Cartas

1 Prólogo


Notas iniciais
Olá, como vão?

Cá estou eu com o prólogo!

Eu acabei de ter essa ideia enquanto ouvia esse música: https://www.youtube.com/watch?v=lP077RitNAc

E acho que seria interessante para que vocês a ouvissem também, prestando atenção na letra e tal, não necessariamente enquanto leem a fic. Eu acredito que ajude na imersão, além de mostrar bastante como a Lucy se sente.

Sintam-se livres para comentar, inclusive - e principalmente - críticas.

Sem mais delongas, boa leitura!

“Olá, Natsu.

É, eu nunca pensei que um dia fosse escrever cartas para você. Nunca pensei que teria uma gaveta a mais, para separar suas cartas das cartas para minha mãe.

É meio surreal.

Na verdade, é tão real, que meu único desejo é que seja surreal.

Quando escrevia para Layla, eu podia contá-la como meus dias foram felizes. Como me senti bem depois de derrotar os inimigos junto com Erza, Gray, Wendy, Happy, às vezes, com toda a guilda, e com você. Podia dizer que eu estava vivendo por ela, lutando ao lado dos espíritos que ela me confiou e dos espíritos que fui capaz de conseguir.

Eu podia deixá-la orgulhosa de mim.

Não posso fazer o mesmo contigo.

Eu já perdi pessoas que amava, e achei que sabia lidar com tal dor; fui uma tola.

Quando perdi minha mãe, tive meu pai. Ele não me apoiou ou me ajudou, mas não importava para mim, eu só... precisava tê-lo de alguma forma, seja ela superficial ou não. Quando perdi meu pai, tive meus espíritos, tive a guilda, tive você.

E assim, foi acontecendo. Perdi amigos, e muitas, mas muitas lágrimas.

E você esteve lá. Mesmo quando invadia meu apartamento, quando me fazia passar vergonha, você esteve lá.

E, céus, dói tanto saber que não está mais.

É claro que o apoio da guilda ajuda, mas é claro que não estão muito melhores que eu.

Makarov perdeu um filho.

Erza, Gray, Wendy, Lisanna e Happy perderam um melhor amigo.

Toda a Fairy Tail perdeu um companheiro.

Toda a Magnolia perdeu um herói.

Eu sinto que perdi tudo.

E todos nós, juntos, perdemos Natsu Dragneel.

E não sabemos por quem.

Não sabemos como vingá-lo.

Me desculpe.

Eu tenho certeza que se fosse qualquer um em seu lugar, você estaria soltando fogo por aí, sem desistir, seu peito inflado de coragem, ajudando todos nós a nos recompor e lutar por quem perdemos.

Mas acho que no fim, nunca pensamos em fazer isso sem você.

Não, não desistimos – nunca desistiremos, nunca dormiremos em paz, mesmo depois de obtermos vingança. Mas...

Droga, Natsu. Você levou consigo uma boa parte de nós, sabia?

Uma parte que precisávamos bastante.

Happy sente que perdeu suas asas. Erza sente que perdeu sua armadura. Gray disse sente que perdeu o que lhe restava de suas roupas – mas eu acho que foi só o jeito menos frio que ele conseguiu pôr em palavras que sente sua falta – e assim vai indo.

Eu? Eu só sinto que perdi você.

E quem dera esse “só” fosse real.

Quando vi você sendo apunhalado por aquele mago encapuzado, foi... eu não sei. Eu estava acostumada, sabe? Sempre que esses momentos desesperadores acontecessem, daríamos um jeito.

Eu esperei.

Esperei seu corpo pegar fogo, e suas mãos mostrarem que tinha alguma coisa impedindo a faca de te machucar.

Esperei sua voz preencher o local com um riso debochado.

Esperei que algo além de berros e lágrimas saíssem de você.

Depois, esperei acordar chorando em minha cama e ir correndo até a guilda te estapear por me assustar no sonho.

Eu estou esperando até agora, na verdade.

Entretanto um tempo se passou – um tempo que eu não me importei em contar – e passei a esperar mais além disso.

Passei a esperar ser apunhalada junto contigo e não ter de viver o que estou vivendo agora. Passei a esperar que o Mestre venha anunciar que era tudo uma brincadeira. Passei a esperar que uma bala fosse colocada em minha cabeça. Passei a esperar uma fuga de tudo.

E esperar foi tudo o que venho fazendo até hoje.

Daqui algum tempo, vou beber com Cana – aliás, não cheguei a te dizer que comecei a beber com ela, né? É ótimo.

Eu finjo que esqueci de você, mas não esqueço nem bêbada. Mesmo assim, eu tento. Talvez um coma alcoólico não seja tão ruim.

Ando me acostumando mais aos meios convencionais também. Arrumei um emprego, porque me recuso a pegar uma missão sem você.

E pensar que eu queria ir sozinha da última vez, assim você não destruiria tudo e poderíamos ficar com o pagamento todo no lugar da metade dele...

No fim, você destruiu bem mais que isso, seu idiota.

Mas enfim...

Eu ando tendo uma vontade de voar. Você já sentiu isso?

Digo, sem ser levado pelo Happy. Realmente ser capaz de voar, sentir seu corpo leve como se o ar pudesse o agarrar e levar por aí, sem rumo.

Deve ser maravilhoso.

Talvez eu só deva tentar...

Enfim.

Vejo você depois, Natsu Dragneel.

Com o resto de amor que sobrou,

Lucy Heartfilia.”

As mãos de Erza agarravam o papel, amassando-o. Seu rosto podia ser comparado ao cabelo, numa coloração absurdamente avermelhada de raiva.

Todos estavam pasmos.

A ruiva tinha lido a carta em voz alta, e grunhiu irritada assim que terminou.

– Aquela idiota... – Murmurou Gray, tão nervoso quanto. – Eu disse que não deveríamos tê-la deixado beber!

Um silêncio invadiu o quarto, deixando-os tensos e ainda mais inquietos, até que um pequeno choro invadiu o quarto, com a voz embargada de Wendy.

– Por favor... deixem isso para depois... temos que encontrar Lucy-chan antes que... – Ela soluçou, e Charl a abraçou.

Ninguém precisava que a garota continuasse. Se não encontrassem Lucy logo, encontrariam algo muito pior.

– Eu... acho que sei onde Lu-chan pode estar. – A voz de Levy estava fraca, e seus olhos seguravam as lágrimas que insistiam em cair não apenas no rosto da azulada, mas de todos. – Ela citou um lugar no livro dela... um prédio.

As palavras de Levy com certeza conseguiu animá-los. Agora pelo menos teriam uma ideia de onde procurar a maga celestial.

– Então vamos logo! – Juvia exclamou. – Juvia não... – E então desabou no choro, apoiando-se em Gray, este que se assustou mas não lutou contra tal ato. – Juvia não quer que Lucy-san morra!

– Ela não vai morrer. – A voz de Gajeel pareceu acordá-los de seu transe. – Levy, nos leve logo nesse prédio.

– Certo. – As palavras do Dragon Slayer pareceu deixá-la mais confiante, vendo por sua postura que mudara tão repentinamente. A garota já estava de pé, caminhando rapidamente até a porta, os outros ao seu encalço, com exceção Erza.

Ela estava parada, ainda perto da mesa, segurando a carta.

Seus dedos começavam a ficar esbranquiçados.

– Ei, vão na frente, eu alcanço vocês. Tenho que colocar tudo no lugar, já que alguém – os olhos de escuros perfuraram Gray, este que engoliu em seco. – bagunçou tudo. Lucy não vai gostar de ver esse lugar assim quando voltar.

– Esperamos você na entrada, então... – respondeu o Fullbuster, correndo até a porta, amedrontado.

Quando finalmente ficou sozinha, a Scarlet abriu a gaveta onde a amiga guardava as cartas para Natsu.

Haviam muitas outras, apesar de terem lido apenas a última – a que a loira havia deixado em cima de sua mesa, e que ainda estava parcialmente molhada de lágrimas.

Respirando fundo, arrancou a gaveta.

Andou um pouco pelo apartamento, até encontrar uma caixinha de fósforos.

Pegou a gaveta, e colocou-a na banheira.

Acendeu o fósforo e jogou-o nas cartas.

Com um sorriso no rosto, observou-as queimar. Quando o fogo cessou, deixou o cômodo.

Ao chegar na saída, olhou para trás.

– Você apenas escreve cartas para os mortos. Não esqueça mais disso, Lucy Heartfilia! – Berrou à plenos pulmões.

E após o barulho da porta sendo brutamente batida, o apartamento de Lucy manteve-se vazio e silencioso.

Notas finais
Olá novamente!

Espero sinceramente que tenham gostado.

P.S.: Sobre a postagem de novos capítulos, não tenho um horário definido, mas não costumo demorar mais de uma semana.

Como sempre, comentários são sempre bem-vindos, não fiquem receosos de comentar suas críticas também, elas ajudam e muito o autor a melhorar.

Beijinhos e até o próximo! ♥