Notas iniciais
primeiro capitulo para mostrar a personagem principal
a fic ainda está em discussão de continuidade!
espero que gostem!

Às oito e vinte cinco da manhã, fazia um sol reconfortante em Manhattan. Os primeiros raios convergentes refletiam na janela de vidro fosco e de várias camadas de papel escuro para iluminarem o pequeno cômodo do quarto de Diana. Diana Primrose era uma quartanista na área de medicina voltada para ação pediatra. Ela dividia um pequeno apartamento na avenida Amsterdam perto de uma igreja com Abigail Griffin. Uma garota ruiva de cabelos ondulados até a altura dos seios, com olhos bem verdes e sardas espalhadas pelo dorso do nariz. Abby, como gostava que a chamassem, fazia curso de atuação para estrear na Broadway, um sonho bem diferente de Diana. As duas se conheceram coincidentemente na Universidade Columbia e decidiram dividir um apartamento juntas. Os pais de Diana moravam em outro distrito de Nova Iorque, um pouco distante para poderem manter contato quando podiam. Diana estava na maior parte ocupada demais com o curso para conseguir ir visitá-los aos finais de semana.

Diana também sofria com a sua dupla identidade. De manha estudava arduamente na universidade, participando de aulas teóricas e praticas, mas no fim da tarde ela se encaminhava para um pequeno bairro entre a Broadway e o Bloomingdale, lecionava numa pequena escola infantil, bastante simples para crianças que não possuíam as mesmas oportunidades das outras. Ela dividia seu tempo com uma moradora de la, a Natasha. Formou-se em educação infantil e era a única professora que se encontrava no bairro. Há quatro meses atrás, a pedido da universidade, Diana visitou o centro educacional e acabou se oferecendo para ensinar. Amou tudo aquilo. Porém, não podia contar a ninguém além de Abby. Seus pais morreriam se soubessem que ela trabalhava a noite em um bairro perigoso de Manhattan para estar de dia bem cedo na universidade. Tanto quanto Abby reagiu loucamente quando soube da notícia, seus pais reagiriam o triplo.

- Dez minutos para o banho. — Diana gritou para Abby.

Sua parceira tinha chegado bastante tarde no domingo, tinha saído para festejar com uns amigos do curso, também aspirantes a atores como ela. Disse ela que era porque um deles tinha acabado de conseguir um teste numa peça e eles queriam comemorar. Deve ter havido bebida pois Abby havia chegado cheirando a álcool desde que empurrou a porta de entrada e implorou ajuda de Diana.

Diferente de Abby, Diana já estava em pé há mais de uma hora, escovara os dentes, tomara banho, penteara o cabelo alourado, um pouco puxado para o castanho, mas levemente dourado em algumas partes na altura da cintura e vestido sua roupa para começar as aulas na faculdade.

Diana era sempre pontual. Acordava cedo, tinha todo o material da escola pronto incluindo suas atividades. Sua vida seguia um percurso cheio de regras e horários. Nunca chegava atrasada, muito menos costumava a receber reclamações. Para Abby isso parecia uma compulsão, mas para Diana isso significava ordem. Gostava de tudo em ordem, se um prato tinha pontas redondas e o outro quadradas, Diana já se irritava com a diferença. Era perfeccionista também. Fazia de tudo até que pudesse chegar ao nível mais perfeito possível.

Enquanto sua colega ainda despertava fazendo a limpeza matinal, Diana tomava um pouco de café que acabara de fazer. Como sempre gostava, doce e quente. Ao lado, mastigava uma torrada que assou ao forno enquanto observava a manchete de um jornal. Seu pai era advogado, não ganhava tão bem como queria e se esforçava, mas junto a ele, Diana tomou a mania de ler sempre a manchete de um jornal. Dependendo do que dizia a primeira página, ela conseguiria saber se as outras matérias eram interessantes ou não. A manchete sempre se tratava da notícia mais impactante. Depois de ler sobre a queda da bolsa de valores, ela fechou o jornal em duas partes e guardou na cesta de revistas. O apartamento era pequeno, mas muito aconchegante. As paredes eram de um branco gelo, a cozinha era dividida por um balcão de pedra e dentro um segundo balcão retangular tinha o fogão embutido nele. Os armários sobre a pia e pendurados sobre a parede eram de um prata chamuscado e a geladeira cor carvão. A sala era pequeninha, a enorme janela decorava a mesinha redonda de vidro com lugar pra três pessoas e depois os sofá e a TV de tela plana. Os quartos eram opostos e contrários, o de Diana ficava depois da cozinha e o de Abby antes da sala.

Diana seguiu para seu quarto, recluso e diferente do de Abby, e ajeitou seu material para as aulas de hoje. Tinha comprado seu jaleco há três anos e agora ele parecia bastante amarelado. Resolveria isso depois. Escreveu isso na sua agenda para não se esquecer. Olhou rapidamente para o espelho e avistou uma garota de um e setenta e seis, alta por causa do pai. Quadris largos por causa da mãe. O rosto era uma mistura dos dois. O pai tinha o nariz mais avantajado, que misturado com o simétrico da mãe tornou o nariz de Diana pontudo e meramente grande. Os olhos verdes do pai se confundiram com os castanhos da mãe e se tornou um mel, castanho na luz fraca e verde na luz intensa. Diana optou por seu jeans preto, seu preferido. Uma blusa de mangas compridas e azul claro com três botões na parte superior do busto. Simetria era seu ponto forte, principalmente em roupas.

Diana ajeitou os últimos detalhes da roupa e saiu para a sala, à espera de Abby.

- Estou pronta. — Abby disse quinze minutos depois de sair do banho. O cabelo ruivo puxado para trás numa trança e os olhos marcados com sombra azul e os lábios pintados três tons mais escuros que sua pele.

- Já pegou o passe? — Diana abriu a porta para amiga e depois da confirmação de Abby, elas saíram do apartamento 116.

Diana era dotada de muitas qualidades, mas seu maior defeito era ser esquecida demais. Por isso sempre deixava tudo anotado e o mais perto possível dela. Quando os professores passavam trabalhos, ela sempre procurava anotar nas capas de seus cadernos para se lembrar mais tarde, e era a primeira parte do seu material que ela via também. A chave do apartamento ela guardava num cordão em volta do pescoço para não esquecer. Imagina ficar fora de casa até esperar Abby aparecer sabe-se lá quando? Quando ela se unia com seu grupo artístico, levava-se horas para Abby notar o mundo a sua volta ou mesmo Diana.

Pegaram o metrô juntas até que se dividiram para caminhos opostos.

- Trago comida italiana para o jantar hoje. — Diana disse, sorrindo. Ambas tinham o acordo de quando não podiam fazer compras juntas, uma trazer o jantar. Diana se ofereceu dessa vez.

- Você não acha que é muito perigoso você andar por aí tarde da noite?

- Vou com Natasha. Ela conhece a cidade de olhos fechados. — disse Diana, reconfortando a amiga.

- Sim, mas ainda acho tudo muito perigoso. — ela vai começar aquilo de novo, Diana pensou. — A universidade queria só uma visita naquele bairro e você vai e decide trabalhar lá, Diana. — Abby bufou.

- Eu amo aquelas crianças, Abby. O jeito como elas me sorriem quando apareço, é de encher o coração.

- É, pode ser, mas seu bolso ainda continua vazio e você ganha uma alta probabilidade de estar cheia de tiros pelo corpo. — Abby murmurou.

A expressão de Diana se enrijeceu.

- O Five Points não é mais assim, Abby. Eles melhoraram muito. Está mais calmo, mais seguro. Nada me aconteceu nesses quatro meses, por que há de acontecer algo agora?

A pergunta ficou no ar quando elas pegaram caminhos opostos. A universidade Columbia era uma das melhores da região, Diana se sentia muito orgulhosa por ter conseguido entrar para seu curso. Era uma estrutura dotada de muitos pilares e uma decoração clássica, meio barroca. Lembrava prédios antigos. Depois do tapete verde, Diana subiu os degraus e se juntou a mais um número grande de alunos que adentravam na universidade. Diana se preparava para sua aula de epidemiologia com o professor Alckword, ela vinha estudando antecipadamente desde o final de semana. Ele era um senhor alto e de cabelos grisalhos, vestia sempre marrom e calças formais as vezes alguns tons mais escuros que a parte de cima. Ele tinha a mania de usar uma caneta sempre sobre o dedão e o dedo indicador, manuseava e fazia uma dança rápida com a caneta entre os dedos. Talvez fosse uma espécie de eliminação do nervosismo que adquiriu com os anos para dissipar os transtornos e acabou se tornando uma mania particular. Depois de algumas levas de portas, Diana chegou para sua primeira aula do dia.

Dividia o lado com duas colegas, Annie Cavahnag e Brieene Kingsgrey. Ambas se conheceram mutuamente no curso de medicina quando se esbarraram perdidas pelos corredores da Columbia. Fizeram amizade na primeira vista. Quando Diana se sentou entre elas, ambas se sorriram.

- Como foi o final de semana, Ana?

Brienne gostava de chamá-la de Ana vez ou outra.

- Passei meu tempo estudando citologia. Foi um saco. E vocês?

- Fui visitar meus pais em Jacksonvilly. Fazia uns meses que eu não os via. — disse Brienne, escrevendo alguma coisa no caderno. Diana sentiu falta dos seus nesse momento.

- E você Annie? — Diana se voltou para sua direita e encontrou Annie. Ela tinha o cabelo na altura dos ombros e era da mesma cor que o de Brienne, castanho escuro.

- Saí com o Thomas no final de semana. — ela abriu um largo sorriso. — Ele me deu um anel de compromisso, olhem. — seus olhos só não brilhavam mais que o anel em seu dedo. Thomas era um veterano que ela conheceu na universidade há três anos e até então são namorados desde sempre. Diana não lembra de tê-los visto sequer uma vez separados ou brigados. Não era de se estranhar que eles dessem um passo mais a sério no relacionamento deles.

- É lindo, Annie.

- Deve ter sido cara. — completou Brienne. — É muito bonita.

- Obrigada. Estou namorando ela desde que a recebi. — Annie bisbilhotou o dedo novamente, enamorada.

- E como foi? — Diana tinha um sorriso abobalhado no rosto. Talvez fosse porque adorava ouvir histórias românticas.

- Saímos para jantar fora, parecia tudo normal. Até estranhei estarmos num restaurante um pouco mais chique do que o habitual. — Diana e Brienne a encaravam como duas garotinhas ouvindo o conto da Cinderela quando crianças pela primeira vez. — Então ele disse que queria fazer um pronunciamento. Trouxeram pra gente até vinho. Ele disse umas palavras muito lindas que me fizeram chorar, então ele puxou a caixinha preta do bolso e eu quase desmaiei.

- Deve ter sido tão lindo... — Diana suspirou.

- Foi um dos melhores dias da minha vida, Ana. — Annie sorriu. Estava emocionada e enamorada. Estava apaixonada.

Brienne se calou, fazia seus próprios devaneios na cabeça, imaginando ter a sorte que sua amiga tivera.

Naquele mesmo momento, seu professor entrou em sala acompanhado de alguns alunos atrasados.

- Bom dia turma. — disse, depois se virou para sua mesa de canto e depositou as bolsa de couro com alças laterais enquanto os alunos atrasados procuravam seus assentos. As cadeiras de estofado azul eram organizadas igualmente como os auditórios, de baixo para cima seguindo uma ladeira íngreme. – Hoje daremos inicio a nossa aula sobre epidemiologia. Alguém leu o assunto e deseja partilhar algo com a turma?

Houve silencio.

- Muito bem. Epidemiologia é uma ciência que busca estudar de maneira quantitativa a distribuição dos fenômenos de saúde e, ou doença, levando em conta seus fatores condicionantes e determinantes. Mas, o que é isso? Vejamos como exemplo a mortalidade infantil. Mediante de dados, podemos fazer uma distribuição quantitativa do nível de mortalidade infantil no mundo inteiro. Os valores em suma maioria são responsáveis por ilustrar o nosso conhecimento sobre a saúde mundial, desde a saúde publica e as epidemias existentes.

Depois disso, prof. Alckword disse continuamente inúmeros casos de epidemia que arrebataram muitas comunidades nos últimos anos. E assim se seguiu a aula.

Diana estava pensando sobre o anel de compromisso de Annie quando terminaram a aula de epidemiologia e saiu com Annie e Brienne pelo corredor da Columbia. Fazia algum tempo que Diana estava flertando com Matthew Lins de outra ala de cursos de medicina. Eles se conheceram ano passado e desde lá passaram a conversar diariamente. Tinham gostos parecidos, Matt era responsável e estudioso, ambos gostavam da companhia um do outro, mas nada acontecia. Era diferente entre Thomas e Annie, mas Diana havia nutrido uma esperança de que talvez algo avançasse entre ela e Matt. Conheciam-se o suficiente e se gostavam o suficiente para acontecer algo alem das trocas de mensagens corriqueiras no celular. Mas parecia que eles estavam estacionados numa amizade com intenções bastantes intimas. Diana queria saber o que tinha de errado com ela. Era uma garota normal, estudava sempre no tempo livre, era de certo modo sociável, mas não sabia o que fazer quando se tratava de seu amigo Matt.

- Tem algo de errado comigo? — Diana se virou para suas amigas.

Brienne e Annie a olharam de cima a baixo.

- Está tudo certo, Diana.

- Está como sempre. Bonita.

- Não é isso... — Diana apertou os livros no peito. — Eu tava pensando no seu anel de compromisso, Annie. Então me lembrei do Matt. Estamos flertando há um ano e nada acontece.

- Vocês ficaram naquela despedida do colega dele, lembra?

- Sim, mas foi há cinco meses, Brienne. Estou achando que ele não gosta de mim.

- Você gosta dele?

- Claro. Ele é tudo que eu procuro. Alguém socialmente aceitável, inteligente, estudioso, responsável. Ele é o cara certo. — seu sorriso se dissipou de repente. — Acho que para ele eu não sou a garota certa.

Brienne e Annie afagaram seus ombros.

- Matt deve estar esperando algum sinal, Ana. Você já falou com ele sobre seus sentimentos?

- Ah eu não tenho coragem, Annie. Deus que me livre. Imagina se ele me recusar? — as bochechas de Diana se esquentaram.

- Você nunca nem tentou, Ana. — Brienne a repreendeu.

- Vai que da certo?!

- Ah, não, não, não. Eu prefiro ficar com a duvida que ele goste de mim do que com a verdade de que ele não gosta de mim.

- Você vai criar esperanças e vai se ferrar no final. — Annie disse. — Tem que tomar uma atitude.

- Não agora. — Diana disse. Era medrosa demais para falar sobre seus sentimentos ao Matt. Ela tinha medo da rejeição, a dor de gostar de alguém e não receber o mesmo sentimento em troca já fazia seu coração doer. Não queria sofrer por causa de um garoto. — Vamos para a aula de citologia, melhor do que ficar pensando em besteiras. — Diana falou, seguindo caminho com suas amigas para as mesmas aulas.

Notas finais
comentem!!