“Você pegou a dor que eu sinto
Levantando para Você, nunca senti tão real
Eu não quero dormir
Eu não quero sonhar
Porque meus sonhos não me confortam
O caminho, Você me faz sentir
Levantando para Você, nunca senti tão real”

- Enquanto eu estava com a arma apontada, Guitano continuou: “Sim eu gosto de cadáveres. O Morto é melhor, eles não lutam tanto”.

- “Olívia, o que você acha, Rebeca está morta. Puxe o gatilho. Atire. Atire!” eu dizia, olhando profundamente em seus olhos.

- Eu o olhava sem conseguir raciocinar direito. E ele continuava repetindo.

- “Olívia, atire nele!” não podia deixá-la fraquejar.

- “Sim, faça isso.” Guitano falava com um sorriso nos lábios fitando-me. “Mas é melhor garantir que você me mate com um tiro, um tiro perfeito.” Ele dizia enquanto eu mirava, com lágrimas nos olhos.

- Ele continuava falando: “Lógicamente meus reflexos são muito apurados. Eu poderia puxar o gatillho mesmo antes da bala me atingir. Ou talvez me mate, ou todos juntos.”

- Eu estava confusa, com meu coração a mil. Eu tinha que tomar uma atitude. Mirava, mas sem atirar. Pensava muito rápido. Nossas vidas dependiam daquilo.

- Ele continuou: “De qualquer forma, há uma chance de 80%. Ele será meu escudo. Mas você pode experimentar, desde que seja corajosa o suficiente.

- “Você pode matar nós dois Victor.” Eu estava começando a perder as forças, as esperanças. “Você ainda não saiu daqui.”

- “Certo.” Ele começou a preocupar-se de verdade. Foi andando para trás ainda com a arma na minha cabeça, dizendo: “Justo, porque... Uhm... Porque você tem alguns camaradas vindo para cá, não? Quando é que eles vão chegar?”.

- “A qualquer momento” Eu dizia tentando ganhar tempo, mas sem desviar minha atenção.

- “Bom. Bom.” Ele disse novamente.

- “Basta nos dizer aonde escondeu ela.” Eu dizia, com a arma apontada.

- “Você sabe, você pode abaixar a arma. Pelo menos você pode tentar encontrá-la, caso contrário ela pode morrer.” Ele encostou a arma no meu rosto. “Ela vai morrer. Ele vai morrer. E a culpa vai ser toda sua. Assim como o rapaz. Como está seu pescoço?”

- Aquelas palavras atingiram fundo. Eu lacrimejava. A culpa era minha.

- Eu sabia que não era dela a culpa. Tentava fazê-la enchergar isso. “Não é a mesma coisa Olívia, você sabe disso.”

“Eu odeio viver sem Você
Morto erroneamente, sempre dúvidaram de Você
Mas meus demônios posisiona-se em espera
Sedunzindo-me a afastar
Oh como eu adoro Você
Oh como eu tenho sede por Você
Oh como eu preciso de Você”

- Guitano continuava falando para mim, ele sabia me atingir. “É sim, Olívia. Deus, vocês são um casal sobre pressão. Como você pode deixar que o rapazinho se fosse?” Ele sabia ser cruel. Aquilo remoendo minha cabeça, revirando meu estomago. Se não fosse por mim...

- Ela estava a ponto de explodir, eu via isso em seus olhos. A situação estava extremamente tensa. Eu precisava virar o jogo. “Olívia, olhe para mim!”

- Ele voltava a dizer coisas para me machucar. E estava conseguindo. “Talvez vocês sejam incopetentes!”

- Eu tinha que ajudá-la, não podia deixá-la se abalar. “Você pode fazer a coisa certa, eu não. Eu fiz uma escolha com o menino. E ele está errado.” Eu a olhava nos olhos.

- “Elliot” eu dizia. Minha voz tornara-se nada mais que um sussurro.

- “Foi minha culpa.” Eu dizia nada mais que a verdade. “Não faça isso”.

- “Calados!” Guitano disse, mas isso não impediu Elliot de continuar a falar.

- “Não cometa esse erro.”

- “Pare de falar!” Ele gritou novamente.

- Nós não paramos o contato visual. Era como se nos entendessemos entre as linhas.

- “Gostaria de ter feito a mesma coisa.” Eu disse. Os sentimentos e as emoções á flor da pele.

“Respirando vida
Levantado
Meus olhos
Abrem

Oh como eu adoro Você
Levantado para você, nunca senti tão real”

- “Eu disse para parar!” Guitano começava a perder o controle.

- Eu os olhava temendo fazer algo, ou não fazer.

- “Não cometa o meu erro.” Por um momento nós nos fitamos. Os nossos olhares diziam mais que mil palavras.

- Então começamos a ouvir barulhos e Guitano desesperou-se, andando rápido. “Abaixe! Solte a arma agora! Solte!” Eu arrumei a arma apontando com uma mão só. “Abaixe a arma agora!! Vocês policiais não veem nada, nem todo mundo morre.”

- Eu olhava nos profundos olhos azuis dele.

- E eu olhava dentro dos olhos cor de chocolate dela.

- Como se nos entendessemos só com aquele simples gesto.

- Como se nos comunicássemos através dele.

- Parecia algo magnético.

- Guitano percebeu e assustou-se: “Hey! Hey! Eu aqui!”

- Ele podia continuar gritando, mas nós continuávamos ligados por algo mais. “Hey!HEYY! Eu vou lhe dizer onde ela está.”

- Nós ainda nos olhamos. Agora a voz de Liv estava embargada.

- “Onde?”

- “Ela está numa van estacionada em uma garagem, em Newark. Ela ainda pode estar viva!”

- “Ele está mentindo.” Eu disse olhando para Ell, como se fosse o fim do mundo. Não havia mais saída. Estava acabado. Nós sabíamos disso.

- “Eu sei.” Eu também estava com os olhos cheios de água. Sabia que era o fim. Meu fim. O fim dela. O nosso fim.

- “Ele nunca vai nos dizer”. Eu dizia confirmando o que já sabíamos.

- “Tem razão.” Era como se confirmássemos o fim. Eu dei um meio sorriso triste.

- “Todos podemos sair daqui vivos, se você abaixar essa arma.” Ele estava se desesperando ao ver nossas reações.