Casamento Sob Suspeita.
52 Capítulo 52 – Uma grande confusão.
Notas iniciais
Eu estava completamente absorta em pensamentos quando senti uma mão firme em meu ombro. Virei minha cabeça e dei de cara com o Jake e com uma linda moça de cabelos escuros como os meus longos e cacheados logo atrás dele. Ela tinha um rosto angelical. Eles estavam de mãos dadas. Levantei tentando sorrir, mas falhei, deixando um soluço escapar pela minha garganta. Ele soltou a mão dela e me abraçou forte.
- O que houve?
Perguntou olhando preocupado para o meu rosto inchado pelo choro. Sua voz soou abafada, amortecida pela vegetação espessa ao nosso redor. Funguei algumas vezes e respirei profundamente antes de responder.
- Ele me traiu, — falei com uma voz fraca.
Jacob ficou imediatamente rígido, sua postura era tensa e agressiva. Senti quando ele travou o maxilar.
- Desgraçado! Eu vou matá-lo!
Cuspiu entre dentes.
- Jake!
A moça interferiu.
- Ele não podia ter feito isso, não podia! Canalha, miserável!
Explodiu com raiva.
- Jacob!
A moça interferiu novamente, olhando-o com estranheza. Ao sentir a mão delicada em seu ombro, ele se afastou um pouco e inspirou lentamente, tentando recobrar o controle.
- Desculpe. Bella esta aqui é Renesmee, minha namorada.
Sorri ao ouvir aquilo e me apresentei em seguida. Ao que me constava era a primeira vez que ele estava namorando sério.
- Apesar das circunstâncias, muito prazer, sou Isabella Swan Cullen.
- Eu sei, — ela respondeu sorridente. — Conheço a senhora através dos jornais locais. Eu sou residente de medicina, o prazer em lhe conhecer é meu.
Além de bonita, a jovem também era muito simpática e apesar de estar consumida pela tristeza e pela dor, confesso que fiquei muito feliz pelo Jacob.
PDV Edward Cullen.
Eu estava inquieto, angustiado, andando de um lado para o outro a ponto de explodir.
- Eu não vou Jasper.
Estava decidido. A viagem, o contrato, as obras. Que tudo fosse para o espaço. Meu cunhado me fitou.
- E o que vai ficar fazendo aqui Edward?! O que está feito está feito! Você não pode voltar no tempo e mudar o que aconteceu!
Corri as mãos nervosamente pelos meus cabelos.
- Não sei, porra! Eu não sei! Inferno!
Jasper suspirou.
- Edward, você não está raciocinando com clareza.
Continuou dizendo, enquanto eu fitava o vazio.
- Nós estamos lutando para conseguir este contrato há muito tempo, eu entendo a sua situação, mas só por um instante, pense na empresa.
Falava tentando me convencer, mas eu estava perdido num estupor de pensamentos desordenados que a minha consciência relutava em aceitar. Meu amor, minha esposa, minha vida, o significado de tudo, do meu mundo... Bella... havia me deixado.
- Eu não tenho cabeça para fazer essa viagem! Preciso encontrar minha mulher, Jasper! Preciso achá-la, fazer com que me ouça.
Falei exasperado. Jasper me fitou apreensivo. Ninguém sabia o paradeiro de Bella. Eu havia rodado horas a fio pelas ruas de Richimond e nada. Sem saber mais aonde ir, estacionei o carro diante de uma igreja e entrei, orando com fervor e suplicando a Deus que ela estivesse bem. Acho que desde a minha adolescência eu não frequentava uma igreja a não ser em ocasiões especiais como casamentos e batizados. Foi estranho, mas me senti bem.
Bella não tinha ligado para ninguém, pois ninguém, nem Alice, nem mamãe, nem Rose, meu pai ou Emmett haviam me ligado até aquele momento. A única coisa que eu sabia era que Eleazar havia dado uma grande surra em Tânia e falara em divórcio. A confusão foi grande e a notícia se espalhou como um rastilho de pólvora. Disseram que ele bateu nela até cansar. Assim que soubera, Alice ligara saltitante para o marido e Jasper me contara em seguida. Minha irmã vibrou com a notícia embora não soubesse dizer exatamente o que havia acontecido para levar nosso tio a um extremo desses. Apenas eu e meu cunhado sabíamos a verdade. Minha última cartada foi pedir a Jasper que telefonasse para ela, mas o celular permanecia desligado.
- Edward, me escute. Se eu bem conheço Bella, ela não vai lhe dar a chance de se explicar, pelo menos não agora. Eu posso imaginar o tamanho da dor que ela está enfrentando.
Fitei vazio através da janela. Meus olhos se perdendo na escuridão da noite que avançava sobre a cidade. Uma noite negra, sem lua. Deixei que ele continuasse falando.
- Espere um pouco. Deixe a poeira baixar. Dê tempo para ela pensar. São apenas três dias. Assim que eu voltar eu a procuro e converso com a Bella, Edward. A mim ela irá escutar, tenho certeza. Vou esclarecer tudo e eu garanto que ela vai entender e vai te perdoar.
Franzi o cenho irritado.
- Ela não tem que me perdoar Jasper, porque eu não fiz droga de merda nenhuma!
- Calma! Nós sabemos que você não fez nada, mas ela não sabe. Tânia planejou tudo muito bem.
- Por isso mesmo tenho de encontrá-la!
Explodi dando um soco em minha mesa. Minha mente estava a mil.
- Para onde ela pode ter ido?!
Falei mais para mim mesmo. Ele coçou o queixo por um instante.
- Acho que ela foi para New Moon.
Suspirei pesadamente.
- Já liguei para lá duas vezes e Siobhan me afirmou que ela ainda não tinha chegado.
Ele me encarou cético.
- E se Bella pedisse para ela não lhe contar?!
Balancei a cabeça.
- Sem chance. Siobhan me diria achando que nós havíamos brigado. Ela sempre é minha cúmplice nas surpresas que preparo para Bella.
Jasper sorriu complacente.
- Bom, se você está decidido a não ir, eu terei de ir a Austin sozinho, — falou decidido.
- Vá em frente, — eu disse desanimado.
Ele ficou na minha frente e pôs as mãos em meus ombros, me fitando diretamente.
- Bella é uma mulher esperta Edward, Ela está grávida e não vai colocar ela própria ou o bebê em risco.
- Arg, assim espero, — gemi baixinho.
- Me prometa que não vai fazer nenhuma bobagem.
Não respondi de imediato, mas no fim, concordei. Jasper era o mais sensato de todos, então não custava nada dar ouvidos ao que ele estava dizendo.
- Vou tentar.
Ele rolou os olhos e deu uma tapa leve em minha cabeça.
- Pense no seu filho, homem e tente se controlar. Se Bella for teimosa o suficiente para não escutar você...
- Você sabe que ela é!
Retruquei entre dentes.
- Quando eu voltar às coisas vão se ajeitar Edward. Eu prometo.
- Espero que sim Jasper, espero que sim...
Falei angustiado vendo-o sair de minha sala, puxando sua mala em direção à porta. Depois que ele saiu, eu levantei e caminhei até a estante do piso ao teto, abrindo uma portinha e pegando uma garrafa de Macallan Cask Strenght – um uísque amadurecido especialmente em barris de carvalho selecionados por onde já passaram Jerez, com 58,6% de graduação alcoólica e preço de 300 dólares a garrafa, que eu estava guardando para uma ocasião especial e comecei a beber o líquido âmbar diretamente no gargalo. Lágrimas silenciosas escorriam pelos meus olhos... A dor transpassava minha alma como a lâmina afiada de um punhal. A noite com certeza, iria ser muito longa.
PDV Isabella Swan.
Jacob havia sido um amigo e tanto. Ele tinha providenciado absolutamente tudo para que eu fosse até New Moon ainda hoje em segurança. Ele tinha ido até o seu consultório buscar minha mala, enquanto Renesmee me fazia companhia em seu aconchegante apartamento. Eles formavam um belo casal e assim foi fácil me abrir com uma moça tão simpática, quando o momento chegou.
- Não ligue para a bagunça. Moro com uma amiga que também faz medicina.
Ela falou, desculpando-se. Corri os olhos pelo ambiente pequeno, mas muito bem decorado.
- Por favor, não se incomode comigo. Sou eu quem está aqui causando transtorno a vocês, — respondi.
Ela sorriu.
- Não é transtorno nenhum, sinta-se em casa.
Assenti e me sentei no sofá de dois lugares.
- Não quero parecer intrometida, mas pelo que eu entendi a senhora e seu marido, estão com problemas?!
Disse me oferecendo uma xícara de chocolate quente fumegando. Aceitei e contei de forma resumida o que havia acontecido. A ferida estava aberta e sangrava muito. Eu sabia que mais tarde ela relataria tudo ao Jake. Quando acabei ela me fitou por um longo momento. Esperei pacientemente.
- Por favor, não me julgue mal ou coisa assim, senhora Cullen.
- Pode me chamar de Bella, Renesmee, — completei sorrindo e devolvendo-lhe a xícara vazia.
Ela pegou o objeto e levou até a pia da cozinha americana.
- Não acha que o seu esposo merece ao menos o benefício da dúvida?
Falou cautelosa. Fitei-a com um sorriso triste.
- Você não conhece o Edward, — retruquei.
Como eu poderia dizer aquela doce jovem que ele, até o nosso casamento praticamente não passava um único dia sem sexo?! E a calcinha que eu havia encontrado era de uma das suas ex-amantes?! Pensar naquilo foi como enfiar o dedo na ferida outra vez. Estremeci e ela me deu um sorriso complacente.
- Mesmo assim eu acho que você deveria ouvir o que ele tem a dizer Bella. Vocês vão ter um filho e pelo que me falou ainda agora, você o ama há bastante tempo.
- Sim. Mas isso não foi o suficiente.
Respondi com tristeza. Ela se aproximou, sentou ao meu lado e segurou minhas mãos com as suas.
- Veja o Jake, por exemplo. Ele tem uma reputação ruim em termos de conquistas, mas mesmo assim eu resolvi dar uma chance.
Engoli em eco.
- Posso ser jovem e inexperiente, mas algo me diz que sua história com ele não acabou. Quando encontrá-lo, lembre-se desta nossa conversa e, por favor, Bella, dê uma chance ao destino e o escute. O que você tem a perder?!
Minha sanidade, o controle, sobre mim mesma e a minha alma, quase respondi, mas Jacob chegou com a mala e juntos, eles foram me levar até um carro escuro alugado e com motorista. As palavras dela ficaram martelando em minha mente ao mesmo tempo em que a imagem da calcinha de seda no cofre do carro, ia e voltava. Engoli em seco, agradeci aos dois por tudo, me despedi, entrei no carro e parti. Amanhã seria um outro dia.
Cheguei a fazenda muito tarde e Siobhan se preocupou, dizendo que Edward já havia ligado várias vezes. Tranquilizei-a dizendo que havia jantado com alguns conhecidos, mas que amanhã eu entraria em contato com ele. Ela olhou-me desconfiada, mas não falou nada. Perguntei por papai, que já estava recolhido ao seu quarto e fui me deitar. Assim que me vi sozinha, desabei na cama, dobrei os joelhos, abraçando meu corpo e chorei silenciosamente. Uma chuva fina caía lá fora. Soltei os braços que envolviam minhas pernas e cobri meu rosto com as mãos. Consegui me levantar e andar tropeçando até o banheiro, onde tomei uma ducha rápida antes de deitar e cair num sono leve e agitado.
Pela manhã...
O barulho das cortinas sendo afastadas e os raios de sol entrando trazendo a claridade para dentro do quarto, me fizeram abrir os olhos.
- Bom dia menina.
- Bom dia, — consegui responder numa voz abafada.
- Sei que chegou muito tarde ontem, mas você precisa se alimentar.
Retrucou colocando uma bandeja cheia de comida sobre a lateral da cama. Olhei para as fatias de bolo, os pães e queijo suíço, as torradas com mel, a salada de frutas, o copo de suco de laranja e a xícara de café. Meu estômago embrulhou. Respirei com calma. Eu teria de comer ou ela não me deixaria sossegada. Resolvi tomar um gole de suco e começar pela salada, que era mais leve. Comi tudo sob o olhar de águia da governanta e tomei o suco, deixando o resto para depois. Ela não ficou satisfeita, mas também não reclamou. Pegou a bandeja e dirigiu-se para a porta, mas quando estava quase saindo, virou-se para mim dizendo:
- Já telefonei para o Edward, avisando que você chegou. Ele disse que virá em breve.
As palavras me atingiram como um choque elétrico. A simples menção daquele nome desatrelou o que arranhava como garras afiadas dentro de mim. Uma dor profunda que quase me roubou o fôlego. Inspirei profundamente.
- Ele vem hoje?
Consegui balbuciar atordoada.
- Acho que sim, — respondeu contente com o meu interesse e saindo logo em seguida.
Desabei com força sobre os travesseiros. Esperei alguns segundos e levantei procurando meu celular e encontrando-o no mesmo, lugar onde o havia deixado: no bolso do casaco. Liguei o aparelho. Havia mais de cem mensagens dele, uma ligação de Jasper e quatro de Alice. Suspirei e liguei para minha prima.
- Oi, Bella!
Atendeu feliz.
- Rose, preciso da sua ajuda.
- O que aconteceu prima?!
Questionou preocupada.
- Edward me traiu com Tânia.
Falei sem rodeios.
- O QUÊ?!
Ela gritou do outro lado da linha, quase me deixando surda. Eu conhecia minha prima e achei melhor despejar tudo de uma só vez.
- Estou em New Moon. Fugi dele quando descobri. Papai e Siobhan ainda não sabem de nada. Ninguém sabe. Só você.
Falei num fôlego só.
- Cachorro! Sem vergonha! Aquele filho da mãe não perde por esperar! Vou fazer as malas e chegou aí ainda hoje.
Ela fez uma pausa para respirar eu acho.
- Bella, se acalme ok? Pense apenas na sua saúde e no bebê.
Respirei aliviada em saber que ela viria.
- Obrigada prima. Mas o Emm?
- Ele sabe se virar sozinho Bella. E não precisa agradecer. Você sempre foi à irmã que eu não tive. Beijo.
- Beijo.
Desliguei o aparelho e fui me trocar. Uma noite sem Edward parecia mais uma longa semana. Eu conseguiria viver sem a presença dele dali por diante?! Engoli em seco e me levantei da cama. Queria ver o meu pai e os meus cavalos, assim que pudesse.
- Bom dia pai, — falei me aproximando e dando um beijo em seu rosto.
- Bom dia Bells. Acho que estou ficando velho, — respondeu apontando para gesso em sua perna.
- Bobagem. Rose disse que vem hoje para ficar uns dias conosco.
- Que ótima notícia! E o meu neto como vai?
Acariciei meu ventre antes de responder.
- Ele está bem pai, não se preocupe.
- E o meu genro?
Questionou dando um sorriso aberto.
- Ele vem hoje mesmo senhor, — respondeu Siobhan, dando-me a deixa perfeita para sair dali. Peguei duas maçãs e saí correndo para fora sob os protestos dos dois. Mas eu realmente precisava respirar.
Caminhei até as antigas instalações dos estábulos e estaquei de vez, muda. Não restava mais nada da antiga construção. Novos alicerces de madeira estavam firmemente fincados no solo e o trabalho dos pedreiros avançava devagar. Senti uma mão forte em minhas costas.
- Bella Donna.
Ao ouvir aquela voz rouca e inconfundível, virei-me sorridente.
- Riley Berry!
Exclamei numa alusão ao velho apelido que eu havia lhe dado, pois ele era fã da atriz Halle Berry. Ele arregalou os olhos surpreso, entes de me abraçar eufórico.
- Uau! Da última vez que nos vimos você não estava assim tão... Redonda, falou fitando meu ventre crescido.
- Estou grávida.
Ele balançou a cabeça, feliz.
- Estou vendo. Ainda não acredito que casou com o Edward!
- Pois é, consegui realizar o meu antigo sonho, — respondi desanimada com um aperto em meu peito. Riley era um antigo amigo e o capataz da fazenda. Ele sabia da minha paixão por Edward desde a adolescência. Ele e Alice haviam ficado juntos uma vez, antes dela começar a namorar o Jasper. Eu o conhecia-o desde sempre.
- E você, a quantas anda o coração de um dos solteiros mais cobiçados da região?
Perguntei. Ele ficou vermelho. Arqueei minhas sobrancelhas e o encarei.
- Riley, você está apaixonado, — afirmei calmamente.
Ele suspirou e sorriu.
- Sim, o nome dela é Bree.
Notas finais
beijos ate mais.
kiki
Fale com o autor