Caretrisse
10 Resposta errada
Notas iniciais
10
Ouço a voz de Cristina atrás de mim, ela caminha e fica do meu lado. Cris primeiro olha para Miguel e depois para mim.
“Está tudo bem?”, ela diz.
Levo o meu braço ao nariz, e tento não olhar para Lucas ou Jeanine, ou quem quer que seja. Viro para Cristina e aperto a mão dela, ela me olha com a expressão confusa.
“Você estava chorando?”, ela pergunta.
Não acredito que fiz isso. Não acredito que deixei isso acontecer.
“Vamos no banheiro.”, eu falo.
Cristina não sabe simplesmente fazer alguma coisa em certas situações, ela precisa saber exatamente o que aconteceu, ela não sai do lugar enquanto não entender o que houve.
“Por que você estava chorando?”, ela pergunta.
Então eu saio caminhando sozinha em direção ao banheiro feminino.
Eu escuto passos me seguindo e imagino que seja Cristina, mas alguém toca o meu braço tentando fazer com que eu pare de andar.
Eu viro e o observo, ele me encara.
“Não sei o que fazer.”, Miguel fala.
Eu respiro fundo e penso um pouco antes de responder.
“Não tem nada que possa ser feito.”, faço uma pausa. “Eu nem mesmo acho que daria certo, de todo jeito.”, digo.
Ele abre a boca para falar mas desiste e não diz nada.
“Ah, e você não está me machucando. Não precisa se preocupar comigo.”, eu falo.
“Você acha que eu me preocupo?”, ele pergunta.
“Na verdade, não.”, respondo.
“Foi o que eu pensei.”, ele diz.
Cristina se aproxima de onde estamos.
“Tudo bem aqui?”, ela pergunta.
“Nada de errado.”, Miguel responde e sai caminhando.
Eu sigo para o banheiro, e Cristina me segue. Entramos no banheiro e sentamos em um dos bancos que fica de frente para os locais de tomar banho.
“Poxa, o que foi isso?”, Cristina diz.
“Não sei.”, respondo.
Eu coloco os pés em cima do banco e me viro de lado.
“Acho que tenho que fazer alguma coisa com a minha vida.”, digo.
“Não fuja do assunto, você precisa resolver essa história. Por que vocês não ficam juntos?”, ela fala.
“Ele não gosta de mim.”
“Piada.”
“Não é piada, ele me falou isso.”
“Complicado.”, ela diz. “Aliás, eu e o Will terminamos.”
“O que?”
“Pois é.”
“Ah, Cristina.”, digo e puxo ela para um abraço. “Eu estava tão ocupada com as minhas bobagens, o que aconteceu?”
“Eu não sei.”, Cristina começa a chorar e movimenta as mãos enquanto fala. “Um dia nós estávamos muito bem, ótimos, e no outro acabou.”
“Eu sinto muito. Eu nem sei o que te dizer, sinto muito mesmo.”
“Obrigada.”, ela responde.
Eu a abraço de novo, e ela recomeça a chorar.
O que eu poderia dizer? Eles foram feitos um para o outro, eu não sabia o que falar numa hora dessas.
“Você acha que ele vai pedir para voltar?”, ela pergunta.
Eu olho para ela e não sei o que responder. Penso um pouco.
“Acho que sim.”, falo.
E sei que estou sendo sincera. Cristina sorri e me abraça forte.
Eu me pergunto se um dia eu terminasse com Miguel, ele voltaria para mim? Então eu sorrio depois que penso uma coisa: Se pelo menos chegássemos a ficar juntos.
O resto da aula passou correndo, Lucas se ofereceu para me acompanhar até perto da minha casa e eu disse que tudo bem. Em casa, perguntei para o meu pai se ele iria visitar a casa de idosos amanhã, ele respondeu: “Claro”, sorrindo. E eu disse que gostaria de ir com ele, minha mãe teve que puxar nós dois para um abraço triplo porque achou que o momento merecia. Ela usou essas palavras.
A tarde, liguei para Cristina e ela me contou que Will ligou para ela e eles conversaram bastante e resolveram voltar. Eu deixei bem claro o quanto estava feliz por ela, e desliguei.
Depois que tomo banho para dormir olho para o relógio e vejo que são 10:20h, eu levanto e vou na sala, onde meus pais estão assistindo um filme, minha mãe vira o rosto quando escuta os meus passos.
“Tudo bem, filha?”, ela pergunta.
Eu me aproximo do sofá.
“Mãe, você acha que tem alguém trabalhando na escola essa hora da noite?”, pergunto.
“Não sei.”, ela responde com a expressão confusa. “Por que você quer saber isso?”
“Eu precisava de uma informação, só isso.”
“Talvez um guarda?”, meu pai diz.
“Um guarda? O mesmo que trabalha pela manhã?”, pergunto.
“Pode ser que tenha um guarda.”, minha mãe diz. “Mas não o mesmo da manhã. Acho que deve ser outro.”
“Ok.”, digo. “Boa noite.”
Escuto meu celular tocando no quarto, e caminho bem rápido de volta.
“Boa noite.”, ouço meus pais falarem ao mesmo tempo.
Pego o celular em cima da cama e vejo o nome Cristina e uma foto de nós duas quando éramos crianças.
“Oi.”, falo.
“Você não sabe quem me ligou.”
“Quem?”, pergunto.
“Certo, vou explicar, não me interrompa. O porteiro ligou para mim, segundo ele, encontrou meu numero na lista de números da escola, sabe aquele papel que tem no painel da diretoria com os números de pessoas importantes, tipo funcionários? Então, uma vez eu coloquei meu numero lá, e eu ri muito disso agora, você não tem noção!”
“Eu vou ter que te interromper porque eu estou rindo muito, você não tem noção!”, eu falo.
Nós duas rimos bastante e eu tento conter a minha curiosidade. Rir ajuda.
“Então?”, eu digo.
“Então é isso, né.”, ela diz e ri.
“Ta bom.”
“Meu Deus, você é muito boa em esconder curiosidade, você é humana?”, Cristina fala, rindo.
“Você é a pior amiga do mundo.”, eu falo e começo a rir também.
“Certo. Ele me pediu seu numero e eu dei, pensei que ele já tivesse te ligado.”
“Não.”, digo. “Você não apagou o numero dele, apagou?”
“Claro que eu salvei!”, ela responde.
Ela me fala o numero e eu anoto.
“Você ligaria? Você não é tão audaciosa assim.”, ela fala.
“Por que você acha que eu pedi o numero?”, pergunto.
“Para saber quando ele estiver ligando, e não ficar surpresa quando ouvir a voz dele e ter um infarto?”, ela diz.
“Resposta errada.”, eu falo.
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