Cartas de amor em Paris
1 Prólogo
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor
É que são Ridículas.
(FERNANDO PESSOA)
E ele sorriu.
Aquele sorriso irônico que por tanto tempo a irritou mais no final lhe conquistou.
Ela estava parada e as nuvens negras no céu demonstravam que em breve choveria, no entanto, eles não ligavam. Era tão estranho e, ao mesmo tempo maravilhoso que todos os "eu te odeio" tivessem sempre um "eu te amo" escondido, não é a toa que dizem que o amor e o ódio estão divididos por uma linha tênue. Neste momento Olivia estava igual a ele, sorrindo como uma boba apaixonada, quem diria? Julgo que nem ela mesma sabia que um dia se apaixonaria.
Ele se aproximou com seus profundos olhos azuis fixos nos dela, seus olhares estavam firmes como se um estivesse de alguma forma tentando enxergar a alma um do outro. Os lábios de ambos estavam a poucos centímetros. Já não sorriam mais, apenas se olhavam. Os pingos gelados da chuva começaram a cair batendo em contrastes com o calor de suas peles e então...Eles saíram correndo para debaixo da marquise de uma pequena lanchonete, e foi lá, ouvindo a chuva cair que eles finalmente se beijaram.
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