Caos Irresistível
6 Capitulo 6
Notas iniciais
Estivera bem perto do que podia ser um pesadelo, mas finalmente Diana se livrou do Hans. Ou achava que tinha se livrado. Ele não seria louco de continuar com essa brincadeira de querer sair com ela, não é? Não precisava ser dotado de alguma inteligência superior para perceber que Diana não o suportava, será que ele era o único que não via isso? Um encontro já fora o princípio para que nela despertasse aquele ódio embasado de raiva para com o Hans. Dois encontros tinha demonstrado que o universo e a linha mágica que o corrige e o comanda estava notoriamente caçoando da cara dela. Encontrar duas vezes a mesma pessoa num mesmo dia sabendo que preferia se enterrar numa fossa ao invés de vê-la, isso Diana chama de gozação do destino. Agora, três vezes em dois dias queria dizer que o universo estava tramando contra ela. Só poderia ser uma forma dela pagar todos seus pecados. Deveria ter feito algumas coisas melhores do que ela fez no passado. Deve ser isso. Não havia outro motivo para cruzar o caminho de alguém assim tantas vezes. Ela nunca o vira antes, muito menos ele. Quer dizer, ela suspeitava que ele nunca a tivera visto antes. Até agora Diana não tentou pensar na possibilidade de Hans ser um daqueles psicopatas malucos que acabou escolhendo-a entre várias para perseguir e matá-la depois, enterrando seu corpo sem vida no quintal da sua casa igual como alguém enterra um animalzinho de estimação que infelizmente morreu.
Uma dura sensação de frio na espinha fez Diana estremecer. Deveria parar de ler esses livros paradidáticos e de casos policiais.
Superficialmente deveria ficar somente com os da Agatha Christie. Não havia companhia melhor do que a coleção de livros de sua autoria que Diana tinha. Havia ganhado de Abby no seu aniversário de dezoitos anos ano passado. Ficara tão feliz, mal tiveram tempo juntas e já haviam se tornado grandes amigas. Com Abby era assim, você não precisava se esforçar para falar, conversar, tudo fluía naturalmente, sem peso e nem desconforto.
– DIANA! — alguém gritou seu nome. A garota tropeçou sem querer para dentro do auditório no susto.
Por sorte, assim que chegara na sua sala, Diana encontrou três colegas também atrasados. Eles a avisaram que as turmas da área de medicina haviam se reunido no auditório para uma palestra igual as que eles sempre fazem uma vez por semestre. Diana adorou a ideia, porque assim conseguiria acalmar sua raiva por ter encontrado Hans e ele ter chamado-a para sair mesmo em seus protestos ao invés de forçar sua mente a focar-se em algum assunto importante do seu professor.
E lá estava ela, andando meio desnorteada por uma fileira de cadeiras onde Brienne e Annie haviam guardado um lugar para ela. Jurava que havia visto Brienne acenar loucamente de uma das fileiras do seu lado direito, há uns três metros de onde ela se encontrava, bem na entrada. Depois de mais alguns passos e o reconhecimento de suas amigas que agora a encaravam, ela parou bruscamente.
Puta merda. Diana disse para si mesmo quando parou na sétima fileira contando da entrada para o palco. Ela viu sim suas amigas ali acenando para ela, mas opostamente a elas, mas na mesma reta, Diana viu Matt Marverik, um calouro de medicina que deseja ser um exímio cirurgião, sentado ao lado do único lugar vazio da fila, e a sua esquerda suas duas grandes amigas.
Puta merda. Ela berrou novamente, mas em seus pensamentos. Teria mesmo que sentar do lado do cara que ela era afim há mais de um ano, o cara que possuía o par de olhos claros rasos que fazia seus pensamentos perderem o foco, dono do sorriso gentil e sexy que nunca vira antes. Sim, se sentaria ali. Não era uma menininha do colegial sofrendo pelo primeiro flerte e paquera da escola, era uma mulher de quase dezenove anos que estava na faculdade e era decidida sobre seus atos. Pronto.
Moveu-se tranquilamente, mas tentando não pensar que teria que passar de frente para Matt, sem tropeçar e nem cair. E milagrosamente, conseguiu. Diana se sentou lentamente ali na cadeira, o estofado de cor azul era confortável, igualmente as cadeiras que tinham na sala de aula. Nada demais.
– Ei, onde você estava? — Brienne se esticou para Diana. Era a que estava mais perto. Mas ela podia jurar que Annie conseguiria ouvir tudo dali.
– Estava tentando pegar uma carona para cá. — e nesse momento lembrou-se do entulho que era o Hans.
– Por que? Aconteceu alguma coisa?! — Diana podia jurar que tinham olhos e ouvidos em cima dela. E não era Annie.
– O metrô do meu bairro foi interditado. — explicou. — Na madrugada de hoje parece que houve um assassinato.
As expressões de Brienne e Annie se enrijeceram na mesma hora. Elas ficaram tanto surpresas quanto pasmas.
– Sério isso?! — Annie foi a primeira a quebrar o silêncio.
– É. Não disseram como ocorreu tudo. Tinha polícia e tudo lá. Foi uma tragédia.
– Oh, totalmente. — Brienne ainda tinha a mão em cima da boca.
– Você está bem pelo menos?
– Estou. Na medida do possível. Não esperava que isso iria acontecer logo no meu bairro. — Diana disse e era verdade. Lá sempre tinha sido tão calmo e protegido, agora isso a deixava tonta e assustada. Não queria sentir-se assim toda vez que entrasse naquele metrô ou tivesse que chegar tarde da noite em sua casa.
– Que perigo. — foi a única coisa que Brienne ousou a dizer depois.
– Muito. — Diana completou. — Por isso acabei me atrasando.
– Quase não chegava a tempo, em?!
– Você veio sozinha ou de taxi? — Brienne perguntou. — Do jeito que está perigoso a cidade, nem em um simples taxista devemos confiar. Mês passado uma menina do meu bairro sumiu depois de pegar um táxi. Até agora está desaparecida.
Diana ficou perplexa.
– Que descaso. As autoridades não fazem nada? — Brienne fez que não com a cabeça. — Isso é uma droga, viu? Imagina a família dessa garota. Por sorte nunca encontrei um taxi que me fizesse duvidar. Na verdade, dificilmente passa taxi no meu bairros. Hoje foi pior ainda.
– Não acredito que você veio correndo para cá? — Annie perguntou, estava bastante surpresa.
A diferença da casa de Diana para a Columbia era bastante grande.
– Não, não, — ela se encolheu, corando. Por que tinha que ter essa reação ao lembrar-se de Hans? Não acontecera nada. E nunca iria. — eu peguei carona com um conhecido.
As duas se inclinaram para frente, suas feições curiosas.
– Quem?
Ela não podia fugir do questionamento agora que começara a dizer.
– Hans. — ela disse. Até o jeito que ela dizia seu nome era desdenhoso. Mas infelizmente não podia evitar sentir o coração disparar.
– Hans? O conhecemos? Ele é da sua rua?
– É seu vizinho?
– É gato? — Brienne ergueu as sobrancelhas num ato de esperança que a resposta de Diana fosse sim. Alguém tossiu ao lado delas. Diana nem precisou se mover para saber quem fora.
Sentiu levemente a cadeira ao lado estremecer. Vinha do Matt.
– Não, vocês não conhecem... Diretamente. Ele também não é meu vizinho muito menos mora no meu bairro. — Diana ignorou a última pergunta de Brienne.
– Como assim não diretamente? Vamos, Ana, não nos enrole.
Diana quase quis amassetar a cara de Annie nesse momento. Ela não queria falar sobre Hans. Não ao lado do Matt.
– Vocês se lembram daquele dia no café? Os caras perto da moto? — Diana falou baixinho o suficiente para que Matt não ouvisse. Teve que inclinar o corpo para frente. Ambas fizeram que sim com a cabeça, tentando ao mesmo tempo entender a charada. — Tinha aquele garoto de jeans e camiseta branca. Vocês lembram?
Não tinha como não se lembrar. Até Diana com uma péssima memória conseguia se lembrar arduamente de cada detalhe do Hans naquele dia, por que não suas amigas meramente normais? Era impossível também que alguém pudesse não assimilar um garoto com Hans. Ele era consideravelmente bastante alto e robusto, corpo magro e devidamente malhado, músculos no limite e acentuados duramente no seu corpo. A pele então... Bronzeada. Cor quente. Parecia brilhar durante a noite devido à insciência das luzes da cidade. Diana notou no dia que ele a encontrou perto do bar naquele infeliz dia. Dizia-se ontem, o dia que seu pesadelo começou. Mas mesmo assim, ela não podia deixar de notar que Hans, mesmo portador de tudo que a irritava ao extremo, ele era puramente esculpido, bem desenhado, lindo, sexy.
Ah, Deus. Diana balançou a cabeça para tentar fazer os pensamentos sumirem da cabeça.
Nesse mesmo momento, Diana acordou para as expressões de suas amigas. Elas estavam pavorosas.
– Aquele garoto?! — disse Annie.
– Aquela beldade em forma de homem? Diana sua danada! — Brienne quase berrou para todo o auditório. As bochechas de Diana queimaram no ato.
– Shiu, shiu! Façam silêncio.
– Nada disso, conte-nos mais. Disse a entrada e agora queremos comer o prato todo.
Diana quase tentou fechar a boca de Brienne.
– Eu direi. No refeitório. Prometo. Agora não dá. — e sorrateiramente, ela sinalizou para Matt que estava posicionado bem ao seu lado, olhando fixamente para a tela do seu celular, fingindo não notar nada ao seu lado.
As meninas compreenderam o sinal.
– Okay! Mas não ache que vai fugir da raia, OK? — Annie ameaçou, rindo-se. Diana podia até se ingênua, mas sabia que nunca escaparia das garras delas duas.
Naquele mesmo momento, um homem de altura mediana e uma barriga avantajada subiu ao palco carregando um microfone prata. Ele era coordenador de duas áreas de medicina, Diana se lembrou dele da palestra do semestre passado. Ele começou a divulgação sobre a importância dessa palestra e o reconhecimento de alguns professores na confecção dela. Havia sido um longo discurso meio entediante para Diana. Ela até relaxou, ajeitou-se na cadeira e esticou as pernas. Podia ver agora de relance o rosto de Matt. Ele estava um pouco desconfortável. Ele virou uma vez para o lado onde Diana estava. Durou menos de dois segundos. Ele fez outra vez. O coração de Diana acelerou. O que ele queria? Após o que ela achou terem se passado dois minutos e Matt ter se ajeitado umas quatro vezes na cadeira, ela sentiu o ar quente da sua respiração. Seu coração acelerou novamente.
– Diana? — ele sussurrou. Ela não se virou. Se fizesse, suas bocas se encostariam. — Tudo bem?
Ela sentiu que ele se afastou um pouco.
– Sim, estou bem. — ela respondeu para ele. Passou três segundos. — Por que?
– Eu ouvi sem querer sobre o metrô.
Diana fez um sonoro "ah". Depois repetiu:
– Estou bem.
Mais dois segundos.
– Hm, posso te fazer uma pergunta?
– Pode. — ela nem pensou duas vezes.
– Quem é esse Hans?
Diana ficou quieta. Esperava tudo, menos que ele perguntasse sobre Hans. Pior ainda, o que ela diria? Não havia uma maneira simples de explicar o que Hans era para ela. Caso dissesse um desconhecido, soaria estranho. Em pouco menos de vinte e quatro horas ele a tinha irritado, flertado com ela, salvado-a de um bêbado tarado e de uma futura falta no seu histórico exemplar na faculdade. Eram coisas demais para um desconhecido.
– Ah, desculpe. — Matt disse. — Não deveria perguntar. Deve ser algo pessoal.
– Está tudo bem, é...
– Vocês só estão se conhecendo, não é? Sim, entendo. Começo de um relacionamento. Não queria me intrometer. — e antes que Diana tivesse alguma chance parar dizer algo, Matt se afastou e se recolocou no seu lugar.
Os pensamentos Diana estavam totalmente confusos. O que tinha sido isso? Primeiramente, deveria ter dito ao Matt que mal conhecia Hans e que ele fora apenas uma ajuda rápida que encontrou. Segundamente, por que ela não disse isso? Ficou entalado na garganta como se ela fosse contar uma mentira. Mas não era mentira. E por último, por que o interesse dele agora? Passou vários meses sem demonstrar nenhuma intenção de repetir aquele dia com ela quando eles deram o primeiro beijo e agora tinha um ataque de curiosidade sobre com quem Diana saía? Somente agora ele percebeu que ela tinha capacidade de conhecer outros caras?
Diana bufou de raiva. Seu dia não melhorou depois disso.
Cinco horas depois da palestra e uma pausa para o almoço, ela teve que se enfurnar dentro da biblioteca para terminar um trabalho rápido para entregar no mesmo dia. Quanto mais somasse trabalhos e seminários, melhor seu desempenho com os professores e melhor suas notas. Tinha que se preocupar somente com isso.
Depois de mais ou menos três horas na biblioteca, o relógio bateu cinco minutos para as cinco da tarde. Tinha que passar em casa e se arrumar para o restante do seu dia na escola no bairro Five Points. Sua agenda era sempre cheia, mas dessa vez, ela nunca esteve tão feliz por ter tantas coisas para fazer ao invés de ficar memorizando camisetas brancas e jeans ou matutando sobre um futuro encontro que certamente ela não teria.
Diana bufou. Mais uma tentativa jogada ao lixo sobre não pensar em Hans.
Ela ajeitou as coisas de cima da mesa que usou para estudar e guardou os livros que usou para a pesquisa. Passou pelo balcão da bibliotecária e saiu de lá de dentro. Annie e Brienne já devem ter ido a muito tempo, tinham a sorte de morarem perto de uma biblioteca ao invés de ficar enfurnada na faculdade para isso.
Diana arrumou suas coisas e pegou rumo para sua casa. Não sabia se encontraria com Abby lá, por isso resolveu checar suas ligações assim que saiu da Columbia e resolveu pegar um táxi. Pensou seriamente no que Brienne disse, mas não notou nada de diferente no taxista quando entrou.
Como adivinhou, havia mais de sete ligações perdidas de Abby no seu celular. Quando saiu às pressas de casa essa manhã, esqueceu-se de ligá-lo. Será que aconteceu alguma coisa?
Diana retornou rapidamente. Após o terceiro toque Abby atendeu.
– Ainda bem que você resolveu dar sinal de vida, garota! — a amiga berrou ao telefone. — Estou te ligando desde manhã e você só me retorna agora?
Diana teve que afastar o celular da orelha para impedir que ficasse surda.
– Desculpe, Abby. Às pressas esqueci de ligar o celular.
– Se eu tivesse morrido você nunca nem ia saber não é?
Dramatização deve ser uma coisa de aspirantes a atrizes.
– Menos, Abby. Você está viva e eu também.
– Por enquanto! — ela resmungou. — Quando cheguei aqui na academia fiquei sabendo do nosso metrô. Fiquei apavorada. Você sozinha ai. Tentei te ligar para te avisar.
Putz, nem havia notado que Abby também usa o metrô para a academia de artes dela.
– Você pegou carona também?
– Peguei. Aquela nossa vizinha, a ruiva, ela me contou hoje no elevador que está no mesmo curso que o meu, então ela me ofereceu carona. Descemos logo para o estacionamento. Nem passei perto do metrô. Fiquei assustadíssima. — ela explicou.
– Você teve sorte, porque hoje me atrasei, mas consegui chegar a tempo de não ter uma falta.
– Isso é o de menos, Diana. Você já sacou que houve um assassinato no nosso bairro? — a espinha de Diana esfriou novamente. Por que isso acontecia direto agora?
– Pode parar aqui, moço. — Diana disse para o taxista. Entregou-lhe o dinheiro contado e saiu. — Eu sei, Abby.
– Não parece. É por isso que estou aqui para te implorar que não vá ao trabalho hoje!
– Quê? — Diana quase riu.
– Você sempre chega tarde, não quero imaginar você usando esse metrô dez horas da noite. Pense comigo, é muito perigoso depois de tudo.
– Quem quer que seja o cara que matou, Abby, nunca viria ao mesmo lugar tendo assassinado tão recente assim. — Diana disse, talvez assim tranquilizasse a amiga.
– Não me convenceu. — ela retrucou. — Por isso, me prometa que não vai hoje.
– Nem pensar Abby.
– Ana! — Abby gritou pelo telefone. Diana acabou de acionar o andar do seu apartamento. — Você está louca?
– Não posso deixar a Natasha sozinha.
– É só um dia!
– Nada disso, Abby. Eu vou me cuidar. — Diana tirou a chave do cordão em volta do pescoço e abriu a porta.
– Faça isso por mim, Diana. — ela implorou ao telefone. — Hoje terei uma apresentação importante e terei que dormir na casa de uma colega. Ela mora aqui ao lado. Não posso deixar você sozinha desse jeito. Então prefiro saber que está em casa e enfurnada no seu quarto do que perambulando pelo Five Points.
– Desculpe, Abby.
– Deus, como você é cabeça dura.
– Obrigada pela preocupação, Abby. Mas tudo vai ficar bem, OK?
– Eu espero. — ela fungou. Apesar de que estivesse longe de concordar com a decisão de Diana, Abby pareceu pelo menos aceitar.
– Fique calma. Você tem que está ótima na sua apresentação. Ademais, boa sorte.
Diana quase pode ver Abby sorrindo.
– Obrigada. Estou uma pilha de nervos. Tenho milhões de trocas de roupas. Estarei apresentando para a diretoria hoje, amanhã será apresentação grupal para convidados.
– Ah, então eu posso ir?
– Mas é claro. Sem falta. Preciso de você aqui. — no mesmo momento, um chamado ensurdecedor surgiu no fundo da ligação de Abby.
– Estou indo. — ela gritou. — Ah, merda. É agora!
– Tudo bem. Boa sorte amiga.
– Obrigada. Juizo, OK? Me ligue, nem que eu assalte um carro, eu vou até aí te salvar.
Diana riu.
– Ta certo, Batman. Até mais. Boa sorte. Te amo amiga.
– Também te amo.
E desligaram.
Não demorou menos de uma hora para que Diana estivesse pronta e com seu material de sempre bem ajeitado, pronta para sair. Para sua surpresa, já haviam liberado a passagem no metrô e ela pode finalmente assistir algumas coisas se encaminhando nos trilhos de sempre. Após quase dez minutos, ela chegou ao Five Points. Dessa vez ignorou aquele caminho no qual passava em frente ao bar e escolheu uma rua depois. Demorou um pouco mais, mas mesmo assim valeu a pena. Não tinha visto nenhum rastro de bares muito menos garotos em motos mortíferas e de aparência assustadora. Quando chegou na escola, Natasha já a esperava como sempre para ajudá-la. Ela tinha facilmente conseguido no banco a atenção devida para passar o direito da escola para seu nome. Em poucos meses, ela seria dona de tudo isso e poderia investir sem medo de que alguém pudesse tirá-la o direito. Diana ficou muito feliz de saber da notícia.
Depois de preparado tudo. As crianças chegaram no horário normal das aulas. Hoje ela e Natasha dividiriam o horário. Estava mais feliz do que o normal, tinha brincado com todas as crianças, contado histórias e partido para as aulas de português. Sua favorita. As crianças aprenderam novos métodos de separar sílabas pequenas e ajudaram Diana ao soletrar. Elas estavam tão animadas que Diana nem viu o tempo passar.
Quando o relógio bateu nove horas e todas as crianças tinham ido embora, ela percebeu que era a sua hora de ir.
– Se você seguir para a próxima rua você acha outro metrô. Ele vai ter uma parada a mais do que o que você costuma pegar, mas assim evita que passe por aquele bar de novo. — Natasha disse depois que elas apagaram as luzes e trancaram as portas.
– OK. Obrigada. Te vejo amanhã.
– Até! — ela lhe deu um rápido abraço quente e se despediram de vez.
Tudo que Diana queria era chegar em casa e se jogar na cama. Seus pensamentos foram se desenrolando a medida que chegava perto do metrô. Depois de pensar nas crianças e na escola, ela se pegou novamente pensando em Hans. Mas dessa vez aliviada por não ter que vê-lo novamente e por ter ultrapassado o horário que ele havia combinado de ir pegá-la. Ele deve ter ficado fulo da vida quando apareceu no seu apartamento e esperou por um longo tempo que ela aparecesse. Apesar de que ela tivesse ficado com pena, a felicidade em vê-lo parado ali por horas a dominou mais.
Quando chegou no metrô, não demorou muito para que tomasse seu lugar e esperasse. Em alguns minutos, teve outra parada e outro metrô. Este iria direto para seu bairro.
Tinha contado para Annie e Brienne sobre Hans. Esperava de tudo, e conseguiu tudo. Um questionamento atrás do outro. Elas não se contentaram com suas explicações, mesmo que fossem verdades. Hans era um empecilho muito grande na naturalidade de sua vida. Ele era uma porcentagem de erro. Nunca deveria ter existido no seu caminho pelo simples motivo de Diana nunca ter planejado. Ele era como uma bomba que semeava o caos. Explodiu ao lado dela num dia qualquer e agora parecia que sua vida iria sucumbir à ele. Mesmo ela não querendo nada disso.
A porta do metrô se abriu e apenas duas pessoas passaram por ela. A movimentação não estava tão grande quanto na sua primeira parada. Pegou suas coisas e atravessou a porta do trem. Subiu a primeira escada e tornou a esquerda. Subiu mais uma e entrou num salão relativamente comprido. Deu de cara com o terror. Por instinto, Diana se encolheu ao lado de uma máquina de refringentes. Ouviu vozes.
– ... você não sabe fazer as coisas direito, então sobra pra gente.
– Vá se ferrar Sven!
O coração de Diana parecia querer explodir no peito.
– Você acha que vai ficar barato? Eles vão vir atrás de você, cara. Os tiras também. Você não pensa, Elliot.
– Se eles vieram aqui, porra, eu me ajeito, ta entendido? Não preciso de sermão não, Sven. Volte para sua casa e me deixa aqui. — sua voz era quase ensurdecedora.
– E te deixar nessa merda só? É pra isso que servem os amigos.
– Amigos de merda. O Karl foi o primeiro a se mandar. Depois você seguiu caminho. — Diana ouviu um baque. Ela espiou para o lado e percebeu que o garoto de cabelo loiro acabara de empurrar o outro, um pouco mais alto. Ela jurou que os conhecia.
– Não foi assim. — o outro disse, ignorando o empurrão. — Você sabe que fez merda, o H...
– Não me fale dele. Ele veio me dar um sermão esta manhã, eu estou fulo da vida com ele.
– Nós queríamos te ajudar. Você meteu os pés pelas mãos indo atrás daquele cara, Elliot.
– Ele não devia ter me roubado, aquele sangue ruim, aquele rato. Mereceu a morte que teve.
Alguém bufou.
– A gangue dele vai vim atrás de você. Você sabe disso.
– Por isso estou aqui. Vou bater de cara.
– Calma ai, espera Adam chegar. Ele vai tentar reverter tudo isso, cara. Ele é bom de conversa.
– Adam é uma merda. Onde que ele ta agora? Ele anda estranho desde ontem. Sumiu de novo já.
– Deixe os lances dele, Elliot, vamos focar no que você vai dizer aos F...
Eles ficaram em silêncio. O suor desceu do topo da testa de Diana e pingou nos seus seios. Estava tentando recuperar a respiração e a sensatez. Acabara de ligar os pontos. Um dos caras que estava aqui havia matado o garoto nessa madrugada. E estava totalmente encrencado. Haveria uma reunião de gente que Diana nunca pensaria em cruzar o caminho. Por isso tinha que se mandar daqui.
– Eles chegaram. Os Foxes chegaram, Ellitot.
– Cade a porra do Adam agora, em?
Houve silêncio. Diana demorou um longo tempo para focar no ruído de sola de sapato contra o chão.
– Cade o Filp? — Diana assegurou que o dono da voz era o tal de Elliot.
– Ta ocupado com coisas melhores. Você deve ser o Elliot, não é? O sabichão que resolveu apagar de vez um de nossos parceiros.
Houve silêncio.
– Você deve ser bastante corajoso para aceitar se encontrar com a gente. Ou é muito burro.
– Acertei minhas contas com o idiota do Mike. Agora ele está morto.
– Nós sacamos o tipo de problema que ele te arranjou. Fez isso com metade do nosso setor.
– E o que isso quer dizer?
– Que mesmo que ele seja um babaca, ele ainda é um dos nossos. — não havia nenhuma sensação de boa coisa vindo da voz desse homem. — Filp achou melhor te mostrar quem é que manda.
O coração de Diana bateu tão forte que ela achou que iria desmaiar em algum momento.
– Espere, ai! Vamos resolver de outra maneira. — Diana suspeitou que se tratava do Sven.
– Segurem esse ai! — o tal mandado pelo Filp ordenou.
Diana ouviu um par de gritarias e respirações pesadas. O Sven estava tentando proteger o amigo mesmo sabendo do que ele havia feito. Diana tinha chegado a essa conclusão.
– Pronto. Seu amigo esta bem preso e você bem acanhado. Vamos te mostrar um pedacinho de como julgamos os que saem fora da linha.
Houve a combinação de um osso sendo quebrado e um grito. Diana teve que tampar a boca para não soar nenhum grito de pavor. As lágrimas agora já molhavam seu rosto. Outro punhado de socos e mais gritos. Imagens de um rosto todo ensanguentando cegou os seus olhos que por um segundo ela não percebeu que alguém subia as mesmas escadas que ela pegou para chegar aqui. Alguém parou ali na frente por uns dois segundos antes de se jogar contra ela. Diana somente não gritou de susto porque ainda tinha a boca pressionada pelas mãos. Ela apertou bem os olhos e imaginou sendo entregue àquele que parecia mandar por ali. Mas para sua surpresa, não aconteceu nada.
Após um longo segundo, Diana abriu os olhos. Avistou outros, bem diferentes dos dela. Eram negros e brilhantes. Ela percebeu na hora quem era. Hans colocou o dedo indicador nos lábios e fez gesto para que ela ficasse em silêncio.
– Você me explica depois. — ele sussurrou. — Agora quero que faça o seguinte. Quando eu disser "corra", você sai daqui e desce as escadas correndo, pegue uma saída de emergência no andar debaixo. Vai dar atrás da igreja. Você vai saber correr até seu apartamento, certo?
Diana fez que sim com a cabeça. Não ousou contrariá-lo porque surpreendentemente, ela se sentiu totalmente segura agora.
– OK. Não se mova!
Diana não fazia ideia o que Hans estava planejando, mas ele parecia bem confiante de si. Não seria ela que diria alguma coisa.
Ele não a olhou de volta. Talvez porque não quisesse que percebessem que ela estava ali. Ela quase ficou feliz pelo pensamento, mas a situação era confusa demais para tal ato. Hans saiu de trás da máquina de refringentes e cessou-se instantaneamente os socos e os gritos.
– Hans?! — alguém disse.
– Olá, Gilbert. — Diana o viu caminhar prepotente e confiante pelo salão. Não havia resquícios de hesitação. — Métodos novos de ensinamento didático?
– Sabe como é.
– Ah sim. — houve uma pausa. Ele também parou de andar. — Mas na minha terra nós damos outro nome para isso.
– E é? — o tal Gilbert riu. Quatro risadas se juntaram a ele. — Como que chamam?
– Frustração sexual. Não anda dando de conta de suas vadias, Gilbert? — naquele mesmo momento, as risadas cessaram.
– Qual é a tua, Hans?
– O Elliot. — sua voz endureceu. — Ele pode ser um idiota, mas é meu amigo. Então lhe dou vinte segundos para tirarem suas mãos imundas dos meus amigos e saírem daqui.
Gilbert riu. Diana já conhecia sua risada.
– E se não acontecer? Vai bancar o Batman e partir para cima da gente?
– Pode ser. Eu já disse que vocês citaram meu herói favorito? — como numa explosão de caos, os segundos seguintes mal couberam na cabeça de Diana.
Hans gritou "corra" para as paredes e arremessou um soco em Gilbert que cambaleou para trás. No ato seguinte, ele fez isso ao mesmo tempo com os dois que seguravam seu amigo Elliot. Era sua vez. Quando Diana finalmente saiu do seu esconderijo e alcançou a escada, olhou rapidamente para trás e viu um cara de dois metros e de vestimentas pretas arremessar um soco na mandíbula do Hans. Ela percebeu que ele nem notara o choque porque estava fervendo adrenalina. Mas, não foi isso que a preocupou. Quer dizer, havia parado não para ver Hans ser socado duas vezes em seguida sem revidar. Ela parou porque sentiu-se frustrada por ele ter apanhado. Uma parte até então desconhecida queria que ele passasse por todos eles como água que desmancha nos dedos. Sem sentir nada. Mas ela sabia que ele se machucaria muito. Queria fazer alguma coisa, pensou até em voltar, mas Hans a pegou ali. Olhou para ela depois que deixou um deles no chão e Elliot e Sven estavam finamente livres para lutar também. Ele gritou para ela. Mandou que ela fosse embora. E naquele momento ela teve que obedecer. Não porque queria deixá-lo só, mas porque sentiu seu corpo tremer ao ver que ele estava sangrando.
Ela correu escada abaixo sentindo as pernas vacilarem. Teria desmaiado a qualquer momento se a ordem de Hans não a mantivesse intacta. Ela encontrou a porta que ele disse e saiu.
Desesperada, passou pela igreja e correu até o seu prédio. Na portaria, gritou para o porteiro que ligasse para polícia, disse que havia chegado do metrô e ele nem pensou duas vezes. Diana estava em choque, não precisava explicar o que viu para perceber que fora grave.
Assim que ele pegou o telefone e discou o número, ela se direcionou para a escada e correu para seu andar. Precisava correr, ocupar a mente, sentir um pouco de adrenalina. Era a primeira vez que isso acontecia. Diana ainda não sabia como lidar. E apesar do misto de frustrações, quando ela chegou no seu apartamento tudo que ela queria saber era se Hans estava bem. Esperava que ele não fosse preso, que ele fugisse a tempo.
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