Carter
5 epílogo
Notas iniciais
A periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor.¹
Viver na favela não é fácil.
As mulheres são obrigadas a crescer rápido demais. Tornam-se mães, empregadas domésticas, desgraçadas, desmotivadas. Os rapazes morrem no morro. Quando não acabam na cadeia, acabam mortos. E lá fora ninguém se importa.
Mas tem coisa que só a favela tem. O pão e o café da padaria da dona Maria, sempre acompanhado de um bom dia e um carisma intimo de quem nos viu crescer. Ou as crianças jogando bola no campinho de terra, o gol de sapatos, as bermudas sujas e o sorriso branco contrastando no rosto preto. A arquitetura e cores da favela, sem a assimetria cinza das cidades grandes. Pessoas que se olham e se falam, pessoas que se desejam o bem.
(...) Dos becos e vielas há de vir a voz que grita contra o silêncio que nos pune. Eis que surge das ladeiras um povo lindo e inteligente galopando contra o passado. A favor de um futuro limpo, para todos os brasileiros.
Não existem manuais de instruções para viver, a vida é essa escola. Foi aqui que aprendi a viver. E, lá fora, o mundo vai ter que me engolir. E, logo mais, engolir a força dos meus. Porque um dia, meus senhores, a favela vai invadir o mundo.
É TUDO NOSSO!
Cassandra Carter.
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