Casa dos Betas
1 Até de madrugada
Notas iniciais
Eu encarava naquele momento o que poderia ser uma das decisões mais difíceis da minha vida. Mais difícil que escolher qual tênis usar, qual meia usar, o que comer. Um pingo de suor escorreu pelo meu pescoço, mantive meu olhar fixo na decisão, forçando meus olhos á ficarem abertos o maior tempo possível, sem permitir que as pálpebras se tocassem.
—Pelo amor de Deus! — Reclamou a atendente, batendo com a mão na pedra de granito que suportava o caixa eletrônico — São apenas duas balas, escolha entre a de morango ou a de uva!
—Olhe, é uma decisão de vida ou morte isso, pode iniciar até a Terceira Guerra Mundial. — Respondi, voltando meu olhar para ela, abrindo um sorriso gentil para ela, só que ela apenas bufou e se virou, indo em direção da porta que ficava atrás dela.
Dei de ombros com a ação da mulher e peguei as duas balas, guardando elas no bolso do meu casaco de couro. Me dirigi para a saída da pequena loja, onde dava em um estacionamento com doze vagas para carros, tendo apenas o meu carro estacionado ali.
A escuridão da noite dominava o céu, junto com diversos flocos de neve caindo dele, tendo apenas algumas estrelas espalhadas por ali, sendo elas bem distantes umas das outras. A lua cheia já deixava aquele céu lindo, com sua grandeza e clareza. A rua estava vazia, e as únicas vidas que haviam ali eram de cachorros abandonados e insetos voadores que voavam direto para os postes que iluminavam a rua. Os únicos sons de carros que davam para ouvir estavam quatro quarteirões de distância, dando entrada para a avenida.
Fui em direção do meu carro, um carro azul-bebê velho com vários arranhões e o teto branco, para diferenciar da cor do carro. Ao tentar abrir a porta, tive uma pequena dificuldade pois a porta também estava com problema, mas consegui abrir e sentei no banco do motorista. Me olhei no retrovisor do carro, ajeitando o cabelo em um topete, e quando vi que estava satisfeito com o resultado, mudei a cor dos meus olhos de verde para um amarelo-vivo, como os de um lobo, um dom por eu ser lobisomem.
Após um tempo enrolando dentro do carro, finalmente dei a partida no carro e segui para a rua deserta, indo ao lado oposto da avenida. Ali estava Fergus Finnigan, passando o Natal em uma cidade no interior da Inglaterra, por estar fugindo para salvar sua vida, mas logo eu teria que voltar para Hogwarts.
Enquanto dirigia, perdi em meus pensamentos, nas várias coisas que aconteceram nesse ano, e nas perdas que tive. As perdas, foram culpa minha. Apesar de eu ser médium, eu poderia falar com ela quando eu quisesse, com o espírito dela, mas não podia, só iria me sentir ainda pior.
Quando eu virei em uma esquina, vi pela primeira vez naquela rua uma pessoa, só que ela estava deitada no chão, e podia ver ela movendo a sua barriga para cima e para baixo repetidas vezes. Estacionei o carro ali na esquina, e sai correndo para ver o que tinha acontecido com a pessoa, conforme me aproximava pude ter mais clareza da silhueta da pessoa, era uma garota enfiada em diversas camadas de casacos grossos. Ao me aproximar dela, alguma coisa me impactou, pelo lado esquerdo, contra o vidro de uma loja, quebrando-o e me jogando para dentro da loja.
—Achou que podia fugir, vidente-médium? — Perguntou a pessoa que me jogou dentro da loja, sua voz era grossa como a de um homem, e conforme ele se aproximava do vidro quebrado, tive uma visão clara dele, ele era loiro e tinha o cabelo levantado em um topete, com um queixo quadrado, e um sorriso que para as mulheres é encantador, mas para mim é ameaçador. Era Phill, o líder da Casa dos Betas. E ao seu lado, a mulher caída, Courtney, com seus longos cabelos castanhos caindo sobre o ombro, enquanto o topo da cabeça era coberto por um toca azul-bebê, e seu rosto fino que tinha a aparência delicado, e com esse rosto, ela era capaz de seduzir qualquer um , até ela me seduziu uma vez.
—Acho que vou mudar meu nome para vidente-médium no cartório, vocês me chamam tanto assim. — Brinquei com eles, abrindo um sorriso ameaçador, enquanto me levantava do chão, me preparando para a briga que viria. Eles olharam sério para mim e vi seus olhos ficarem vermelhos, seus dentes virarem presas e suas unhas virarem garras.
Sorri para eles, era hora da briga.
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6 messes antes
Casa dos Weasley's
—EU SOU DEMAIS! — Gritei de cima do palco, ao lado do DJ, enquanto o som inundava todo a festa, junto com luzes de diferentes cores e várias pessoas pulando conforme a música que o DJ tocava. E para completar minha apresentação, pulei na multidão de pessoas, esperando que ela me segurassem como nos shows de rock, mas eles abriram um espaço para eu dar de cara no chão, mas nem por isso eu parei de gritar e festejar.
—FERGUS! — Ouvi alguém gritar o meu nome, mas não soube quem pelo tanto de pessoas ali, mas senti meu braço ser puxado, apenas segui a pessoa que me puxava, sem olhar para ela, apenas gritando com a animação da festa.
Paramos no meio do Jardim da casa, onde ainda dava para escutar a música, e quando olhei para a pessoa era Dave, que vestia um casaco de couro com uma blusa preta, com um desenho de caveira(que com certeza minha vó falaria que o Dave é satânico), e uma calça jeans preta. Ao seu lado estava Britt, que vestia uma blusa rosa, com decoração de bolas douradas pela gola da camisa e no final da manga, e um desenho de um losango com rosa mais claro, no meio, e vestia uma calça jeans clara.
—Os adultos estão voltando. — Avisou Dave, com tom de preocupado, olhei assustado para ele e Britt olhou do mesmo jeito.
—O que faremos?! Essa festa não pode acabar! — Exclamei com medo de que aquela festa épica acabasse, e nesse momento o DJ começou a batida e acompanhei ela, mesmo estando do lado de fora da casa, mas a Britt me fez parar quando desferiu um tapa na minha cara.
—Você tem duas opções: a primeira é acabar com a festa do jeito Fergus Finnigan, e a segunda é atrasar os adultos do jeito Fergus Finnigan. — Explicou ela, esperando pela minha resposta. Alternei minha visão entre a casa, onde dava para ver as luzes coloridas pela janela, e Dave e Britt na minha frente. Respirei fundo, para tomar a decisão.
—ESSA FESTA IRÁ ATÉ DE MADRUGADA! — Gritei totalmente animado, erguendo os braços, e Britt e Dave, contagiados pela minha emoção, repetiram o gesto e correram para dentro da casa.
Era hora de ser Fergus Finnigan.
Corri para o meu carro que estava estacionado na frente da casa, junto com diversos outros carros de diferentes tipos. Na hora de manobrar, sem querer bati no carro de trás e no da frente, não liguei para aquilo e fui em direção da estrada, impedir que estragassem a festa.
Eu fui até uma distância boa da casa, uma distância que levaria pelo menos uma hora para eles chegarem sem carro, e parei o carro no meio da estrada, que ficava rodeado pela floresta. Desci do carro e deitei no asfalto, esperando os adultos virem.
Por um tempo não aconteceu nada, mas então veio um forte clarão de luz no meu olho, eram eles. Continuei deitado, enquanto eles se aproximavam, aumentando a luminosidade do farol do carro. Quando a luz ficou bem forte, eles pararam do carro, ouvi o barulho de todas as portas abrindo e os passos deles vindo até mim.
—Pelas barbas de Merlin, Fergus é você? — Perguntou Percy Weasley, olhei para ele e sorri gentilmente.
Me levantei normalmente, batendo as mãos nas minhas roupas para tirar a sujeira do asfalto dela. Todos olharam confusos para mim, em volta de mim estavam Molly Weasley, Percy Weasley, Gina Weasley, Harry Potter e Rony Weasley.
—Por que você estava deitado na estrada? — Perguntou Molly, conferindo para ver se estava tudo bem comigo. Não respondi, continuei sorrindo e fui na direção do carro deles, enquanto eles me olhavam confusos.
Peguei um pedaço de galho que estava no acostamento da estrada e quebrei ele, deixando ele afiada. Me aproximei do pneu do carro deles e furei o pneu dianteiro e o pneu traseiro com aquele graveto. Larguei o graveto no chão e fui em direção do meu carro, calmamente, enquanto eles me observavam confusos e, desta vez, raivosos. Entrei no carro e dei partida nele, indo em direção da casa.
—ATÉ DE MADRUGADA! — Gritei para eles, enquanto dirigia em alta velocidade indo de volta para a festa.
O resto do caminho foi tranquilo, até um animal grande surgir da floresta e ir direto para a estrada. Por impulso, empurrei o pedal do freio e girei o volante para tentar desviar do animal, mas o carro acabou rodando mais que Beyblade e bati ele de lado em uma árvore, por sorte o lado que bateu era o banco passageiro. Todos os vidros do carro quebraram, e pedaços pequenos se espalharam por mim, e um pedaço grande foi bem na minha perna. Eu tinha que tirar aquele pedaço dali, respirei fundo, agarrando o pedaço de vidro pelos lados, e contei até três, e no três arranquei o pedaço bem rápido, sentindo aquele ferimento arder muito, e gritei bastante. Respirei várias vezes, até controlar minha respiração, e olhei ao redor e vi o carro destroçado, meu pai iria me matar.
Abri a porta do carro e coloquei as duas pernas para fora e na hora de sair do carro, por conta do ferimento em uma delas, não consegui me sustentar e cai no chão. Minha perna era inútil com aquela ferida, não poderia andar com ela e eu precisava das duas funcionando. Então, ouvi um rosnado do meu lado, olhei para a origem do som e vi o animal que saiu da floresta do meu lado, ele tinha um pelo totalmente negro e... olhos vermelhos? Ele parecia ser do tamanho de um urso. Ele parecia prestes a atacar, mas não fiz nenhum movimento brusco se não ele realmente poderia me atacar.
Quando tentei rastejar lentamente para longe dele, ele partiu tão rápido para morder o lado da minha barriga que eu só tive tempo de gritar e então desmaiar, mergulhando nos sonhos.
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