Não abri os olhos, mantive eles fechados enquanto encarava a escuridão, com a respiração lenta. A área da ferida ainda doía e conforme o tempo passava a dor ficava pior e mais angustiante. Quando a dor ficou insuportável, os meus berros começaram e só ficavam mais altos conforme a dor piorava, até um ponto que desmaiei de novo.

—------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

—Fergus? — Ouvi uma voz me chamar, uma voz calma e doce mas parecia ter um pouco de preocupação misturado nessa fala.

Aos poucos fui abrindo os olhos, e me acostumando com a luz do ambiente até uma visão clara de onde estava, era a sala de estar da casa dos Weasley's. Olhei para o lado e vi Nina do meu lado, soltando um suspiro de alívio e sorrindo para mim, o sorriso doce e brilhante dela sempre me fazia sentir melhor.

—O que aconteceu? — Perguntei, tentando desvendar memórias confusas que passavam pela minha mente mas logo sumiam de novo.

—Eu que pergunto, tio Harry e os outros estavam voltando a pé para casa e encontraram você no chão com o carro quase dentro de uma árvore.

—Nossa, que dor de cabeça. — Menti ao lembrar o que aconteceu, então me levantei e fui direto para a cozinha, trancando a porta.

O acidente. A ferida. Olhei para o meu corpo e vi que estava usando uma camisa preta nova, que não tinha nenhum buraco ou rasgo. Levantei a camisa e vi que meu corpo estava intacto, não havia nenhuma ferida.

—Fergus! Abre a porta! — Nina gritava e batia na porta desesperadamente, o nível de preocupação dela era bem grande.

Aquele animal e a ferida podem ter sido uma alucinação, devo ter tomado algo na festa que me fez ver aquilo. Suspirei aliviado e resolvi abrir a porta para Nina, mas quando segurei na maçaneta eu vi minha mão, na verdade minhas unhas...

Eram garras.

O desespero tomou conta de mim e logo soltei a maçaneta, olhando para as garras. O que estava acontecendo comigo? Nina continuava me chamando na porta, mas ignorei ela e fiquei parado ali, sem reação.

Um rosnado me fez voltar para a realidade, ele parecia ter vindo do lado de fora da casa. Não sei porque, mas o rosnado parecia ser um chamado para mim. Não tive tempo para pensar, corri para a janela da cozinha e pulei pela janela, sendo atraído pelo rosnado desconhecido. Ouvi o rosnado novamente, só que agora ele parecia estar mais distante mas continuei seguindo o seu som, não fazia ideia porque estava fazendo isso, era como se fosse por instinto.

Nada passava pela minha mente, apenas o rosnado ecoava por ela e me fazia segui-lo por um longo trajeto. Não sei por quanto tempo andei, mas foi o bastante para voltar ao local do acidente.

—Ah não, eu já assisti muito filme de terror e sei como isso acaba! — Falei para mim mesmo, tentando conter o desespero que tentava tomar conta. — Se aparecer um boneco assassino ou eu ouvir um barulho de motosserra é só sair cor...

O rosnado me chamou de novo, só que desta vez ele veio de dentro da floresta. Apesar de minha mente dizer não, as minhas pernas diziam sim e foram.

Enquanto andava pela floresta só ouvia o rosnado e sentia minha calça um pouco... molhada.

—----------------------------------------------------------------------------------------------------------

Nina

—Para onde será que ele foi? — Perguntei para Dave, tentando conter meu desespero. Conseguimos abrir a porta da cozinha com bastante esforço. Um esforço chamado Summer Weasley.

—Não sei, só quero meu pagamento. — Disse Summer, estendendo a mão para Dave para mostrar que queria logo o dinheiro.

—Só depois que acharmos o Fergus. — Respondeu Dave, com um sorriso satisfatório para Summer.

—Esfregão filho da... — Começou Summer mas foi interrompida por Brittany entrando no cômodo.

—Ele foi para a estrada! — Todos olhamos para Brittany, confusos por como ela saber isso e ela entendeu que queríamos saber como ela descobriu aquilo. — É o Fergus, sempre dá para achar ele, dessa vez ele deixou a trilha de pão de João e Maria, só que ao invés de pão é urina.

—É o Fergus, tinha que ser do jeito dele. — Comentei, lembrando o do jeito idiota dele e soltando uma leve risada.

—Vamos logo, só quero meu dinheiro. — Summer sempre apressada, saiu da cozinha e seguimos ela até o lado de fora da casa. De lá, vimos o rastro de Fergus e era um rastro bem fedido.

—--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

—É impossível ele ser menos nojento? — Comentou Summer, enquanto seguíamos o rastro de Fergus que chegava a dar ânsia de vômito, por que o dele era tão fedido?

—É. — Respondemos eu, Britt e Dave em coro.

—Quando eu achar ele eu vou... primeiro levar ele no médico para ver essa urina, porque não é comum essa urina, e segundo vou socar ele. — Ameaçou Dave, ameaçando vomitar inúmeras vezes.

—Entra na fila do soco. — Disse Summer, estralando os dedos. Devia estar se preparando quando fosse encontrar Fergus.

O rastro acabou quando achamos o carro do acidente de Fergus. Realmente, foi um acidente bem feip. Quando abri a boca para falar, fui interrompida por um grito da floresta, ninguém falou nada apenas corremos em direção do grito, que continuava a gritar sem parar.

Quando achamos a origem do grito, a visão foi horrorosa para todos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.