Notas iniciais
Oooi gente, tudo bem? Boa Leitura!!

Dor.

Parece que eu estou recebendo uma surra a cada dois minutos.

Amor.

Meu coração está acelerado.

Traição.

Um sentimento que tem um duradouro relacionamento com o remorso.

Remorso.

Remorso.

“Você morrerá de remorso”.

Sangue.

“E do último suspiro que levou um anjo para longe.”

Gemidos.

“Gritos clamando por socorro”.

– Lucas, acorda. Tudo bem? – Abro os olhos repentinamente, assustado. Estou deitado em um quarto escuro, Igor está do meu lado esquerdo me olhando com preocupação e medo.

– O que houve? – Minha voz sai rouca e desesperada, me sento na cama ficando em frente a Igor que continua com aquele olhar assustado, que consequentemente me deixa mais assustado do que já sinto que estou. – Igor?

– Eu não sei. Eu acordei com você gritando desesperado, vim correndo aqui e te encontrei suspirando medo. Tentei te acordar, mas você não acordava. Pensei que estava tendo uma concussão, cara. Além de toda essa cena, você murmurava umas frases sem nexo nenhum. Daí, eu tentei te acordar e você quase me matou do coração.

– Que frases?

– Alguma coisa sobre suspiros levarem anjos, morrer de remorso e gritar por socorro. Mas, isso não é importante, você está pálido e parece que vai morrer em dois dias. Droga! Você não usou droga na festa ontem, não é? Eu já disse Lucas, o seu corpo é... Bom, frágil, não que ele seja fraco, mas ele não aguenta tanta toxina lembra? Bom, foi isso que o médico disse depois daquele seu surto de rebeldia. Eu nunca me perdoaria se aquilo acontecesse de novo, depois eu sou o seu amigo insensato... – Igor continuou com seu sermão, seu olhar lhe dava uma postura séria e responsável. São poucas as vezes que isso acontece. Igor se tornar o responsável e eu, o adolescente delinquente. Ele continua falando, mas para o bem da minha sanidade mental e da dele, simplesmente o ignoro. Eu não usei droga ontem, eu nem estava presente na festa idiota que “nós”, vulgo Igor, estávamos dando, isso porque estava muito compenetrado em descobrir porque a minha vítima havia deixado aquele bilhete suicida.

Na verdade, eu participei da festa durante longos 45 segundos. O tempo que levou para eu passar pela porta do apartamento que divido com Igor e três festas por semana, e chegar ao meu quarto. Este que estava são e salvo só por um milagre de Deus. E, após tomar um banho e me fazer confortável, peguei meu notebook, um caderno de anotações e uma caneta e sentei na cama. Pesquisei tudo que pensei estar relacionado com o nome Andressa Lemos, suicídio, cartas suicidas, entre outras coisas.

Adivinhe? Nada. Eu não encontrei absolutamente nada sobre Andressa Lemos. Ela é uma garota fantasma, como se não existisse. Estranho. Procurei por tudo: redes sociais, sites de busca, de pessoas desaparecidas, entre muitos outros. Nada. Eu já estava me decepcionando quando... bom, quando pensei ter a encontrado, as fotos não se pareciam em nada com a minha bela vítima.

Depois de aproximadamente umas quatro horas de busca acabei dormindo, e, aparentemente sonhei com a carta que recebi de Andressa Lemos. Pelo o que Igor tinha dito, as frases eram praticamente as mesmas que foram escritas por Andressa. Além de que, o sonho era assustador, eu via morte, sangue, me vi matando, apanhando, sofrendo. Inferno. Essa palavra resume todo o meu sonho. A única coisa que parece errada e inesperada era é me sentir apaixonado, ela mencionou que eu me NÃO apaixonaria no decorrer da investigação, isso não deveria ter mexido tanto comigo, na hora eu simplesmente ignorei ou nem notei essas palavras. Acredito que além de Igor, meu coração está querendo se apaixonar. Ridículo.

O estranho é que eu geralmente não me assusto com essas coisas. A maioria dos livros que leio é de terror, suspense ou coisas assim, e os filmes não são muito diferentes disso. Além de que, quando li a carta, não fiquei com medo e nem estou com medo agora, é como se meu corpo estivesse se recusando a participar desse desafio dado por Andressa Lemos.

–... E, eu estou falando sério, da próxima vez que você tentar ser rebelde ou um fora da lei que nem os heróis dos seus livros, eu juro, vou te colocar em um hospício. Lucas? Você me escutou, certo? Afinal eu não me importaria de começar tudo de novo. – Nossa, eu devo ter batido meu recorde. Pensei em umas quinhentas coisas e acabei-me esquecendo de que Igor estava me dando um sermão totalmente desnecessário.

– Eu acho que entendi. Só tem um pequeno detalhe. – Igor me olhou confuso.

– Qual?

– Eu não uso drogas.

– Então você me fez dar esse sermão a toa?

– Não quis te interromper durante seu momento responsável. – Sorri divertido enquanto ele me olhava reprovador. Bom, pensei que ser reprovador até sentir um travesseiro no meu rosto, enquanto Igor saía. Claro, a última palavra sempre tem que ser a dele:

– Falei sério sobre o hospício.

* * * * * * * * * *

– Bom dia Lucas. Quero que diga como foi que a vítima que chegou ontem a noite morreu até onze horas da manhã de hoje.

– Ela se suicidou. – Certo, desde quando pessoas que se suicidam devem ter sua morte descoberta? Quer dizer, quando pesquisei sobre a vítima e suicídio ontem, não era para saber como ela morreu, mas por quê.

– Até quando Senhor? – o Sr. Battisteli resmungou, em tom de suplica. – Quero saber se ela morreu quando o pescoço quebrou, se alguma costela perfurou o pulmão com tamanha profundidade que a matou, se o crânio perfurou o cérebro, ou alguma outra coisa. Será que pode descobrir isso até às onze horas?

– Creio que sim. E, da próxima vez faça as suas perguntas com maior objetividade, senhor. – Ele me olhou irritado, apenas sorri com escárnio.

Infelizmente minha saída que devia ter sido dramática se tornou desastrosa.

Quando me virei, me choquei com alguém que, aparentemente, estava vindo de onde a vítimas ficavam. Estava com pressa, pois além de me jogar no chão quase pisoteou minha cabeça enquanto corria em direção à porta. Assustado, virei minha cabeça para a porta a tempo de ver que o homem estava carregando um saco nas costas, este foi jogado na porta malas de um carro que disparou quando ele entrou no lado do passageiro.

O Sr. Battisteli ainda estava em transe, me levantei e fui correndo para onde Andressa deveria estar. Quando parei na porta vi que a sala estava uma bagunça. As macas de ferro estavam caídas, os instrumentos, líquidos, e todas as coisas usadas para descobrir a morte da vítima estavam quebrados e espalhados pelo chão. Pelo menos as vítimas e as provas estão no seu devido lugar.

Essa ideia não durou muito.

Uma das gavetas onde os corpos ficam estava aberta.

Não tinha nada ali.

Vazio.

O corpo faltando era dela.

Andressa Lemos foi roubada.

Notas finais
Obrigado por terem lido, espero que tenham gostado. :D