Cartas Para Julieta
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Ah, a narradora da história é a San, portanto se eu mudar em algum momento para outro personagem eu vou avisar, ok?
Boa leitura!
Nova York pode ser muitas vezes um ótimo lugar para se viver, mas talvez não hoje. Além de o dia estar ridiculamente abafado, eu tenho que ficar perambulando por aí a procura do meu Robert Beal. Na realidade, ele é o homem que fica atrás na foto “O Beijo”, de Alfred Eisenstaedt, e eu realmente não imaginava que poderia haver tantas pessoas com o mesmo nome, portanto tenho que ligar para todas. E isso com certeza não é uma tarefa muito fácil.
E por que eu estou à procura disso? Bem, eu não sou uma jornalista nem uma escritora, então digamos que eu verifico fatos. É um pouco como se fosse um detetive, então meu trabalho não é assim tão chato. Porém não é o que eu almejo.
Claro, sou jovem e tenho um ótimo emprego, mas eu amo escrever. Me traz tanta paz e tranquilidade. O simples ato de colocar palavras em um pedaço de papel faz-me sentir tão leve, como se meus sentimentos transbordassem a cada linha. Mas claro, eu não sou uma escritora.
Todavia, voltando ao assunto de meu trabalho, após inúmeras tentativas eu finalmente encontrei quem tanto procurava há semanas.
-Ah, olá. Aqui é Santana Lopez. Você poderia confirmar onde estava quando descobriu que a Segunda Guerra Mundial havia acabado?
Na Times Square? Eu estou aqui neste exato momento! Estou exatamente onde foi tirada a fotografia.
Achei que nunca o encontraria. Então... Posso pedir para que descreva o que viu naquele dia?
O beijo. Foi espontâneo ou posado?
Foi? Tem certeza?
Muito obrigada senhor Beal!
Após aquela ligação eu tinha tudo o que precisava. Dirigi-me até meu trabalho, pois eu precisava entregar aquelas informações ao Bob, meu chefinho.
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Bob encarava a capa do trabalho, mas não pronunciava uma única palavra.
Eu já estava ficando nervosa, mas então ele finalmente começou a falar.
-Você tem 100% de certeza? –perguntou ele com a sobrancelha arqueada e meu trabalho ainda aberto em suas mãos-.
-O suboficial Robert Beal, o 2º marinheiro, disse que a enfermeira era maravilhosa e que o beijo foi um momento completamente espontâneo, e uma celebração do amor verdadeiro. –Terminei de falar com um pequeno sorriso surgindo em meu rosto, mas Bob ainda continuava sério.
-E ele mesmo disse isso? –perguntou Bob.
-Sim, ele mesmo. –respondi.
-É porque nem sempre peço que fale com a testemunha, mas agora preciso que tenha certeza. –disse ele mais uma vez querendo certificar.
-Eu tenho 100% de certeza! –respondi o mais convicta possível.
-Ótimo. Acho que as pessoas querem acreditar em amor verdadeiro, não? –disse ele abrindo o primeiro sorriso do dia.
Apenas dei de ombros e sorri.
-Soube que vai à Verona para uma “pré” lua de mel? Explique-me isso. –Disse Bob com uma cara confusa.
-São apenas umas férias antes do casamento. É a última chance de ficarmos a sós antes do restaurante... –fui cortada por Bob antes que pudesse continuar.
-Bem, é a cidade do amor, não é? –disse ele sorrindo amigavelmente.
-É, mas eu...
-Boa escolha, e bom trabalho. Obrigado. –disse ele me cortando novamente. Isso já estava ficando chato.
-Eu estava pensando... E se enquanto eu estiver lá... Eu escrevesse? –perguntei com um tom de voz mais baixo que o normal.
-Escrever? Mas é tão boa checando fatos! –respondeu ele com uma ruga de confusão na testa.
Fiquei em silêncio durante alguns segundos apenas pensando em como contar a ele que checar fatos não era realmente o que eu queria, até ser tirada de meus devaneios.
-Tenha uma boa viagem! –disse Bob sorrindo e voltando a analisar uns papéis que estavam a sua frente.
-Obrigada... Até mais.
Saí de sua sala e me encontrei com Lucia, e ela como sempre falava sem parar para respirar.
-Quem sai em lua de mel sem o casamento? Vocês são muito sortudos! –disse ela sem parar de caminhar, enquanto eu tentava de algum jeito alcançá-la.
-Bem, é que o restaurante do Sam abre em 6 semanas, é nossa única chance. –respondi.
-Não o deixe prestar atenção em nada além de você, entendeu? Jogue o celular dele no Mar Adriático! –disse ela.
-Mas ele tem que ver os fornecedores... –respondi calmamente.
-Santana! –ralhou ela colocando as mãos na cintura. Eu simplesmente adorava essa mulher.
-Vai ficar tudo bem, eu prometo. –disse lhe dando um aceno e saindo do prédio.
Eu caminhava pelas ruas com as palavras que Lucia havia me dito ainda fixas em minha mente. Ela estava certa, mas eu não podia simplesmente entrar na frente dos negócios do Sam, afinal ele iria abrir um restaurante, e esse é seu sonho desde que o conheço.
Ao chegar no local do restaurante, fui entrando a caminhei até a cozinha, pois tinha certeza de que meu noivo estaria lá.
-Meu Deus! –foi tudo o que consegui dizer ao ver todas aquelas massas espalhadas pelo lugar.
-Hey! Feche os olhos. -disse Sam- Agora abra sua boca...
Eu fiz o que ele me pediu, e senti um fio de macarrão ser colocado em minha boca.
-Está bom? –perguntou Sam.
-Está. –respondi ainda de boca cheia.
-Sim? Não? Sim? Sim! –comemorou ele abrindo um largo sorriso.
-Gostei...
-Eu reinventei o macarrão! –disse ele antes que eu pudesse completar minha frase- Prove este aqui agora, é a mesma coisa, mas a manteiga é diferente- completou ele largando um outro fio em minha boca. –É bom, não é? Modestamente, acho que criei uma obra de arte! Esse aqui saiu perfeito...
-Sam...
-Acho que é este aqui.
-Sam... Posso só...
-É este e você tem que provar, ficou maravilhoso!
-Sam! Posso só dizer algo? –disse levemente irritada.
-O que? –perguntou ele finalmente me ouvindo.
-Vamos sair para viajar em 12 horas e você nem fez as malas. –falei seriamente.
-Ah, é mesmo! –exclamou ele jogando um pano em cima da mesa.
-Não vai limpar isso? –perguntei apontando para o local cheio de macarrão.
-Não, não... Vamos? –disse ele antes de me puxar para seu colo e gritar:
“Arrivederci”, Nova York! “Ciao” bela Verona! Será incrível! –disse ele me rodando em seu colo.
-Eu sei, estou tão animada! –respondi rindo.
Fomos para casa para podermos arrumar as malas. Dormimos, e quando percebi já estávamos no avião que nos levaria à Itália. Sam como sempre estava lendo um livro de culinária, e eu estava intertida lendo Shakespeare, afinal, eu estava indo para a cidade do maior e mais conhecido romance do todos os tempos.
Chegamos, e aquele lugar parecia ser maravilhoso! Eu estava louca para ver tudo e visitar os lugares históricos.
Deixamos nossas coisas na pousada. O quarto era simples, mas muito aconchegante. Resolvi então pegar um ar. Escorei-me na sacada do quarto e fechei os olhos, sentindo a brisa bater de leve em meu rosto e meus cabelos. Um sorriso se abriu automaticamente em minha face, mas ele desapareceu tão rápido quanto surgiu.
O telefone de Sam estava tocando, e eu tinha certeza que ele estava tratando de trabalho. Sei que parece meio egoísta de minha parte, mas eu queria muito poder aproveitar essa viagem com ele. Apenas nós, sem preocupações ou o trabalho interferindo. Mas infelizmente, eu não posso fazer nada.
Senti dois braços fortes me abraçarem por trás, e seu queixo descansar em meu ombro.
-Você não vai acreditar... –começou ele.
-O que? –respondi.
-Falei com o Sr. Morini. E ele arrumou reuniões com cada um de meus fornecedores. Vamos começar com o mais antigo vinhedo de toda Vêneto. –disse ele entusiasmado.
Virei-me em seu abraço e o encarei.
-Sim? –disse ele fazendo um bico adorável.
-Sam...
-San, qual é? Você não está entendendo. Vamos ao mais antigo e lindo vinhedo daqui! Isso é romântico. –argumentou ele. –Nós iremos lá beber vinho, ficaremos um pouco bêbados, voltaremos e... –ele terminou deixando a frase “no ar”, com um sorriso malicioso no rosto.
Ri com ele e nos abraçamos. Talvez esse tour não seja tão chato assim.
Notas finais
Beijos ;)
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