Notas iniciais
Aproveitem.

Capítulo 1

Minha mente estava cem por cento desligada do corpo. Sabia vagamente que estava andando para casa. Meus pés pesavam e afundavam na neve de final de abril. Naquela noite eu já havia absorvido muitas informações.

Primeiro, meu namorado (ou melhor, ex namorado) era um tipo de demônio do mal e , cara, o desgraçado sabe lutar. Se não fosse por Kris , o vampiro, seria uma garota morta.

Kristian Caust, ou somente Kris , é um tesão de pessoa. Seus incríveis olhos azuis hipnotizavam-me , além de seu corpo maravilhoso feito sobre um metro e oitenta de altura. E não poderia esquecer dos cabelos castanhos escuros , quase pretos , e o péssimo senso de humor. Mas além de toda essa beleza, eu havia descoberto uma coisa muito importante sobre ele nas poucas vezes em que havíamos nos vistos: Ele era um pau-mandado.

Ele trabalhava para o meu pai ( que, por observação pessoal, eu nunca havia conhecido) Peter e para o pai da minha vizinha. Mas além de ser mandado pelo meu pai e o pai de Barbie, ou Katy Collen, Kris também era mandado pelos nossos guardiões.

E ali estava a questão de eu estar tão desligada do mundo. Nessa últimas duas semanas eu havia descoberto muitos segredos sobre minha vida. Desde de o fato da mina mãe, que morreu de um misterioso ataque cardíaco, ser uma caçadora de criatura sobrenaturais, até o fato de descobrir que meu guardião era o meu gato, Snickssah. Ou melhor, Lucio Del Fin Dênior.

Tive que quase tomar uma surra do meu...ex namorado, eu acho, Colin Tandy, para descobrir. Colin sempre havia sido um amor de pessoa comigo, mesmo eu nunca o amando. Mas não vamos entrar nas minhas relações pessoais agora. O fato era, eu estava beijando um demônio. Arg! Que nojo! Dado esse conhecimento, não me impressionava o fato de eu nunca o ter amado de verdade.

Mas, voltando a questão real, meu gato, o pequeno e doce Snickssah, que eu tinha desde sempre. Com seus olhos e seu pêlo negros, era o meu guardião.

A ficha simplesmente não caía. Era impossível. Mas nessas últimas duas semanas, eu descobri que o sentido da palavra “impossível” pode ser discutido.

Senti vagamente minha mãos abrindo a porta. Eu nem sabia que horas eram e pouco me importava. Me arrastei para a escada com a esperança de que minha avó não me visse.

Esperanças a toa.

“Emi, você está bem?”, ela perguntou saindo da cozinha, assim que eu havia colocado um pé na escada.

“Sim”, respondi mecanicamente. Não me vire para encará-la, mas sabia que ela estava preocupada, por isso emendei: “Vou tomar um banho porque estou congelando , ler um pouco enquanto o sono não vem e quando ele vier, dormi.”, esse era a parte em que eu mentia e mordia meu lábio inferior e comecei a subir a escada novamente.

Se ela havia dito algo ou não, eu não sabia. Estava no modo de espera. Nem precisei passar pelo espelho para saber que estava pálida. Ele só me deu a certeza de algo que eu já sabia.

Meus olhos, que tinham um estranho tom de verde – esmeralda, estavam em pouco nebulosos e perdidos. Meus lábios, que normalmente são rosados e finos , estavam azuis. Percebi que ainda estava mordendo o lábio inferior e me forcei a recobrar os movimentos e o soltei. Minha pele que estava com o maior estrago. Antes, eu tinha um lindo tom de bronzeado na pele , mas agora, estava pálida como um fantasma.

Assim que terminei de colocar a roupa de dormir, peguei o Mistério da avenida 16, e me deitei na cama. Notei a janela aberta , mas nem me dei o trabalho de fechá-la. Só a porta estava trancada, impossibilitando a fuga de qualquer um.

Depois de lê o mesmo parágrafo pela quarta vez, desisti e coloquei o livro em cima da minha barriga. Observei o livro subindo e descendo de acordo com a minha respiração, que , apesar de tudo estava normal.

Minhas mãos foram para minha boca enquanto eu fechava os olhos e lembrava do beijo de Kris. Foi rápido, devido as circunstâncias em que nos encontrávamos , mas foi o suficiente para fazer meu corpo tremer e um sorriso brincar em meus lábios.

O que Barbie diria se soubesse? Desde que estávamos viajando juntas para fazer a droga do teste para ver se podíamos ir atrás de nossos parentes que sumiram misteriosamente, havíamos nos conhecido melhor.

Antes, eu a achava uma vaca traiçoeira, mas agora via como ela era inteligente e hippie. Todas as roupas delas tinham flores ou cores alegres, ao contrário das minhas , que eram pretas. Ainda tinha o fato dela ter sensações estranhas com criaturas sobrenaturais.

Isso mesmo. Barbie tinha um sensor sobrenatural. Sentia quando uma coisa não- natural estava perto. É claro, que isso tirava todas as chances dela fazer uma amizade com Kris.

Todas vez que ele se encontravam, ela ficava tensa e colocava a mão em uma cruz de prata que ela tinha pendurada em seu pescoço, uma lembrança do pai desconhecido dela.

Eu também tenho uma lembrança do meu pai desconhecido, um anel de prata no anulador com uma pedra da mesma cor que meus olhos. Nós duas tínhamos muitas coisas em comum além dos presentes e o fato de nunca termos conhecidos nossos pais.

Nossas mães eram caçadoras e trabalhavam juntas e elas se apaixonaram pelos próprios guardiões , nos gerando. Tínhamos guardiões também, o que em deixava realmente frustada. Não pelo fato de ter medo de me apaixonar por ele, mas porque não gostava da ideia de ter um cara fungando em mim a cada passo que eu dava.

Mas voltando ao assunto dos meus pais e os de Barbie, minha avó deu um jeito de convencer meu pai e o pai de Katy que era melhor para o nosso futuro se eles fossem embora. Dito e feito. A única prova da existência deles eram os presentes misteriosos.

Ouvi um barulho na janela que me fez sair dos pensamentos, e, assim que olhei, o vi. Não exatamente o meu guardião, mas meu gato. Todos aqueles anos de mentiras. Todos sabiam da verdade. Tanto minha mãe quanto minha avó e ninguém teve o trabalho de me contar a verdade.

Snickssah, ou Lucio, nem sabia mais, pulou para o chão com elegância apenas com um baque surdo. Me levantei revirando os olhos quando ele miou para mim e fechei a janela. Era hora da verdade.

Voltei para o lado da minha cama e peguei o livro na mão, mexendo nele, desconfortável. Depois de respirar fundo algumas vezes, o encarei. Snickssah ainda estava parado no meio do quarto me encarando de volta.

“Eu sei quem você é , Lucio”, eu murmurei. Quando Snickssah me olhou docemente e miou, me deu mais forças para continuar. “Não se faça de desentendido, ou de gato. Eu sei que você é o meu guardião, droga! Se mostra para mim, se for homem. Não me queria de volta? Bem, estou aqui”, abri meus braços para enfatizar, depois os fechei e fiquei normal de novo. “Está na sua vez. Apareça e me impressione, porque, bem, depois de tudo o que eu vi nesses últimos dias, vai ser bem difícil me impressionar.”

Fiquei encarando Snickssah por alguns segundos, até que suspirei e lhe dei as costas para poder colocar o livro no criado mudo. Senti um tipo de vento atrás de mim e me virei rápido para ver se Snickssah havia aberto a janela e fugido.

Mas, assim que o encarei de novo, um xingamento saiu da minha boca antes que eu pudesse segurá-lo. Porque meu gato não estava mais ali no meu quarto.

Lucio, meu guardião, que estava.

Notas finais
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