Cartas Para Você
2 The Promise- Leo para Calipso, HDO
Notas iniciais
Pouco depois de a jangada partir, Leo estava sentado, imóvel pelo que tinha acontecido, observando o vento da noite. Estava pensado nela. Como poderia tê-la deixado sem mesmo se despedir direito, ter dito tudo o que pensa? Claro, teve o beijo que foi a melhor despedida. Tudo bem, não tinha sido culpa dele, mas não podia deixar assim. Passou os olhos pelo barco a fim de encontrar algo em que pudesse escrever. Lembrou-se de seu cinto e com ele, conseguiu folha e caneta improvisadas. E começou a escrever:
Para: Calipso
Minha flor do dia, eu não tenho muito tempo então só lhe peço uma coisa: perdoe-me.
Perdoe-me por não ser o cara perfeito, por não ser tão bonito quanto os outros, por não ser o que você esperava.
Perdoe-me por ser irritante e às vezes sem graça (mas você tem que admitir que riu algumas vezes!).
Perdoe-me por não conseguir montar a Oficina Mecânica Leo e Calipso, mas como a montarei sem Calipso? Pois sem você, eu não teria força para montar oficina nenhuma.
Você não sabe o que é não ter ninguém, ficar sobrando no meio de casais e depois encontrar alguém e ter de se afastar. Como é amar alguém tão intensamente como eu te amo. Fico me perguntando: Por que tinha que ser assim, justo comigo? Já não basta ter Gaia no meu pé, destruindo minha família, me dando missões quase impossíveis... Por incrível que pareça, consegui vencer todas até agora, só que já não sei mais. Estava trabalhando cada vez mais para tornar isso possível: salvar o mundo. Mas o que é realmente impossível é viver sem você. Garota, tenho que te dizer, você mexeu comigo. Mexeu, e mexeu de um modo como nunca, nem da primeira vez em que vi Quione ou qualquer outra garota, aconteceu. Porque ela pode ser de boa aparência exterior. Mas você além de ser a mais bela que já vi, tem um coração muito maior e melhor do que eu esperava. Doce, meigo, esperançoso, só que ao mesmo tempo vi, quando cheguei, que tinha um espaço vazio. Triste pelas perdas, triste pela maldição, triste pelo seu destino. Mas, quer saber? Que se dane essa sua maldição. Você pode fazer seu próprio destino. Deixe-me preencher esse espaço assim como você já preencheu o meu.
Mas agora esse meu buraco está se abrindo novamente porque estou longe de ti. Estou sem meu porto seguro, meu sentido, minha esperança.
Você é engraçada, determinada, inteligente e irritantemente linda. A primeira garota que encontrei que não se importa em sujar as mãos. Seu riso, num som claro, faz meu coração disparar. Quando estou contigo, o tempo para. É estranho. Quando cheguei em Ogígia, não via a hora de ir embora. Mas agora estava tão feliz por ter mais alguns dias! Até que a jangada chegou...
Perdoe-me por ir embora, mas a escolha não foi minha. Meu coração quase parou ao saber que não podia mais voltar. Mas depois daquele beijo... Do nosso beijo! Se eu tivesse engrenagens e fios em meu cérebro, teriam entrado em curto circuito. E pensei: “Não posso estar apaixonado por uma menina imortal. Ela definitivamente não pode estar apaixonada por mim. Não é possível”. Você uma imortal e eu um simples semideus magricela e sem jeito. Na primeira vez que te vi, aquela linda menina que mais parecia uma deusa aos meus olhos, com cabelos longos, lisos e castanho-claros, rosto pálido como leite, com olhos escuros amendoados e lábios carnudos, confesso não gostei de você porque se parecia com aquelas meninas do colégio que zombavam de mim. Mas ao foi te conhecer por dentro que vi que não tinha chance. Linda, mas que não se importava em mexer com algumas engrenagens.
Você foi, é e sempre será definitivamente Time Leo!
Era e ainda é esquisito, afinal, se fossemos chuva eu seria a garoa e você o furacão.
Confesso que no começo não aceitei muito. Foi muito difícil te ignorar, mas não consegui. O jeito como me tratava; como ficou bem de vermelho daquela vez em que foi me ver na barraca- o que é totalmente irrelevante, claro!; como falou com Gaia mostrando determinação, fidelidade (afinal você poderia ter se juntado a ela), confiança, firmeza; como se concentrava quando estava trabalhando, séria mas sem perder a beleza natural que você tem; tudo isso fez com que eu me apaixonasse por você. Pareceu tão rápido, mas ao mesmo tempo foi um processo tão lento... Não sei quanto tempo fiquei em Ogígia, estou perdido. Pode ser que a Guerra tenha abacado, e se tivermos perdido e agora quando eu chegar lá, Gaia me mate, saiba que aí com você passei os melhores momentos de minha vida. Só acho que não morreria tranquilo pois não te salvei e não te tirei desse lugar.
“Ela definitivamente não pode estar apaixonada por mim. Não é possível”.
Mas sim, é possível. Quer dizer, você está apaixonada por mim, não é? Porque se não estiver, eu não sei o que vou fazer. Mas, quer saber? Se não estiver, eu não me importo. Porque eu estou apaixonado por você, Calipso, e então farei com que goste de mim de qualquer jeito! Não vou te deixar assim, não vou conseguir aguentar.
Eu não quero e não vou ser mais um que foi embora.
Não sei como vai estar lá quando eu chegar, com ou sem guerra. Não importa o que os deuses vão achar. Não importa se ninguém nunca encontrou Ogígia duas vezes. Porque eu NÃO vou te perder, Calipso. Você ainda vai conhecer Festus.
Me espere.
Do seu...
Leo.
Conseguiu uma espécie de garrafa também do cinto, e colocou o papel dentro dela. Agora, ele entendia um verso da profecia: Um juramento a manter com um alento final. Entendeu quão perigosos podem ser os juramentos. Mas Leo não se importava.
Pegou a garrafa e, ao joga-la no mar, sussurrou para o vento:
—Voltarei para você, Calipso. Juro pelo Rio Estige.
Enquanto a jangada deslizava pelo mar viu a garrafa se distanciando; e o vento a levou, na esperança de que chegasse a seu destino: não só Ogígia, mas o coração de sua amada Calipso.
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