Notas iniciais
volteeeeei! capitulo fresquinho para vcs, espero que gostem!!!

Quando Diana chegou em sala, depois de sua rápida conversa com Matt, a primeira coisa que notou foi a mesa vazia do seu professor de química. Era um péssimo sinal. Sr. Massive era um homem de trinta e cinco anos que usualmente usava um paletó negro em todas as suas aulas. Era razoavelmente sociável quando levava seu copo com café expresso. Quando isso não acontecia, era o dia do seu mal humor e coisas horríveis aconteciam quando ele estava de mal humor. Diana nunca soube dizer porque isso acontecia, embora fosse com menos frequência no meio da semana, talvez porque ele fosse casado. Era uma ótima explicação. E uma ótima teoria, pois assim que soou o sinal e o último aluno entrou em sala, Sr. Massivo escreveu com letras maiúsculas no quadro: TESTE SURPRESA. Diana amassou sua pasta contra o peito e suspirou, hoje certamente não estava sendo um dia produtivo para ela.

Sr. Massive distribuiu papéis para os alunos e os dividiu para cada um. Muito brevemente, ele alertou que o teste duraria até o fim da aula, quando o sinal soasse todos deveriam entregá-lo com pelo menos 50% da prova feita.

Foram os minutos mais tortuosos da vida de Diana depois da noite no metrô com Adam. As palavras mal se formavam em seu cérebro e era como se ela não conseguisse desenvolver nenhuma palavra enquanto a ponta da caneta esferográfica estava inclinada em direção às linhas da provas, sem nenhuma primeira marcação. Talvez não devesse ter bebido tanto na noite passada. Vestígios de sua embriagues estavam marcados na sua forte dor de cabeça, nas suas mãos trêmulas e confusão de pensamentos. Queria sair dali o mais rápido, mas não podia entregar um teste totalmente limpo.

Vamos lá Diana, tente se lembrar sobre ligações iônicas, o que são polímeros mesmo?

Mordiscou o lábio e espiou o restante da turma, todos pareciam evidentemente concentrados, até o Ben que normalmente chegava atrasado e dormia nas aulas depois de fumar atrás da faculdade estava escrevendo em sua prova, por que não com ela? Diana havia assistido todas as aulas, feito todos os trabalhos então o que era que estava bloqueando sua mente? Ela tentou limpar casa vestígio em sua cabeça, livre pensamento, livre conturbação, tinha que pensar em química, no Sr. Massive e que deveria tirar uma nota boa. Pensou em seus pais e que eles reprovariam uma nota sequer mais baixa que um seis. Foi o suficiente.

O rosto triste de sua mãe a fez se concentrar, expulsar a noite passada, sua melhor amiga, seu ex flerte e seu atual e confuso flerte. Diana finalmente conseguiu escrever alguma coisa além do seu nome.

Meia hora mais tarde, após a saída de quase 40% da turma, ela terminou. O sinal não tinha tocando então pode ficar orgulhosa de si mesmo por ter feito todas as questões e a maioria conscientemente. Diana passou pela mesa do seu professor e entregou seu teste, ajeitou suas coisas e saiu da sala.

Como a prova do Sr. Massive, teve horário livre para estudar na biblioteca antes de suas duas últimas aulas do dia. Arrumou todos os livros que precisava e se fechou dentro de uma ouvidoria para apenas um aluno estudar, afastado dos outros e de qualquer intromissão. Levou seu intervalo todo para terminar alguns dos assuntos que ainda veria em suas dez cadeiras da faculdade, mas pelo menos agora se sentia mais positiva se fosse pega com algum teste surpresa.

No fim do intervalo, deixou uma mensagem para Brienne e Anne, avisando que iria direto para a sala e explicou de seu desaparecimento. As outras duas ultimas aulas se arrastaram cansativas, mas finalmente Diana conseguiu ir para casa. Precisava de um banho, mas antes disso, de um café. Anne e Brienne a acompanharam até o café perto da faculdade como sempre faziam nos horários livres. Expresso e doce, como Diana sempre gostou. O caminho para casa foi silencioso e rápido, embora seus pensamentos não saíssem da ideia que havia sido no café a primeira vez que se encontrava com Adam. Tentou descobrir onde ele estaria agora, o que estaria fazendo, mas não tinha uma resposta, não o conhecia o suficiente, na verdade, não conhecia nada além de seu nome e seu bairro, até seus amigos ainda eram confusos, o que ele fazia, qual era sua história. Ele era um total desconhecido.

Quando chegou no seu andar, Diana foi direto para sua porta, procurando seu quarto e se preparando para p banho. Por sorte, Abby não estava em casa, embora ela tentasse se perguntar por que sua amiga estava há tanto tempo sem dar um sinal de vida. Diana tentou não se preocupar, tentou imaginar que ela estaria bem, com as pessoas do seu teatro, as pessoas que a entendiam melhor que ela. Uma profunda dor de mágoa ardeu em seu peito, mas tentou ignorar. Diana andou até o banheiro e tomou uma ducha revitalizante, lavando o cabelo, desfazendo dos vestígios do seu péssimo dia. Quando o relógio marcou seis horas, ela já estava pronta. Avisaria para Natasha que teria um encontro hoje, e embora Natasha sempre fosse amigavelmente compreensiva, Diana não queria deixar seu trabalho em cima dela, tinha seus deveres e já era segunda vez. Não havia pensado nisso quando falou com Matt, mas queria dar-lhe um troco, queria na verdade desmascará-lo, saber a verdade, e perguntaria tudo.

Como sempre fazia, Diana pegou o metrô do seu bairro, e no segundo, perto do Five Points, ela andou um pouco menos de quinze minutos até a pequena escolinha de Natasha, as luzes iluminando a entrada e avisando que ela já estava ali.

– Natasha? — Diana bateu.

Ela espiou para dentro e avistou sua amiga entre dois colchões no chão, vários papéis rodeando-a.

– Boa noite, Ana! — Natasha sorriu, acenando para ela, chamando-a para entrar.

– Algum problema?

– Ah, nenhum. — ela deu um sorriso animador. — Quero saber de você, como você está? E a apresentação?

Diana se sentou ao seu lado e não ousou parar de falar sobre a peça de Abby. Havia sido tudo tão perfeito que seu rosto se iluminava ao falar, lembrando-se infelizmente do que acontecera depois.

– Eu perdi todas minhas chances de ir. Decidi ficar em casa e cuidar de algumas papeladas do banco.

– Eu entendo.

– Ah, de os parabéns a Abby, diga que não pude ir, mas sei que foi tudo muito bem feito.

Diana corou. Não sabia quando falaria com sua amiga.

– Eu direi. — ela esticou as pernas e colocou o rosto entre os joelhos.

– Achei que não viria hoje. — Natasha falou, olhando para ela.

– Claro que viria.

– Ah, não é por isso. Por causa da comemoração.

– Comemoração? — ela ergueu os olhos.

– Um clube novo no Five. Decidi suspender a aula hoje porque seria impossível com a movimentação. Achei que tivesse recebido minha mensagem.

Diana mal tocara no seu celular, tenta evitar qualquer recaída de falar com Abby ou com Adam.

– Eu não fazia ideia, não vi a mensagem.

– Você devia ir para casa, isso aqui ficará lotado logo mais a noite. — Natasha se ergueu. — Estava olhando algumas redações das crianças, da primeira aula de escrita, estava me divertindo um bocado, mas estava indo fechar.

Diana a seguiu.

– Ficarei para ajudá-la. — Diana recolheu alguns papéis do chão e se juntou a Natasha. Depois de alguns minutos, seu celular vibrou no bolso, temeu que fosse Abby, mas quando viu que era Matt, sua feição enrijeceu. Que horas eram?

– Diana?

– Oi Matt.

– Estava ligando para avisar sobre nossa saída hoje.

– Clado. Ahn, irei demorar um pouco, estou... Na casa de uma amiga. Mas está de pé certo?

– Isso é ótimo. Te ligarei depois então, Ana. Um beijo.

– É, outro. — ela desligou. Estava fula da vida com Matt. Ela não era produto com oferta e demanda que ele podia se interessar de novo. Isso a deixava furiosa.

Natasha perguntou quem era, mas ela decidiu não atormenta-la sobre o Matt embora tenham falado de muitas coisas enquanto ajustavam algumas coisas dentro da escola. Mas no fim das contas, Diana não soube se segurar, teve pelo menos que falar sobre Abby e o que acontecera no clube, não mencionando Adam, Natasha não precisava receber todos os problemas de Diana de uma vez. Iria explodir se não dissesse alguém que estava mal, que estava péssima por sua melhor amiga.

– Não sei o que dizer. Abby não parecia ser o tipo de garota que faria algo assim.

– Eu sei. — ela murmurou, apagando as luzes aos poucos. Diana olhou no relógio, passava um pouco das sete e meia. — Não sei o que fazer, Natasha.

– Fale com ela. Sem diálogo e sem ela saber o que você sente, não chegará a consentimento algum.

– Hm, você tem razão. — ela mordiscou o lábio, movendo-se para fora e esperando Natasha. — Eu falarei com ela quando estiver em casa.

– Otima idéia. Não adie isso! — ela fez um gesto com o dedo indicador, em sinal de ordem, mas sorrindo levemente. — Até amanhã, Ana. — Natasha se aproximou e beijou seu rosto.

– Até amanha, Nat! — Diana pegou um caminho diferente, direto para o metrô.

Seus pensamentos estavam em Abby quando reparou mais uma vez no seu celular. Matt deveria já estar montando banca em sua casa a esse horário, e foi exatamente o que esperou acontecer quando seu celular voltou a vibrar. Outra ligação sua. Errado. Era Abby.

– Diana? Onde você está?

Ela engoliu em seco. O dia todo e Abby havia sentido sua falta agora?

– O que você quer Abby?

– Quero uma explicação porque aquele garoto da moto invadiu nosso apartamento. — Diana ficou em silêncio, tentando raciocinar o que acabara de ouvir. Era alguma piada?

– Adam?

– Eu não sei o nome dele, Ana. Mas ele estava aqui, ele não deve ter esperado me ver aqui, por acaso ele tem nossa chave? — ela fungou. — Não é disso que eu estou mais preocupada, e sim pelo fato dele me dar ordens.

– Ordens? — a cabeça de Diana estava girando.

– Ele perguntou por você mesmo quando eu mandei se explicar, sobre ele estar na nossa casa. Ele estava fulo da vida comigo, ordenando que eu ligasse para você e pedisse desculpas. Do que ele está falando, Ana?

Diana tossiu. Adam fora na sua casa e se encontrava com Abby. Era uma imagem do terror quando principalmente ele soubesse do que acontecera na noite passada.

– Não é nada, Abby. Eu irei me resolver com ele.

– Eu espero que sim. Ele me assustou. Passeando pelo apartamento.

– Isso não irá mais se repetir, OK? O apartamento não é somente seu.

Abby ficou quieta.

– Quer saber, preciso desligar agora Abby.

– Diana, eu preciso...

– Depois nos falamos. — e desligou. Sua pele estava quente, ela nem sabia por que estava com raiva, Abby não se lembrava ou estava fingindo? E por que diabos Adam tinha que se meter? Ele não tinha direito de invadir seu apartamento daquela forma, e ela precisava dizer isso pessoalmente a ele.

Diana pegou outro caminho e foi em direção ao bar de sinucas, o mesmo que vira que Adam uma vez. Ele certamente estaria lá apostando carros, apartamentos talvez, quem sabe um helicóptero? Diana andou em passos firmes e ligeiros, bufando de raiva, sem um foco lógico na cabeça, só sabia que precisava falar com Adam e lhe propor limites, ela não era igual as garotas com quem ele saia e conhecia, ela era diferente, alguém que ele não estava acostumado.

Na próxima rua à direita, ela dobrou e avistou o bar. Não sabia de onde havia ganhado tanta coragem, mas marchou até lá, se desvencilhando de três caras que fumavam na entrada e a olhavam de maneiras nada educadas ou sensatas. Ela engoliu em seco, mas continuou andando. Lá dentro, era mais tenebroso do que podia ver pelas brechas pelo lado de fora. O cheiro intensivo de cigarro e álcool lhe embrulhava o estômago, sem contar o odor de urina, e os banheiros se encontravam apenas no final do estabelecimento. Quatro mesas de sinucas estavam a direita, lado a lado, todas abarrotadas de caras estranhos que não evitaram olhá-la, sem pudor algum, encarando-a como se fosse um artefato a ser olhado e admirado, havia alguma coisa sexual ali que a encomendava bruscamente. Mas mesmo assim, tentou encontrar Adam Hanson e lhe mostrar que ele não devia se intrometer na sua vida. A direita, Diana encontrou alguns sofás e mesas, abarrotados, caindo aos pedaços, mais à frente um balcão de madeira com mais buracos que a camada de ozônio, ela pensou, isso aqui deveria ser interditado pela companhia de saúde pública sem sombra de dúvida. E atrás dele, dois homens barbudos e um careca serviam homens que beiravam por ali. Alguns deles se viraram para olhar para Diana e apenas o ato fez o seu coração palpitar em pânico.

– Olá gracinha. — alguém passou por ela. Ela tentou não prestar atenção.

Moveu-se para o balcão e chamou um dos homens barbudos.

– O que deseja, moça? — ele era educado até. Tinha uma tatuagem estranhíssima que pegava da costela até o pescoço, suspeitou, avistava apenas pouca coisa da sua camiseta.

– Ahm, queria um cara, — ela gaguejou e depois ficou vermelha. — quero dizer, saber sobre um cara. Que vem aqui, todos os dias. Eu acho.

– O nome, senhorita.

– Adam Hanson. O Hans.

Ele franziu a testa e alguns múrmuros se cessaram atrás dela. Era uma boa notícia?

– O que você quer com ele? — alguém perguntou lá atrás, ela teve que se virar para encontrá-lo. Era um rapaz bastante alto, pele morena, e isso a fez lembrar de um dos garotos que estavam com Hans no café.

– É pa-particular.

– Fala com a gente, gracinha. Somos todos irmãos, dividimos tudo. — disse um loiro que estava sentado no sofá, tragando um cigarro, olhando diretamente para Diana.

– Não, obrigada.

Alguns riram.

– Estou falando sério. Já perdi as contas de quantas vezes tracei as mesmas garotas que o Hans já pegou. Somos uma irmandade. Vai fundo.

Seu coração gelou. Vários deles riram, caçoando enquanto seu rosto enchia de rubor, querendo correr dali e fugir.

– Pega leve, Scott. — o alto disse. — Hans não vai gostar de saber que você está fazendo isso com uma amiga dele.

Diana rapidamente o conheceu o loiro e isso fez com que ela o odiasse ainda mais. Scott era o mesmo da noite do metrô. Era ele. Será que ele se lembrava dela? Diana torceu para que não. Ele ainda tinha machucados pelo rosto, marcas daquele dia.

– Foda-se o Hans. — Scott se levantou, puxando seu cigarro e o deixando em cima de uma mesa de madeira ao lado do sofá. Ele andou até o balcão, pairando sobre Diana, encostando o braço na lateral do seu corpo, ainda sem tocá-la, mas perto o suficiente para fazê-la se encolher, o coração em descompasso, sujeita a sair dali como uma medrosa. — Mas, pra falar a verdade, — ele tocou um fio desobediente de seu cabelo, ela hesitou. — pelo menos o cara tem bom gosto com as vadias que ele come.

Diana não pensou, ergueu a mão e estapeou sua cara, com bastante força e raiva. O rapaz alto e moreno correu para seu lado, empurrando Scott da sua frente, ele havia se exaltado no mesmo momento.

– Sua vadia! — ele gritou atrás do moreno. — Não ache que isso muda seu tipo de caráter. Todas são sempre iguais, vadia!

– Cale a boca, Scott. — o moreno o empurrou, pedindo em gestos que um terceiro cara, que rapidamente Diana se lembrou como outro amigo de Hans, o segurasse. — É melhor você se acalmar cara, ultimamente você anda mais idiota do que o normal.

Scott não disse nada, apenas mirou Diana com bastante raiva, enquanto ela estava em estado de choque, perplexa com o que havia acabado de ouvir e também com o que havia feito. Não era ela, e nem deveria estar ali. Sua mão ardia, seus olhos ardiam e ela queria chorar. Queria sair dali.

– Ei, não dê bola. — o garoto moreno disse, se aproximando de repente, assustando-a. — Está tudo bem. Scott não generaliza todos que estão aqui. Tem muita gente legal e educada no Five.

Ela fez que sim, tentando não encarar Scott a mirando do sofá, aos protestos pelo amigo do Hans.

– Eu sou o Karl. — o moreno se apresentou, esperando uma retribuição. — Fique relaxada, não mordo. A não ser que me peça.

Diana ruborizou, mas o cumprimentou.

– Diana.

– Ah! — ele fez um sonoro som de reconhecimento. — Hans falou sobre você.

– Falou? — ela ficou realmente muito surpresa.

– Sim. Coisas boas, só coisas. — ele sorriu. Era um belo sorriso. — Fique tranquila, Diana. Resolverei seu desejo.

– Meu desejo?

– Sim, te levarei até a casa do Hans.

Notas finais
e aí, o que acharam??? Comentem por favor