Carta de um Illuminati
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Eu era um jovem de dezessete anos,cursava último ano do ensino médio,e me vi cercado de obrigações : entrar para faculdade,formar,arrumar um bom emprego,casar,filhos... Mas não queria nada disso,nada de dogmas,deveres,seguir um ciclo vicioso que toda minha geração vinha seguindo. Eu queria continuar meus estudos independentes,sem pressão de escola,diploma,horários,queria somente conhecer mais do mundo,das pessoas, do Universo. Foi no dia da minha formatura,vendo aqueles rapazes de terno engomado,meninas maquiadas,e cheio de formalidades,que tomei a decisão definitiva : Irei seguir um caminho diferente. Daqui em diante,serei eu e meus pensamentos. Após essa decisão,precisava comunicar para minha família o que iria fazer dali pra frente. Pedi a meus pais que preparassem um jantar e chamassem a todos amigos e familiares,para que eu comunicasse algo importante. Foi um erro. Quando tentei explicar o que iria fazer eles me julgaram,desacreditaram nos meus objetivos,fui chamado de vadio e mal agradecido. Fui expulso de casa e de qualquer laço com os familiares. A partir dali,eu seguia sozinho,apenas levava comigo uma mochila com uma caneta e um caderno. Segui pelas ruas,viajei para outra cidade e gastei todo o dinheiro que havia economizado. A decadência me visitou e queria pousar em minha cabeça,ela quase conseguiu.

Deitado em uma rua,com fome e frio,doente,num canto escuro,peguei o caderno e escrevi:
“Eu busquei o conhecimento e o mundo me abandonou. Mundo, por que me abandonastes?”
Arranquei a folha de papel, amassei e joguei na rua,senti um tremor muito forte. Era meu estômago que jazia por algo pra afagar. Acabei adormecendo. Quando acordei, senti uma dor incomoda na coluna, por ter passado a noite no chão frio, abri os olhos e vi a claridade do Sol. O Sol,e sob a luz dele avistei algo incomum. Era um homem de seus quarenta e poucos anos,cabelos castanhos e olhos penetrantes,um paletó e sapatos sociais,que me fitava. Assustei-me um pouco quando percebi aquele homem me observando, mas com o pouco de ânimo que me restava,dirigi a palavra a ele e perguntei:
– O que foi, nunca viu um infeliz mendigo antes? Ou um bêbado jogado na sarjeta? O que tanto olha pra mim? Saia daqui quero ficar sozinho!
O homem não se assustou com minhas palavras, pelo contrário, ele chegou mais perto, se ajoelhou ao meu lado e tinha um pedaço de papel amassado em suas mãos. O papel, era o que eu havia jogado fora na noite passada, pensei comigo,por que ele estaria com aquilo,resolvi indagar o homem:
– O senhor veio caçoar da minha desgraça? Pois bem,pise,ria,faça o que quiser,mas nada que disser irá me deixar pior do que já estou.
Para minha surpresa, o homem sorriu com canto da boca e argumentou,com sua voz calma e límpida:
– Meu jovem,tem um ditado antigo que diz “Não há nada tão ruim que não possa ficar pior” – ele olhou pra mim ainda com sorriso de canto de boca e me entregou o papel amassado.
Pensei por que aquele homem tinha que ter aparecido,minha vida já estava perdida,e ele me aparece pra caçoar e dizer que ainda vai piorar! Era o cúmulo. Nisso,com o pouco de ânimo e coragem que me restava,me levantei e fiquei acima do homem,que tentou se levantar também,mas foi impedido por mim,com um empurrão grosseiro:
– Não perca seu tempo tentando chutar um canino desfalecido! Fique ai com sua pose,classe e falta de empatia! Fique ai,pois eu já estou me retirando para uma fossa onde não tenha mais nenhum almofadinha pra me infortunar. – sai caminhando em passos fortes e rápidos.
Segui caminhando pela rua,que agora estava movimentada,pessoas transitavam em meio a calçada. Algumas mulheres com suas crianças,alguns homens com seus ternos e pastas,e eu,um infeliz angustiado que tentava fugir do mundo,e agora,fugia também de um homem que nem conhecia. Já havia me distanciado bastante do local onde encontrei o tal homem,cerca de sete quarteirões,resolvi que já era seguro diminuir a velocidade e olhar pra trás,pra garantir que o homem não tinha me seguido. Erro meu. Num momento de distração,quando olhava pra trás,esbarrei em algo,e acabei tropeçando e caindo no chão. Fiquei assustado,não por ter caído,mas sim pelo que avistei no chão : um pedaço de papel amassado,igual ao que havia jogado fora minutos atrás. Não me contive e peguei o papel,abri e notei que tinha algo rabiscado no final da folha,era uma caligrafia simétrica e perfeita que dizia:
“O homem busca o conhecimento,mas não consegue decifrar o que encontrou. O mundo te abandonou,mas EU não sou o mundo. Quero te dar a chave,mas você precisa encontrar a porta.”
Me senti meio tonto ,tentando decifrar o que significada aquilo tudo. Comecei a me levantar e vi algo que me fez cambalear..
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