ELLEN SANLDER.

Aqueles olhos que eu tanto amava. Aquela boca. Aquele sorriso... Tudo pareceu desaparecer. Ela estava mentindo para mim e uma mentira atrás da outra. Primeiro disse que só foi jantar e então eu questionei o cheiro de cigarros em seu cabelo, ela disse que ficou na área de fumantes. Então eu questionei o cheiro de cerveja. Ela disse que após passou em uma festa de uns amigos e foi para casa com Emma. Perguntei por que ela não trocou de roupa, ela disse que não queria vestir as roupas de uma menina de 15 anos. E por último me convidou para ir pra sua casa.

— Você não tem motivos para desconfiar de mim. Eu nunca te dei. Se você continuar eu vou me ofender. Estou respondendo tudo na calma. — Fiquei quieto.

— Ficar longe de você é horrível. E você faz essa tortura comigo Ellen. — Ellen... O nome escapou por vontade própria.

— Você não me chama de Ellen.

— Mas é o seu nome.

— Não gosto dele... — Ela respirou fundo — Eu quero meu namorado de volta. Você está aqui. Eu sei que dou ataques de ciúmes, você sempre me deu motivos. Eu nunca te dei! Qual é? Ethan! — Ficamos em silêncio.

— Quando você tomar um banho e os vestígios da mentira sumir eu voltarei a ser o seu namorado... — Ela ficou quieta — Eu conheço você Ellen. Eu conheço.

O táxi nos deixou em sua porta, ela correu e abriu e eu passei por ela tão rápido que ela quase deixou minhas malas para trás. Nenhum vizinho nos viu.

— Onde foi sua mãe?

— Tennessee. E como foi o jantar de graças?

— Vá tomar banho Ellen, a gente conversa depois.

Ela se foi rapidamente de cara feia. Eu vaguei por sua sala de star. A mobília era nova e perfeitamente decorada. Havia porta-retratos por todos os lados e eu encarei sua bolsa deixada no sofá. Tentei resistir à tentação, mas não consegui. Abri-a e peguei seu celular. “Amor” foi o que ela colocou no meu nome. Sorri involuntariamente. E não havia mais nada. Nenhum outro número, ou outra mensagem, a não ser para um número, sem nome. E ela enviou na noite de ontem.

“Eu simplesmente o amo. Ethan é tudo para mim. Eu sinto que vou perdê-lo em breve. Algo que não dá para adiar... Papai queria que estivesse aqui e me ajudasse a encarar a mim mesma. Eu te amo” senti lágrimas pinicarem meus olhos. O que estava acontecendo com ela? Deixei seu celular na bolsa e segui o caminho que ela fez. Segundo andar. Trilhei o corredor e entrei na porta aberta, ouvi o som da ducha e Zedd tocando. Clarity, nossa música. Toque do meu celular. Toque do dela. Ellie simplesmente viciou-se nisso.

— Amor? — Chamei.

— Oi! Eu estou aqui! — Caminhei confuso. Fiquei da porta do banheiro. Medo de entrar, algo me travou — Venha, vida. — E então fui. Ela estava envolta a um roupão azul marinho e um cheiro delicioso de erva doce fluía por todos os lados. Podia sentir seu hálito de menta, escorava os dentes recentemente. — Precisa de um banho? — Assenti. — Esse é o meu quarto. Eu já o amostrei para você, fique a vontade. Eu vou lá a baixo buscar suas coisas...

— Ellie... — Segurei seus braços, ela me olhou — Eu amo você. Nunca vai me perder. Você é tudo para mim. — Me encarou. Seus olhos encheram-se de lágrimas, a menina forte que eu conhecia iria desmoronar. A acolhi em meus braços.

— Nunca me deixe. Promete? — Sussurrou contra meu peito — Nunca. Por nada nesse mundo. Nunca. Eu te amo...

— Eu te amo Ellie. Nunca vou te deixar. Nunca. — Prometi — Você verá, depois que eu me formar tudo será mais fácil. Se você quiser eu venho te buscar, ou fico aqui com você; estaremos sempre juntos como Nikki e Sammy. Eu nunca mais vou querer estar longe de você. É tão ruim...

— É a pior coisa do mundo! — Chorou em meu ombro.

— Tudo certo. Tudo certo. Nós não somos tão dramáticos assim, lembra? Nós somos legais. Divertidos. Nós vamos comprar uma casa de pudim gigante. Ter um cachorro chamado Scott. Ter uma piscina e dois filhos. Nós dois vamos ser felizes e ninguém vai nos impedir.

— Ninguém. Nem mesmo nós.

— Nem mesmo nós.

— Certo! Chega disso, não é? Parecemos àqueles casais patéticos. Credo. Você me transformou em tudo que eu não queria ser. Já para o banho, vou buscar suas coisas.

— Ellie... — Antes que ela pudesse se virar eu a chamei — Só não minta para mim, tudo bem? Nunca? — Percebi quando ela engoliu a saliva e assentiu — Minhas coisas; vai buscar! — Ri e ela se foi rapidamente.

xXx

— Sim, Sammy. Tudo perfeitamente bem. Lindo de se vê. Colorido. Deixe-me falar com o Nikki?

— Ai que sem graça você é. Passarei para ele. — Samantha reclamou e logo após eu ouvi o riso de Nikki. Observei Ellie da água, ela sorriu e acenou. Estava com a sua nova câmera a prova d’água e já havia tirado fotos para o ano todo.

— Como seu amor está bonitão? — Perguntou em tom divertido. Eu ri sem vontade.

— Nikki. Se eu estivesse namorando Ellen Sandler, você me odiaria? — Silêncio. Muito silêncio.

— O QUÊ? — Nikki gritou do outro lado da linha — Você só pode está de brincadeira comigo!

— Não, estou falando sério e bem sério. O que faria?

— Provavelmente socaria sua cara! Você não ficou doente mental ou coisa parecida. Isso acabaria com a nossa amizade, Collins.

— O que ela te fez de tão grave Nikki? Você gostava dela? — Ouvi os gritos de Sammy do outro lado da linha pergunto o motivo da exaltação dele.

— VOCÊ SÓ PODE ESTAR DE SACANAGEM COMIGO, COLLINS. — Gritou enfurecido. — Gostar dela? A garota era a melhor amiga da minha irmã! Eu vi crescer! A garota se mudou para Tennessee e voltou ano retrasado! Ela fez aniversário agora. 17 anos! Você está brincando comigo?

— Então não estamos falando da mesma Ellen — Eu ri nervoso, não era possível — A minha Ellen tem 19 anos. Cursa cinema. Ela já chegou de Tennessee há uns oito anos...

— Meu Deus... Você está namorando a Ellen? Deus do céu! — Exclamou ele.

— A Sammy a conhece, por Deus. Aquela garota tem 19 anos! Vai fazer vinte. Madura, sensata. Minha namorada!

— E PSICOPATA! SAIA DE PERTO DELA AGORA! — Gritou Nikki. Pus-me de pé e caminhei até o calçadão sem olhar para trás e nem sabia por que obedecia, apenas estava tão aflito quanto meu amigo — Ela tem 17 anos e acredite em mim, é furada! Dá cadeia menor de idade!

— Pelo amor de Deus digo eu Nikki. Não brinca com isso. Eu amo essa mulher. Você sabe muito bem. Ellie não é maluca ou coisa parecida. Ela não pode ter feito isso... — Segurei o choro. O silêncio a seguir fora angustiante.

— Meu amigo, ela fez. Sammy está me mostrando à foto de vocês... Por que você não me perguntou antes? Por que você foi tão burro assim?

— Ela disse que fazia cinema! As conversas dela... Não é coisa de quem tinha dezesseis anos Nikki! Ela é articulada. Ela me enganou! A Sammy. Minha família toda! Porra Nikki! Ela disse que a mãe dela a superprotege. Que se eu te contasse nós nunca mais íamos nos ver... — Agora faz todo sentido...

— Nunca mais mesmo! Ou até ela ter idade suficiente. Ela está no último ano do colegial, junto com a minha irmã. São duas pirralhas! Ethan, por favor... Diz-me que você não...

— Graças a Deus não! — Gritei — Quase rolou ontem, mas caralho! Eu saí fora. Eu não consegui. Eu... — Não consegui completar — Ela é muito gostosa. E puta que pariu eu estou tão apaixonado... Caralho!

— Você brochou. Agradeça ao seu pau agora amigo! Ou então você poderia segurar um xadrez bem maior. Vai que essa doente te acusa de estupro? — Silêncio. A minha Ellie... A minha Ellie seria capaz disso?

— Eu tenho que desligar. Ela está aqui.

— Não Ethan! Ethan! — E desliguei.

Ellie sorriu inocente e registrou o momento, a minha cara de choque. É engraçado como de repente a impressão que você tem da pessoa muda depois de algumas verdades reveladas. A garota inteligente, bonita, simpática, bom astral, que falava sobre política e televisão. Que filosofava sobre a vida. É engraçado como agora ela simplesmente virou uma adolescente-mentirosa-no-colegial. Passei as mãos pelos meus cabelos, queria quebrar alguma coisa. Lágrimas quentes descerem por meus olhos.

— Ellen... — Consegui pronunciar seu nome. Dessa vez da maneira correta. Nunca mais a chamaria de Ellie. A Ellie nunca existiu.

— O que houve amor? Com quem você estava falando no telefone? — Ela estava assustada. Se aproximou de mim, mas a afastei. As pessoas começavam a nos olhar — Ethan, vamos juntas nossas coisas e conversar em casa. Fica calmo amor.

— Ellen... Quantos anos você tem? — Ela estava se virando e paralisou com a minha pergunta. Ela não olhou para mim. Ela só ficou parada ali parecendo pensar.

— Em casa a gente conversa.

— Eu não vou a nenhum lugar com você sua doida! Você quer foder minha vida? Minha carreira?! Deus...

— Para! Sou eu! Eu jamais faria algo contra você! Sou Ethan! — Ela virou-se. Ás lagrimas já escorriam pelo seu rosto, tentou me tocar, mas eu me afastei.

— Não me encosta. Fica longe! — Grunhi e suprimi o grito, estávamos atraindo atenção demais.

— Ethan, por favor... Por favor. Escuta-me. Eu faço tudo, apenas me escuta. Eu te amo! Por favor.

— Você tem 17 anos! Você não sabe o que é amor. Você me manipulou. Você me fez te apresentar aos meus amigos, minha família. Você nem pensou em mim. Você é doente, menina. Precisa de tratamento urgente. Isso é loucura. Você sustentou essa mentira por tantos meses! E se eu simplesmente continuasse nessa de “confia em mim...” você iria me engambelar até me levar para cama!

— Não Ethan! Eu ia contar. Ia mesmo. Ia contar para você. Mas caramba. Vamos para casa. Eu te amo! Eu juro, eu sou uma idiota, eu sei! Mas eu te amo, chega doer... Eu só... Vamos. Eu jamais faria algo contra você.

Quando atravessei a porta de sua casa corri para o quarto, enfie-me em uma calça jeans, coloquei meus tênis e peguei minhas blusas espalhadas pelo quarto.

— Escuta! Eu ouvia histórias sobre você, sobre você Nikki e Sam. Eu sabia que você fazia direito, que estava prestes a terminar. Eu simplesmente...

— Você já me conhecia, como assim? — Perguntei enquanto fechava a mala. Ela correu para a porta e a trancou. Eu observei enquanto ela enfiou a chave no decote dos peitos. — Pelo amor de Deus, não seja mais patética!

— Eu te amei. Me apaixonei por esses olhos azuis. Por todas as histórias que ouvi. Eu sonhava com você. Ouvia sua voz. E então... Tive a oportunidade de te conhecer. Você não iria gostar de mim. Dessa menina boba que ainda tá na escola... Você me olharia como está olhando agora. Você nem me daria uma chance. Então eu... Criei a Ellie.

— E fez eu me apaixonar por ela... — Psicopata. Totalmente.

— Sim. E depois fui me enrolando na mentira. E quando você se foi eu fiquei aliviada, não precisaria mentir mais. Não iria mais te ver. Iria ser eu, te esqueceria. Você me fez ter a melhor semana da minha vida! Eu simplesmente poderia viver em paz então...

— Mas eu apareci... — Conclui e ela assentiu em lágrimas.

— E fez meu coração sangrar. Eu não tive forças para mandar você ir. Eu sempre te amei. Você sempre foi melhor do que eu esperei. Então eu ia sumir quando ouvi você e a Elise conversando, era uma boa oportunidade. De ouro. Mas acordo com flores... Suas... Você estava em Seattle. Você era o homem perfeito. E Deus! Como eu amava você.

— Você só pode ter...! Me dê a chave, Ellen! Eu quero ir embora. Contar suas maluquices não vai me fazer ficar e olhar nessa sua cara de sonsa e dizer “me perdoa”. Não enquanto eu sei que você provavelmente estava me traindo enquanto eu me matava de trabalhar para estar aqui! — E ainda doía. Ainda doía bastante... Segurei o choro.

— Eu nunca te trairia! Aquele meu amigo nos viu. Ele me chantageou. Eu tive que sair com ele para lugares horríveis. Mais nunca me envolvi, eu era apenas a garota bonita que ele desfilava. Ele iria contar tudo para você! — Gritou desesperada. Ela estava fora de si, completamente fora de si. E eu só imaginava a mãe dela chegando e pegando um homem de 23 anos com sua filha.

— Você precisa se controlar e agir como a menina de 19 anos que você fingiu ser até aqui. Precisa lidar com isso com maturidade, Ellen. Você mentiu e mesmo que eu quisesse ficar, não poderia. Sou seis anos mais velho que você. Mesmo que eu quisesse ficar, a lei não nos assegura. — Ela pareceu pensar. Respirou fundo e fez um coque mal feito em seu cabelo.

— Eu só vou terminar e aí você pode ir. — Assenti — Vou abrir a porta. — Ela abriu, respirou fundo e continuou: — Sua mãe... Sua mãe sabe. — Uma lágrima desceu por seus olhos — Eu não poderia mentir para ela. Nunca. Nunca enganaria sua família Ethan.

— O QUÊ? — Ela assentiu.

— Pode perguntar a ela. Eu contei tudo. Tudo mesmo. E ela disse que me apoiaria para contar a minha mãe. Nos apoiaria em que fosse preciso, porque ela sabe que o meu sentimento é verdadeiro.

— Ellen. Chega. Você nunca deveria ter dito isso a minha mãe. Nunca! Você iria sair como a menina boa. Eu não iria queimar seu filme. Diria que eu te traí. Choraria e diria que você não quer me perdoar e fim. Agora olha o quão constrangedor vai ser para mim?

— Me desculpe... Perdoe-me. Agora vai Ethan, por favor. Não olhe para trás. — Em suas palavras eu pude enxergar a Ellie pela qual me apaixonei. Enquanto eu passava por ela deixei que minhas lágrimas, uma a uma caíssem ao chão e me perguntei em que momento da minha vida eu tinha feito algo tão ruim para merecer isso. Não sei. Nunca saberei.