Notas iniciais
Mais um Capítulo e um dos que eu mais gostei de escrever. Conheçam o novo Lucio e descubram o que ele é de verdade.

Capítulo 2

Fiquei um bom tempo o encarando. Era como se nossos olhares ficassem presos um no outro. Me forcei a piscar e desviar o olhar para o seu corpo, o estudando. Me arrependi.

Ele tinha uns 1,80 de altura, assim como Kris. Seu cabelo era tão preto quanto o meu e seus olhos eram tão escuros que quando os olhei, parecia que estava me afundado. Ele estava usando uma blusa de manga curta preta que ficava tão colada ao seu corpo que destacava cada músculo do seu braço e seu abdômen sarado. Desci meu olhar até a sua calça jeans escura e subi o olhar novamente para o seu rosto, corando. Lucio tinha a pele tão morena quanto a minha ( que no momento estava pálida).

Bem, esse era o meu guardião. E, cara, que guardião era aquele? Meu pai deve ter conspirado a me fazer conhecer apenas criaturas sobrenaturais gostosas. Porque, bem, meu guardião era gostoso. Ele aparentava ter apenas 19 anos, mesmo com o rosto sério, mas não seria possível que ele começasse a trabalhar com 2 anos. Bem, pelo menos eu achava que era impossível. Mas, como eu havia dito antes, o sentido da palavra impossível poderia ser discutido.

Eu estava em estado de choque, mas ainda conseguia abrir a boca para falar. Primeiro saiu tudo incoerente, depois respirei fundo e comecei de novo.

“Como – como você ..., num momento era o meu gato e agora...”, gesticulei para o seu corpo. Se eu achava que Kris era lindo antes, era porque nunca havia visto Lucio. Ele era a razão pela qual a palavra gostoso existia.

Lucio sorriu, relaxando e eu vi seus olhos brilhando de divertimento. Fiquei ultrajada. Ele estava se divertindo com a minha confusão.

“Eu pensei que você não se impressionava com mais nada”, ele disse, seguido por um riso. Sua voz era tão profunda e rouca que só de ouví-lo, meu corpo tremeu.

Mas Emily Twist nunca perde a piada. Nem com um guardião metido a gostoso. Mesmo sendo gostoso de verdade.

“Isso foi antes do meu gato virar um homem, que , por acaso, é o meu guardião. Essa situação está me lembrando a história do boto-cor-de-rosa. Mesmo sendo um gato preto”, respondi sarcasticamente.

Ainda sorrindo, Lucio atravessou o quarto em minha direção e parou a dois pés de distância de mim. Mesmo com o corpo tenso, não consegui me distanciar, nem me aproximar. Tudo o que eu consegui fazer era encará-lo e mexer a minha boca.

Lucio pegou minha mãe e a beijou, como Kris tinha feito quando nos conhecemos. Me perguntei o porquê dos hábitos de séculos passados. A diferença entre os beijos na mão, era que, nada da boca de Lucio arranhou minha mão. Bem, isso tirava a teoria dele ser um vampiro. Eu sabia que ele não era humano.

“Eu sou Lucio Del Fin Dênior. Seu guardião”, ele soltou minha mão e fez uma pequena mesura.

“Bem, eu acho que não preciso me apresentar. Você me conhece á 17 anos. Droga! Você viveu comigo a vida inteira e só aparece agora? Por que? Você gostou de passar a vida caçoando com a minha cara e miando? Por que nunca se mostrou, droga?!”, eu explodi de raiva.

Lucio deu dois passos terminando com o espaço entre nós. Nossos rostos ficaram a poucos centímetros e se qualquer um de nós dois desse um suspiro. .. O sorriso de Lucio sumiu e seu rosto ficou sério novamente. Me forcei a ficar séria também. Eu estava com o rosto queimando. Tanto pela nossa proximidade, quanto de raiva.

“Eu só não te contei, porque era contra as regras. Não podia aparecer até que tivesse 17 anos.”, ele sibilou.

“E quantos anos você acha que eu tenho?”, sibilei de volta. “Você sabe que eu tenho 17, então por que não me contou?”, meu tom de voz foi de raiva para suplica. Eu queria entender. Realmente entender, mas não conseguia.

“Porque, mesmo com 17 anos, você age como se tivesse 10”, ele continuou sério. Meu rosto queimou novamente, dessa vez de raiva. Ele estava me chamando de criança.

“Você não me conhece”, eu respondi esquecendo de toda a coisa dele ser gostoso e ter uma voz incrível. “Você é apenas um cara metido se metendo aonde não é chamado.”

O sorriso irônico de Lucio voltou.

“Primeiro, querida, te conheço muito bem para saber dos seus impulsos por aventuras e adrenalina.”, corei com essa declaração e desviei o olhar por alguns segundos, me recuperando. Ele esperou até que soltei o ar e o olhei de novo. “Segundo, eu fui chamado por você á dez minutos atrás. E terceiro”, ele colocou sua bochecha ao lado da minha e sussurrou: “você fica muto sexy quando está com raiva”

Então ele fez a última coisa que eu esperava, masa primeira que queria.

Me beijou.

Me abraçou pela cintura e pressionou os seus lábios nos meus. Seus lábios eram macios e quentes nos meus, frios. Senti meu corpo se aquecer e meu coração bater mais rápido. O cheiro dele também era quente, lembrando desejo, paixão, liberdade e sexo.

Mesmo ele com os braços em volta da minha cintura, não conseguia fazer meu corpo obedecer. Nem se afastar e nem aproveitar. Meus braços continuaram caído ao lado meu corpo. Não nos mexíamos, era como se o tempo tivesse parado no exato momento em que nossos lábios e nossos corpos se encontraram. Se a ideia de Lucio era de apenas roçar lábios nos meus e me estimular a beijá-lo, bem, deu errado.

Não sei quanto tempo ficamos ali parados. Eu continuava pressionada no seu corpo quente e conseguia sentir seu abdômen definido e seu peito duro. Não respirei com medo que acabasse, mas como dizem: O que é bom, dura pouco. Bem pouco.

“Emi, você já está dormindo?”, minha avó chamou do outro lado da porta.

Parecia que eu e Lucio tínhamos tomado um choque. Eu quase derrubei o meu criado-mudo enquanto Lucio se deitava na minha cama com a mesma elegância de um gato.

“Não, vó”, gritei assim que fiquei de pé, sem a ajuda do criado mudo de apoio. Evitei os olhos de Lucio enquanto ia até a porta.

Destranquei e encontrei minha avó, com roupa de dormir e o rosto preocupado. Minha avó era uma mediadora. Quer dizer, lidava com fantasmas mal-criados. Antes, morava eu, minha mãe, meu irmão, Koren, e minha avó. Mas minha mãe morreu e Koren foi raptado por algo que também levou Mey, a mãe da Barbie.

Barbie achava que minha avó era uma vaca. Para falar a verdade, eu também achava. Mas fazer o quê? Ela era a minha avó. São ossos do ofício.

“Olá, Lucinda”, Lucio cumprimentou minha avó.

Vovó arregalou os olhos ao encontrá-lo deitado em minha cama e depois me encarou de cima a baixo, me estudando. Não sabia como estava a minha aparência, mas antes que eu pudesse me defender, ela me olhou nos olhos e disse:

“Como descobriu?”

“Não foi graças a senhora. E muito obrigada por me falar que meu gato era o meu guardião.”, respondi com o humor negro.

“Você assimilou muita coisa em pouco tempo, Emi. Eu achava que não estava pronta.”, ela abaixou os olhos, culpada. Então, foi a segunda vez que eu explodi em uma hora.

“Você sempre sabe o que é bom, não é, vó?”, ela me olhou com espanta por causa da minha raiva, mas antes que pudesse dizer algo, continuei: “Tanto para mim, quanto para a mamãe. Foi uma ótima ideia separar os meus pais e os pais da Katy. Ótima mesmo. Deveria ter ganho o Oscar de avó do ano.”, bati palmas e balancei a cabeça de desgosto.

“Queria, você não entende...”, ela tentou se defender, mas eu a interrompi.

“E nem quero entender”, soltei o ar e respirei fundo, me acalmando. “Quer saber de uma coisa? Saí do meu quarto. Eu tenho que arrancar algumas informações de um certo guardião. Preciso de um tempo.”

“Mas, Emi”, ela tentou de novo.

“Saí, vó”, eu repeti.

Minha avó suspirou e saiu do quarto de cabeça baixa. Vocês podem me chamar de neta desnaturada, ou de vaca, mas eu realmente precisava de um tempo. Assim que tranquei a porta, me virei e Lucio bateu a mão no espaço ao lado dele, me chamando. Me sentei sem opor ou lutar. Estava cansada, queria minha antiga vida de volta e não essa confusão.

“Quer outro beijo para melhorar?”, Lucio ofereceu.

“Idiota”, eu disse o encarando. Ele estava sorrindo forçado para me fazer melhor.

“Fala que não gostou”, ele retruquiu.

Corei na hora e desviei os olhos para minhas mãos que estavam descansando em minhas pernas. Ver Lucio deitado na minha cama e me sentar ao lado dele depois do que aconteceu, não era nada confortável. E como se lesse os meus pensamentos, ele disse:

“Calma, Emi”, Lucio riu. “Foi só um beijo. Negócio, negócios. Um amorzinho gostoso a parte.”

Rolei meus olhos e me forcei a encará-lo.

“O que você é?”, eu perguntei balançando a cabeça indignada.

Ele sorriu, destacando os dentes brancos na pele morena.

“Um demônio”