Casa dos Betas
2 Rosnado
Não abri os olhos, mantive eles fechados enquanto encarava a escuridão, com a respiração lenta. A área da ferida ainda doía e conforme o tempo passava a dor ficava pior e mais angustiante. Quando a dor ficou insuportável, os meus berros começaram e só ficavam mais altos conforme a dor piorava, até um ponto que desmaiei de novo.
—------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
—Fergus? — Ouvi uma voz me chamar, uma voz calma e doce mas parecia ter um pouco de preocupação misturado nessa fala.
Aos poucos fui abrindo os olhos, e me acostumando com a luz do ambiente até uma visão clara de onde estava, era a sala de estar da casa dos Weasley's. Olhei para o lado e vi Nina do meu lado, soltando um suspiro de alívio e sorrindo para mim, o sorriso doce e brilhante dela sempre me fazia sentir melhor.
—O que aconteceu? — Perguntei, tentando desvendar memórias confusas que passavam pela minha mente mas logo sumiam de novo.
—Eu que pergunto, tio Harry e os outros estavam voltando a pé para casa e encontraram você no chão com o carro quase dentro de uma árvore.
—Nossa, que dor de cabeça. — Menti ao lembrar o que aconteceu, então me levantei e fui direto para a cozinha, trancando a porta.
O acidente. A ferida. Olhei para o meu corpo e vi que estava usando uma camisa preta nova, que não tinha nenhum buraco ou rasgo. Levantei a camisa e vi que meu corpo estava intacto, não havia nenhuma ferida.
—Fergus! Abre a porta! — Nina gritava e batia na porta desesperadamente, o nível de preocupação dela era bem grande.
Aquele animal e a ferida podem ter sido uma alucinação, devo ter tomado algo na festa que me fez ver aquilo. Suspirei aliviado e resolvi abrir a porta para Nina, mas quando segurei na maçaneta eu vi minha mão, na verdade minhas unhas...
Eram garras.
O desespero tomou conta de mim e logo soltei a maçaneta, olhando para as garras. O que estava acontecendo comigo? Nina continuava me chamando na porta, mas ignorei ela e fiquei parado ali, sem reação.
Um rosnado me fez voltar para a realidade, ele parecia ter vindo do lado de fora da casa. Não sei porque, mas o rosnado parecia ser um chamado para mim. Não tive tempo para pensar, corri para a janela da cozinha e pulei pela janela, sendo atraído pelo rosnado desconhecido. Ouvi o rosnado novamente, só que agora ele parecia estar mais distante mas continuei seguindo o seu som, não fazia ideia porque estava fazendo isso, era como se fosse por instinto.
Nada passava pela minha mente, apenas o rosnado ecoava por ela e me fazia segui-lo por um longo trajeto. Não sei por quanto tempo andei, mas foi o bastante para voltar ao local do acidente.
—Ah não, eu já assisti muito filme de terror e sei como isso acaba! — Falei para mim mesmo, tentando conter o desespero que tentava tomar conta. — Se aparecer um boneco assassino ou eu ouvir um barulho de motosserra é só sair cor...
O rosnado me chamou de novo, só que desta vez ele veio de dentro da floresta. Apesar de minha mente dizer não, as minhas pernas diziam sim e foram.
Enquanto andava pela floresta só ouvia o rosnado e sentia minha calça um pouco... molhada.
—----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Nina
—Para onde será que ele foi? — Perguntei para Dave, tentando conter meu desespero. Conseguimos abrir a porta da cozinha com bastante esforço. Um esforço chamado Summer Weasley.
—Não sei, só quero meu pagamento. — Disse Summer, estendendo a mão para Dave para mostrar que queria logo o dinheiro.
—Só depois que acharmos o Fergus. — Respondeu Dave, com um sorriso satisfatório para Summer.
—Esfregão filho da... — Começou Summer mas foi interrompida por Brittany entrando no cômodo.
—Ele foi para a estrada! — Todos olhamos para Brittany, confusos por como ela saber isso e ela entendeu que queríamos saber como ela descobriu aquilo. — É o Fergus, sempre dá para achar ele, dessa vez ele deixou a trilha de pão de João e Maria, só que ao invés de pão é urina.
—É o Fergus, tinha que ser do jeito dele. — Comentei, lembrando o do jeito idiota dele e soltando uma leve risada.
—Vamos logo, só quero meu dinheiro. — Summer sempre apressada, saiu da cozinha e seguimos ela até o lado de fora da casa. De lá, vimos o rastro de Fergus e era um rastro bem fedido.
—--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
—É impossível ele ser menos nojento? — Comentou Summer, enquanto seguíamos o rastro de Fergus que chegava a dar ânsia de vômito, por que o dele era tão fedido?
—É. — Respondemos eu, Britt e Dave em coro.
—Quando eu achar ele eu vou... primeiro levar ele no médico para ver essa urina, porque não é comum essa urina, e segundo vou socar ele. — Ameaçou Dave, ameaçando vomitar inúmeras vezes.
—Entra na fila do soco. — Disse Summer, estralando os dedos. Devia estar se preparando quando fosse encontrar Fergus.
O rastro acabou quando achamos o carro do acidente de Fergus. Realmente, foi um acidente bem feip. Quando abri a boca para falar, fui interrompida por um grito da floresta, ninguém falou nada apenas corremos em direção do grito, que continuava a gritar sem parar.
Quando achamos a origem do grito, a visão foi horrorosa para todos.
Fale com o autor