—Marcela! O que faz aqui?

—O que faço aqui? Imagina, Armando Mendoza! Vim para nossa festa de noivado! E te encontro com uma dessas vagabundas!

—Ela não é nenhuma vagabunda! É nossa amiga Beatriz Pinzón, lembra?

—Beatriz Pinzón? A única que conheci com este nome foi a filha do criado.

—Seu Hermes é muito mais que um criado para nós!

—Esta não é Beatriz!

Ser filha do criado da fazenda e ser discriminada por isso pouco importava, o que ressoou nos ouvidos de Betty foi: "nossa festa de noivado". Não, não! Isto não podia ser certo!

Armando não podia estar noivo, ainda mais de Marcela.

—___________

—Você sempre discrimina as pessoas! Beatriz foi criada junto conosco! Não é só filha dos criados como diz! É nossa amiga!

—Sua! Não, minha! Nós os Valencia nunca a consideramos assim!

—Mas os Mendoza sim e Don Hermes e dona Júlia são muito mais que simples criados, os considero como meus tios!

Beatriz sorriu, mas aquelas palavras voltaram a lhe perturbar.

-Isto vai mudar quando nos casarmos!

Agora, é um pouco demais. Betty saiu correndo do lago. Ele não podia se casar com ninguém, muito menos com Marcela, a insuportável filha dos Valencia.

—Beatriz! Beatriz!

—Deixe-a! Você tem assunto comigo. Vim cedo para ficarmos juntos antes de tudo e Margarida não sabia onde estava. Onde andavas?

—Não vês? Pela fazenda!

—Com Beatriz?

—Sim.

—______________

Betty chegou à sua casa.

—Beatriz Aurora, o que foi isso?

—Er, nada. Só estou cansada!

—Não vai comer nada?

—Não tenho fome!

Foi correndo para o quarto.

—Como pode, como pode Armandinho estar noivo desta... desta....

Beatriz lembra dos bullyings que os Valencia faziam com ela e como Armando e às vezes Camila, a defendia.

—Por que justo com ela? Ele não poderia ter se apaixonado por ninguém! Muito menos por esta, porque claro se está comprometido e vai se casar é porque deve estar apaixonado.

Betty, foi correndo pegar duas fotos. Uma deles juntos na infância. E outra de todos juntos: ela, Camila, Armando e as crianças da vizinhança como os Valencia e Nicolás, seu primo. Armando estava de mãos dadas com ela. Apesar de ser feia, ele sempre a tratava com carinho e a defendia, até mesmo do bullying dos Valencia, que tinham raiva do modo que os Mendoza a tratavam como se fosse da família.

Flashback

—Betty é muito feia! -diziam as crianças da fazenda, tanto os filhos dos peões como as dos senhores das fazendas vizinhas, tal como os Valencia. Betty estava em uma roda, sentada no chão abraçada a seus joelhos.

—Como se atreve a sair de casa?

—É muito corajosa, sobretudo de passear com Armando! Como se atreve? –pergunta Marcela

—O que está acontecendo aqui? -perguntou Armando ao ver aquele ajuntamento. -Betty!

O homem foi ao encontro da menina e a alçou em seus braços.

—O que faz? Não seja ridículo, Armando! -disse Marcela

—Ridícula é você! Freddy e Wilson esperava mais de vocês! Até você, irmão?

—Ah, Dinho, não tem nada demais! -disse Mário. -Se falamos é verdade!

—Betty é muito feia.

—Armando sempre defendendo a criadagem.

—O que ocorre aqui?

—Estas crianças professora Inesita, sempre tirando uma de Betty. Creio que o castigo não foi suficiente! – disse Armando

—Leve-a para casa, vou falar com eles!

—Bettica, não chore mais, sim?

Betty o abraçou forte.

—Estou contigo promete que não vai chorar?

—Se ficar comigo não!

—Ficarei. São uns bobos invejosos!

—Do que teriam inveja de mim? Sou feia, mal vestida e pobre.

—Não! É doce, inteligente, muito inteligente!

—Eles não precisam disso são filhos dos fazendeiros podem ser o que quiserem.

—Não, não pense assim. -a abraça.

—Mandinho, não quero voltar para casa agora! Se meu pai souber vai falar com os pais de Freddy e Wilson, mas como não pode falar com os fazendeiros sobre seus filhos pode querer me tirar da escola!

—Ele não pode! Você é muito inteligente.

—Ele me tiraria para que eu não sofra, mas eu sofreria de não poder estudar.

—Então, vamos dar uma volta de cavalo?

—Oba!

—Mas só se me der um sorriso.

—Sim, Armandinho.

Armando leva Betty para cavalgar, se posicionando bem atrás dela. O via como um príncipe encantado dos contos de fada que sua mãe lia para ela, assim como a professora Catalina.

Fim do Flashback

—___

Armando queria ir falar com Betty e explicar-lhe como aconteceu de estar noivo exatamente de Marcela, mas a noiva não o deixou nem a sol, nem a sombra, assim foram para a casa dos Mendoza, receber os convidados sob bronca de sua mãe, já que a casa estava cheia de convidados para a cerimônia de compromisso de Armando e Marcela.

—Sabe que não é nada bonito o que está fazendo! A casa está cheia de gente importante. –repreendeu-o Margarita

—Sempre esteve!

—Tentei avisá-lo, Margarita, mas sabe como Armando é! –disse Marcela, beijando sua futura sogra na bochecha.

—Isto muda com o casamento. Deixa que eu fale com ele. –disse Margarita. Armando virou os olhos

—Sabe muito bem o que estou falando.

—E sabem muito bem o que significa isto tudo para mim!

—A fazenda e a empresa precisam.

—Sim, eu sei! Mas por quê, por quê eu tenho que me sacrificar?

—Sabe quais são as condições dos Valencia, ou você ou Camila!

—Nunca! Ouviu bem? Daniel Valencia não põe suas mãos sujas em Cami! Ainda mais ela está noiva de Mário!

—Como se isto me fizesse feliz! –lamentou-se Margarida.

—Mário mudou muito, está sério, responsável, quer casar-se e está até estudando Administração para trabalhar na empresa.

—Assim espero.

—Se isto for verdade que seja o mesmo com você depois que firmar o compromisso com Marcela. –esperançou-se

—Não esperem o mesmo de mim! Sou incorrigível. Sabem as condições que envolvem este noivado. Não esperem que eu vire um santo, não amo e não vou amar Marcela por conta de um papel e um punhado de dinheiro!

—Sabe o que significa isso: a salvação ou a ruína de nossa fazenda, da empresa e de nossa família.

—Faço pelos empregados que deram o sangue pela fazenda e não podem ficar desamparados.

—Humpf!

—A menina Betty está de volta, não? -perguntou Margarida.

—Sim.

—E como está?

—Como sempre, só que crescida.

—Mas pelo que ouvi está diferente, arrumada e crescida.

—Sim, está!

—Quantos anos tem agora?

—Não sei, creio que 17.

—Nossa, o tempo passa. Marcela contou que não a reconheceu, não quis contar em detalhes, mas disse que estava diferente.

-Sim, não é mais uma criança como antes, é uma mocinha!

—Marcelinha não gostou nada de saber que ficou passeando aí com ela pela fazenda.

—Viu? Beatriz e eu sempre fomos amigos, se ela quer ser minha esposa tem que aceitar nossa amizade e recebê-la bem.

—Nisso estou de acordo contigo. Sempre gostei muito de Betty, a tenho como uma sobrinha, inclusive, quero programar uma visita aos Pinzón ou convidá-los para um lanche para receber bem a menina, mas coincidiu com a festa de noivado e toda a gente que temos que recepcionar. –disse Margarida.

—Está vendo, mamãe? Fala como se os Pinzón morassem longe daqui quando sabemos que estão bem próximos! Pouco me importa todo esta gente que nem conheço, para mim foi muito mais importante ver Beatriz e recordar os bons tempos.

—Não interprete mal o que lhe falei. Sabe quanto gostamos da menina, ela nasceu e foi criada nesta fazenda. Já teremos tempo. Pode convidá-la para a festa de hoje, embora, não sei se sentirá à vontade, quanto à Marcela falo com ela.

—Não precisa se indispor com sua querida Marcela, não convidei e nem convidarei Beatriz para esta festa!

—Mas por quê?

Armando bufou, não queria dar explicações.

—Olá, alguém em casa?

—Camila!

—E eu, irmãozinho?

—Mário! Só vocês para me alegrarem! –disse abraçando os dois.

—Viemos justamente para isso.

—_____________

Aquela noite, embora estivesse tomado (para desgosto de seus pais e também Marcela) Armando foi muito gentil com os convidados e tentou bancar o noivo perfeito sob os olhos de Marcela, seus pais e os convidados. Mas nem todos os convidados, pois com ajuda de Freddy e Wilson deu algumas escapadas com as filhas dos fazendeiros.

—Por que está ficando noivo de Marcelinha? -perguntou a camponesa de seios fartos e cabelos ao vento.

—Não vamos falar disso agora, estou contigo não?

—É que não faz sentido.

—Shiu! –tomou sua boca e começou a beijá-la, logo pegou-a e fizeram selvagemente em meio do mato, logicamente, depois de Armando colocar proteção. Sempre usava proteção, até mesmo com Marcela, havia aprendido a não espalhar os fluídos Mendoza por aí. Não foi a única mulher daquela noite, Armando tinha uma força física invejável, digna de um peão e também era muito fogoso.

—Não deveria casar-se com ela! -disse outra, filha de um dos fazendeiros convidados

—Se assim acha, faça-me desistir!

—Garanto que irá desistir!

Logicamente, nenhuma delas fez Armando voltar atrás, ainda mais porque não era de sua vontade casar-se com ninguém e menos com Marcela, mas era uma algo que deveria fazer ou perderiam a fazenda.

Depois de andar pela redondeza matando sua vontade, Armando já não apresentava-se arrumado como antes.

—Olha só, Armandinho! Nem no dia do noivado se apresenta decentemente!

—Olá, Danielzinho!

—Não sei realmente o que minha irmã viu em você. Poderia conseguir coisa melhor!

—Já minha irmã sim, foi esperta e conseguiu coisa muito melhor!

—Diz seu amigo Marito? Não seja ridículo. Não é homem para ela!

—Acho bom que se conforme!

—Acho bom que se arrume e que não faça minha irmã sofrer. Ela é moça de família e se vamos entregar-lhe é porque está obcecada por casar-se contigo.

—Pois fique tranquilo que tentarei o máximo possível ser o marido perfeito.

—Pode começar ajeitando a roupa e limpando o batom, após de remexer pelos matos por aí. Onde está a educação que seus pais lhe deram? De tanto andar com os criados, tem a educação de um maldito peão!

—E não me envergonho nem um pouco disso! E quem não conhece que te compre!

—Não estou comprometido. Cuide-se, não quero ver minha irmã chorando por um idiota como você!

Daniel saiu deixando Armando louco de raiva.

—Onde estava? –perguntou Marcela

—Por aí!

—Esteve bebendo?

—Imagina.

—Ajeite esta camisa. –passa a mão para limpar –Parece que estava no meio do mato.

—A fazenda é cercada de mato por todos os lados.

—Com certeza estava com alguma dessas por aí!

—Não sei do que fala, Marcela. Melhor irmos, nossos convidados nos estão esperando e você não vai querer fazer ceninhas frente a tanta gente importante. Imagina que vieram gente até da !Hola! e Jet Set. Gente importante da Capital para o casório do ano.

—Você me paga!

Armando riu.

A Festa em si não estava de todo mal, afinal nada como boa comida e bebida para aplacar a dor.

Lógico que para Armando, pois para Beatriz não era assim. Olhava pela sacada da pequena casa o amontoado de gente na Casa Grande e sabia que se tratava da Festa de Noivado de seu amido caubói herói Armando e a chata da Marcela Valência.

—Deve estar feliz. Por que tinha que amá-lo tanto? Por que não me apaixonei por um moço da cidade? Depois que fiquei bonita, muitos começaram a se interessar. (Lembra-se de dois colegas do Ensino Médio que começaram a notá-la, depois que se tornou bonita, um era Román.

—Beatriz? Que acha de sairmos para tomar umas cervejas?

—Me deixa em paz, Roman! Não tenho tempo para bobagens.

—Deixou de ser feia, mas continua a ser amarga!

—Sou doce para quem merece.

—Seja doce comoigo!


E outro, o aluno do intercâmbio Michel Doinell.

—Beatriz, poderíamos sair, tomar um café para que me explique melhor, sabe não entendo muito bem espanhol.

—Está bem, Michel.

Os dois estão tomando cafés e comendo croissant

—Já conhecia, Beatriz?

—O quê?

—O croissant?

—Não, nunca havia provado.

—É francês como eu. Te parece bem?

—Sim, gostei muito.

—Assim, creio que pode gostar de coisas francesas como eu!

—Ojojo! Michel!

—Digo sério, Betty. –segura suas mãos e logo seu rosto. –Você é tão bonita.

—Er, Michel.

—Gosto de você.

—Também gosto de você, mas...

—Shiu, Betty, vamos ouvir esta música. Dança?

—Tenho como dois pés esquerdos.

—Eu te ensino.

—Er...

—Venha.

—Assim.

Betty lembra-se quando Armando dançava com ele e lhe pisava os pés.

Michel a abraça, tenta beijá-la.

—Creio que está tarde, Michel, perdão. –sai correndo.

—Por que, por quê? Se não temos nada para fazer?

Betty chora e acaricia a foto de Armando

—Sigo amando-o.

—___________

Enquanto isso, Marcela faz uma proposta a Armando.

—Bem que podíamos selar este compromisso fazendo amor esta noite!

—Está louca, Marcela? A casa está cheia de gente!

—Como você alguma vez se importou com isso!

—Agora será assim, ok? Seus pais estão aí, Daniel e pelo que sei, priminha, você é uma santa virgem impoluta.

—Eu te odeio!

—Então, para que iremos nos casar?

Marcela riu.

—Não pensa que é tão fácil livrar-se de mim!

—Até outro dia, Marcelita.

Marcela, meio contrariada, foi no carro com Daniel e seus pais até a casa reservada aos Valencia.

—Te entendo, irmãzinha, qualquer mulher que se comprometesse com um tipo como Armando não colocaria melhor cara!

Com raiva, Marcela subiu as escadas.

—Não a provoque, Daniel. =disse o Julio Valencia, tirando o chapéu.

-Não provoco, só constato a verdade!

—Está na hora de você também sentar cabeça.

—Me sentaria se fosse com Camila, que por sinal, estava bem bonita hoje!

—Esquece a menina, ela está comprometida com Mário Calderón.

—Ainda mais, o casamento de sua irmã cumpre o propósito de união das famílias! Em breve, Laços e Ecomoda serão nossas.

—Precisamos ter cuidado, Roberto não é tão bobo assim. Ainda mais quem cuida de Ecomoda agora é Mário e ele é esperto!

—Virou amador, Daniel? -perguntou Júlio.

—Não é que...

—Tem medo dos Mendoza? Fica tranquilo, eles não farão nada! Sabemos do segredo deles e pela honra não podem fugir do compromisso –disse Júlio. –Até me agrada que seja sua irmã quem assegurou este casamento. Camila é um bicho duro de domar, sempre foi uma égua brava, mas sua irmã com carinho e pureza vai saber levar Armando, mas se não fosse o amor pela fazenda não sei se aceitaria comprometer-se. Sabe, Margarita já está iludida com este casamento.

—Ela sempre foi assim, ainda mais com toda esta gente para receber.

—Roberto também está no papo, temo mais Armando. Ele parece bobo, mas é inteligente!

—Armandinho. Armandinho não passa de um caipira idiota que só cuida do que tem dentro das calças ainda que não seja nada demais!

—Bem, deixemos este assunto e vamos descansar. Foi uma noite cansativa. –disse Júlio Valencia, dando uma baforada no charuto.

–Mas valeu muito a pena.

—__________