Castelos
8 A prisão da alma.
Notas iniciais
Aquela seria uma noite sem descanso.
Depois do que enfrentaram no deserto, os quatro caçadores encontraram uma região de árvores secas onde decidiram permanecer até que os cavalos estivessem fortes o suficiente para continuar a viagem.
Ninguém dormiu.
Não porque não estivessem cansados.
Estavam exaustos.
Mas havia alguma coisa naquela floresta.
Uma presença.
Algo que os observava do escuro.
A fogueira crepitava no centro do pequeno acampamento, lançando sombras sobre os troncos negros das árvores.
Suzan estava sentada com os joelhos junto ao peito.
Políbio permanecia do outro lado, afiando uma lâmina que provavelmente já estava afiada o suficiente.
Ithely observava o fogo.
Ninguém conversava.
Acima deles, a lua surgia timidamente entre nuvens pesadas.
Era pequena.
Pálida.
Quase envergonhada de iluminar aquele lugar.
Todo o resto era trevas.
Avelar estava afastada.
De pé.
Olhando para a floresta.
Desde que engolira a Pedra do Medo, alguma coisa dentro dela havia mudado.
Conseguia sentir.
Não sabia explicar como.
Era como se existisse um segundo pulso abaixo de seu coração.
Tum.
Tum.
Tum.
Às vezes parecia acompanhar seus batimentos.
Em outras, seguia um ritmo próprio.
E havia poder.
Muito poder.
Os poderes das bruxas do Pântano Vermelho estavam despertos.
A Pedra do Medo agora fazia parte dela.
Talvez Érica estivesse certa.
Talvez realmente pudesse vencer.
E se pudesse vencer...
Poderia finalmente matar Ithely.
Avelar observou discretamente a princesa próxima à fogueira.
Pensou em Zárlia.
Na visão.
Nas palavras de Érica.
Ithely matou sua mãe.
O ódio voltou.
Quente.
Familiar.
Confortável.
Avelar não ouviu quando Ithely se levantou.
Mas ouviu seus passos.
Folhas secas e negras quebravam sob suas botas.
Craque.
Craque.
Craque.
A princesa parou atrás dela.
Muito perto.
— O que você é?
Avelar não se virou.
Ficou alguns segundos observando a escuridão.
— Já lhe disseram que começar uma conversa assim é desagradável?
— Não estou brincando.
— Nem eu.
Ithely aproximou-se mais.
Sua voz tornou-se baixa.
— O que você é de verdade?
Avelar finalmente respondeu:
— Diferente de você.
Ithely agarrou seu ombro.
Virou-a.
— Você não é uma vampira.
Avelar encarou os olhos azuis da princesa.
— O que fez naquele deserto é magia de bruxa.
Silêncio.
— O que fez no palácio é habilidade de híbrido.
Ithely apertou o ombro dela.
— Você se transforma.
— Solte.
— Você manipula mentes.
— Ithely.
— Você lança feitiços que nunca estudou!
Avelar retirou a mão dela de seu corpo.
Ithely deu um passo à frente.
— Você é uma híbrida.
Avelar permaneceu indiferente.
Isso a irritou ainda mais.
— Todos sabem que híbridos não poderiam representar os Murtiços nesse torneio. Então me explique uma coisa.
Seu rosto estava muito próximo.
— Por que meu pai permitiu sua entrada?
Avelar não respondeu.
— Vamos.
Ithely sorriu com desprezo.
— Conte.
— Não tenho nada para contar.
— O que fez para chegar até aqui?
Avelar ficou imóvel.
Então sorriu.
Um sorriso pequeno.
Ithely franziu o cenho.
Avelar ergueu a mão.
Tocou seu rosto.
A princesa tentou afastar-se.
Tarde demais.
Seu corpo congelou.
Os músculos deixaram de responder.
— O quê...?
Avelar segurou seu rosto com delicadeza.
Quase carinho.
— Você quer tanto saber o que eu sou...
Os olhos de Avelar escureceram.
— Então veja.
Ithely tentou gritar.
Nenhum som saiu.
Avelar aproximou o rosto.
— Eu posso beber sangue como uma vampira.
Ao redor delas, o ar pareceu ficar mais pesado.
— Posso me transformar numa fera de pelagem branca.
Ithely sentiu uma pressão dentro do crânio.
— E posso arrancar seu coração usando magia.
Avelar sorriu.
— Então talvez eu seja aquilo que eu quiser ser.
Os olhos das duas se encontraram.
E o mundo desapareceu.
Ithely já não estava na floresta.
Estava dentro de uma lembrança.
Não.
Muitas lembranças.
Imagens passavam diante dela rapidamente, como páginas arrancadas de um livro.
Zárlia.
Jovem.
Poderosa.
Caçadora.
Mendragon.
Ithely tentou mover-se.
Não conseguiu.
Era apenas uma espectadora.
Viu os dois juntos.
Muito antes de Avelar existir.
Mendragon não olhava para Zárlia como olhava para seus soldados.
Nem como olhava para seus servos.
Havia algo diferente.
Desejo.
Admiração.
Talvez amor.
A imagem mudou.
Mendragon discutia com alguém.
Uma voz dizia:
— Não podem ficar juntos.
Outra:
— O sangue será corrompido.
Outra:
— O herdeiro jamais será reconhecido.
Ithely tentava entender.
As cenas avançavam.
Mendragon queria algo.
Não apenas Zárlia.
Uma linhagem.
Uma raça que ainda não existia.
Durante gerações, os estudiosos acreditaram que o sangue híbrido precisava encontrar outro sangue compatível para estabilizar suas características e gerar uma linhagem própria.
Mendragon conhecia aquelas teorias.
E decidiu transformá-las em experiência.
Zárlia foi afastada dele.
Seu destino foi alterado.
Mendragon escolheu para ela um híbrido.
Não por amor.
Não por tradição.
Por cálculo.
Ithely sentiu náusea.
Viu cerimônias.
Documentos.
Magos.
Sangue recolhido em pequenos recipientes.
Símbolos desenhados no chão.
Mendragon observando tudo.
Depois...
Uma criança.
Avelar.
Mas havia algo diferente nela.
Algo que ninguém sabia nomear.
Uma criatura que carregava características de linhagens distintas.
Não era apenas vampira.
Não era apenas híbrida.
Era alguma coisa nova.
Mendragon precisava esconder aquilo.
Então deu-lhe um nome conhecido.
Vampira.
Uma mentira simples era mais fácil de proteger do que uma verdade impossível de explicar.
As imagens avançaram.
Avelar crescia rápido demais.
Três meses.
Seu corpo já não parecia o de um bebê.
Mais tempo.
Infância.
Depois adolescência.
Anos biológicos pareciam consumir-se em meses e depois desacelerar.
Zárlia estava assustada.
Mendragon observava.
Sempre observava.
Então surgiu o torneio.
Ithely viu a si mesma.
Mais jovem.
Recebendo uma ordem.
A voz de Mendragon:
— Zárlia não pode retornar.
Ithely tentou desviar os olhos.
Não conseguiu.
A memória obrigou-a a assistir.
Sua própria mão.
Seu próprio poder.
Zárlia.
O medo no rosto da mulher.
Ithely compreendeu.
— Não...
A imagem continuou.
— Não!
Tentou fechar os olhos.
Nada.
Avelar não permitia.
Ithely assistiu à morte de Zárlia.
Desta vez, não como uma lembrança escondida.
Mas como a verdade que passara anos tentando enterrar.
No mundo real, o vento começou a soprar.
Políbio levantou a cabeça.
— Vocês estão vendo isso?
Suzan também se levantou.
As folhas giravam ao redor do acampamento.
A fogueira apagou.
De repente.
Escuridão.
Um trovão explodiu no céu.
Relâmpagos iluminaram a floresta.
Ithely e Avelar permaneciam frente a frente.
Imóveis.
Olhos nos olhos.
Nenhuma parecia respirar.
— Avelar? — chamou Suzan.
Nada.
Outro trovão.
Então vieram os gritos.
Distantes.
Centenas deles.
Vozes atravessando a floresta.
Políbio desembainhou a espada.
— O que é isso?
Suzan ergueu o rosto.
Seu semblante perdeu a cor.
— Espíritos.
— Quantos?
Ela fechou os olhos.
Sentiu o ar.
Abriu-os imediatamente.
— Uma legião.
O vento aumentou.
Formas translúcidas começaram a surgir entre as árvores.
Rostos.
Corpos.
Alguns humanos.
Outros não.
Gritavam enquanto circulavam o acampamento.
Políbio correu até Avelar e Ithely.
— Vocês precisam vir!
Nenhuma respondeu.
— Suzan disse que...
Ele parou.
Percebeu.
Os olhos.
A imobilidade.
Aquilo não era uma discussão.
Era um ataque.
— Avelar...
Políbio recuou.
— Suzan!
A bruxa correu.
Olhou para as duas.
— Ela entrou na mente dela.
— Tire-a!
Suzan não hesitou.
Ergueu a mão.
Um raio nasceu entre seus dedos.
Atingiu Avelar.
Ou deveria ter atingido.
Uma barreira invisível surgiu.
A energia ricocheteou.
Suzan foi lançada para trás.
Desapareceu entre as árvores.
— SUZAN!
Políbio olhou para o lugar onde ela caíra.
Depois para Ithely.
Depois novamente para Suzan.
Não sabia quem ajudar.
Outro grito atravessou o céu.
Os espíritos aproximavam-se.
Políbio respirou fundo.
Seu corpo começou a mudar.
Ossos cresceram.
Músculos se expandiram.
Pelos brancos cobriram sua pele.
Poucos segundos depois, um enorme lobo ocupava seu lugar.
Políbio possuía um dom raro.
Ilusão.
Podia inserir imagens e sensações na mente de outras criaturas.
Concentrou-se em Avelar.
Nada.
Tentou novamente.
Uma parede.
Havia alguma coisa protegendo sua mente.
— Não...
O enorme lobo começou a andar de um lado para outro.
O vento castigava sua pelagem.
Suzan estava caída em algum lugar.
A floresta estava cercada por espíritos.
Ithely estava presa na mente de Avelar.
E ele não conseguia fazer nada.
Uma lágrima desceu pelo focinho do lobo.
Políbio parou.
Por que aquilo doía tanto?
Não a tempestade.
Não Suzan.
Ithely.
O medo dela parecia atravessar seu próprio peito.
A agonia.
A humilhação.
A confusão.
Ele conseguia sentir tudo.
Como se pertencesse a ele.
Políbio sabia por quê.
Seu pai lhe contara anos antes.
Lucian pedira que jamais revelasse.
Políbio se recusara a acreditar.
Até aquele momento.
Outra lembrança surgiu na mente de Ithely.
Mendragon.
Ela esperava vê-lo novamente com Zárlia.
Mas viu outra coisa.
Ela própria.
Pequena.
Nos braços de uma mulher que não reconhecia.
— Não...
A imagem mudou.
Mendragon recebia a criança.
Documentos eram queimados.
Testemunhas desapareciam.
Nomes eram alterados.
Ithely sentiu terror.
A memória continuou.
Seu pai.
O homem que passara toda sua vida chamando de pai.
Não era seu pai.
A verdade estava ali.
Cruel.
Inquestionável.
Avelar soltou seu rosto.
O transe terminou.
Ithely voltou à floresta.
Mas continuou paralisada.
Respirava com dificuldade.
Avelar começou a caminhar ao redor dela.
Devagar.
Saboreando cada segundo.
— Agora você sabe.
Ithely tentou falar.
Nada.
Avelar passou atrás dela.
— Não é interessante?
Voltou a aparecer do outro lado.
— A princesa dos Sacros.
Sorriu.
— A herdeira de todo o reino.
Parou.
— A filha do grande Mendragon.
Ithely chorava.
Avelar se aproximou.
— Tudo mentira.
Ithely tentou mover as mãos.
Nada.
— Você passou a vida chamando outros de escravos.
Avelar tocou seus cabelos loiros.
— Desprezando sangue misturado.
Passou os dedos pelo rosto dela.
— Humilhando criaturas que considerava inferiores.
Sua voz ficou mais baixa.
— E agora descobriu que é uma delas.
Avelar aproximou os lábios de seu ouvido.
— Você é híbrida, Ithely.
Políbio congelou.
Mesmo transformado, compreendeu perfeitamente.
Ithely.
Híbrida.
Então era verdade.
Era por isso que sentia suas emoções.
Era por isso que Lucian o advertira.
Existia algum laço entre eles.
Um laço de sangue.
Avelar voltou a ficar diante da princesa.
— Como se sente?
Ithely chorava.
Avelar sorriu.
— Eu me sinto ótima.
O vento começou a diminuir.
Os espíritos afastaram-se.
A tempestade perdia força.
Mas algo muito mais perigoso estava acontecendo.
Avelar ergueu a mão.
Colocou-a sobre o peito de Ithely.
Exatamente acima do coração.
— Minha mãe.
Seus dedos começaram a transformar-se em garras.
— Sua mãe...
Ithely conseguiu murmurar.
Avelar parou.
— O quê?
— Sua mãe...
A voz mal saiu.
— ...não é...
Avelar apertou.
— Cale a boca.
Ithely gemeu.
— Você matou Zárlia.
Os olhos de Avelar ficaram negros.
— Agora eu vou matar você.
Foi então que a terra brilhou.
Uma luz surgiu sob os pés das duas.
Políbio recuou.
Símbolos antigos apareceram no chão.
Suzan, ainda caída à distância, abriu os olhos.
Sentiu a magia.
— Não...
A terceira pedra.
A Pedra da Justiça.
Não estava escondida em uma caverna.
Nem protegida por um monstro.
Não precisava ser encontrada.
Ela apareceria quando uma verdade suficientemente poderosa fosse revelada.
Mas havia uma condição.
A Justiça escolheria seu portador.
E não julgaria apenas aquilo que alguém fazia.
Julgaria por quê.
Avelar queria justiça.
Talvez tivesse começado assim.
Mas naquele momento...
Não.
Queria vingança.
Queria sentir Ithely morrer.
Queria fazê-la sofrer.
E a Pedra da Justiça conhecia a diferença.
Avelar não percebeu.
Enfiou as garras mais fundo.
— Isso é por Zárlia.
Ithely finalmente conseguiu mover uma das mãos.
Segurou o pulso dela.
Os olhos das duas se encontraram.
Então Ithely fez aquilo que sabia fazer melhor.
Sugou.
Avelar sentiu alguma coisa escapar de dentro do peito.
Arregalou os olhos.
— Não...
Sua força desapareceu.
Depois seus poderes.
Depois o calor.
— O que está fazendo?
Ithely chorava.
— Sobrevivendo.
Avelar tentou afastar-se.
Não conseguiu.
Sua pele começou a endurecer.
Olhou para a própria mão.
Pedra.
— Não!
A petrificação avançava pelos dedos.
Punho.
Braço.
— NÃO!
Avelar tentou lançar magia.
Nada.
Tentou transformar-se.
Nada.
Tentou chamar as bruxas.
— Castelos!
Nenhuma chama.
— CASTELOS!
A pedra continuou.
Ithely absorvia sua essência.
Políbio observava horrorizado.
Aquela mesma garota havia destruído uma legião de atormentadores.
Derrotado Abalon.
Matado duzentos soldados.
E agora estava morrendo diante dele.
Quase sem conseguir reagir.
Avelar olhou para Ithely.
Pela primeira vez naquela noite, havia medo em seus olhos.
— Pare...
Ithely não conseguiu.
Talvez nem soubesse mais como.
Avelar sentiu a pedra alcançar seu peito.
Então vieram as imagens.
Zárlia.
Amélia.
O lago.
A primeira maçã.
Sua infância.
O sonho de tornar-se uma Adaga.
Érica.
Mendragon.
O torneio.
Tudo.
E depois...
O futuro.
Um futuro que jamais viveria.
Avelar adulta.
Mais poderosa.
Livre.
Talvez feliz.
Talvez não.
Mas viva.
Lágrimas escorreram por seu rosto antes que a pedra o cobrisse.
Então compreendeu.
A Pedra da Justiça.
Aquilo era o julgamento.
Não estava sendo derrotada por Ithely.
Estava sendo julgada.
O poder não a destruíra.
Sua vingança havia feito isso.
Avelar fechou os olhos.
Seu corpo terminou de petrificar.
Por alguns segundos, permaneceu como uma estátua diante de Ithely.
Depois rachou.
Uma linha.
Duas.
Centenas.
O corpo se desfez.
Pó.
Políbio soltou um grito.
Ithely caiu de joelhos.
— Não...
A poeira de Avelar girou ao redor dela.
Mas não foi levada pelo vento.
Entrou.
Pela boca.
Pelo nariz.
Pela pele.
Ithely gritou.
Seu corpo arqueou.
Os cabelos loiros começaram a mudar.
Mechas negras surgiram entre os fios dourados.
Sua pele tornou-se mais pálida.
Os olhos piscaram.
Azuis.
Negros.
Azuis novamente.
Presas cresceram.
Depois desapareceram.
Ithely segurou o próprio peito.
Havia algo batendo ali.
Um coração.
Depois...
Outro.
Tum.
Tum.
Tum.
Tum.
Ela gritou.
Memórias que não eram suas invadiram sua mente.
Zárlia penteando longos cabelos negros.
Uma maçã vermelha.
Amélia sorrindo.
O rosto de Mendragon.
Érica.
O deserto.
Fogo saindo de sua boca.
O desejo de ser uma Adaga.
O ódio.
A dor.
A solidão.
Tudo entrou de uma vez.
— Saia da minha cabeça!
Ithely bateu nas próprias têmporas.
Não adiantou.
Avelar não estava em sua cabeça.
Estava em toda parte.
No sangue.
Na respiração.
Nos músculos.
Na alma.
Ithely sentiu os poderes das três bruxas do Pântano Vermelho despertarem dentro dela.
Sentiu a Pedra do Medo.
Sentiu a transformação.
A telepatia.
Sentiu cada capacidade que pertencera à garota.
E também seus pensamentos.
Seus sonhos.
Suas mágoas.
Seus amores.
Seus segredos.
Então ouviu uma voz.
Baixa.
Distante.
Dentro de si.
— Ithely?
A princesa parou de respirar.
Políbio continuava observando.
— O que foi?
Ithely não respondeu.
Colocou uma mão sobre o coração.
A voz surgiu novamente.
Desta vez, mais clara.
— Onde eu estou?
Ithely arregalou os olhos.
Avelar.
Ela não havia morrido.
Não completamente.
A Pedra da Justiça não destruíra sua alma.
Fundira as duas.
Avelar estava presa dentro dela.
Ithely sentiu uma lágrima escorrer.
No mesmo instante, dentro de sua mente, sentiu Avelar chorar também.
Duas consciências.
Duas histórias.
Dois ódios.
Um único corpo.
E, pela primeira vez, nenhuma das duas sabia onde uma terminava...
e a outra começava.
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