Cartas para Regina
1 Amor meu

Amor meu,
Sinto sua presença em todos os instantes de minha existência. Em todas as vezes em que meu coração bate, produz uma sonoridade que se assemelha ao seu nome. Mas para mim, existe a certeza de que meu coração chama pelo seu nome.
Em todas as manhãs, ao abrir meus olhos, busco imediatamente a sua presença ao meu lado sobre a cama. Agradeço sempre aos Céus pela graça recebida em ter você ao meu lado por mais um dia. Sei que aquele dia será feliz!
Nos dias em você desperta antes de mim e vem com seus beijos preparar-me para outro amanhecer, sinto-me aquecido como se os raios do Sol estivessem tocando diretamente a minha pele, enchendo-me de forças para mais uma etapa de minha jornada.
Não consigo imaginar meus dias e meus próximos cinquenta anos, longe de sua presença, longe de seus toques e dos seus beijos. Choro apenas por temer a perda da mulher a quem entreguei a minha razão de viver. Caso algum dia, você não me queira mais, saberei aceitar a solidão. Porém, não saberei aceitar o sabor amargo da comida ou da água, sabendo que não valerá a pena suprir meu corpo para uma sobrevivência sem a sua luz.
Não aceitarei viver na escuridão. O seu amor ilumina o meu caminho e a luz dos seus olhos dissipou a neblina que a solidão havia imposto em minha caminhada. Meus passos são firmes porque sei que no final da estrada encontrarei seus braços abertos para acalentar-me.
Amo você como nunca amei alguém (mesmo porque nunca amei outra mulher) e quando olho nos olhos de nossas filhas, além de perceber a bela mistura feita por nós, reconheço a sua força e a minha suavidade em cada um dos traços daquelas crianças. Não há como não amá-las ainda mais.
Perdi meu controle e aceito confessar que sou dependente desse amor. Sou dependente do seu sorriso, do doce mel que escorre de seus beijos, do brilho de seus olhos emanam e da sonoridade hipnótica de sua voz. Sou fraco e busco meu apoio na força de seus músculos e na maciez dos seus seios apertados contra meu peito.
Mas se isso for fraqueza, então assumo. E vou gritar bem alto para que os ventos ouçam e levem aos quatro cantos do mundo, a história do nosso amor.
Você consegue explicar a dimensão deste sentimento maluco e contraditório que nos faz sorrir e chorar? Que sentimento é esse que nos torna dependente de outro ser para conseguirmos realizar o simples ato de respirar?
Ah, Regina! Minha Rainha, minha senhora, minha dama de ferro, minha flor de lótus, minha pedra de Jade, meu grande amor!
Não conte para alguém, mas eu consegui roubar um raio do Sol para que ele aqueça sempre a nossa cama e os nossos encontros.
Do sempre seu, Vasco.
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