Castelos de gelo
1 Prólogo
Notas iniciais
—Como assim não a encontrou?!
O som do soco que o homem mais velho deu contra a madeira de mogno luxuoso ressoou por todo o local fechado.
Ele abriu e fechou sua mão uma, duas vezes, checando se não havia quebrado nenhum osso, observando a vermelhidão do local que bateu contra a madeira, ir de vermelho à roxo.
Sua face negra exalava raiva e tormento, deixando claro sua irritação e a veia em sua testa pulsante apenas comprovava mais isso.
—N-nós...n-não a-a encontramos s-senhor- o mais novo soldado falou com a voz trêmula, enquanto seu corpo chacoalhava de medo. Seu rosto entupido de espinhas amarelas e vermelhas exalava um medo sem igual. Seus cabelos castanhos sebosos e sujos caiam por seus olhos castanhos, mas, mesmo assim, ainda se podia ver o temor.
O mais velho sentiu um pouco de culpa por fazê-lo ter aquela reação, mais logo expulsou aquela sensação, afinal, não podia recuar em nada. Não podia demonstrar nada além de autoridade. Ele não tinha culpa se haviam obrigado ele a colocar aquele animal indefeso dentro de soldados daquele porte.
—Vocês são idiotas ou o quê?
O aparente chefe do local passou a mão pelos cabelos negros, quase rentes a cabeça. Prensou os dentes superiores contra os inferiores, tencionado a mandíbula definida.
Ele fechou os olhos castanhos tentando obter calma, e se encostou na beirada da escrivaninha, enquanto cruzava os braços, tencionando os músculos por baixo da camiseta preta colada. Suas tatuagens negras estavam à mostra em seus braços de maneira proposital, pois quando estava de terno não podia amostra-las. Ele exalava autoridade e comando.
—Fizemos de tudo...mas parece que ela simplesmente...sumiu, senhor — falou outro soldado parecendo mais calmo, porém ainda temeroso quanto a face de fúria de seu chefe.
—E o que vocês acham? Que ela evaporou? Ela deve frequentar bares, baladas, festas, lojas, essas porcarias todas que garotas de dezessete anos fazem, e sabem o que é o mais relevante? Ela está sem segurança alguma!
O chefe berrou de uma vez por todas, desistindo de todo e qualquer tipo de meditação que poderia fazer para manter a calma com aqueles idiotas. Eles não conseguiam entender a gravidade da situação.
—Foi mal chefe- o mais novo falou tentando amenizar a situação.
O chefe virou a cabeça para ele no mesmo instante, o olhando como uma fera olha para uma presa. Com olhos fatais.
O cadete se encolheu mais ainda, e o chefe podia jurar que aquela mancha escura em suas calças que ia escorrendo e se alastrando mais, não era uma água qualquer.
—Foi mal? Isso é resposta que se dê a seu chefe? Seu maldito subordinado, eu quero respeito! Eu exijo!- O chefe gritou na cara do sujeito mais novo. A mancha foi aumentando cada vez mais, alastrando-se na calça estilo militar verde, típica do exercito.
—Desculpa senhor!- De alguma maneira o jovem conseguiu recuperar um pingo de dignidade, e de alguma forma bateu continência.
O chefe se afastou um pouco dele, e com a postura ereta colocou os braços atrás do corpo, perambulando pelos cadetes que estavam em linha formada esperando instruções.
—Vocês estão querendo me dizer...que dentre todos os vinte de vocês que eu escolhi para essa missão, com breves exceções- ele olhou para o cadete mais jovem em particular, deixando claro que ele era uma exceção- nenhum trouxe uma informação sequer?
—Ela não tem nenhum histórico criminal, nenhum registro nas escolas, deve provavelmente emitir alguma parte do nome. É como se ela tivesse...sumido.
Um dos cadetes falou com sua voz grossa, e com a postura ereta olhando para frente sem encarar os olhos severos do chefe.
—É, Clear soube esconder a filha bem- falou o chefe- vamos procurar mais, temos que virar essa cidade e esse país de cabeça para baixo até encontrá-la. Ao fim desse ano, provavelmente, ela terá que ir para a faculdade, ou algo do gênero, temos que encontrá-la antes de fazer dezoito anos.
—E se a encontrarmos?
O chefe o olhou, observando seus olhos negros o encarando serenamente, porém com dureza, deixando claro seu lado profissional. Olhar em seu olhos era um sinal de afronta, poderia ser considerado uma revolta perante sua autoridade, porém o jovem era o mais bem treinado dos homens, e o mais audaz, por isso, o chefe deixou aquilo passar. Quer dizer, além dele ser seu filho, ele deixava pessoas de respeito o encarar nos olhos.
—Se a encontrarmos, vocês serão designados para protegê-la, porém, um de vocês especialmente, como guarda-costas particular.
—E se ela estiver morta?
Perguntou novamente, dessa vez olhando para frente, movendo sua mandíbula definida lentamente conforme falava e mascava o chiclete de menta forte que havia deixado na boca há horas. Seus cabelos extraordinariamente negros contrastavam de maneira surreal com sua pele levemente bronzeada. Seus lábios levemente vermelhos naturais, estavam inclinados em um sorriso discreto, que ninguém havia notado, exceto seu amigo, Bryan, que estava ao seu lado o olhando de lado.
Ele poderia correr o risco de ser executado pelo simples fato de sorrir, ante a ideia da pessoa que tanto procurarem estar morta. Porém, não ligava tanto assim.Ao mesmo tempo que tinha que ser profissional.
—Se ela estiver morta- continuou o chefe parando em frente a eles com sua postura imutável- então estamos perdidos. Pois é isso soldados, todo país está nas mãos de uma adolescente de 17 anos, que pode ou não existir. Então vamos rapazes- ergueu o queixo mais ainda- temos um prazo a cumprir.
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