—Betty! Beatriz!

De volta à realidade.

—Estava dormindo em pé? Vamos? –perguntou Armando

—Er...

—Vamos ter que caminhar um pouco por isso vim cedo, para que não nos vejam por aí.

Por que quero que possamos passear em paz. Talvez a tenha acordado. Desculpe-me!

—Não, sigo sonhando!


Armando não entendeu, mas sorriu e ela ficou encantada. Ele era ainda mais bonito que lembrava ou talvez tenha ficado ainda mais bonito e másculo depois de todos estes anos. O comeria a beijos se pudesse voar em seu pescoço, começando pelos buraquinhos no canto da boca que a deixavam louca.

De mãos dados, como faziam quando eram mais novos, foram caminhando até o estábulo contando o que haviam feito aqueles anos. Armando estava, sobretudo, curioso. Sempre sonhou em conhecer o mundo todo. Sobretudo, estava curioso em como ela havia se tornado uma moça tão bonita, mas não queria ofendê-la, dizendo que havia sido tão feia como lhe diziam na infância. Desconfiava que Catalina Angel, madrinha de Beatriz tinha algo com isso. A senhora havia sido uma das primeiras professoras da escolinha da fazenda e ficou tão impressionada com a inteligência da menina e que tratou de arrumar-lhe uma bolsa para estudar na capital e não duvida que tenha sido ela a que lhe tratou de promover sua mudança de look, já que sempre se incomodou como o bullying que sofria. Não havia ninguém além deles, de modo que foi Armando mesmo quem selou o cavalo com quem andariam.

—Creio que já está bem grandinha e pode montar seu próprio cavalo, mas como faz tempo, melhor que vá comigo. De qualquer maneira, vou escolher um manso para que possa desfrutar. O que prefere?

—Que me acompanhe, há tempos não cavalgo.

Assim, os dois fizeram o passeio a cavalo pela fazenda, parando um pouco para comerem frutas do pé nas próprias árvores, como faziam antes. Parecia que o tempo não havia passado. Ela se sentia na glória cavalgando nos braços daquele homem com quem sempre havia sonhado.

Ele continuava tão gentil e protetor, será que também sentia algo por ela? Armando a abraçou pela cintura e ela abandonou-se deitando a cabeça em seu peito coberto por aquela camisa quadriculada que apesar de não ser fina mal cobria seus destacados músculos. Era um como dizia as moças da faculdade, como sua amiga Aura Maria, era todo um triplepapito. De modo que sob o pretexto de não estar mais acostumada, se pegou mais a ele. Armando via a doce Betty como uma irmã, a menina que cuidava e protegia, de modo que não percebia algo mais.

—Está gostando do passeio?

—Sim. -aninhando-se como uma gatinha no peito dele

—A fazenda está como se lembra?

—Está melhor, muito melhor! -disse fechando os olhos para senti-lo.

Armando estava feliz, um pouco de tranquilidade, em meio ao caos que viveria, estava pensando que era bom levar Betty para casa, já era hora do almoço. Mas a paz não duraria muito.

—_____

Aproveitaria o que sobrava deste dia para recordar os bons tempos com sua amiga.

Havia chegado a noite, Armando deixou Betty na porta da casa dos Pinzón.

—Tem certeza que não gostaria de entrar?

—Melhor não, fiquei o dia todo fora e minha mãe deve estar bem brava!

—Olha, minha mãe deve ter preparado um daqueles bolos de lamber os beiços, Armandinho!

—Nem me fala! Desde pequeno me lambuzo com os bolos da tia Júlia, como a chamava.

—Acho que eu nem era nascida. Ojojo!

—Não mesmo! O de coco e o de chocolate. Humm!

—Então, vai entrar?

—Por mim, entraria, mas já é meio tarde para o lanche. Minha mãe deve ter me procurado o dia inteiro, afinal, prometi recepcionar os convidados.

—Não entendi ainda o que faz esta gente aqui.

—Bem, é uma espécie de festa.

—Festa? Mas festa de quê?

—Também não vejo motivo para festa! Na verdade é uma, mas sabe como é dona Margarita, assim que é melhor que vá.

—Disse que é tarde, neste caso mamãe deve ter feito salada, feijões, aijaco, arepas.

—Hum... Betty...

—Melhor que fique para jantar. Ojojo!

—Melhor nos vermos no dia seguinte, sim. Venho te buscar cedo como hoje!

—Pra irmos nadar?

—Nadar? Acho melhor não!

—AH, por favor, quero nadar contigo como fazíamos antes.

—Olha, amanhã eu passo bem cedo e vamos dar um passeio e nadar, está bem?

—Não precisa, sei que não é mais a mesma coisa? Talvez não me considera mais sua amiga.

—Depois de um dia como o de hoje, andamos a cavalo, tiramos leite da vaca, comemos fruta do pé, como pode dizer que não somos mais amigos?

—Tem razão, é que...

—Amanhã, passo amanhã aqui bem cedo, mas é bem cedo, dorminhoca!

—Ah, vai me tirar cedo da cama de novo?

—Pensei que o pessoal da cidade também acordava cedo.

—Mas não tão cedo como aqui!

Armando riu e lhe deu um beijo na testa e depois se afastou.

—Ah tão belo e divino. –acaricia a testa — Que dia! Por você acordo a hora que quiser e nem durmo!

—_____

Ao entrar em casa, lógico foi repreendida por sua mãe.

—É que seu pai já andou perguntando por você.

—Estava com Armandinho. Ai, mãe. –disse Betty, sorrindo.

—Ah, a senhorita se dignou a chegar?

—Pai!

—Quer dizer que voltou para sua casa, mas é como se não estivesse!

—Ah pai, estava matando saudades da fazenda.

—Da fazenda ou de senhorzinho Mendoza?

—As duas coisas, sempre fomos amigos.

—Isto não está bem! Você não é mais uma menina e sabe que o senhor Armando é filho dos patrões Mendoza, não é um homem comum!

—Dona Margarita e Seu Roberto são seus patrões, não meus!

—Dos nossos patrões!

—Não, eu não trabalho, nem trabalharei nesta fazenda!

—Pensa que se manda sozinha?

—Hermes! Que escândalos são esses?

Hermes começou com ladainha, bem ele sabia o porquê estava fazendo aquilo tudo.

No dia seguinte, Armando, conforme combinado, passou pelas seis na casa dos Pinzón.

— Bom dia, senhorzinho Mendoza. –cumprimentou-o Hermes

—O que houve, Don Hermes? Nunca me chamou assim!

—É que sabe, não é mais um menino é todo um homem e lhe devemos respeito!

—Sempre me respeitaram e me chamaram de Armandinho!

Após ouvir cantilenas do senhor sobre diferença de classe, Armando havia ficado realmente chateado.

—Vamos, Armandinho. Que foi?

—Não é nada. Vamos. –disse, enquanto Beatriz balançava a cabeça

Ao chegar no lago, no entanto, Betty sente-se como a menina que um dia foi.

Flashback

—Venha, Beatriz. Está calor.

—É que tenho medo.

—Medo de quê?

—De me afogar!

—Ara, menina!Até parece que não sabe com quem fala, sou Armandinho, sou um atleta desses. O melhor nadador dessas bandas! Comigo não corre nenhum perigo!

—Você promete que vai me cuidar?

—Sim, claro!

Assim, os dois nadam.

Apesar de ter 17 anos, ao lado de Beatriz, Armando se sentia uma criança como ela e assim nadavam juntos, às vezes se juntava Camila, Armando cuidava de Beatriz como sua irmã.

Mas agora as coisas são diferentes, as palavras de Hermes ressoam na cabeça do rapaz.

—Talvez seja melhor não nadarmos juntos.

—Mas está calor!

—Você devia ter vindo com uma roupa mais à vontade, esta é de sair ou ir á missa.

—De verdade, mas só tenho estas. Talvez tenha que comprar roupas para a fazenda.

—Então, melhor deixarmos para outro dia!

—Não preciso nadar de roupa de passeio, tenho roupa de banho.

Betty tirou o vestido que usava m ficando só de roupa de banho. Armando arregalou os olhos, aquela menina que conhecia estava com um corpão e usava duas peças.

—Beatriz!

—Venha, Armando! Faz muito calor por aqui.

Jogou-se na água

—A água está ótima! Venha, Armandinho! Vai deixar-me sozinha tomando banho? Que tipo de anfitrião é você? Pensei que tinha saudades de sua amiga.

Armando balançou a cabeça em negativa.

—Vai me deixar sozinha? E se me afogar?

—Você é uma manipuladora!

—Ojojo!

O homem tirou a camisa e a calça e jogou-se no lago de camiseta regata e samba-canção. Não tinha roupa de banho, muitas vezes nadava nu quando estava sozinho ou em companhia de uma moça, mas não ia nadar assim com Betty ou sua irmã Camila. E fez muito bem, pois por maior que fosse a fazenda, sempre tinha um bisbilhoteiro e no caso eram Freddy e Wilson, que sempre tiravam uma pausa para ir nadar, mas ao verem que Armando estava acompanhado no lago resolveram esperar.

—O patrãozinho sempre se dando bem!

—Quem é este bombonzinho que nada com ele?

—Shiu. –repreendeu-o Freddy -Quer que nos ouça? Não sei quem é!

—Mas é gostosa esta!

—Já viu o patrão sem estar com uma gostosa ao lado?

—Com exceção da feiatriz!

—Ai, coitada era boa pessoa, mas zoávamos muito.

—Coisa de criança.

—_____

Armando está longe de sentir desejos por aquela, que ainda vê como uma menina. Como crianças eles nadam. pulam, jogam água um no outro e se abraçam.

—Dá próxima, você vai ver, Beatriz!

—Pensei que ainda era bom nisso.

Ela sai correndo.

—AH, menina!

Ele logo a alcança com uma braçada, a derruba, caindo por cima dela e ficam rindo.

—Parece que o tempo não passou!

—Ainda sente cócegas?

—Não faça isto comigo. Sabe que morro de cócegas! Ojojo!

—Gosta de ser menina levada, não é? Vai ver só!

—Não, por favor! Ojojo! Vamos dar um passeio?

—Nos vistamos!

Passeiam de mãos dadas para secarem debaixo daquele sol que Betty tanto sentia falta, estavam rindo felizes, quando uma mulher de cabelos curtos pretos raivosa vai ao encontro deles.

—Armando Mendoza, quem é esta vagabunda?

Ao ouvir a voz de Marcela, Armando gelou e sem querer soltou a mão de Betty.

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