliar de senhores ou senhoras idosas ou idosos que sou, mais sabe...é a festa...da Melanie, e, embora eu odeie verdadeiramente ela por ter que sofrer bullying por suas mãos, realmente não vou desperdiçar a chance de ser vista em uma festa, por um tiozinho da limpeza que estava sujando o chão de baba. Eu gostava de ajudar as pessoas, mais mesmo assim, não estava afim de desperdiçar aquele plano que levou horas para ser feito (lê-se: 5 minutos), por causa da necessidade de chamar uma ambulância.

Okay, okay, eu posso ligar para a ambulância...depois de pegar as pulseiras.

Foi ai que o tiozinho, que identifiquei pelo crachá como Rodolfo, (sério, que nome é esse? Parece doença! Chega ao páreo de Macabéa!) espirrou, e foi ai que percebi que ele estava bem. Mas sério...ela estava olhando para o nada, com se o lábio inferior dele pesasse uma tonelada, fazendo a baba escorrer por entre ele, e cara, eu estava na frente dele...na frente!

—Amy!

Minha melhor amiga sussurrou gritando(?), e eu fui para perto dela, que já estava ao lado do armário de Marcos.

—Como vamos abrir?- a pergunta dela fez-me perguntar se eu estava fazendo certo ao arrombar o armário de um garoto discreto e que fica no canto dele...com uma marreta ou um grampo. Certo, acho o grampo melhor. Eu não era malvada, e depois ele precisaria da porta, e seu cadeado para guardar as coisas...e além do mais ia fazer muito barulho!

Pequei um grampo que prendia uma das minhas mechas curtas que saia toda hora do meu rabo de cavalo.

Pode-se dizer que eu passo muito tempo sozinha, e meu meio-irmão, meio que me...ensinou a arrombar armários. Bem, quando ele não estava me batendo, me xingando, ou ficando com uma garota. Uh, eu apanho muito.

Quando finalmente consegui abrir o armário, um cheiro pútrido entupiu minhas narinas.

—Que cheiro é esse?- Elly perguntou tapando o nariz.

—Sei lá...hã...drogas?

—Só pode ser isso, mais ele esta doido? Se pegam isso aqui ele é expulso.

—Ele provavelmente não deve se importar com isso...

—Obviamente- completei, minha voz saiu nasalada pelo simples fato de estar tampando a respiração.

Enquanto tentava abrir o armário, minha mente viajou para o que minha mãe, Clear, dizia sobre delitos. Ela sempre falava para eu não cometer nenhum crime, e ser uma boa garota. Tínhamos uma relação muito boa com base em conversas e rígidas regras. E a segunda era, não roubar. Se eu citasse todas, meu caro leitor, você provavelmente iria achar que minha mãe havia roubado uma drogaria, e tomou uns trilhões de remédios. Ela era extremamente paranóica. Igual a mim.

Mas, olha, era a festa...da Melanie...E não, eu não sou fútil nem nada disso, é só que, me vendo na festa, vão parar de me zoar, de me bater, e vão me reconhecer como alguém intocável. Ah fala sério! Era isso ou um guarda-costas!

Ignorando o cheiro, meti minha mão por entre os livros que ali se encontravam, tentando pegar a pulseira.

Peguei a pulseira dourada, e o que me impediu de sair de lá, foi um vislumbre de um plástico.

—Ei Mari, vem aqui- Chamei a tirando da guarda.

Levantei o plástico no ar, tentando ver o que tinha lá dentro. Que droga era aquela?

—Amy...o que é isso?

Quando ia responder Mari, algo me impediu. Uma sombra alta se formou no ar, e ao me virar, percebi porque um cheiro forte de drogas tinha se formado no ar segundos atrás.

Todo o conteúdo do plástico foi ao chão, e não, não foi de propósito.

Mari já havia corrido e virado o corredor. Também te amo Mari...

São nesses momentos, que eu me pergunto porque sou tão azarada assim. Marcus estava lá, na minha frente, e eu tinha certeza que aquela cara, não era de felicidade.

Ele estava de braços cruzados, seus olhos estava vermelhos e sua barba estava por fazer. Ele sempre usava preto.

—Ah, Marcus! É sempre um prazer te ver!- fiz um gesto de empolgação com o braço, deixando que meu punho cortasse o ar.

—O que está fazendo no meu armário?- ele perguntou calmamente, me lançando um olhar tão potente quanto um raio e tão fatal quanto um veneno.

—É...

—Deixa eu adivinhar- ele falou com os braços cruzados, dando passos lentos até mim, não deixando que eu terminasse de inventar minha mentira, que ainda nem estava inventada, isso só soou confuso para mim?- você está cansada de sofrer bullying da Melanie e sua gangue, e decidiu roubar as os passes-livres que eu tenho em meu armário para conseguir invadir a festa e ser tornar...popular?

Ele. Havia. Acertado. Tudo!

—Sim, Charles Xavier, você conseguiu acertar- eu disse, sabendo que não daria para mentir. Não conseguiria inventar uma mentira que fosse tão convincente quanto a verdade.

E foi ai meus caros gafanhotos, que como vocês já devem ter percebido, meu plano foi por água abaixo.

—Por favor não conte para ninguém!- implorei, juntando as mãos entrelaçadas em desespero.

—O que você me daria em troca do meu silêncio?- ele perguntou com a mão no queixo.

É claro que ele ia pedir algo em troca. Se tem uma coisa que conheço de Marcos, é que ele não faz nada, sem pedir algo em troca.

E só de pensar em ele contando a alguém que eu arrombei seu armário, ficava desesperada!

Terceira regra da minha mãe: Não arrumar problemas a ponto de ir para a diretoria.

Mas...peraí...eu arrombei o armário dele? sim arrombei, mas...o que aconteceria se alguém descobrisse das drogas?

Coloquei a mão no queixo igual a ele, e fiquei murmurando coisas como “o que será?”, “o que eu poderia te tar?”, com minha voz encharcada de sarcasmo.

Sorri maquiavelicamente.

—Que tal eu não contar para a polícia da sua mini fazenda de drogas no seu armário?

Arqueei uma sobrancelha e dei um sorriso de canto, ao ver sua expressão de espanto e raiva, por saber que eu tinha um ponto.

Seus olhos denunciavam o óbvio.

Touché.*

Isso mesmo Amy, lindo! Negociando com um drogado! Palmas! Imagina se minha mãe descobri isso, ela iria ficar tão feliz e orgulhosa de sua filhinha caçula!

Ironia, oi, você por aqui?!

Quem manda ela casar com um cara que tinha um filho perito em chantagem?

A cena poderia até parecer um pouco ameaçadora e sombria, se não fosse por eu estar sorrindo feito uma idiota com meus dentes amarelos, tortos e cariados, cobertos por um aparelho com pedrinhas azuis e verdes.

—Okay...você me pegou- ele falou com um tom falso de rendição, sendo facilmente percebida a raiva em suas palavras. Não que ele estivesse tentando escondê-la.

Ele levantou as mãos fingindo se render, e saiu pelo corredor lançando um olhar gélido e um meio sorriso. Como se estivesse com raiva de mim, mas ao mesmo tempo feliz e surpreso por eu ter ousado o chantagear, por eu provavelmente ter sido a única de o por contra a parede.

Okay, ele com certeza é bipolar, preciso pagar 10 dólares para Mari assim que a encontrasse.

Ele não falou mais nada, entretanto, quando estava quase virando o corredor, olhou para mim. E aquilo bastou.

Bastou para eu saber que mais cedo ou mais tarde eu pagaria alto, e com toda certeza me arrependeria de algum dia, ter feito da burrice de chantagear Marcos drogado Still.

* Touché (lit. "tocado", em francês; pronuncia-se tu-chê) na esgrima, é usado como um reconhecimento de um golpe, dito pelo esgrimista que foi golpeado. Touché é muito usado também como uma expressão, significando uma vitória em uma discussão, por exemplo.