Cartas Para Julieta
5 Capítulo 5
Notas iniciais
–Não acredito que esteja mesmo aqui. –disse à Claire enquanto caminhávamos.
–Muito menos eu. –bufou Brittany.
–Brittany, comporte-se! –ralhou Claire.
A loira bufou mais alto e fechou a cara, enquanto eu apenas ria internamente.
Chegamos até o restaurante, que era em frente à casa que servia de escritório das Secretárias de Julieta, e fui chamar minhas novas colegas para conhecerem Claire e sua “adorável” neta.
Elas se cumprimentaram, e logo estavam sentadas à mesa conversando como fossem amigas de longa data.
Eu apenas ouvia tudo atentamente, e de vez em quando pegava a loirinha metida, vulgo Brittany, me olhando descaradamente. Porém, quando nossos olhares se cruzavam, rapidamente mudávamos a direção e baixávamos a cabeça, envergonhadas.
Eu apenas não entendia o porquê de ficar envergonhada. Afinal eu sou Santana Lopez! Não me intimido com nada. Mas essa garota tem alguma coisa que me deixa intrigada... Algo que mexe comigo. E eu ainda vou descobrir o que é.
–Eu fazia um curso de arte em Toscana. –fui tirada de meus devaneios com as palavras de Claire. –E me hospedava com uma família perto de Siena. E eles tinham um filho chamado Lorenzo... Foi amor a primeira vista. Ele tinha olhos tão azuis... –Não sei por que, mas meus olhos viajaram até a mulher sentada à minha frente. Ela possuía magníficos olhos azuis... –Ele me disse que eu era muito bonita... “Sei la ragazza più bella del mondo...” [Você é a garota mais bela do mundo]. –terminou Claire com os olhos transbordando emoção.
–Claire, você ainda é muito bonita. –disse Maria.
–Obrigada. –respondeu Claire dando a mão à mulher.
Eu sorria para a cena, até que meus olhos se encontraram com os de Brittany, e eu simplesmente não conseguia parar de olhar para ela. Definitivamente alguma coisa me prendia, e levava meus olhos de encontro com os dela.
Nossa... Como isso soou gay. Ainda bem que eu não sou. Não é? Claro que não! Eu estou noiva! E de um homem! Um homem que eu amo... Ok... Acho que amo...
Saí de minha bolha particular com Claire, novamente. Só que desta vez ela retirava algo de dentro de sua blusa. Era um anel, preso em uma corrente que estava antes em seu pescoço.
–Ele me deu este anel. –mostrava Claire. –Queríamos nos casar, mas eu tinha minhas provas lá na Inglaterra, e meus pais nunca aceitariam, então fiquei com medo... E fugi.
Peguei o simples anel de prata com um formato de coração e sorri. Era lindo. Senti mais uma vez os olhos azuis queimarem minha pele, mas não subi o olhar desta vez. Eu não me daria o luxo de me perder em pensamentos inúteis por sua causa novamente.
–Agora... –continuou Claire. – O que eu realmente quero é... Contar a ele. Que sinto muito por ter sido tão covarde.
–Claro que um cartão ou carta seriam simples demais. –ironizou Brittany.
Sorri com sua costumeira delicadeza, e falei para Claire:
–Então veio procurar pelo Lorenzo.
Brittany soltou uma risada pelo nariz, e virou a cabeça com desdém pelo o que eu disse, mas não liguei.
–Vim, e acho que sei onde ele está. –disse Claire.
–Onde? –perguntei sorrindo.
–Em uma fazenda, perto de Siena. –respondeu a senhora, sorrindo de volta. –Brittany me levará lá amanhã.
–Só porque não a quero pedindo carona. –disse Brittany revirando os olhos.
–Ela acha que isto é um grande erro. –completou Claire.
–Porque não tem um único osso romântico em seu corpo. –cutucou Donatella.
–É porque sou realista. –defendeu-se Brittany.
–E não porque é inglesa? –questionou Isabella sorrindo.
–Fria como um peixe. –apontou Maria.
–Certo, e quem escreveu “Romeu e Julieta”? –indagou Brittany se ajeitando na cadeira.
–Williamo Shakespearelli, um grande italiano! –brincou Maria, nos fazendo rir.
–São loucas... Loucas. –concluiu Brittany rindo.
Nada era mais bonito que seus olhos, mas o sorriso de Brittany era encantador. Quando ela sorria seus olhos brilhavam e ela mostrava os dentes incrivelmente brancos. Assim como seus lindos olhos azuis cerravam-se um pouco e ela ficava extremamente fofa.
Lá vou eu de novo... Preciso parar de analisar essa garota.
Então Claire suspirou ainda sorrindo, pegou sua bolsa em cima da mesa e levantou-se, sendo seguida por Brittany.
–Santana... –disse a doce senhora segurando minhas mãos, e logo em seguida me puxando para um abraço. –Boa noite. E muito obrigada.
–Eu que agradeço. –respondi retribuindo o abraço com a mesma intensidade. Eu realmente havia gostado dela.
Claire suspirou mais uma vez e disse, como sempre sorrindo:
–Boa noite a todas.
–Boa noite. –responderam em uníssono.
–Foi ótimo conhecê-la. Boa noite Brittany! –disse Isabella.
–Boa noite. –disse Brittany acenando. –Tchau.
Eles saíram e logo comentei:
–Que maravilhoso seria se ela encontrasse seu Romeu!
–Ela é muito especial... –falou Maria.
–Imagina se encontrasse? 50 anos depois, e tudo porque você encontrou a carta? –questionou Isabella me fazendo sorrir.
–Ninguém acreditaria se não fosse verdade. –respondi.
Então eu tive uma ideia. Claro, sou cheia de ótimas ideias.
Levantei da mesa e comecei a correr pelas ruas, a procura de Claire.
Esperem! –gritei quando os avistei.
–Oh droga, lá vem ela. –reclamou Brittany revirando os olhos.
Não dei importância para o que ela disse e continuei:
–Posso ir procurar o Lorenzo com vocês?
–Vir conosco? –questionou Brittany. –E quanto ao seu noivo? Estão na cidade do amor e quer vir conosco? –desdenhou.
–Quero sim. Porque ele está ocupado, e eu estou livre! –respondi. –Claro, se não for incômodo! –disse me virando para Claire.
–Não, não é um incômodo. –negou Claire.
–Escutem... Eu só tenho que contar uma coisa primeiro... Isso não é inteiramente abnegado. Começou com uma simples resposta a sua carta, e agora acho tão incrível o que está fazendo. Então eu gostaria de escrever sobre isso, se você concordar. –disse timidamente.
–Uma jornalista! –exclamou Brittany. –Vovó, uma jornalista! Que está tentando se meter em nossa vida pessoal. –argumentava Brittany.
–Oh Brittany, isso não é nenhum segredo de estado! –falou Claire balançando a cabeça.
–E eu não sou jornalista. Gostaria de ser um dia...
–E acha que a história da minha avó é sua oportunidade. –Cortou Brittany.
–Eu acho que vale a pena ser contada. –disse simplesmente.
–E eu adoraria tê-la conosco. –finalizou Claire.
–Mesmo? –perguntei muito feliz.
–É claro! –respondeu ela.
–Ótimo. Simplesmente adorável. –ironizou Brittany olhando para mim.
Apenas olhei para ela e sorri grandemente. Ela fechou a cara, bufou e deu meia volta, ficando de costas para mim balançando a cabeça em negação.
Claire pediu meu número de celular e endereço de onde eu estava hospedada, o que prontamente dei-lhe, para que pudéssemos nos encontrar no dia seguinte.
Nos despedimos, recebendo um gentil abraço de Claire, e um aceno a contra gosto de Brittany.
Voltei para o restaurante agradecer as mulheres pela companhia, e avisar da viagem. Elas ficaram radiantes com a notícia, e disseram que tinham certeza de que eu faria um excelente trabalho. Isso realmente me animou.
Logo voltei para a pousada, tomei um longo banho, e me deitei.
Essa viagem seria incrível, e nem a loira chata iria estragar isso para mim.
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