Notas iniciais
segundo capitulo, espero que vocês gostem!

Diana preferiu café quente com cobertura de chocolate e três rosquinhas doces depois da aula em um café perto onde ela frequentemente se encontrava com Annie e Brienne depois do período da tarde. Diana ultrapassou algumas mesas e encarou desdenhosa um grupo de garotos fazendo baderna um pouco distante dali, perto do semáforo. Ela os ignorou e avistou suas amigas. Arrastou uma cadeira de madeira e se sentou a frente de Annie e Brienne um pouco depois de pegar seu pedido. Até então elas comentavam sobre um seminário que teriam que fazer para a próxima aula de citologia quando o assunto mudou rapidamente quando Diana chegou.

– Do que vocês estão falando? — Diana abriu a tampa de seu café e comprimiu o cheiro de café com chocolate. Estava uma maravilha.

Brienne e Annie estavam cochichando inclinadas sobre a mesa ao mesmo tempo que sorriam.

– Ali! — Annie sussurrou, arrastando o dedo sorrateiramente para suas costas.

Diana abriu bem os olhos e esticou o pescoço. Estava tentando encontrar alguma coisa que tivesse chamado a atenção delas, mas não via nada demais. Só alguns alunos da universidade e aqueles garotos ridículos fazendo badernas em suas motos mortíferas.

– Que que é? — Diana perguntou, desistindo de procurar ela mesmo.

– Lá atrás, Ana! — Brienne disse.

Diana ergueu as sobrancelhas e teve um palpite.

– Aqueles garotos ridículos lá atrás? — Diana entortou a boca e voltou a olhar para seu café expresso e suas rosquinhas.

– Ridículos? — Annie e Brienne disseram em uníssono. Ergueram-se ao mesmo tempo.

– Ficar empurrando um ao outro enquanto gritam pra mim isso é ridículo. — Diana mordiscou a ponta de sua rosquinha.

– A gente não tem nem aí se eles estão gritando, Diana. Você está vendo eles direito?

Brienne olhou sorrateiramente para trás e quando voltou soltou um suspiro. Diana os olhou novamente. Ela notara somente agora que eles não pareciam fazer aula na Columbia. Era só ver como eles se tratavam e se vestiam. Eram em cinco. O mais baixo de cabelo ralo vestia jeans e jaqueta de couro, tinha um brinco pressionado contra o lóbulo e fazia uma dança esquisita enquanto seus companheiros riam. O segundo que estava encostado na parede era bastante alto e tinha a pele morena, ria ao lado de outro garoto, poucos centímetros mais alto que o segundo. Este ria mais recluso, não fazia tanta graça, tinha a expressão mais séria do que os outros. Os dois últimos, um deles de cabelo alourado estava encostado num poste e deslizava por ele falando ao mesmo tempo arrancando graça de todo mundo. Era certamente o mais desinibido. O quinto tinha a expressão muito dura, pele bronzeada e ombros largos, entre os dois mais altos encostados na parede ele era o terceiro. Vestia regata branca e calça jeans pretas, encostado numa moto também preta. Ele tinha uma expressão que irritava Diana, por isso ela se demorou nele. Ele era debochado e ao mesmo tempo imperial, o queixo levemente erguido e um sorriso sem mostrar os dentes. Sua postura era de segurança e de auto confiança. Havia um certo ego nisso. Diana desviou a atenção, ele — eles — não eram interessantes para ela.

– São ridículos e pronto.

– Eles são gatos. — Annie corrigiu. — Você pode pelo menos admitir isso?

– Eles nem devem estudar ou ter algum curso superior.

– Não queremos saber que grau do colegial eles cumpriram, Ana. — Brienne sorriu depois. — Se a Columbia tivesse mais alunos como eles eu adoraria.

– Eles não servem pra Columbia. — Diana murmurou, fazendo cara feia. — São baderneiros. Tudo que vejo é perigo. Prefiro manter distância.

Annie e Brienme deram de ombros, ignorando a amiga. Diana não conseguia entender o motivo delas estarem tão interessadas. Eles não valiam a pena. Só de olhá-los Diana sentia o corpo tremer. Tudo neles exalava perigo e confusão, um caos subliminar naqueles sorrisos descontraídos e naquelas posições imperiais de como não se importavam com nada. Diana veio para Manhattan para estudar e ganhar um emprego, não para se meter com marginais que faziam seu alarme de perigo soar estrondosamente. Manteria distância de pessoas como eles.

– Eu só estou querendo dizer que eles não prestam, é isso. — Diana corrigiu.

– Mas você pode admira-los de longe. Isso não é um crime. Não quer dizer que você precise transar com um deles.

Diana revirou os olhos.

– Em nenhuma circunstância eu me envolveria com aquele como eles.

– Afinal seu tipo favorito são os nerdes e os benfeitores. — Annie zombou.

– Idiota. — Diana riu-se. — Não tem nada demais gostar mais dos certinhos.

– Não tem mesmo. Mas quando você se depara com um cara daqueles. Cheio de músculos e perigosidade, sua sanidade vai pro lixo, querida.

– Nunca me envolveria com um garoto que fosse assim, perigoso. Criminoso. Isso é contra minhas virtudes.

Annie e Brienne riram-se, se entregando a gargalhadas altas. Diana também achou graça, mas falava seriamente. Nem queria pensar se algum dia trouxesse para casa um garoto que usasse uma moto tatuada com caveiras e tivesse uma inclinação para rebeldia e quebrar as regras. Seu pai certamente a expulsaria de casa se continuasse com um garoto desse. Diana não era acostumada com a ideia de se pôr a prova, de fazer loucuras ou meter os pés pela mão. Era errado demais ser sempre prudente e pensar antes de fazer? No mundo dela, isso fazia total sentido.

– Ei, aquele não é o Matt? — Brienne falou baixinho para Diana e Annie. Naquele momento a confusão de pensamentos que rondava a cabeça de Diana se dissipou. Parou até de rir e comer sua rosquinha. Estava em inércia.

– M-Matt?

– É ele mesmo. — Annie olhou disfarçadamente para trás de Diana e depois encarou os olhos alarmados da amiga. — Com toda certeza é ele.

O que ela iria fazer agora? Não tinha ideia se, se virava e cumprimentava Matt ou esperava que ele tomasse a iniciativa. Fazia quase uma semana que não falara com ele pessoalmente, fora umas cinco ou seis mensagens que trocaram. Era irrelevante.

– Diana... — Brienne falou baixinho, a expressão em alerta. — Ele está vindo para cá. Fique calma.

Fique calma? Diana riu para si mesma. Ela gostava do Matt, estava na cara e agora mais do que nunca não sabia como reagir ao seu lado. Esteve pensando tanto no avanço de seu relacionamento com ele durante suas aulas da tarde que se desconcentrou na maioria. Era bem difícil algo a perturbar a cabeça quando se tratava de estudar.

– O que eu faço? — ela murmurou.

– Só finja estar conversando.

– Mas eu estou conversando, Annie.

Annie sorriu amarelo para a amiga.

– Só fique calma, OK?

Diana fez que sim com a cabeça para Brienne e tentou ocupar as mãos e a mente. Devia pensar no seminário de citologia. Não deu certo, ela se lembrou que Matt também faz área na saudade. Resolveu então tomar um pouco mais de café. Ela sempre se acalmava quando tomava um desses cafés expressos com várias coberturas de chocolates. Esticou a mão e aconteceu tudo muito rápido. Esbarrara acidentalmente no copo descartável com café, a mão trêmula o esbofeteou e ele caiu sobre a calça limpissíma de Diana.

– Que merda... — ela arfou tanto pelo líquido quente quanto pela merda que acabara de fazer. Tentou no mesmo segundo tirar o copo deitado de cima da mesa para não piorar as coisas.

– Meu Deus! — alguém dissera. Diana achou que fora Annie.

– Droga, droga! — Diana arrancou uns quatro guardanapos de uma vez e esfregou-os na coxa. Um, duas, três vezes, o café ainda queimava sua pele, mas não tanto seu rosto que ardia de vergonha.

A súbita sensação de estar sendo observada lhe atingiu a mente. Matt tinha se aproximando e agora estava exatamente do seu lado enquanto Annie e Briennw tentavam em maneiras falhas ajudá-la.

– Está tudo bem, Diana? — seus enormes olhos azuis pairaram sobre Diana e ela se esqueceu até do que estava fazendo. Ela era tão idiota.

– S-sim. — gaguejou, vermelha. — Sou desastrosa demais.

– É melhor você limpar isso no banheiro. — Annie disse, tirando a atenção para Matt.

Diana agradeceu mentalmente por Annie ter dito alguma coisa. Sua cabeça estava um extremo vazio. Diana se levantou rapidamente, esbarrando na mesa e fazendo os copos balançarem, mas não voltaram a cair. Ela queria muito sair correndo dali e se enterrar dentro de seu cobertor e só acordar em dois mil e quinze.

– Vou ajeitar isso aqui. — ela murmurou para Matt.

– Tudo bem. — disse, meio confuso.

Diana se afastou e deu uma olhada fantasmagórica e frustrada para suas amigas. Elas retribuíram o constrangimento. Diana entrou vagarosamente rápido recebendo olhares de muitas pessoas que deveriam estar vendo a mancha úmida na sua coxa esquerda. Se ela tivesse a chance de se teletransportar dali, ela faria. Entrou por um corredor e depois outro. Entrou na primeira porta à direita e procurou a primeira pia do banheiro. Agradeceu tanto pelo banheiro estar vazio quanto por ter escolhido uma calça escura para a universidade hoje. Diana molhou as mãos e passou pela calça, sentindo ainda o leve calor do café quente que pegara. Depois de molhá-lo bem, Diana foi até uma das portas abertas e pegou uma enorme quantidade de papel para se limpar. Esfregou-os secos na região da coxa por vários e vários minutos, várias e várias vezes. Ainda sentia o coração acelerado, o rubor no rosto e os pensamentos rondando a mente que Matt estaria rindo dela agora. Não estranharia se o fizesse, havia pago uma cena ridícula no café e todos deveriam ter achado graça da sua desgraça.

– É só parar de pensar nisso... — Diana murmurou para si mesma, tentando acalmar o coração e a cabeça.

Depois de mais longos minutos, ela sentiu que poderia sair do banheiro. Ainda estava molhado, mas não parecia tão avista quando antes. A não ser que fizesse sol e mostrasse a mancha amendoada do café com chocolate. Diana bufou. O dia não estava nada bem. Preferia ter ficado em casa onde não precisava ver ninguém muito menos agir como uma idiota na frente do cara que se está afim. Diana jogou o restante do papel no lixo e saiu. Esbarrou em alguém bastante alto. Olhou para cima e viu pele bronzeada e uma camiseta branca. Olhos escuros, a cor do perigo. Um cabelo tão negro quanto os olhos. Era o garoto auto confiante que estivera encostado na sua moto junto com aqueles outros quatro baderneiros.

– Está perdida?

Diana despertou.

– Que?

– Se está perdida. — ele disse mais alto. — Você bateu em mim muito forte ou está perdida?

Ele riu. Diana ficou vermelha de raiva.

– Alguém do seu tamanho podia ser muito bem confundido com uma porta.

Ele riu.

– Portas costumam ser como eu? — ele ergueu sua sobrancelha grossa. — Irresistíveis?

– Elas costumam ficar em silencio. Obrigada. — Diana se esquivou dele e tentou ir embora.

– Bela calça. — ele disse atrás dela. Diana nem teve a audácia de se virar e dizer alguma coisa. Ele havia visto seu desastroso lance com café expresso. — Bela bunda também. Ficaria melhor sem todo esse pano. Ficaria melhor comigo. — Se ela se virasse agora, ele a veria ruborizar.

Diana bufou e saiu pisando firme com bastante raiva. Quem era ele para dizer umas obscenidade daquelas com ela? Ele nem a conhecia. Mal tivera falado com ele e já o odiava o bastante para nunca voltar esbarrar com ele.

Diana ultrapassou a porta de entrada e para seu alívio Matt não se encontrava mais ali. Rapidamente ela observou o horário que marcava seu relógio e passava das quatro e meia. Tinha pouco menos de uma hora para chegar em casa, tomar um banho e se vestir para estar seis horas em ponto na escola infantil do Five Points.

– Ei, como você está? — Annie perguntou assim que a viu.

– Estou bem. — Diana respondeu com uma certa arrogância. Ainda guardava raiva do garoto do banheiro. — Eu preciso ir para casa. Tenho aquelas aulas. — Diana deixou uma nota de dez dólares em cima da mesa. — Vejo vocês amanha.

Diana nem esperou elas responderam para pegar suas coisas e pegar um metrô para casa. Pegando de vista a imagem do garoto de regata saindo do café e olhando para ela, sem sorrir, a sua expressão séria, mas ao mesmo tempo risonha. Ele estava caçoando dela. Ou ele estava flertando com ela? Diana não fazia idéia, só queria ignorá-lo e nunca mais vê-lo.