Castelos de gelo

6 Sangue, Lama e Drama


Notas iniciais
Bem, o que posso dizer?.... Sim, eu demorei. Demorei bastante para postar esse capítulo, mas sinto-me na obrigação de dizer que eu usei o tempo que poderia estar usando para escrever outro capítulo de outra fanfic, para dar esse cap a vocês. De 100 pessoas 1 comentando, literalmente. Eu vou botar um Hiatus. Obrigada a quem comenta e favorita, agora eu tô passando pela mesma situação em outra fanfic. Já foram 4 capítulos e nenhum comentário. Poxa magoa. Bem, espero que vocês gostem e sinceramente comentem... Estou contando com vocês....eu não mordo tá? Tenham medo de comentar não rsrsrsrsrsrs

Capitulo 5: Sangue, Lama e Física...

Mato.

Mato.

Mato.

Muito verde, muita planta, muito mosquito, muito azar.

Eu não sou pessimista, apenas já digo antecipadamente o quão grave será o meu azar.

E vou te falar, na única vez que eu tento ser otimista, uma merda dessas acontece.

Meu salto preto atolou pela quarta vez na terra arenosa, fedorenta e um tanto úmida da floresta em que estávamos.

Meu vestido preto de alcinhas e cintura marcada, que fluia como água, se enroscou em um galho pela 25425412541988 vez rasgando um pouco da sua barra que chegava até meu joelho. Mesmo ele tendo várias camadas e todas fossem em um estilo meio esvoaçante sempre que um galho enganchava tinha um novo rasgo. O que me deixava de certo modo triste, eu tinha ficado tão bem, que até tinha a ousadia de dizer que eu estava bonita.

—Amy sua maldita! Meu vestido...- Mari choramingou olhando seu vestido que ela havia me emprestado.

—Mosquitos dos infernos- sussurrei enquanto matava um que tinha pousado em meu braço

— Morram malditos...- sibilei mortalmente.

—Coitados Amy! Eles podem ter um família, um pai, uma mãe mosquitinhos, e talvez filhotinhos que esperam eles chegarem em casa todos os dias.

Sério que eu tô ouvindo isso?

—Que se explodam- eu sussurrei a olhando de modo insano enquanto arregalava meus olhos. É, acho que o ar daquele morro não estava sendo favorável à minha razão...

Eu odiava maltratar animais, até mesmo mosquitos, mas quando estava de mal humor, é melhor correr para as montanhas. Principalmente quando estava num local cercado de lama, mosquitos, com frio e com meus cabelos recentemente pranchados ao relento. Eu até tinha gostado do meu cabelo assim...

—Temos que ir para onde agora?- perguntei mais calma depois do meu surto.

—Aqui fala para seguirmos direto para o leste. Diz que vamos encontrar uma cabana onde ta rolando a festa.- ela disse olhando para seu celular distraidamente.

—Fala sério! Como é que podem trocar o endereço para o morro dos uibuibacas? De onde eles tiraram essa ideia?!

—Amy, acorda, esse lugar é perfeito para uma festa à meia noite. Dizem que a partir desse horário esse lugar é ótimo para coisas ilegais.- ela realmente precisava desse sorrisnho na cara? Apenas ela tava amando isso. E essa é uma das diferenças entre eu e Marielly Mason, ele gosta de festas e eu nem tanto assim...uau, isso soou tão clichê.

Olhei para cima, vendo pequenos micos se mecherem por entre os galhos das árvores. Ouvi um barulho de chocoalho de cobra, com toda certeza tem uma cascavel aqui, ela deve estar sentindo meu perfume, me rastreando para depois me engolir de uma vez só e me deixar deteriorando em sua barriga por dias. Aí as autoridades vão sacrificar a coitada, e os filhotes dela vão atrás da minha família atrás de vingança à lá Emily Thorne.

Paranóica eu?! Magina!

Chegamos em um lago bem raso, com água transparente, eu até tomaria um banho se as pedrinhas do lago não conseguissem passar da superficie da água. Olhei para a frente e avisei o lugar onde dentro de poucos minutos eu seria assassinada.

Fala sério, ali parece cenário de filme de terror!

É uma cabana de madeira, simples, com suas ripas escurecidas pelo tempo e pelo clima bipolar. Mas o que mais estranhei naquele lugar, não foi o breu que estava na cabana, mas sim, o fato de não estar tocando nenhuma música alta. Afinal, era uma festa.

—Eu que não vou entrar nesse lugar ai não- Mari sussurrou com medo.

—Bem, uma de nós precisa entrar- disse também com medo- vai você, o seu casaco dourado pode iluminar o caminho.

Com medo, sim, sem piadas, nunca!

—Hahahaha muito engraçado Amy, hilário, tô tendo um ataque cardíaco de tando rir- ela respondeu à minha ofensa sendo sarcástica.

Depois eu que sou a rainha do drama?

*~*

Depois de dois jogos de pedra papel e tesoura, quatro jogos de impar ou par e cinco revanches, como sempre, meu azar deu a proeza de aparecer novamente.

E ni final, decidimos que eu iria entrar primeiro e em seguida Mari.

Antes de entramos, uma ideia brilhantemente malvada surgiu em minha mente. A região em que eu tinha apanhado do bonitinho de olhos verdes hoje antes da detenção ainda doia. Mas a minha raiva apenas aumentava. Era a primeira vez que eu tinha uma chance de contraatacar, e é claro, eu não iria desperdiça-la.

—Mari- sussurrei afobada- me empresta seu celular.

—Pra que v-

—Apenas me empresta- a interrompi já pegando seu celular com a capinha da torre eiffel de sua mão, de unhas pintadas com vermelho escarlate.

Me surpreendi um pouco por ainda ter um pouco de sinal ali.

—Alô policia?

Perguntei com um sorrisinho malicioso e totalmente maldoso em meus lábios, que apenas foi aumentando ao ver os olhos de Mari se esbugalhando.

—Sim, quero denunciar uma festa com bebida ilegal no morro dos uibuibacas...sim, sim...a área proibida, é...estou usando o telefone de uma desconhecida na rua..é uma cabana da floresta, preto do riacho...a música está muito alta e uma turma de trombadinha estão parecendo estar drogados....que nada, apenas sou uma cidadã querendo ajudar no bem de uma cidade melhor...

—Amy, eu não acredito que você fez isso...- Mari falou de queixo caído- você é idiota? Você denuncia o local da festa para onde está indo?

Ergui meu braço aonde uma marca roxa se encontrava e isso bastou para que ela se cala-se e entendesse meus motivos.

—Tá Emily Thorne*, agora me diz, a policia tá ghegando, o aque a gente faz?

—Vamos aproveitar um pouco a festa e depois vamos embora e nos escondemos na floresta.

Falei enquanto acenava constantemente com a cabeça, como se para me convencer da minha ideia.

Entrei na cabana, usando como iluminação o celular de Mari, e o que aconteceu em seguida, foi simplesmente algo que me nego a acreditar.

—Jason? É você?

O medo entorpecia meus sentidos e embora eu estivesse assustada e desconfiada com aquela situação, eu não estava preparada para o que iria acontecer.

Um jato cortou a escuridão e acertou minha cara, me inudando completamente com um líquido que eu implorava para ser água, mas que ao sentir o cheiro me deu ansia de vômito. É, não é água.

Eu estava ensopada com uma substância desconhecida, e pela luz que acabara de ser acesa, desc obri que a cabana na verdade, estava com tanta gente, que cheguei a ficar triste ao não ver Jason, aquele personagem de filme de terror.

Olhei atônita para todos ao meu redor, girando num ângulo de 360°, percebendo uma Mari me olhando confusa, para em seguida olhar ao redor.

—Amy...- ela sussurrou franzindo as sobrancelhas em genuína preocupação e pena — seu vestido.

Olhei para baixo, percebendo minhas pernas com rastros de um líquido um tanto avermelhado com alguns resíduos de algo gosmento e grudento.

—Ora, ora, ora...Amy Preston, você realmente não achou que a sua audácia passaria impune, ou achou?

Ouvi a voz da garota que provocava a maioria dos meus pesadelos se aproximando de mim, com suas roupas brilhantes e de marca, e com um copo vermelhos em sua mão entupidade de pulseiras e joias caras que eu nunca poderia comprar.

Seus cabelos loiros caiam em cachos extraordináriamente perfeitos, feitos com maquinas e maquinas e sua maquiagem escura e bem feita apenas deivaxa seus olhos azuis mais cruéis do que sempre foram.

—É-é que e-eu-

Eu precisava mesmo gaguejar?

—Chega! Não suporto mais ouvir sua voz!- ela sibilou parecendo não estar muito contente.

Dei um passo para trás, porém os saltos de que mais cedo eu havia me recusado a usar me fizeram tropeçar e cair de costas naquele chão imundo e limitado daquela cabana nojenta e suja.

Nunca me senti tão humilhada...

Ela se aproximou de mim, porém Mari tentou a impedir de chegar mais perto.

—Saia de perto dela!- ela gritou. Porém foi em vão, pois em seguida um menino alto e forte a puxou da frente de Melanie, e tudo que pude ver foi a calça preta da rainha das malditas bem na minha cara.

Eu me sentia uma formiguinha, que a qualquer momento pode ser esmagada.

Ela se abaixou, equilibrando-se em seus saltos vermelhos meia-pata, para ficar em uma altura boa o suficiente para olhar em meus olhos que naquele dia mais cedo haviam sido deviamente maquiados e que agoram deveriam parecer uma pintura mal criada por uma criança de 2 anos de idade.

—Olhe para você- ela me avaliou com nojo queimando em seus olhos- tão fraca. Tão ridícula...

Eu pensei em mil coisas para falar naquele momento. Coisas ácidas, frases que doeriam ao serem ouvidas, palavras amargas com um sabor tão intenso quando qualquer bebida alcoólica. Mas a pergunta que permaneceu em minha cabeça foi: O que eu poderia falar?

Minha voz prendeu-se em minha traqueia e tudo que eu mais queria naquele momento era me fechar em meu quarto sem trancas e chorar até aquela dor sair por meio das minhas lágrimas.

Olhei em seus olhos azuis gelo, a fitando, tentando parecer o mais forte possível e o mais corajosa que eu podia tentar parecer. Mas sei, que naquela quebra de dignidade que eu estava sofrendo, ao tentar me enclausurar em mim mesma e nos meus ótimos dotes de hipócrisia, deixei rastros de quem eu sou para trás. Deixei um pouco da minha dor estampada em meus olhos, na minha face, na minha expressão. Deixei um pouco dessa menina fraca e insegura que eu sou transparecer, e eu...nunca me senti tão exposta. Eu sabia que uma parte daquele menina sonhadora que eu sou, morreu um pouco.

Sabia da satisfação que ela estava sentindo ao ver que ela tinha de alguma maneira me machucado. Sabia que ela estava feliz por me ter caída em todos os sentidos, e ângulos e jeitos e frases, e principalmente, caída aos seus pés.

Ela se levantou, e quando eu tentei me levantar, senti a ponta de seu salta alto cravando-se em minha barrinha.

—Tcsk, tcks- ela estalou a língua em reprovação- fica aí...

A sala toda que permanecia a cada momento em silêncio exceto por alguns momento se aquietou ainda mais, como se esperando a cartada final.

—Seu lugar é no chão.

A sala toda explodiu em gargalhadas e gritos. Eu me sentia como em um circo, sendo que eu era a apresentação principal.

Nunca me senti tão quebrada...

—Meninos- Melanie falou com uma voz que denunciava segundas intenções.

Garotos e garotas me rodearam, me jogando o conteúdo alcoólico que continham em seus copos de plástico vermelhos.

—Para!- eu gritei. Tentei me levantar mas a cada tentativa eu era chutada para o chão.

Nunca me senti tão suja...

Os saltos das garotas se arrastavam em meu vestido delicado o rasgando em diversos pontos de diversas maneiras.

Olhei para Mari, por uma brecha que eu achei nas pessoas ao meu redor, e vi enquanto ela se debatia para se soltar de um cara alto e forte.

Suas mechas castanhas caiam em sua face molhada pelas lágrimas e naquele momento eu percebi algo...eu não estava chorando. Eu me recuso a chorar...agora. Mas eu sei que depois, eu apenas me debulharei em lágrimas.

— Não se preocupe...um dia ninguém se lembrará da sua insignificância — a vadia sussurrou no meu ouvido.

Tudo parecia passar em câmera lenta. A gritaria, as pessoas jogando bebidas alcoólicas em mim, os flashs das câmeras. Aposto que amanhã mesmo todas as evidências deste momento estarão expostas em todas as redes sociais existentes.

Quando eu achei que toda aquele humilhação não iria mais acabar, ouvi os primeiro sons de sirene de polícia, o que sinalizava que eles estavam perto de onde Mari havia estacionado o carro.

Veio até a calhar ter chamado a polícia.

Quando o barulho das sirenes ficaram mais altos, todas as pessoas que estavam na cabana foram indo embora, se disperçando entre as arvores e a escuridão da floresta, malucas para achar seu carro estacionado.

—Quem chamou a polícia?- uma voz masculina gritou enquanto corria.

Haha, não contavam com minha astúcia.

Mari veio até mim, e me ajudou a levantar.

—Você está bem? Como você tá? Eles te macharam muito? Você quer ajuda?

Ele estava tão preocupada, que cogitei a ideia de explicar sobre como eu estava para ela, mas não tinhamos tempo para isso.

—Eu tô bem...mas vamos, temos que sair daqui!

A puxei e juntas saímos da cabana.

Meu coração batia descompassado a cada passo que eu dava. Enquanto nós corríamos, os galhos arranhavam nossas pernas e braços descobertos e ardiam.

Corriamos das lanternas da polícia que nos cercavam, quando algo aconteceu.

Meu vestido já rasgado em muitos pontos e totalmente imundo, enganchou como outras vezes em um galho, só que dessa vez foi diferente. Eu parei abruptamente ao meu ver enganchada na árvore.

—O que aconteceu?- Mari perguntou ofegante pela corrida.

—O vestido enganchou e não quer soltar!- gritei desesperada. As lanternas se aproximavam rápido demais.- Vai- disse para Mari.

—Não! Eu não vou te deixar para trás!- Ela gritou também tentando soltar o meu vestido do gralho grosso em que tinha se prendido.

—Vai logo!- gritei. Mas ela não foi.

Quando o vestido finalmente se soltou, começamos a correr mais rápido que nunca. Quando o azar decidiu aparecer de novo.

Escorreguei em uma poça de lama, me deixando barrenta até o pescoço. E quando me levantei e já íamos voltar a correr, algo que eu nunca pensei que era possível ouvir, soou:

—Paradas senhoritas, vocês estão presas.