Notas iniciais
Meu primeiro texto. Escrevi quando senti a necessidade de desabafar... O papel é um grande amigo.

Reticências demonstram muito bem meus pensamentos. Meu estômago até hoje dói... Mesmo depois de um mês, parece que nada mudou. A dor não é menor e a solidão só faz aumentar dentro do meu peito. Ela está tão forte que me deixa sem ar... Eu não tenho mais nada. Às vezes eu penso que tenho que agradecer por ter um dia tão ocupado e agitado, porque assim eu não tenho tempo de pensar em quão triste eu estou me tornando. Mas as noites... Oh, as noites... Na hora que finalmente me deito para descansar e repouso a cabeça no travesseiro que vem a pior parte. Lembranças surgem de todos os momentos: as alegrias, as tristezas e tudo que aconteceu nesses últimos meses.

Toda minha vida eu passei sozinho, sem ninguém pra me confortar, sem ninguém pra me apoiar nas horas mais negras... Até que eu tive isso. Como uma pessoa pode entrar na sua vida e mudar tudo que você sempre pensou que fosse carregar para o futuro? Mas acho que não tem dor maior do que ter tudo que você preza tirado de você. Ou pior: você tirar de você mesmo. Por que alguém faria isso consigo mesmo? Eu não sei. Parecia o certo a se fazer na hora. Estávamos desgastados, brigando o tempo todo, sofrendo sem motivo...

As decepções vieram a cavalo logo depois de tudo terminar. Como pode fazer isso comigo? Nunca imaginei que você fosse capaz de fazer tal coisa. Lembro-me do que senti quando descobri como se fosse hoje. Aquela dor tão grande que me fazia sufocar. Aquilo não podia ser real? O que eu tinha feito? Será que a culpa pelo que havia acontecido naquela festa era culpa minha? Acredito que sim. Se houvesse alguma chance de eu pedir a reconciliação, a partir daquela noite tudo acabou. A pessoa não era mais a que eu conhecia.

A imagem que eu criei, tudo que eu pensei que fosse... Tudo isso foi se desconstruindo rapidamente. Acho que se voltássemos a confiança não seria a mesma. Eu teria nojo, porque imaginaria aquela boca que eu tanto amava sendo acariciada por outra boca que não era a minha. Sim, eu não estava preparado para isso.

Desde o final, eu queria que continuássemos a amizade, a parceria. Eu nunca quis que tudo acabasse, mas eu não sabia lidar com a dor que eu causei à nós dois. Precisava de me desligar. Sai de grupos, deixei alguns amigos, fiz de tudo para evitar. Eu não queria mais sofrer, não queria mais notícias, não queria saber quantas bocas estavam beijando aquela boca que eu tanto amei... Não queria saber das consequências dos meus atos.

Também tem a história sobre como perdi minha amiga – ela que estava há 6 anos. Assim que terminei ela tentou me ajudar, tentava me convencer a voltar... Mas aí ela terminou também – sim, naquela mesma festa citada acima – e passou a ficar mais longe de mim. A partir daí ela não se prontificou a sair mais comigo, só saia com meu ex-amor. Talvez seja porque os dois precisavam de alguma “diversão”, algo que, se ela saísse comigo, eu não poderia dar. Não gosto de pensar nisso, porque amigo é amigo. E perder um amigo e um amor em uma semana, não é algo que eu pensava ser possível. Ainda mais ela... Tantos momentos que passamos juntos... Espero que um dia tudo se resolva.

E aqui estou eu agora. Sem amigos, sem meu amor, sem nada. É muita coisa pra eu carregar sozinho. Não sei se vou conseguir. Tenho medo de me afundar cada dia mais na minha tristeza e nunca conseguir sair. Tenho medo de me tornar uma pessoa que eu nunca quis ser: amargo, triste, sem ninguém. Não fiz este texto para ficar pior ou tentar me transformar em uma pessoa que merece pena... Só ando precisando de um desabafo, uma atenção, uma proteção. A escrita é uma forma física dos meus sentimentos e o papel é aquele antigo amigo que está sempre pronto para ouvir, e não falar.

Notas finais
Esperam que tenham gostado...