Carpe Diem

2 Capítulo I - O Despertar


Notas iniciais
- Oi minhas delícias!!! Primeiro capítulo da fic! Oh God! Estou empolgada! Depois que li os reviews fiquei super motivada com essa história.
Tamashii_Akira disse que esta pode vir a ser a melhor história que postei aqui... será? Eu to confiante! ^-^
Agradecimentos à ela, à Bianca, Invisível,Tumblr e Monike-chan que deixaram reviews! Beijos suas lindas! Aqui vai o primeiro capítulo recém saído do forno!

Capítulo I – O Despertar

Ela vive num conto de fadas

Num lugar longe demais para ser encontrada

Se esqueceu do gosto e do cheiro

De um mundo que ela deixou pra trás

O que importa é se exibir para lentes

Eu disse a ela que os ângulos estão todos errados

Ela está arrancando asas de borboletas

Mantenha seus pés no chão

Quando sua cabeça estiver nas nuvens

[Brick By Boring Brick — Paramore]


Um cheiro muito forte e uma brisa fria. Isso foi o suficiente para me deixar ciente de que eu estava viva. Abri os olhos como se houvessem grãos de areia sob minhas pálpebras, o que eu não duvidava já que meu leito era uma mistura de barro e sangue coagulado. Era gelado, áspero, e eu não conseguia me mover. Mal conseguia manter os olhos abertos por mais de um minuto. Não sabia onde estava, nem porque estava ali, só sabia que era um lugar alto donde eu conseguia ver claramente um campo de pinheiros e uma aldeia mais adiante.


O gosto metálico e amargo da minha boca foi se dissipando e dando lugar à sede e à fome. Eu estava faminta, como se não comesse houvesse dias. Custei para conseguir apenas me sentar e olhar ao redor à procura de algum alimento. À frente só havia árvores e uma aldeia que parecia muito distante e reservada, se eu chegasse lá com vida, o que eu duvidava, era bem provável que não me socorressem. Não sabia como nem por que, mas me sentia estranha. Logo a fraqueza dominou meu corpo e sentar se tornou algo sobre humano, então eu sucumbi sobre os resquícios de relva manchados de escarlate de cheiro intenso, incapaz de pensar em outra coisa senão em cessar a dor que algo dentro de mim me causava.


Quando abri os olhos novamente, depois de um tempo consideravelmente longo, percebi que já não havia luz suficiente para que eu enxergasse o campo tão bem quanto antes. O céu se tornara um dégradé de cores azuladas e violetas, como se alguém houvesse derrubado tinta púrpura num imenso pano azul-claro. Era algo lindo e eu estava enfeitiçada por aquela imagem, até reparar nas sombras que os pinheiros lá embaixo projetavam no gramado, e de alguma forma esquisita, me senti traída, como se atrás daquele véu estendido sobre minha cabeça pudesse haver sombras negras e temíveis como aquelas. Ponderando sobre o medo e o fascínio que aquela paisagem me causava, me entreguei à sensação de desejo de participar daquele quadro.


Não sei como, mas arranjei força para me levantar, trincando os dentes em protestos as dores que meu corpo reclamava. Dei dois ou três passos cambaleantes, do quarto em diante meio arrastei, meio joguei meus pés para frente, já que parecia ter quilos de chumbo presos em cada dedo. Sei que não me afastei muito do meu leito de ervas daninhas e barro, pois os rastros de sangue ainda me acompanhavam visivelmente, uns sete ou oito passos talvez, então caí. Mas não caí e fiquei ali estirada, inerte e derrotada, caí bem do declínio do cume, acabei rolando por ele abaixo, parando apenas ao chocar as costelas contra algo duro e áspero, o que deduzi ser uma árvore, não fiquei acordada tempo o bastante para descobrir. Em meio as dores dos ossos quebrados, gemidos de angustia e fome, tremores de frio e medo, notei uma fitinha brilhante voejando rasante próximo de mim. Depois de observar um pouco, percebi que era um tipo de pássaro com papéis dourados amarrados nos pezinhos.


Eu arfava, gemia, quase gritava pelas dores que sentia, mesmo assim não conseguia desviar os olhos daquele animalzinho tão peculiar cujos olhos pareciam duas esferas de prata. Ele parecia cada vez mais inclinado a se aproximar de mim, não hesitava diante dos meus gritos. Imaginei se ele tinha ciência de que eu não gritava para afastá-lo de mim, o que era o caso. Então seu voo rasante deixou de ser voo e se tornou pulinhos tímidos ao meu encontro, permitindo que eu pudesse capturar detalhes de sua minúscula aparência minuciosamente.


Nesse jogo de tentar ignorar a dor com distrações como aquela, percebi que na fita dourada presa nos tornozelos do passarinho, estava chanfrado um conjunto de símbolos que eu não soube decifrar. O mais estranho é que, logo que acabei de correr os olhos por essa fita, a mesma se incendiou, consumindo o pássaro e tudo com suas chamas e desaparecendo como se jamais tivesse existido.


Teria pensado que havia sido um delírio meu se o cheiro de queimado não houvesse perdurado um tempo na atmosfera e a região onde o pássaro estava pousado não tivesse ficado esturricada.


Quando nem a esquisitice daquilo era o suficiente para afastar aquela agonia que eu sentia da cabeça até os dedos do pé, desejei mais do que tudo morrer, seja lá como isso fosse ou o que realmente significasse. Eu queria um fim para a minha tormenta, e se houvesse um botão onde eu pudesse libertar-me dessa dor, mesmo que custasse minha vida, com preço justo ou não, eu apertaria esse botão sem hesitar, pois a angústia que eu sentia era mais do que eu podia aguentar.


E então, como por um presente dos céus, do véu púrpura e anil sob meu esqueleto fragmentado, jogado solitário ao relento, lá no alto do cume, bem no pico onde eu estava, surgiram vários e vários homens, todos vestidos iguais, com tochas e armas na mão, uns sobre cavalos e outros a pé. A luz que emanava do fogo que eles carregavam batia em suas faces e me mostrava seus semblantes grotescos e medonhos. Mais até do que as sombras dos pinheiros. Mais até do que a visão do pobre passarinho sendo carbonizado.


Não sabia se pensava que estava salva ou mais condenada ainda. Mas posso dizer que naquele momento, verdadeiramente, eu senti que tanto faz. Era como se eu fosse invisível mesmo. Uma existência cujo conhecimento jamais foi dado. Apenas uma coisa jogada aos pés do cume cheia de sangue e lama.


É. Talvez aquela muralha humana e aterrorizante de homens fosse minha salvação. Crente nisto, desmaiei antes de ver o que se sucedera.


.o0o.

Despertei por conta de vozes roucas que, pelo timbre desajustado, pareciam travar uma discussão. Minha boca abriu, seca, em seguida meus olhos, logo sendo feridos pela chama incandescente de uma vela prostrada diante do meu rosto, tão próxima que eu podia sentir o calor do fogo aquecer a ponta do meu nariz. Quando tentei me mover, incomodada com a superfície dura onde repousava, senti todo meu corpo protestar, em cada ponto, em cada milímetro. Inconscientemente lembrei do cheiro do sangue e das sombras aterrorizantes que os pinheiros projetavam na grama, então me recordei também da queda do pequeno morro.


Durante essas tentativas de buscar uma posição melhor naquele leito rude, gemidos escaparam de minha boca sem permissão chamando assim a atenção das vozes esbravecidas que instantaneamente se calaram. Do ponto onde eu estava, tudo o que meus olhos alcançavam era a vela, um divã vazio e castiçais pendurados em uma parede rochosa e britada, nada dos donos das vozes, nada dos cavalheiros arrogantes do alto do cume.


O primeiro rosto que vi foi de uma mulher, embora sua carranca a fizesse parecer muito menos afável do que eu a podia julgar pela sua beleza. Tinha um olhar cremoso e interrogativo, os cabelos áureos faziam um contraste bonito com sua pele de tom sadio, e eu fiquei muito feliz por aquele ter sido o primeiro rosto que eu vira na minha vida. Como eu fosse um passarinho reconhecendo o assovio da mãe.


E posteriormente ela se tornou minha mãe, mas isso é algo que contarei depois.


Tenho que lembrar que estou contando isso com esses detalhes porque se tratam de lembranças, quando ocorreu de verdade, eu não sabia analisar nada, eu era uma completa demente. Tanto que quando a mulher falou eu não compreendi sua língua. Eu sabia falar, mas o meu idioma estava morto, eu estava num lugar onde tudo, até a forma de abrir e fechar a boca eram diferentes do meu. O mais torturante não era me encontrar totalmente perdida num mundo desconexo pra mim, pior foi quando, já habituada, parei e me perguntei de onde que eu viera.


Eu não sabia nem meu nome.


Enfim. A mulher estancou à minha frente e me olhou por alguns segundos que julguei ser intermináveis minutos de foco em meu olhar. Ela falava rápido e num tom ríspido, mas não parecia direcionar as palavras para mim, falava com terceiros no cômodo, aqueles que meus olhos não me permitiam enxergar.


Depois de uma breve conversa e olhares minuciosos sobre mim, ela que até então estava agachada na minha frente se levantou e outrem se aproximou. Ambos me tocaram, bem onde doíam. Rugi de dor quando me ajeitaram no leito rígido tirando coisas impregnadas no meu corpo como se fizessem parte da minha pele. Cada toque um gemido incontido dos meus lábios. Ela repetia algumas palavras como se tentasse me acalmar e naquele momento eu soube que mesmo se entendesse o que ela dissesse, de nada aquilo serviria para abafar a dor que eu sentia.


Logo eu fui cercada de pessoas com rostos impassíveis, iguais aos homens do cume. A princípio senti um misto de medo e curiosidade, mas quando começaram a aplicar compressas de algo gelado nos pontos onde mais doíam, senti um alívio dúbio que me fazia implorar para que eles não cessassem seja lá o que tivessem fazendo em mim. Um deles ergueu minha cabeça e a mulher se aproximou mais de mim com um líquido quente e salgado que foi colocando em minha boca de colher em colher, com toda a paciência do mundo. Me engasguei duas ou três vezes, mesmo assim ela continuava ali, persistente em me alimentar de qualquer forma, repetindo aquelas palavras de conforto que eu ainda não podia compreender.


Quando cerrei os olhos de tanto cansaço, me senti um pouco menos em perigo, um pouco menos judiada. Me sentia mais segura, já que me alimentaram e aliviaram minha aflição. Sentia como se eu pudesse relaxar sem medo das sombras dos pinheiros ou das expressões grotescas dos homens de tochas no cimo de onde eu caíra.


Tudo o que eu poderia fazer era dormi.

.o0o.

Acordei naturalmente com o coração calmo e uma leveza agradável. Estava em um lugar diferente do qual lembrava antes de adormecer. Era claro, silencioso, e a superfície onde eu estava era macia e quente. Virei minimamente a cabeça e vi que não sentia mais dor nem ardência, assim arrisquei me mover mais e constatar se a dor havia realmente se desvencilhado de mim. Meus dedos das mãos e dos pés. Eu podia senti-los. Minhas pernas deslizavam sobre o tecido liso sem protestos, meus braços, minha cabeça. Eu estava bem.


Apoiada nas palmas mãos, me levantei calmamente sentindo nós nas minhas costas reclamaram de cansaço, mesmo assim fiz todos os esforços necessários para me levantar, mas ao colocar o pé direito no tapete aveludado e tentar apoiar todo o peso do meu corpo nele, caí novamente. Só que dessa vez eu não me machuquei, apenas meu coração dera um solavanco de susto, o tapete era tão macio que parecia que eu havia deitado em uma nuvem.


Fiquei envergonhada de tentar me levantar e cair novamente, então permaneci ali olhando o quarto por aquele ângulo. As paredes claras, o assoalho de madeira, as mobílias trabalhadas em detalhes delicados e simétricos, o cheiro singular e agradável que impregnava todo o ambiente e o silêncio. O silêncio gostoso que me fazia sorrir bobamente.


Na verdade, eu estava feliz por estar viva, mas era tão ingênua que achava que a quietude e amenidade de um pequeno quarto fossem responsáveis por aquela sensação gostosa de paz.


Um barulho. Outro solavanco no meu pobre coração. Era a porta que havia sido aberta de supetão dando passagem para aquelas pessoas que cuidaram de mim. Me olharam estupefatas e me envolveram em seus braços, devolvendo meu corpo inútil para o leito do qual eu caíra.


–Gratias ago vos. –Disse sentindo a suavidade da minha voz, fraca e imprecisa.


Eles se entreolharam, trocaram palavras que eu não pude compreender e um deles pareceu se iluminar, exclamou algo e saiu correndo do quarto deixando os outros com expressões confusas que me fizeram sorrir. Quando perceberam a curva dos meus lábios, dois deles se ajoelharam próximos de mim e falaram coisas olhando em meus olhos, pareciam aflitos e suas expressões não estavam mais divertidas, estavam me desesperando, pois eu não sabia o que queriam de mim.


Eu já os havia agradecido. Que mais poderia fazer sendo que nem me sustentar sobre os pés eu conseguia?


Meneava a cabeça para os lados, senti meus olhos arderem e eles parecerem mais e mais desesperados, olhando meus olhos como se dependessem de algo que houvesse dentro deles. Quando pensei que iria enlouquecer, o outro que saíra correndo da sala voltou com duas pessoas: a mulher dos cabelos alvos e um homem que até então eu desconhecia. Ele tinha parte do rosto coberto por um tecido escuro deixando apenas seus olhos aparentes, que assim que entraram na sala me olharam com interesse.


A mulher fez um sinal, em seguida todos os outros saíram, restando apenas os dois no local.


–Intellegereme? –O homem disse e uma parte de mim se fulgurou ao saber que havia alguém que eu entendia. –Pode me entender?


–Posso. –Respondi. Ambos se olharam, a mulher sorriu, e mesmo o homem estando com a máscara tapando os lábios, a ruga em suas têmporas me diziam que ele estava sorrindo juntamente com a outra.


–Pode se sentar? –Meneei a cabeça e com o apoio de minhas mãos eu consegui me sentar e encará-lo. –De onde vem? –Eu não sabia o que responder. Automaticamente me lembrei do cheiro metálico, do líquido escarlate e quente, a aspereza dos grãos de terra em meu corpo, a visão dos pinheiros, do céu...


–Do cume. –Respondi ainda incerta se esta era a resposta. Ele parecia ser uma pessoa esperta e era certo que perceberia que nem eu mesma tinha certeza disso.


–Qual é sua familia? –Aproximou-se dois passos. Esta pergunta havia me deixado confusa, demasiadamente confusa.


–Família? –Perguntei.


–Patrem, matrem, frater... Familia. –Esclareceu. –Onde está sua família? –Continuei sem compreendê-lo. Eu não sabia o que era família. Nem pai, nem mãe, nem irmão. Balancei a cabeça para os lados e ele suspirou. Olhou brevemente para a mulher e sentou-se ao meu lado, pegando suavemente nas costas da minha mão.


–Qual seu nomem?


–Nome? Não sei o que é nome. –Respondi.


–Nome serve para intitular as coisas, as pessoas.


–Não me intitularam. –Disse.


–Do que você sabe? –Perguntou num timbre mais ameno. –É mais fácil me dizer quem é você, já que não tem as respostas para minhas perguntas. –O silêncio voltou ao quarto. Mas não era aquele silêncio gostoso de antes deles entrarem, era um silêncio que incomodava, que me fazia querer sair correndo.


–Quem sou... –Experimentei as palavras. –Qui sum... –Voltei meus olhos para os dele, perdida, pois eu não sabia quem eu era, não sabia para quê servia, não sabia de nada, de nada.


O que eu era?


De onde vim?


Onde eu estava?


Quem era aquelas pessoas?


Por que me fitavam daquele jeito?


Desnorteada nas indagações que o homem havia despertado em mim, olhei minhas mãos, pálidas com veias aparentes, o corpo nu, pernas finas, pés frios, rosto liso como os panos que cobriam parte de mim.


Isso era eu?


Eles perceberam que eu já estava ficando fora de mim, os batimentos acelerados, a respiração inconstante e as expressões franzidas. As mãos do homem tentaram tocar-me novamente, talvez para me acalmar, mas não era porque podíamos nos comunicar que eu poderia confiar nele.


Quem era ele? O que queria de mim? Respostas? Para quê? Por quê?


Recuei, rolando o olhar hora para ele, hora para ela. Não queriam que se aproximassem, mas assim que suas expressões migraram de preocupação para determinação em me alcançar, vi que minha única saída era fugir. Saltei pelo outro lado da cama, caindo no chão debilmente. Eles estavam a palmos de mim. O medo me deu equilíbrio e então novamente lá estava eu cambaleando pelo quarto, fazendo o máximo possível para eles não me alcançarem.


O homem dizia: Se acalme menina, não queremos seu mal. Mas qual a garantia que eu tinha que eles não mentiam? Os pinheiros, antes majestosos e agradáveis de ver fizeram sombras sobre o gramado, sombras que me deixaram assustada, que me deixaram inquietas. Que garantia eu tinha que este homem não ira derramar sombras sobre mim?


Há alguns metros de mim a mulher me olhou com irritação, segurou um tipo de vara entre os dedos e proferiu palavras dúbias com uma voz grossa e imponente que me fez prestar atenção nela, mesmo sem poder entendê-la. Um tempo se passou e permanecemos daquele jeito, imóveis, trocando olhares, sem avançar nem recuar, apenas mantendo distância. Quando menos se esperava, a mulher gritou uma combinação de palavras e apontou o objeto fino e cumprindo na minha direção. Uma pressão invisível me atingiu, deixando meu corpo extasiado por uma sonolência que me impedia de permanecer em pé. Quando estava prestes a sucumbir, o homem correu em minha direção e me segurou.


– Tranquillitaspuella! –Sussurrou. –Se acalma menina!


Sentia as pálpebras pesadas, o corpo molenga... As vozes pareciam ser ouvidas à muitos metros de distância. A mulher proferiu algo novamente e eu já me preparava para recebeu outra lufada de ar ou seja lá que força havia me atingido, entretanto, não senti nada.


Uma das mãos do homem me soltou e apanhou um espécie de cálice prateado.


–Beba. –Disse com a voz aveludada. –Beba e vai ficar melhor.


–Não... Por favor... Me deixe... –De nada adiantou minhas súplicas. Ele me fizera engolir o líquido amargo de gosto forte que me fez engasgar e tossir como se estivesse me afogando no ar. Ele dava leves tapas em minhas costas, a mulher se ajoelhara na minha frente, prendia meu rosto entre às palmas de suas mãos.


–Olhe pra mim! –Eu a ouvia. Eu a entendia. Arqueei as sobrancelhas e a obedeci assim que a tosse cessou um pouco. –Me diz quem é você!


–Eu não sei! –Sua expressão suavizou-se. –Eu não sei. –Repeti num sussurro fraco.


–Tudo bem. –Alisou meu rosto e olhou o homem que me segurava. Assentiu e voltou a me olhar novamente. –Você quer um nome? –Não respondi. –Eu vou te dar um nome, tudo bem? –Meneei a cabeça minimamente. –Você se chama Sakura a partir de agora.


–Sakura? –Provei a sonoridade da palavra. –O que é Sakura? –Perguntei já distraída da luta de minutos atrás.


–É uma árvore que de tempos em tempos dá flores da cor do seu cabelo.


–Sakura... –Sussurrei sentindo o gosto do meu nome. Eu não sabia que sabor deveria ter um nome, eu nunca havia provado isso, mas gostava de como Sakura saía da minha boca.


–Você vai morar aqui a partir de agora.


–Onde?


–No Vale dos Pinheiros. –Levantou-se. O homem fez o mesmo comigo. Que colocou de volta na cama e me cobriu. Eu estava calma novamente e não conseguia desprender meus olhos da mulher.


–Como eu posso te entender?


–Te dei uma poção.


–Poção?


–É. Agora descanse Sakura. Depois eu volto para responder suas duvidas.


Os vi desaparecerem. O silêncio voltou, mas não era gostoso como antes. O quarto parecia menos formidável do que antes. Parecia tudo muito diferente de como estava há poucos minutos depois de acordar.


Sakura. Meu nome é Sakura. Eu moro no Vale dos Pinheiros.


Eu já sabia um pouco do que eu era e fiquei repetindo isso dezenas de vezes antes de adormecer para ter certeza de que quando eu acordasse não fosse esquecer tudo novamente.

Notas finais
- E aí? O que acharam da 'estaca zero' de Sakura? De seu 'nascimento'? Já podem imaginar que é o casal que conversou com ela afim de entender suas origens? Tá óbvio ne? shuahsuahsuahsua
Reviews = capítulos grandes e sem demora.
Esse capítulo saiu grandão porque 100% das leitoras comentaram. Se for assim sempre, lucro pra vocês haha
Até mais!
Carpe Diem