Caos Irresistível
3 Capitulo 3
Notas iniciais
Depois de um banho quente para se livrar do cheiro do café expresso, Diana se preparou para a escola. Optou dessa vez por jeans claro, uma blusa de mangas compridas bege, mas sem decote. Por cima um casaco preto caso fizesse muito frio essa noite. Ajeitou seu material infantil e os guardou uma parte na bolsa marrom de enormes alças. Tocou o cordão em volta do pescoço para ter certeza que a chave do seu apartamento ainda estava ali. Abby só chegaria seis horas da noite e se não tivesse nenhum imprevisto caso um dos amigos dela quisesse comemorar alguma coisa num clube festivo. Diana ajeitou os últimos detalhes, apagou as luzes e deixou apenas a do corredor. Abriu a porta e fechou depois de sair, pegando o elevador para o andar de baixo. Pegaria um metrô para chegar na Bloomingdale e depois no Five Points. Esperava não se atrasar pois já passava das cinco e meia.
Finalmente fora do prédio, ela passou em frente da igreja e fez o mesmo sinal de sempre, benzendo-se de algum mal, protegendo-a. Pegou o metrô e se encaminhou para Bloomingdale após dez minutos. Atravessou algumas pessoas que estavam no mesmo trem e saiu às ruas atrás do bairro. A pé, levava no máximo quinze minutos. Estava um clima fresco e uma brisa suave ultrapassava a longa extensão da rua. Não demorou muito para que Diana enxergasse as primeiras casas do bairro Five Points e se encaminhasse mais no alto possível onde avistasse uma casinha retangular de paredes alaranjadas. Era lá onde Natasha deveria estar esperando-a. Avistou um bar logo na entrada e depois de alguns metros e algumas curvas, Diana avistou outro bar, dessa vez bem mais movimentado. Havia umas quatro mesas de sinucas que conseguiu ver apenas pelas portas de vidro e a porta da entrada entreaberta. Diana deu de ombros e continuou seu trajeto.
Após uma certa quantidade de postes iluminados, ela finalmente chegou na casa alaranjada. A porta estava entreaberta e Diana já podia notar as luzes brilhando lá dentro. Era seis e dez quando chegou.
Natasha era uma mulher de trinta anos e de pele morena, cabelos encaracolados na altura dos ombros. Havia sido a primeira pessoa com quem Diana falou sobre o trabalho da universidade, e depois com quem ela havia se interessado para poder colaborar com as crianças daqui. Natasha era uma mulher doce, não tinha filhos e nem era casada, cuidava das crianças como se elas fossem suas, e havia muito amor pelo o que ela fazia que encantou Diana no primeiro momento.
Aproximou-se de uma pequena sala de entrada com um balcão de recepção e com as palavras: Bem-vindo a escola Infantil, pintadas na parede; depois Diana avistou a sala onde ensinava suas crianças. Cadeiras pequeninas e coloridas, um cantinho de brincadeiras à esquerda com acolchoados também coloridos e vários brinquedos e materiais de artesanato. A direita vários cartazes desenhados pregados a parede. Uma das aulas favoritas das crianças, quando Diana as deixava pintar alguma coisa que elas achassem importante ou bonito. Diana sorriu naquele momento. Ela se aproximou da mesa onde Natasha estava preparando alguns papéis e postou ao seu lado.
– Boa noite. — Diana disse, colocando sua bolsa ao redor de uma cadeira livre e seus livros na mesa.
– Boa noite. Como foi seu dia? — Natasja sorriu retribuiu o sorriso, como sempre tão gentil.
– Seminários, atividades, novos assuntos. — Diana nem se deu ao trabalho de falar sobre seu desastroso episódio no café. — E o seu? O que são esses papéis?
– Meu dia foi ensinando. — Natasha disse, retirando seus óculos de grau. — E depois me desdobrando em duas para arranjar um empréstimo no banco para um cliente meu. — Natasha trabalhava no banco quando não estava na escola no período da tarde.
– E os papéis?
– Estou passando a casa para meu nome. Quero ter direito sobre a escola definitivamente. — Natasha disse, levantando-se e ajeitando os papéis dentro de uma pasta. A casa que ela arranjou para as aulas era de uma senhora que mudou logo depois de bairro. Precisava de alguns documentos para concluir o processo.
– Espero que dê tudo certo.
– Eu também. — ela sorriu. — As mães estarão aqui em dez minutos, você acha que se vira sozinha? Preciso terminar isso o mais depressa possível.
Diana fez que sim com a cabeça.
– Eu posso me ajeitar aqui. Você está cansada, melhor ir para casa. — Diana completou. Natasha sempre a ajudava com as mães e na dispersão das crianças até a hora de fechar. Mas Diana sabia que seu dia não deve ter sido um dos melhores.
– Estou exausta para falar a verdade. — ela suspirou. — Mas não quero te deixar sozinha.
– Vai logo, eu me viro. Você sabe que consigo ajeitar tudo aqui. — Diana disse, confiante.
– Sério? OK. Muito obrigada, Ana. — Natasha ajeitou suas coisas o mais depressa possível, guardando tudo dentro de uma pasta preta e a colocando dentro da bolsa. — Qualquer coisa, me ligue, OK?
Diana fez que sim com a cabeça.
– A chave você sabe onde está. — Diana a levou até a saída. — Não se esqueça de fechar tudo.
– Pode deixar, Natasha. — Diana sorriu, abrindo a porta para ela.
Natasha acenou para ela e depois saiu, parando logo depois.
– Não esqueça, se precisar de mim é só ligar!
– Está tudo bem, está tudo bem. Confie em mim.
– OK. — ela sorriu, aliviada. — Até amanhã.
– Até amanhã.
Não demorou muito para que as mães chegassem depois da saída de Natasha. Não eram em muitas, muito menos as crianças. Diana estava rodeada de setes delas quando as recebeu. Normalmente, as colocava sobre seus acolchoados em círculo para comentar sobre o que haviam feito durante o dia. As mães procuravam deixá-las de dia ou de noite. Algumas trabalhavam a noite e era de certo modo melhor para elas confiarem suas crianças em algum lugar enquanto estavam fora. E, em suma maioria, não eram casadas ou seus maridos pouco influenciavam suas vidas.
– Boa noite, como vocês estão? – Diana sentou entre duas crianças crioulas, olhando para as outras cincos, muito diferentes entre si. – O meu dia não foi um dos melhores, sabem? Alguém com uma história melhor?
Uma garotinha de olhos amendoados e bochechas rosadas levantou a mão. Ela se chamava Kirsten.
– Minha mãe me levou a um parque esta manhã. – os dentes da frente eram de leite e ela tinha duas janelinhas muito atraentes.
Naquele momento, uma mistura de vozes ressoou e todas ficaram animadas com a palavra parque. Depois de ouvir cada uma delas, Diana as levou para seus devidos lugares, agora era a hora de começar a trabalhar. Diana dividia seu tempo para ensiná-las a escrever, a soletrar e ao mesmo tempo fazer somas. Sempre chamava alguma para frente e lhe fazia no mínimo duas perguntas. Quanto mais acertava, mais estrelinhas ganhava e assim preenchia o mural dos alunos. No fim, quando completassem as cinco estrelinhas no fim da semana, ganhavam algum brinde diferente. Doces, brinquedos, ingressos para assistir um filme ou ir a um parque de diversão. Elas sempre ficavam animadas quando chegava a hora das perguntas.
Cada matéria durava no mínimo meia hora até que decidissem para qual próximas elas iam.
No fim, Diana as deixava brincando na área de artesanato quando a hora de pegá-los estava chegando. Normalmente era por volta das oitos horas, mas sempre uma mãe chegava mais tarde que a outra então Diana sempre ficava com duas ou três crianças até dez horas fazendo desenhos, brincando de bonecos de mão ou pintando uns aos outros.
Diana sempre se divertia. O rosto vermelho de tanto rir depois da competição de desenhos. Uma delas a desenhou. Um pouco gorducha e com braços maiores que o corpo, mas Diana se sentiu tão infinitamente feliz que mal notou os detalhes imperfeitos, mesmo sendo perfeccionista.
Ás oito horas, a primeira mãe chegou. Amy levou o pequeno Dougie para casa, deixando os seis na área de desenhos. O tempo mal parecia passar. Nos próximos minutos, a maioria das crianças já haviam ido. Restara apenas Kirsten quando o relógio bateu nove e meia e se ouviu o som da porta abrindo.
– Desculpe, Diana. – Julieta era uma mulher baixinha de quadris largos, cabelos lisos e castanhos na altura dos ombros como o de sua filha. – Teve um acidente e saí mais tarde do hospital. – ela era enfermeira.
Kirsten saiu correndo da ala de desenhos e pulou no colo de sua mãe que ainda vestia as roupas verdes do hospital. Kirsten tinha as bochechas pintadas de tinta amarela quando apareceu.
– Você se divertiu, heim?
Kirsten mordeu os dedos, sorrindo e acenando.
– Está na hora de irmos. Obrigada, Diana.
– Eu que agradeço. – Diana sorriu, abraçando a porta e observando as duas irem até o outro lado da rua. Seu dia não tinha sido um dos melhores, mas quando chegava aqui, parecia que tudo se dissipava.
Diana fechou a porta e resolveu arrumar toda a bagunça para fechar as portas e ir embora. Começou pela ala das brincadeiras até os cadernos, os lápis e os papeis espalhados na escrivania. Fora um trabalho árduo e vagaroso, até que ela pudesse finalmente arrumar suas coisas, pegar a chave que Natasha guardava no balcão da entrada e depois de pagar as luzes trancar as portas.
A noite em Manhattan estava mais fria do que habitual. Diana apertou muito bem os braços em volta do corpo e fechou o casaco que vestia. Depois dos postes iluminados e de dobrar algumas direitas, Diana tocou o cordão em volta do pescoço tendo um rápido lampejo de medo com a idéia de ter esquecido a chave. Mas ela ainda continuava ali como havia deixado, presa no seu pescoço. Odiava ser esquecida, embora lembrasse de coisas bastante importantes as vezes.
Dobrou novamente a direita e deu de cara com aquele mesmo bar. Agora o acostamento a sua frente estava lotado de motos e com dois carros. Teria que engolir o orgulho e a hesitação para passar por ali.
Naquele momento, pegou-se pensando que teria que passar no bairro italiano para pegar a comida que prometera a Abby. Ela certamente a cobraria se não trouxesse, Abby era fanática por comida italiana da mesma maneira que Diana por café.
Diana ultrapassou a primeira leva de motos e avistou a entrada do bar. Camiseta branca e jeans escuro. Nem nos seus desejos mais íntimos ela não conseguiria esquecer aquela pessoa. O garoto do café. Ela tentou diminuir os passos para não ser vista, ela esperava que ele entrasse dentro do bar e sumisse.
Mas parecia que o destino estava gozando com a sua cara porque o garoto deu dois passos para trás e jogou o cigarro ascendido no chão, pisando firme nele e erguendo os olhos, avistando Diana. Ele havia ficado primeiramente surpreso, depois disso, seguro de si ele sorriu para ela, piscando o olhar direito em sua direção e entrando. Por uma parte, ela havia ficado aliviada, ele tinha decidido ignorá-la e seguido seu caminho. Diana nem acreditou que tinha se livrado do garoto do café, saído sem aquelas suas piadinhas sem graça. Pelo menos, até que fim, as coisas estavam seguindo seu caminho certo. Diana fez o mesmo. Continuou seu trajeto. Tinha que ser rápida se ainda quisesse comprar duas refeições de comida italiana, uma para ela e outra para Abby.
– Para mulher a entrada é grátis. – alguém disse. Diana tomou um susto quando percebeu que era um homem de barba grossa e que usava jaqueta. Ele estava fumando em frente ao bar e carregava uma garrafa de vidro de cerveja na mão esquerda.
Diana tentou não lhe dar ouvidos. Saiu da calçada deu a curva numa moto.
– Não tenha medo não, graçinha. – o homem deu uma lufada no cigarro. – Vamos conversar um pouco.
O coração de Diana entrou em disparada. Ela tentou ignorá-lo, mas foi bastante difícil. Ele se pôs em sua frente.
– Não vai não.
– Por favor...
– Vamos conversar. – ele deu dois passos para frente. – Confie em mim, será uma conversa bastante prazerosa.
– Me deixe ir. – ela implorou, o rosto vermelho, apertava a pasta no peito, acreditava que ela podia lhe proteger de alguma coisa. Mas sabia que isso não era verdade.
Diana tentou recuar, tropeçou nos próprios pés, as mãos tremulas.
– Sem medo. É só você não gritar, gracinha. – o homem colocou a mão em volta da cintura de Diana. Ela soltou um grito. Ela cambaleou para trás, deixando sua bolsa e sua pasta cairem. – Ei, ei, — o homem riu-se, meio embriagado. – Volte aqui.
O rosto de Diana estava vermelho, ela queria chorar, os olhos estavam marejados e sua boca tremulava ao ponto de gritar quando precisasse. Ela precisava sair dali. Ela não pensou duas vezes... iria correr.
– Foge não, gracinha. – Diana tentou pegar sua pasta e sua bolsa novamente para correr, mas o homem embriagado a puxou para cima com bastante força, levantado-a do chão.
– Não, me solte aí, me solte. – ela empurrou seu peito com bastante força.
– Espere aí, ei gracinha. – seu rosto tava tão próximo que ela podia sentir seu hálito de cerveja misturado com cigarro. Seu estômago se revirou. — Não é um pouco tarde para uma garota estar passeando sozinha por aí não?
– Quem disse que ela está sozinha?
Houve silêncio. Diana olhou para trás. Camiseta branca e jeans. Nunca apagaria essa imagem da cabeça. Diana sentiu seus pulsos sendo aliviados com a pressão das mãos do homem desconhecido e pode finalmente se afastar, cambaleando e tropeçando para trás, nos próprios pés.
– Que que é, Hans? – perguntou o homem, enxugando a região da boca.
– A garota não ta interessada no seu tipo de conversa, Lincoln. Dê um fora, cara.
– Por acaso ela está na sua? – ele riu-se. Diana se encolheu.
– Isso é algo que interessa somente a mim e a garota. Agora desencana e some daqui. Deixa ela em paz. Vá procurar alguma vadia pra você.
O homem barbudo era vários centímetros maior que o tal Hans, mas para a surpresa de Diana, ele recuou como um gatinho assustado fugindo do leão. Cuspiu no chão e deu um gole na cerveja que ele havia deixado encostada na parede. Ele nem olhou para trás quando foi embora. Diana sentiu o coração aliviar-se aos poucos.
Mas sua mente não se aliviou, pois agora ela ainda tinha o Hans. Não o conhecia e nem sabia que tipo de pessoa ele era, havia assustado o cara barbudo em dois segundos, por que não faria algo com ela, se quisesse?
Diana não tinha respostas.
Suas costas largas era tudo que Diana via, até que ele se virou para ela, olhando-a daquela mesma forma de sempre. Segundas intenções, uma mistura de confiança e segurança, seu superego irritava Diana de uma maneira confusa e alarmante.
Ela tentou ignorá-lo, enxugou as lagrimas que inundaram seu rosto e tentou pensar em algo positivo. Tudo tinha acabado. Ele tinha ido embora e sua integridade estava a salvo. Sua virtude não tinha sido roubada. Ela estava bem outra vez. Pelo menos era no que ela queria acreditar.
– Você está bem?
Diana despertou. O encarou de volta. Ela fez que sim. Ainda não conseguia respondê-lo com palavras.
– Você conhecia o cara?
Ela fez que não.
– Ele não a machucou, certo? – como resposta, Diana fez que não.
Hans suspirou, olhando-a bem nos olhos. Houve um longo minuto silencioso. Parecia que nem ele muito menos elas sabiam o que dizer. E o que diria? Que agradecia por ter sido salva? Ela não saberia dizer essas palavras, principalmente logo a ele. Não o conhecia, o repudiava. Seu jeito grotesco, confiante até demais, o olhar grosseiro e seguro de si. Diana não esperava que entre todas as pessoas, fosse ele a pessoa que chegaria ao ponto de salvá-la.
– Por acaso você não está me seguindo? Ou está? – ele se aproximou. Diana abriu a boca, sem saber o que responder. Não sabia se estava com vergonha ou furiosa. Hans riu. Diana ficou vermelha.
– Idiota. – ela empurrou seus ombros e o ultrapassou.
– Ei, ei, — ele estava indo atrás dela, rindo. – era uma piada. De desconcentração.
– Boa maneira de desconcentrar o clima depois de eu ser atacada por um maníaco. – Diana o ignorou, continuou andando a passos firmes.
– O Lincoln é meio pirado das idéias. Mas ele não faria aquilo se não tivesse bebido um pouco.
Diana bufou. Era alguma maneira dele tentar tranqüilizá-la? Pois não deu muito certo. Ela só queria que esse dia terminasse logo. Não bastava seu péssimo encontro com Matt, ainda havia revisto Hans pela segunda vez, mesmo depois de ter prometido que nunca mais cruzaria seu caminho. O destino estava de gozação com ela. Diana ignorou seus pensamentos e continuou andando. Para sua surpresa, ela ainda ouvia os passos de Hans atrás dela. Ela parou e se virou com tudo. Os ombros de Hans estiveram a centímetros de baterem nela. Sua respiração chocou-se com a dele.
– O que você quer? Um premio de gratidão? – ela pisou firme no chão, encarando-o de frente sem hesitação, bem nos olhos.
– Gratidão? – Hans a olhou de cima a baixo, parando nos seus seios. — Eu posso pensar em alguma coisa.
Diana ficou vermelha.
– Idiota. – ela murmurou. Deu as costas e continuou a andar.
– É, já ouvi isso. — ele disse, voltando a andar.
– Pare de me seguir. — ela berrou.
Hans parou. Ela ficou surpresa que isso tenha dado certo. Ela o espiou por cima do ombro, ele ainda a encarava.
– Você quer pelo menos carona?
– Não. — ela se voltou para frente outra vez.
– Você não quer encontrar um segundo Lincoln na rua, ou quer? – ele disse, sua voz soou mais alta. Ele estava mais distante, ela estava andando apressada. – Você vai correr mesmo o risco de sair sozinha ás dez horas num bairro desses?
Diana suspirou. Odiava ter que dizer que ele tinha razão. Mas ela podia pegar um taxi, só precisava arranjar um ponto...
– Nem pense num taxi, eles circulam mais no centro. – ele adivinhou seus pensamentos. Diana mordiscou o lábio e se virou para ele.
– Se você quer uma desculpa para descobrir onde eu moro e ir invadir a minha casa...
– Eu não sou ladrão. – Hans a cortou, rindo.
Diana o ignorou.
– Ou você acha que vai ganhar algo mais oferecendo carona...
– Eu só faço alguma coisa com você, se você me pedir. – ele sorriu descaradamente, piscando para ela.
Ela ruborizou, mas tentou ignorar as segundas intenções na sua resposta.
Diana sabia que se perguntassem a ela que ela estaria aceitando a carona de um desconhecido e que ele fizesse o papel do rapaz perigoso e maníaco, ela riria eternamente, nem se reconheceria.
– Está bem. – ela disse. – Sem gracinhas, OK?
Hans fez um gesto de vitoria e deu espaço para Diana. Ela sabia que ele tinha um moto. Só não sabia como ele a dirigia. Sentiu medo só em imaginar.
– Não é uma Ferrari, mas... – ele se interrompeu, alçando-a logo depois. Ele tirou o capacete pendurado no dirigível e passou para ela. Diana mal sabia usá-lo direito, mas colocou na cabeça e tentou trincá-lo. Tinha se saído bem. – Está ao contrário.
– O quê? – ela o olhou, perdida.
– Está o contr... – ele se interrompeu. Aproximou-se dela e tirou o pino do capacete, tirando-o lentamente e o colocando da forma certa. – Agora está bem colocado.
Diana ignorou sua ajuda e a ideia dele ter estado tão perto e esperou ele montar na moto. Logo depois, ela fez o mesmo. A sensação de estar tão frágil em cima de um metal somente de duas rodas deixava sua cabeça tonta. Ela não estava acreditando que faria algo dessa forma. Não acreditava.
– Por via das duvidas, pode segurar na minha cintura bem forte. – ele se virou para ela, sorrindo maliciosamente.
– Nem pense que vou fazer isso. – ela murmurou, afastando-se o mais longe possível dele.
Hans riu.
– Como queira, loirinha.
Loirinha? Ela se perguntou. Que diabos de intimidade era aquela?
Hans ligou a moto e deu partida. Diana esqueceu-se completamente do seu novo apelido. Quando menos esperou, ele engatou a marcha e acelerou. O corpo de Diana foi para trás e para frente ao mesmo tempo. Ela chocou seu rosto com o de Hans e por reflexo apertou sua cintura. Ela odiou ter engolido suas palavras, mas preferia ter a capacidade de engolir do que estar morta, estraçalhada no chão.
Agora ela corria livremente pelas ruas de Manhattan até seu bairro na garupa de uma moto com Hans. O conhecia muito pouco e havia tirado várias conclusões sobre ele. Não se dariam bem, ela sabia disso. Eles dois juntos não pareciam uma combinação perfeita. Era quimicamente comprovado. Mas Diana teve que engolir suas teorias porque, primeiramente, ele havia sido o único a ajudá-la. Talvez o destino gostasse de lhe pregar peças.
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