Casamento Sob Suspeita.
58 Capítulo 58 - A verdade.
Notas iniciais
PDV Edward Cullen.
– Droga!
Praguejei baixinho, andando para o banheiro. Bella acabara de sair do quarto e quando abriu a porta quase derruba a prima loira e a governanta bisbilhoteiras, que sem mais o que fazer estavam escutando atrás da porta. Por muito pouco as duas não me viram pelado, do jeito que vim ao mundo.
– Mas o que?!
– Ficamos preocupadas com os seus gritos, — disse Rose justificando-se.
– Você está bem, menina?
Disse Siobhan afobada.
– Estou muito desapontada com vocês duas! Onde já se viu?! Ficar escutando atrás das portas?!
–Desculpe, — falaram juntas.
– Rose?
Disse Bella pedindo uma explicação.
– Honestamente, fiquei com medo de que você pudesse matar o Edward, prima.
– Não se tem mais privacidade nessa fazenda?! Que coisa!
Foi à última coisa que ouvi minha esposa dizer antes de ouvir os passos dela afastando-se pelo corredor, sendo seguidos por outros passos. Fechei a porta do banheiro com força atrás de mim com vontade de quebrar alguma coisa ou bater em alguém. Olhai para o espelho sobre a pia, ficando tentado a esmurrá-lo e destruí-lo. Meu nível de frustração tinha atingido o limite máximo. Desisti do espelho. Inspirei e expirei profundamente tentando relaxar, soltando um longo e pesaroso suspiro. Imagino como ficaram as duas após terem sido pegas em flagrante xeretando. E quem raios poderia estar chegando naquela hora?! Só espero que não seja Alice ou minha mãe, que souberam da nossa briga e vieram tentar acalmar as coisas... Arg.
Abri a ducha controlando a temperatura e deixei que a força do jato d’ água me acalmasse. Trinta minutos depois já vestido com um jeans e uma camisa preta, peguei o boné da empresa, coloquei na cabeça e saí. Passei rapidamente pela sala onde Rosalie, sentada numa poltrona de couro escura folheando uma revista de fofocas, desviou os olhos do meu olhar acusatório e cumprimentei o meu sogro.
– Bom dia Charlie.
– Bom dia Edward, dormiu bem?
Estreitei os olhos e sorri. O Velho e nada sutil.
– Maravilhosamente bem, — fiz questão de responder presenteando-o com um enorme sorriso.
Ele assentiu e sorriu de volta.
– Quem chegou?
Perguntei curioso.
– Jasper, — Rose respondeu cética.
– Ele disse que queria conversar com a minha filha. Os dois estão no escritório, — completou meu sogro.
Dei um sorriso aliviado, vibrando interiormente. Embora eu e Bella ainda não tivéssemos conversado de verdade, tudo agora seria esclarecido. Não me interessava se era eu o Jasper quem iria conversar com ela, o importante era ter paz de volta a minha vida.
– Bom, deve ser alguma coisa importante, não é mesmo?
Falei me dirigindo para a cozinha. Rose me estirou a língua. Fiz um revólver com os dedos e mirei bem no meio de sua testa, como se estivesse atirando. Irritada, ela largou a revista na mesa de centro e bufou, erguendo-se em seguida. Ela era como um lago raso de águas limpas, mas sem profundidade nenhuma. Minha relação com ela sempre tivera atos e baixos, pois havia horas em que ela se comportava de forma extremamente desagradável.
– Vou dar uma cavalgada, — disse.
Por mim ela poderia cavalgar até chegar em casa, em Vancouver.
– Faz bem filha, o tempo está ótimo.
Charlie respondeu. Cheguei à cozinha e Siobhan me deu um sorriso constrangido e amarelo, passando as mãos por diversas vezes no avental amarelo que usava. Estava nervosa. Cumprimentei-a sem me referir ao fato de ter sido alvo de suas xeretadas, abri a porta do refrigerador e peguei duas garrafinhas de iogurte de frutas vermelhas, tirando o lacre e bebendo direto na garrafa. Olhei para o relógio na parede oposta e vi que já passavam das dez da manhã. Ela continuou nos preparativos do almoço, sem se incomodar com a minha presença. Resolvi não comer mais nada, pois o almoço seria servido logo mais ao meio dia.
PDV Narrador.
No escritório...
– O que queria me dizer Jasper?
Bella falou acabando de engolir o restante da salada de frutas. Ele sorriu observando o apetite voraz de sua cunhada.
– Pra começar, Kate e Alice estão morrendo de saudades de você.
– Eu também estou com muitas saudades das duas, mas achei melhor deixar a família Cullen de fora desse contratempo. Espero que você me entenda.
– Entendo sim, Bella.
– Certo. Então prossiga.
– Não prefere acabar de comer primeiro?
Ela levou a colher a boca, lambendo-a e colocando o objeto dentro da travessa de inox vazia.
– Já terminei.
Respondeu passando um guardanapo de linho bordado sobre os lábios, colocando depois sobre o tampo de vidro da escrivaninha e fitando-o diretamente nos olhos. Jasper era um homem bonito. Tão alto e atlético quanto Edward. Bella observou sua camisa pólo preta, a calça jeans justa e o boné como logotipo da empresa na cabeça, igualzinho ao que Edward havia trazido consigo quando chegara a New Moon, dois dias atrás. De costas os dois poderiam facilmente ser confundidos.
– Pode começar, — ela insistiu.
O loiro a analisou com atenção, antes de falar.
– Edward é inocente, — disse com tranquilidade.
Bella cruzou as mãos sobre o ventre crescido e aguardou.
– Tânia é uma mulher vivida, experiente, ardilosa. É uma expert na arte de manipular. Ela se ofereceu para dormir com ele várias vezes nos últimos meses Bella. O assediou em todas as oportunidades, mas Edward sempre deixou claro que ama você. Ele a rejeitou repetidamente, sem exceção. Não é segredo de que ela também envolveu-se com o Emmett. E chegou a dar em cima de mim algumas vezes, quando fiquei noivo da Alice.
Sua voz era tranquila, mas firme. Bella considerou as informações por alguns minutos. Um silêncio profundo dominou o ambiente. Erguendo os olhos para Jasper ela questionou:
– Por que está me contando isso?
– Porque é a verdade, Bella. E por muitas outras razões. Eu mesmo testemunhei o assédio dela ao Edward algumas dessas vezes. Porque eu amo você como se fosse minha irmã, porque o Edward é o meu melhor amigo e não é justo que Tânia apronte suas armações e faça vocês dois sofrerem. Por que o Edward tem um passado repleto de conquistas, embora ele tenha mudado por você. E por que eu acho que provavelmente você ainda não deixou que ele se explicasse.
Ela sorriu. Ele também.
– Você está certo. Mas nós iríamos conversar hoje sobre isso.
Os dois se fitaram por alguns segundos.
– O que você quer saber?
– Tudo Jasper, por favor, não me esconda nada.
Ele concordou com um gesto de cabeça e começou a relatar os fatos um por um. A noite no escritório no dia do aniversário de Carlisle, em seguida veio o relato de quando ele foi internado e ela fez de tudo para que Edward deixasse Bella em casa e seguisse sozinho com ela até a casa onde morava com Eleazar.
– Você não estava lá, — ela falou com pesar.
– Não, mas ele me confidenciou esse episódio depois que saí do hospital. O Edward estava revoltado com as atitudes dela. Além disso, ele não teria nenhum motivo para mentir para mim Bella. E eu jamais mentiria para você.
Fez uma pausa.
– Você me conhece e sabe disso.
– Sim, eu sei, ela concordou.
Ele continuou com o seu relato, deixando Bella espantada com o episódio da empresa onde Tânia havia sentado no colo de seu marido, sabendo que Eleazar estava ali próximo, em outra sala e que poderia entrar na sala de Edward de repente, surpreendendo-a. Mais uma vez fora rejeitada.
– Você viu isso, Jasper? Viu essa cena?
Perguntou assustada com a ousadia e o descaramento da outra mulher.
– Sim. E não apenas eu, mas todos os seguranças da firma, pois havia uma câmera instalada na sala de Edward. Ficou tudo gravado nas fitas.
Não era exatamente verdade, mas Bella não precisava saber disto. A câmera havia sido instalada, mas não ligada. Como Jasper confiava em Edward, seu instinto lhe dizia que o cunhado falara a verdade desde o início. Bella engoliu em seco e ficou vermelha como um tomate maduro lembrando o dia em que estivera no escritório de seu marido. Eles tinham feito amor por duas vezes consecutivas. E se alguém tivesse visto?! Jasper a fitou com curiosidade.
– A... Digo, essa câmera ainda está lá?
Perguntou num fio de voz, sentindo a respiração lhe faltar. Jasper deu um leve sorriso, entendendo por fim a sua preocupação.
– Sim, mas depois desse incidente, Edward mandou desligá-la.
Bella deu um profundo suspiro de alívio, deixando-se afundar na cadeira e Jasper tossiu para disfarçar o riso. Ela estreitou os olhos, encarando-o desconfiada.
– Você... Você tem certeza de que essa câmera foi mesmo desligada?
Perguntou ansiosa. Ele mudou de posição e descruzou as pernas longas antes de responder.
– Certeza absoluta.
Ela finalmente relaxou e ele continuou com o relato, fazendo com que a mulher a sua frente empalidecesse mortalmente ao descobrir que Tânia estava ligada a Felix Volturi e que fora ela quem fornecera a ele as informações de que Edward estaria fora da cidade naqueles dias. Jasper só não contou o restante da estória, que a surra que Félix levou havia sido Edward, Alec e James que haviam dado em represália a humilhação que ela sofrera, e não uma gangue de rua querendo assaltá-lo.
– Você está bem, Bella?
Perguntou preocupado ao vê-la mais branca que um fantasma.
– Sim...
– Pelo amor de Deus não me diga que vai desmaiar ou coisa assim.
Falou agitado, a preocupação formando um vinco enrugado em sua testa.
– Está... Está tudo bem.
Ela respirou fundo algumas vezes sentindo as borboletas se agitarem em seu estômago, revirando a comida ingerida há pouco.
– Eu não vou desmaiar, prometo.
Foi a vez do loiro suspirar aliviado.
– Bom, o Edward enlouqueceu quando descobriu que o que ela havia armado para você e se dedicou a elaborar um dossiê contra ela, com provas, flagrantes de motéis, gravações de celular onde ela marcava encontros com seus amantes, e outras coisas. No fim ele só queria proteger você.
Os olhos de Bella estavam abertos como pratos. Ela encarava Jasper muda pelo espanto.
– Fui injusta com ele, Jasper. Muito injusta, falou num fio de voz, a cabeça girando, processando todas aquelas informações.
– Sim você foi.
Ela levou as mãos unidas ao rosto.
– Meu Deus! Sinto-me péssima!
– Hei, acalme-se. Ele sabe o quanto você ficou abalada. E quem não ficaria? Além do mais você está esperando um filho e seus hormônios estão alterados, a sensibilidade à flor da pele.
Bella agora mal o escutava.
– Bom como eu estava dizendo, Edward afirmou que seu tio não iria mais ser feito de palhaço e nem servir de chacota, servindo de alvo de piadas maldosas e infames em toda Richimond. Assim reuniu tudo o que pôde contra ela e enviou a Eleazar de forma anônima há alguns dias.
– Deus do céu...
Ela exclamou de boca aberta.
– Pobre Eleazar. Ele não merece nada disso Jasper.
– Concordo Bella. Ele é um bom homem, tem caráter, mas deveria ter escolhido melhor. O Edward, o Emmett e o Carlisle avisaram sobre a Tânia, mas ele achou que as coisas iriam mudar depois do casamento. Achou que ela se tornaria uma mulher respeitável. Mas por favor, essa última parte da estória fica entre nós dois, porque eu acho que Edward não vai gostar de saber que eu contei tudo a você. Tudo bem?
– Claro que sim Jasper, pode ficar certo de que eu não vou dizer nada sobre isso a ninguém. Você tem a minha palavra.
Dando um meio sorriso, ele prosseguiu:
– Quanto à calcinha que você achou, não posso dizer como ela fez aquilo, mas posso afirmar que foi armação. Ela fez questão de dizer no jantar que estava usando peças especiais e diferenciadas. Aposto que foi naquela mesma noite que ela armou tudo.
Vendo que Bella havia acreditado e confiado nele, Jasper sorriu relaxado e levantou da cadeira espreguiçando-se. Bella deu a volta na mesa, foi ao seu encontro e o abraçou.
– Obrigado Jasper.
– Por nada, respondeu satisfeito.
Ela deu um beijo no rosto dele.
– Vou procurá-lo agora mesmo e pedir desculpas. Vai ficar para dormir?
– Faça isso. O Edward te ama e vai esquecer em breve este incidente. Dormir? Não sei, mas acho que nem ele nem eu poderemos ficar.
Ela sentiu um aperto breve em seu peito. Logo agora que tudo fora esclarecido Edward já teria de ir embora?!
– Por quê?
Questionou receosa.
– Tem assuntos urgentes na empresa. Precisaremos voltar o mais depressa possível para Richimond.
Ela engoliu em seco e saiu do escritório.
–-----
PDV Isabella Swan.
– Onde está o Edward?
Perguntei a papai, que lia o jornal sentado em sua cadeira preferida.
– Saiu Bells.
Ele respondeu sem levantar os olhos das notícias. Bati o pé impaciente, atraindo sua atenção.
– Algum problema querida?
– Não sabe onde ele foi?
– Não. Acho que foi para o celeiro ou outro lugar qualquer, disse dando de ombros.
Assenti e peguei as chaves do jipe que ficavam sempre sobre a televisão.
– Aonde vai?
Questionou Siobhan, adentrando na sala.
– Atrás do meu marido, respondi apressada.
– Muito bem, estou gostando de ver, mas tome cuidado e não vá a cavalo, por favor!
– Pode deixar eu vou de carro, falei saindo.
Coloquei as chaves na ignição, dei partida e manobrei o veículo com uma certa dificuldade, devido ao tamanho da barriga. Aquele não era o veículo ideal para grávidas, indo em direção ao celeiro. Quinze minutos depois eu chegava lá e saltava do veículo, afobada. Rose me viu e franziu o cenho aproximando-se.
– Onde é o incêndio?
Questionou fitando-me.
– Você viu o Edward?
– Mais cedo. Ele não está aqui.
– Sabe que roupa ele está vestindo?
Perguntei.
– Camisa preta, jeans e um boné escuro, — respondeu com um brilho diferente no olhar. — O que o Jasper lhe contou prima?
– A verdade. Meu marido é inocente Rose, a Tânia armou tudo.
– Eu lhe disse que daquela ali, nós podemos esperar qualquer coisa. Então eu já posso voltar para o Canadá?
– Sim, prima muito obrigada por tudo.
– Não tem de quê Bella. E fico muito feliz por vocês dois. Já estava na hora de colocarem tudo em pratos limpos, — respondeu sorrindo enquanto eu voltava para o jipe e novamente dava a partida. Onde ele poderia estar?!
Notas finais
Bem só teremos mais um cap, e o epilogo.
beijos
Kiki
amanhã tem mais.
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