Casamento Imperfeito

3 Chapter 03: Aceita que dói menos


Notas iniciais
yo! como vão? espero que bem. to aqui ouvindo karol conka e me perguntando o sentido da vida. espero que gostem do capítulo porque olha............ ele é um dos mais mehs dessa fic, senão o mais. infelizmente é a realidade, não tem como eu melhorá-lo ou refazer, é tipo aquele "mal necessário" pra pularmos logo essa parte da lua-de-mel shaushuahsua anyway, boa leitura ♥

Sarah

Sonhar que sua vida é uma grande merda, que desde sua infância você nunca teve amigos ou foi à escola. Aliás, porque você iria pra escola se tinha professores para dar aula em sua casa? Para quê teria amigos se você tinha o dinheiro? Para quê escolher alguém para ficar ao seu lado se você pode casar com uma pessoa aleatória que tenha mais influência que você? Um sonho ridículo, no mínimo, é esse.

Mas sabe o pior? É que, afinal de tudo, ele sempre foi real. Pelo menos na minha vida, claro.

Porém, acho que não vou ganhar nada se continuar aqui, deitada, pensando em como a vida pode ser uma filha da puta. O melhor é levantar e enfrentar os problemas que tenho com coragem.

Você sabe que esse tipo de frase motivadora não adianta com você, Sarah, então pare.

Abri os olhos, ficando sentada. Coloquei a mão sobre os lábios e bocejei. Espreguiçando-me, provando o gosto ruim na minha boca, fiquei olhando para o nada, repassando mentalmente o porquê de eu estar naquele lugar pouco familiar.

Casamento...

Inferno...

Klaus...

Inferno...

Festa...

Inferno...

Lua-de-mel...

Inferno perturbadoramente infernal...

Fiz uma careta de desgosto e levantei.

— Ai caralho, qual teu problema, Sarah? — lamentei enquanto abaixava e pegava meu celular que tinha caído ao me erguer. — Coitadinho de você, nem te vi... — apertei-o contra o peito. Lamentei um pouco mais e assim comecei deprimentemente o meu dia.

Depois de tomar banho e tudo mais, saí do quarto mexendo no celular. Fiz o login na conta do fanfiction.net e fui terminar de ler Bond, um dos meus amorzinhos.

— Caramba, por que diabos esse ser não se entrega de uma vez? Se fosse eu já estaria na etapa em que fazemos praticamente todas as posições do kama sutra — disse distraidamente, e iria continuar a falar e a andar pelo corredor, caso não fosse certa pessoa me olhando.

Olhei-o por cima do celular, mas meio segundo depois voltei minha atenção para o objeto em minhas mãos. Continuei a caminhar calmamente, apenas ouvindo a porta do quarto que ele dormira fechando-se com um click.

Guardei meu celular no bolso antes de descer as escadas; arriscá-lo seria burrice extrema. Atravessei a sala de visitas, logo vendo uma entrada para a cozinha, e por um mísero momento, me perguntei se tinha comida naquele lugar. Verifiquei os armários e tinha tudo e mais um pouco. Abri a geladeira, constatando que aquilo dava para um mês inteiro sem nem tocar em outros lugares.

— Bom dia — disse uma voz macia do outro lado da cozinha. Nem me ocupei em ver quem era – porque obviamente já sabia – e continuei pegando os ovos e o bacon.

— Só será um bom dia depois do café da manhã. — respondi enquanto colocava tudo no balcão, tomando cuidado para não deixar os ovos caírem e quebrarem.

— Se você quiser, eu posso chamar alguém para trazer a comid...

— Não precisa — dispensei com o olhar ocupado sobre um armário; precisava achar a panela. — Eu lembro onde estava, eu vi… achei! — tirei a frigideira que quase brilhava pelo fato de nunca ter sido usada.

Coloquei-a em cima do fogão, começando a trabalhar, ignorando a presença dele.

— Gosta de cozinhar? — perguntou depois de um tempo em silêncio, havia sentado numa cadeira perto do balcão e agora me observava colocando os ovos fritos no prato.

Voltei-me para o fogão.

— Já fiz aulas de gastronomia — remexi o bacon. — Não diria que é minha paixão, mas aprendi alguma coisa.

Quando terminei, coloquei a frigideira na pia e lavei as mãos. Peguei a jarra de suco de laranja já feito da geladeira e dois copos de vidros. Deu tempo de ver Klaus erguer as sobrancelhas quando eu coloquei tudo em cima do balcão de mármore.

— O quê? Isso dá pra duas pessoas — saí de perto e procurei nos armários até achar os pratos, pegando dois. Coloquei uma quantidade considerável no meu. — Vai ficar aí parado ou vai comer? — indaguei enquanto sentava em frente de onde ele estava, já que tinha duas cadeiras em cada lado oposto do balcão.

Ele agiu, colocando suco nos dois copos e se servindo. Enquanto comíamos, fiquei pensando em como era estranho tudo aquilo. Em como eu me sentia estranha em relação a tudo aquilo.

Geralmente, quando eu acordava (o que era de manhã muito cedo), as empregadas ainda estavam pondo o café na mesa, e eu “assaltava”, roubando um monte de comida e levando tudo para o meu quarto, passando assim o resto da manhã no notebook, lendo e escrevendo. Lembro que minha mãe ficou irritadíssima quando descobriu os meus “roubos” – o que não sei até hoje como; nenhuma empregada era ruim ou chata comigo, elas simplesmente estavam cagando e andando pra mim. Até cortar minha aula de piano minha mãe cortou – não por muito tempo, claro. Mas de qualquer modo, fiquei possessa e passei a furtar à geladeira nas madrugadas.

E era tão diferente imaginar que até três dias atrás eu fazia isso, porque era como se fosse há anos. Como se eu nunca mais fosse passar por aquilo novamente, como se... eu não fosse mais livre.

Não que eu fosse livre lá em casa, minha vida sempre foi bem controlada, mas é mais questão de conforto, de saber que se eu fizer algo errado vou no máximo receber um castigo. Talvez eu só seja criança demais para aguentar a vida como é, ou um casamento. Não sei.

— Estive pensando... — disse Klaus, de repente, tirando-me de meus devaneios. — Talvez devêssemos ir dar um passeio, não sei, nos conhecermos melhor — sugeriu, olhando-me com expectativa. Semicerrei os olhos.

— Não. — retruquei friamente, comendo meu penúltimo pedaço de bacon. Ele suspirou.

— Olha, não estou dizendo para você me amar, nem pra andarmos de mãos dadas na rua, ou muito menos te chamando para um encontro. Estou apenas sugerindo para sairmos e conhecermos um ao outro de forma amigável para que possamos ter uma boa convivência — e quando eu abri a boca pra falar, ele continuou. — Quanto mais rápido você aceitar isso, melhor será, eu garanto. — levantou-se da cadeira com o prato vazio e o copo em mãos.

Ainda sentindo suas palavras formigarem na minha cabeça, observei-o se afastar até chegar na pia.

Peguei o restante dos utensílios de comida sujos, decidida.

Joguei o que restava de alimento do meu prato na lixeira e me aproximei da pia a qual Klaus estava enxaguando algo, colocando o restante da louça sobre ela.

Aquilo não era algo fácil de fazer, pensei seriamente. Escorei-me na pia, cruzei os braços frente ao peito e limpei a garganta.

— Você tem razão — admiti e ele deu um sorriso, empurrando a minha louça para a pia, começando a lavá-la. Decidi não fazer nenhuma reclamação sobre isso. —, mas — continuei, e desta vez eu sorri quando seu sorriso ameaçou desaparecer ao mesmo tempo em que parou de lavar meu copo. — eu escolho o lugar — conclui e ele assentiu positivamente, voltando a fazer o que estava fazendo.

Fui conhecer o restante da cobertura com os pensamentos de onde eu iria com Niklaus Mikaelson.

SK

Acabei por escolher fazer uma reserva num restaurante francês. Ele não fez nenhuma objeção quando o avisei para onde iríamos, o que já era um ponto a mais para mim.

Não que isso necessariamente importasse, enfim.

Agora cá estou eu, esperando a banheira terminar de encher e tentando escolher algo decente. Olhei para os três tipos de roupas diferentes em cima da cama, e fechei os olhos. O jeito seria recorrer àquilo.

— Mamãe mandou-me escolher essa daqui — eu apontava com o dedo para cada vestimenta com os olhos fechados. —, mas como eu sou teimosa eu escolhi aquela ali — abri os olhos e meu dedo indicador apontava para a roupa do lado esquerdo. Dei de ombros e guardei as outras duas.

Apenas de roupão e chinelos, atravessei o quarto espaçoso; havia trocado, o que eu estava anteriormente era muito simples e pequeno. Fechei a torneira da banheira e ativei a hidromassagem. Não perdi tempo e me despi, entrando na água que estava ficando bem aquecida.

Suspirei quando senti meu corpo inteiro relaxar. Deus, aquilo era tão bom. Encostei-me na beira da banheira e estiquei minha mão para pegar meu smartphone que estava dentro do bolso do roupão. Coloquei uma música da Zella Day e pousei meu celular num lugar perto suficiente para eu alcançar.

Comecei a cantarolar no ritmo da música, fechando os olhos de prazer pela massagem que a água me fazia. Encostei minha cabeça na banheira e por um momento eu estava quase inconsciente, se não fosse a mudança repentina de som vindo do meu aparelho. Agora tocava uma da Sia.

Depois do banho digno, enxuguei meu corpo, aproveitando a deixa para secar meus cabelos com o secador. Passei um creme na pele e vesti minha roupa calmamente, sendo ela um vestido verde-água liso que terminava na metade de minhas coxas. Pus um salto alto preto e na maquiagem o que mais destaquei foi o delineado com o delineador e um batom rosa escuro ultramatte em meus lábios, além do blush cor pêssego em minhas bochechas para dar uma cor nessa cara branca. Coloquei um par de brincos verde esmeralda, minha aliança e para finalizar, um perfume.

Peguei a bolsa, colocando minha carteira com dinheiro e cinco cartões de créditos – ah sim, meu pai fez questão de me dar tudo isso. O batom também. Pousei-a no ombro direito, olhando as horas no celular.

7:59PM.

Assobiei alto por causa do horário, havia combinado com Klaus às dezenove e meia. Saí do quarto quase correndo, mas meus saltos realmente não ajudavam, então passei a andar mais devagar, porém ainda assim apressado. Passei do corredor para as escadas, descendo-as o mais rápido que consegui. Quando cheguei na sala, o encontrei sentado no sofá. Parecia tão imerso que quando percebeu minha presença levantou num pulo.

— Ei! — sorriu. — Vamos?

— Vamos — ergui a sobrancelha, mas decidi não falar nada. Quando saímos do prédio, uma Mercedes preta estava à minha frente; deve ter sido alugada.

— Por favor — Klaus destravou o carro e foi para o lado oposto, abrindo a porta do carona. Compreendi que era para eu entrar, então atravessei para o outro lado.

— Obrigada — agradeci, entrando na Mercedes.

Atravessou, até abrir a porta do motorista e sentar no banco, fechando-a.

A chave que tinha em suas mãos – coisa que eu só tinha reparado agora – colocou na ignição e deu a ré, começando o percurso até o restaurante.

— Espera... — eu disse de repente, franzindo o cenho. — você sabe onde fica? — o encarei.

Ele sorriu de lado, e respondeu sem parar de olhar para frente.

— GPS — indicou com o dedo o meio do carro, onde mostrava numa tela as rotas, e a voz robótica e lenta da mulher soava.

— Ah, é — murmurei, sentindo-me burra por um momento.

— A propósito — não parecia querer deixar o assunto morrer. —, está muito bonita esta noite — elogiou. Fiquei sem ação por um momento, meio surpresa.

Franzi o cenho quando senti algo queimar nas minhas bochechas. Não, pera, eu não estou corando, certo?

— Obrigada — mordi os lábios para reprimir um palavrão. — Hm, você também não está... de todo o mal. — tentei agradar. Ele estava bonito mesmo.

Usava uma calça jeans preta e uma blusa gola canoa cinza, com uma jaqueta jeans por cima. Nos pés botas marrons escuras, pelo que eu me lembrava quando estávamos fora do carro. Seus lábios também estavam muito bonitos e destacados naquele tom natural de verm…

O que estou pensando?

— Obrigado — disse, um tom de diversão na voz.

Klaus ficou tão silencioso quanto um livro pelo restante do caminho, fazendo-me ficar um pouco estressada por ter que ficar ouvindo a voz de lesma da mulher do GPS.

Quando chegamos ao local, uma mulher com roupas formais nos atendeu.

— Olá, bonne nuit — cumprimentou educadamente. —, vocês fizeram reserva ou...

— Fizemos reserva, no nome de Sarah Whi... — além da fala da mulher, interrompi a minha. — Mikaelson, Sarah Mikaelson — continuei um tanto desconcertada. Klaus sorriu.

Ela pareceu compreender imediatamente pela menção de meu nome, pois nem olhou no tablet em suas mãos. Sou famosíssima como a noite de Paris.

— Oh, sim, por favor, queiram me acompanhar — virou de costas e começou a caminhar pelo refinado e confortável restaurante. Subimos a escada que dava para o primeiro andar e ela nos levou até a mesa perto de umas das janelas de vidro, onde tinha uma bela paisagem da cidade. Sorri internamente, não foi muito fácil conseguir aquela mesa num lugar daqueles em cima da hora, mas até que valeu a pena.

— Vocês serão atendidos pelo Sr. Lima — apontou para um homem, há pouca distância de nós, vestindo o uniforme do local com a postura perfeita e olhar sério. —, espero que se sintam confortáveis e tenham um bom jantar — e assim ela foi embora.

Klaus se adiantou, afastando a cadeira para eu sentar antes de ir para o outro e fazer o mesmo.

— Olá — disse o rapaz com um forte sotaque, fazendo eu e Klaus olhá-lo. Ele estava no meio da mesa, em sua mão direita continha dois cardápios. —, aqui está o menu para decidirem o que desejam — entregou um para mim e o outro para ele.

Klaus me deixou escolher a entrada. Enquanto degustávamos, ele decidiu puxar assunto, pigarreando.

— Então, o que gosta de fazer quando não está preparando cafés americanos ou jantando em restaurantes franceses? — indagou.

Franzi um pouco o cenho, pensando no que responder.

— Ler, escrever, ouvir música — resumi.

— Você escreve? — pareceu surpreso.

— Sim, ou melhor, quando a criatividade vem, né. Mas é só algumas histórias, sabe, nada de mais — bebi um pouco de água.

— Eu poderia ler uma delas? — quase engasguei, alguns pingos de água saíram de minha boca enquanto eu tossia fortemente.

— Está tudo bem? — disse preocupado, mas antes que ele ousasse se levantar; inspirei o ar profundamente e pus-me a falar.

— Sim — tomei mais um pouco de água. —, estou bem.

— Então?...

— O quê? — que ele tenha se esquecido, que ele tenha se esquecido.

Klaus rolou os olhos.

— Eu posso ler alguma história sua?

Merda.

— Eu não gosto que pessoas que eu conheço fisicamente leiam minhas coisas — fui sincera.

— Por que não? — ergueu a sobrancelha esquerda.

— Porque não, oras! — repliquei impaciente.

— Okay.

— Okay.

Espera, oi? Como assim ele disse ‘okay’?

É sério? Sem insistência? Que bosta de marido é esse?

Deus que me livre.

Acenei para o garçom vir até mim.

— O que deseja? — perguntou quando chegou perto de nossa mesa, um tablet na mão esquerda e a direita pronta para digitar.

— Quero fazer meu pedido — falei simples. Já tinha em mente o que eu queria antes mesmo de entrar no restaurante. — Um blanquette de veau para mim — ele digitou rapidamente.

— Algo para beber?

Encarei meu marido; este pareceu entender.

— Um ratatouille e o melhor vinho que tiver para nós dois, por favor — tomou um pouco d’água enquanto o senhor Lima digitava.

— Ótimas escolhas, messieurs, logo trarei o que pediram, com sua licença — respondeu, logo se distanciando de nós.

Não queria falar mais nada, e nem pretendia – na verdade, estou me segurando para não ser mal-educada e pegar meu celular. Klaus ficou quietinho, podia perceber o olhar de expectativa dele sobre mim, mas eu realmente não queria saber nada sobre ele, por isso mantive o silêncio. Quando os pedidos chegaram, comi meu prato com tranquilidade e tomei um pouco do vinho. Era realmente bom, mas não bebi muito; ficar bêbada não era uma opção e vai saber o que aconteceria se eu exagerasse no álcool. Na hora da sobremesa optei por saborear mille feuille, um doce francês. Ele pediu um pedaço de torta de morango.

Pagamos a conta. Sim, fiz questão de pagar a metade, porque já que fora eu quem decidira para onde íamos, nada mais justo. Saímos do restaurante.

Bonne nuit, espero que tenham apreciado o jantar e voltem sempre que desejarem. — desejou a mulher de roupas formais quando passamos por ela, e eu suspeitei que ela só soubesse falar em francês a palavra ‘boa noite’, não muito mais do que eu a mulher sabia, pelo menos.

Com a estranha sensação de estar longe de casa – e casada, ainda por cima – me assombrando como hoje mais cedo, entrei no carro, e enquanto Klaus dirigia, tentava ignorar que teria que me acostumar com aquilo, querendo ou não.

Aceita que dói menos — aquele foi um dos pensamentos mais úteis que já tive, sentindo o vento vindo da janela aberta do carro batendo no meu rosto, bagunçando meus cabelos ao mesmo tempo que encarava aquelas ruas sempre iluminadas e brilhantes da cidade que nunca dorme.

Notas finais
a fanfic q a sarah tava falando (bond) é essa aqui: https://www.fanfiction.net/s/2773972/1/Bond (pra quem gosta de HP, drarry e yaoi, vão ler que é um hino. pra quem não gosta é pra ler tbm pq é muita boa e vc n sabe o que ta perdendo) e ah, boatos de que quem comentar vai ganhar um prato de arroz com strogonoff e batata palha por cima imaginário.....................