Notas iniciais
capitulo fresquinho para vocês, boa leitura >

Adam tinha um carro, não apenas motos mortíforas que faziam as pernas de Diana tremerem e por incrível que pareça era um carro bonito. Diana acreditou que fosse uma Lande Rover, mas como era péssima em diferenciar carros ou qualquer veiculo, ela decidiu não dizer em alto e bom som. Ele era enorme, preto por dentro e por fora, um carro alto, não parecia o tipo que dava no orçamento de Adam e isso incomodou seus pensamentos até finalmente entrarem.

– O que foi? — Adam decidiu perguntar. Diana estava olhando para todos os lados do carro e ele percebeu. Um pequeno vinco apareceu bem ao meio de sua testa.

– Esse carro é seu?

– Digamos que seja. — ele deu um breve sorriso. Adam pegou a chave e a colocou na inguinição. Em poucos segundos, ele já estava o manobrando.

– Digamos que seja? — Diana repetiu, as orelhas queimando. — Não me diz que esse carro é... — seus olhos se arregalaram em desespero. — Meu deus, Adam, ele é roubado?

Parecia impossível, mas ela tentou tocar em nada, esperava que isso fosse apenas um mal entendido e que ele pudesse lhe dizer que ele conseguiu com bastate esforço depois de economizar. Por que isso não parecia fazer parte do Adam que ela — quase — conhecia? Ela era muito ingenua para esperar que Adam fosse esse tipo de pessoa. Era só olhar para ele e ver o oposto dos justos e certinhos.

– Se acalme, Diana.

– Oh, Deus. — Diana se espremeu na canto do banco, perto da porta. Então era verdade. — Ele é roubado, Adam? Você me levou para dentro de um carro roubado? — ela olhou pelas janelas, tentando encontrar alguma viatura. Ela acabou se vendo numa corrida de vida ou morte dentro do carro de Adam, ambos fugindo da policia.

– Você pode se acalmar? — ele se virou para ela, ele estava muito calmo para alguém que havia roubado um carro, Diana pensou.

– Isso não pode está acontecendo. — Diana colocou as mãos no rosto, tremendo de pavor.

– E não está. Se você conseguir se acalmar...

– Me acalmar? — Diana gritou para ele. — Você roubou um carro e está me colocando no meio de suas artemanhas e quer que eu me acalme?

– Diana você está me... Artimanhas? Essa palavra existe mesmo? — ele franziu a testa, juntando as sobrancelhas. — Quer saber, — ele sacudiu a cabeça. — não importa. Você pode uma vez na sua vida não tirar conclusões precipitadas sobre mim?

Diana ficou quieta, fixando seus olhos nele. Ela estava bufando de raiva, não acreditou que podia estar enrolada em mais um mal entendido com Adam. Primeiro o bar, depois o metrô e o assassinato, agora o roubo de um carro. Sua vida estava indo ladeira a baixo. E tudo começou desde o primeiro dia que esbarrou com o Hans no café.

– Ótimo. Está calada, — ele decidiu dizer. — apesar de que você está me olhando como se fosse me matar a qualquer momento. — ele deu um sorrisinho. Diana queria estrangulá-lo, mas ao mesmo tempo queria dizer o quão lindo ele ficava dando os meios sorrisos em situações de caos.

Diana quase se bateu por pensar nisso nessas circustâncias.

– Este carro não é roubado, Diana. Você pode ter algumas ideias sobre o pessoal que vive no Five Points, mas nem todos roubam para ganhar a vida. — ele disse seriamente, ainda dirigindo o carro, olhando fixamente para a estrada. De alguma forma, o jeito que ele falou ao mesmo tempo que não a olhava a incomodou, mais do que esperaria. Era um sentimento doloroso, culpa talvez, mas no fundo ela sabia que não suportaria nem a ideia de que Adam a ferisse.

Talvez ela estivesse começando a perceber que seus sentimentos eram mais intensos do que ela acreditava.

– Eu não consegui esse carro com meu próprio dinheiro, mas também não roubei. Foi uma aposta.

– Vocês apostam coisas altas? — Diana decidiu perguntar, sua garganta estava seca depois do que ele dissera.

– É, vez ou outra. É divertido. — Adam a olhou por cima do ombro. Seu coração acelerou no ato. — Enfim, não comprei ele com meu próprio dinheiro, mas também não roubei.

Ela podia conhecê-lo muito pouco, podia se certa forma duvidar de suas intenções, mas acreditou no que ele disse. Diana suspirou.

– OK. Eu acredito em você.

Ele sorriu, não olhando-a, tentando disfarçar logo depois o sorriso que deixou escapar.

– Você pode respirar um pouco e relaxar no banco. — ele disse, olhando-a furtivamente para ela.

Diana corou. Ela se mexeu e se ajeitou no banco, sentando-se confortavelmente. Ele não se digiriu mais ela e isso a incomodou muito e não entendia porquê, parecia tão estranho não vê-lo tentar falar com ela que Diana sentiu falta de suas investidas. Queria ouvi-lo dizer alguma coisa, pelo menos que não estava chateado pelo o que ela havia dito. Mas ela merecia. Mesmo que Adam parecesse o tipo certo de cara errado, ela não deveria ter dito o que disse, deveria ter esperado suas explicações, todo mundo merecia uma chance de explicação.

– O que foi? — ele disse de repente.

– O quê?

– Está me encarando há uns cinco minutos. — ele a olhou dessa vez, aquele maldito sorriso no seu rosto. — É meio psicopata, Diana.

Ela fez uma careta para ele e Adam retribuiu com um risinho passageiro.

– Sei que é dificil tirar os olhos de mim, eu entendo. — ele piscou para ela. Ligeiramente, ele baixou os olhos pelo seu rosto, indo em direção ao seu pescoço e mais embaixo, nos seus seios. Ela sentiu seu corpo arder em chamas apenas por uma olhada que ele deu. Ela tinha que se recompor. Diana se remexeu, o ignorando. Devia parar de transmitir o quão frágil ficava ao lado dele, não tendo controle em seus próprios sentimentos e no seu próprio corpo.

Não passou mais do que dois minutos e ela decidiu falar:

– Adam, — ela sussurrou.

– Quê?

– Me desculpe.

– Pelo o quê? — um vinco apareceu no meio de suas sobrancelhas.

– Você sabe. — ela encarou os pés. — Não foi justo da minha parte.

– Diana... — ele a olhou. — Pessoas erram, não são justas, falam coisas sem pensar. Está tudo bem. — e sorriu para confortá-la.

Ela não pensou em algo para dizer, talvez porque não tivesse. Ela estava enganada sobre pessoas como Adam, não era como se ela o conhecesse apenas pelo seu jeito de vestir e seus amigos. Ele era... diferente.

– Ah, chegamos! — ele disse antes que ela pudesse formar um pensamento.

Diana olhou para a janela. Era claro que ela não conhecia o Blue Dream, ele se encontrava no bairro dos clubes e das raves, open bar vinte e quatro horas, era o ultimo lugar que ela iria visitar. Sabia o bairro das bibliotecas publicas, das livrarias e dos cafés, lugares como Blue Dream estava na sua lista de ultimos lugares que visitaria.

– É bem aqui. É aquele com luzes azuis. Meio óbvio, não acha? — ele apontou para frente, a varios metros depois deles.

Antes de Adam conseguir estacionar, ela avistou um espaço retangular, luzes azuis iluminavam um enorme letreiro branco com Blue Dream escrito, além disso, iluminava uma extensa fila de jovens e adultos esperando em frente a entrada. Dois seguranças e um cara parado no topo da lista recebiam os ingressos e guardavam a passagem do clube. Era um bonito lugar, e com tantos outros, ele parecia bem invicto, transformando a coragem de Diana em manteiga, derretendo aos poucos. Finamente, Adam encontrou um lugar para estacionar e parou. Diana começou a cerrar as mãos, sentindo-as úmidas uma na outra.

– Você está bem? — ele se inclinou para perto dela, mas não próximo o suficiente. — Parece que vai vomitar tudo para fora.

Diana corou.

– Não está ajudando em nada, Hans. — ela resmungou, mas então reparou no olhar que ele a deu e ela sacou o que ele queria dizer. — Quer dizer, Adam.

– Melhor assim. Então por que não está saindo e indo se divertir?

– Olhe pra mim, Adam, — ela deu um breve sorriso mal humorado. — o que você vê?

Adam a olhou de cima a baixo.

– Uma garota sensual. — ele disse sem pensar duas vezes. Diana o fulminou pelos olhos. — O que foi? Não posso evitar te achar sexy, Diana porque você é. Principalmente vestindo uma roupa dessa.

Suas bochechas queimaram e Adam não estava ajudando com isso, era como se ele pudesse vê-la nua de cima a baixo pelo jeito que ele a olhava, transbordando segundas intenções

– Não é isso. — ela disse um pouco furiosa. — Esse lugar não combina comigo. É esse o problema.

Adam suspirou. Avançou um pouco além do seu banco e olhou para ela.

– Você é a garota da Columbia, inteligente e prudente Diana. E se divertir não é nenhum crime para você. Olha, vá lá, encontre a Abby e tenta pelo menos, se der errado, você pega um táxi e vai embora. Apenas... Tente.

Diana mordeu o lábio. Sabia que ele tinha razão, não era nenhum crime pelo menos uma vez ela tentar se divertir, não era a sua típica escolha de divertimento, mas era da Abby e tentaria por ela.

– OK. — ela suspirou. — Vou encontrar a Abby.

– Finalmente. — Adam se jogou no banco.

– Você não vem? — ela segurou a maçaneta e se virou para ele, a pergunta pairando sobre sua mente e finalmente perguntando.

– Está me convidando? — ele abriu um sorriso.

– Como se você não frequentasse lugares como esse.

Ele deu de ombros.

– Encontre sua amiga, talvez eu apareça. — Adam colocou as mãos para trás da cabeça e se apoiou.

Diana ficou tensa, talvez porque esperasse que ele fosse com ela, decidiu que não iria se importar com isso. Ela se virou para a porta e a abriu, saindo de fininho para fora e dando uma última olhada no seu parceiro. Ele a encarava intensamente, isso a perturbava a mente e acelerava seu coração.

– Até mais. Obrigada. — ela agradeceu timidamente.

– Até mais, Diana.

Ele deu um breve sorriso antes dela fechar a porta e começa a caminhar pela calçada. Pegou seu celular e tentou se comunicar com Abby. Torcia para que ela pudesse ouvir sua chamada lá dentro e também que não a deixasse plantada ali na fila como um peixe fora d'Água, era exatamente como ela estava se sentindo. Quando chegava mais perto da fila e da entrada, menos se conformava que Abby estava ali esperando-a como havia prometido. Tentou ligar mais uma vez para seu celular. Quando completou sete chamadas não atendidas, Diana se encolheu, tímida por estar ali plantada sem saber o que fazer. Pairou na fila e quando um grupo de jovens se aproximou empurrando-a para frente, não teve como se afastar do percurso da fila. Quando chegasse sua vez, esperava ver sua amiga para decidir se entrava ou não.

Infelizmente, mais perto chegava da entrada menos confiava que Abby iria aparecer. Será que havia errado de clube? Tentou se lembrar se havia ouvido de sua amiga Blue Dream ou outro nome parecido, mas suspeitou que estava certa. Então onde ela estaria nesse momento? Ela se encheu de raiva imaginando sua amiga se divertindo com seus colegas da escola de artes e nem passando em sua cabeça sua melhor amiga. Diana estava decidida que não iria ficar ali para sempre, esperando por algo que já sabia a resposta. Ela virou as costas e pediu licença para o grupo, afastando-se aos poucos até se esbarrar num rapaz alto cruzando seu caminho. Diana ergueu os olhos e sentiu mãos pairando sobre seus ombros.

– Iria fugir? — Adam a repreendeu com aqueles olhos negros e críticos, como se ela tivesse feito algo que o desaprovasse.

– Você não vai me cercar de novo ou vai?

– Diana... — ele cruzou os braços. — Você não vai embora.

– Ah, e por que?

– Se está aqui, termine o caminho. — ele não parecia que iria mudar de opinião tão facilmente.

– Olha, Abby nem está aqui, ela me deu um bolo ridículo e...

Adam segurou seus ombros novamente e a empurrou para frente.

– Eu entro com você.

– Adam... — ela resmungou, sem conseguir evitar ser empurrada. — Achei que você não quisesse ir.

– Eu não disse isso. — ele a levou de volta a fila. — Disse que talvez aparecia.

Diana deu de ombros.

– Eu nem trouxe dinheiro para pagar a entrada, Adam, então...

– Eu pago para você. — ele a interrompeu. — Não se preocupe. — o sorriso que ele deu a irritou o suficiente para acreditar que era o sorriso mais bonito que ela tinha visto em sua vida.

Sabia que não iria sair dali sem que Adam a fizesse voltar, então decidiu esperar. Não demorou muito para que a fila andasse e percebesse o grupo de jovens que havia tomado sua frente. Duas garotas morenas estavam fofocando ao seu lado, ela não as notaria mesmo tão bonitas se elas não estivessem olhando exatamente para onde ela estava. Não para Diana, mas para Adam, cínicas e desesperadas. As bochechas de Diana queimaram em fúria, estava prestes a berrar alguma coisa mal humorada quando a fila andou finalmente. Disparadamente, ela percebeu que tanto quanto as morenas olhavam para ele, Adam retribuía. Ela bufou de raiva, virando-se contrária a ele enquanto a fila andava. Não queria vê-lo nesse momento, ou melhor, vê-lo flertando. De todas suas tentativas de falar com ela, Diana não retornou nenhuma. Não faria, era como se seu corpo pegasse fogo, Adam tentou lhe dizer alguma coisa, mas fingiu que não havia prestado atenção. Como ele podia fazer isso? Mesmo que não houvesse nada entre eles, — e de certa forma isso a enfurecia também — Adam não precisava precisamente flertar bem ao seu lado. Ela estava prestes a fincar suas unhas no pescoço das garotas quando a sua vez chegou e Adam se prontificou para pagar suas entradas. Rapidamente, o rapaz que recebia o pagamento tocou seu pulso e colou uma pulseira brilhante em volta dele.

– Na entrada, você pode se servir no bar. — ele disse de repente. — Se estiver em dúvida, pode me chamar que a ajudarei sem falta, querida. Tenha uma prazerosa noite. — ele sorriu para Diana. Era um rapaz moreno de olhos esverdeados, sorrindo gentilmente para ela.

– Obrigada. — ela retribuiu.

Adam tossiu atrás dela.

– Ela ficará bem, eu conheço o caminho para o bar. — ele murmurou para o rapaz, segurando firmemente o braço de Diana e a puxando para dentro sem dar tempo para que o rapaz replicasse.

Diana não gostou nada daquilo.

– Não precisava ser tão mal educado com o cara. — ela murmurou para ele.

Adam deu uma risada sem graça. Ela percebeu que após as portas negras de ferro, havia um corredor muito escuro, uma luz vermelha brilhava fracamente no teto, mas ainda sim era bastante escuro. Ela via parcialmente o rosto do Adam enquanto alguns jovens conseguiam suas entradas permitidas.

– Você não percebeu o jeito como ele olhava para você?

– Ele foi gentil.

– É uma forma mais educada de te chamar pra transar, Diana.

Ela corou, por sorte, com a fraca iluminação ele não conseguia vê-la.

– Nem todo mundo quer transar comigo só por ser educado, Adam. E quer saber? Isso nem te interessa.

Ele bufou.

– Claro que me interessa. Estou guardando sua integridade, você é nova nesse mundo. — ele disse entre dentes, parecia irritado com algo. — Garotas bonitas como você são alvos de qualquer homem, Diana. Você desperta o lado mais insano neles.

Sua respiração ficou tensa. Não sabia como iria reagir ao que ele havia acabado de dizer. Ele estava falando dos homens em geral ou sobre ele? Será que Adam a desejava mais do que ela acreditava? Sua pele esquentou embaixo do fino tecido de sua roupa e com a mudez que ficou depois do que ele disse, Adam deve ter percebido a tensão que aumentou entre eles.

– Não somente neles. — ele disse vários tons mais baixo. Ela ainda conseguia ver seu rosto, as linhas tensas dele, seus lábios levemente abertos e seus olhos fixados nos seus. — Em mim também.

Se ela estava quente antes, agora estava pegando fogo. Ele parecia a faísca necessária para tornar as brasas do seu corpo em chamas novamente. Nunca havia passado isso com alguém, Adam era diferente.

– Eu... Eu não iria transar com ele, se era o que estava esperando. — Diana murmurou. — Não sou tão ingênua.

– Eu sei. — ele sussurrou, pousando sua mão esquerda acima da sua cabeça contra parede. — Você sabe como dizer não a um cara. — ele sorriu rapidamente. O coração de Diana estava em descompasso.

– Adam...

– Oh, que merda, Diana. — ele a repreendeu num sussurro. — Você não pode fazer isso.

Ela não soube dizer a que ele se referia.

– Estou lutando para não te agarrar agora e você sussurra meu nome como se... — ele suspirou. — como se me quisesse.

Ela mordeu os lábios. Um rápido pensamento passou por sua cabeça e ela o espantou na mesma hora. Ela realmente o queria, mas não chegou a dizer as palavras.

– Acho melhor entrarmos.

– É. — ele limpou a garganta, afastou-se dela e deixou que ela pudesse se mexer. — Vamos atrás da sua amiga Abby.

Diana não disse nada, estava imensamente transtornada para dizer alguma coisa. O que havia passado com Adam ultrapassava todos os limites que havia chegado com os garotos em sua vida. Não era de ter muitos relacionamentos, o mais longo que teve foi no colegial com seu colega de sala. Ethan Rolland. Foi o primeira cara com quem se apaixonou verdadeiramente, e havia sido o primeiro com quem ela decidiu tirar sua virgindade. Não durou mais depois disso. Ela não tivera muitos relacionamentos depois de Ethan, e nenhum dos que teve chegava aos pés do que sentia ao lado de Adam. Era uma mistura insana de caos e uma ansiedade irresistível de pular em seus braços. Tinha momentos que queria soca-lo até a morte e outros queria beijá-lo a noite toda. Nunca poderia chegar a dizer isso a ele, ela pensou.

Quando eles passaram a linha do corredor e finalmente entraram no clube, Diana entendeu porque ele era tão frequentado. Era um espaço enorme, de dois andares, os corredores na parte superior eram lotados de pessoas dançantes, bêbadas, divertidas e casais, na parte inferior um DJ se encontrava num altar no fundo do salão enquanto o restante dançava loucamente na pista, os corpos suados misturando-se com as luzes faiscantes coloridas num lugar breu. Como havia dito o rapaz da entrada, o bar se localizava realmente na entrada do salão e estava lotado de pessoas. Diana se perguntou como encontraria Abby naquele mar de loucos.

– O que você vai fazer? — Adam se inclinou para ela e o seu sussurro a pegou desprevenida, fazendo seu corpo se arrepiar no ato.

– Acho que vou procurá-la. — ela decidiu ignorar a sensação.

– OK. Eu estarei por aí. — ele acenou para ela, mas não saiu do seu lado. Ela imaginou que ele estivesse esperando Diana ir primeiro.

– OK. Então eu vou.

Ela não esperou seu sinal. Desceu alguns degraus e mergulhou no mar de pessoas na parte inferior do clube, no meio do salão. Ela tinha que estar em algum lugar ali. As pessoas não pareciam se importar com as outras ao seu redor, elas dançavam sem estratégia de espaço, esbarrando em Diana a quase todo momento. Perdeu as contas de quantas estavam se agarrando ali mesmo sem pudor algum. Certamente não parecia o lugar que ela frequentaria num dia de folga. Diana andou mais um pouco atrás de Abby, mas não havia encontrado sinal algum de sua amiga. Torceu para que tivesse errado de clube e não que Abby não sentia sua falta.

Depois de mais dez minutos zanzando de um lado a outro, ela a encontrou. Abby estava rodeada dos seus amigos do teatro e estava se divertindo muito. Ela estava virando um copo cheio de alguma bebida amarelada para dentro da garganta enquanto eles gritavam palavras de encorajamento. Foi nesse momento que Diana percebeu que Abby não estava sentindo sua falta, que ela não notaria sua chegada e que nem estava preocupada a sua espera. Ela já tinha sua turma. Diana deu as costas e saiu. Ela não iria chorar, era maior de idade, madura, sabia lidar com isso como ninguém. Talvez aquele pressentimento de que não deveria vim estava correto. Ela tinha que ir embora e fingir que nada disso tinha acontecido. Diana dobrou a direita e passou pelo bar. Uma ideia insana passou por sua cabeça. Ela não iria para casa enquanto sua melhor amiga se divertia loucamente sem ela. Ela faria sua própria festa. Diana se arrastou para perto de banco e se sentou.

– O que deseja? — um senhor barbudo de cabelo raspado com uma tatuagem estranhíssima pegando a lateral da cabeça nua lhe perguntou.

– Alguma coisa quente e forte.

Ele riu.

– Um Whisky para começar? — Diana não fazia ideia do que era porque nunca havia bebido, mas acenou com a cabeça. — Precisa pagar antes então.

Diana mastigou a ponta do lábio. Não tinha dinheiro e não havia pensado nisso até se sentar ali. Mas que droga, ela murmurou. Ela estava prestes a ir embora quando alguém depositou uma nota de quinze dólares na mesa.

– Qualquer coisa que ela pedir eu pago. — um rapaz disse. Diana se virou para ele e notou como ele era. Alto, loiro, olhos azuis e uma barba por fazer, tinha o sorriso mais odontológico que já vira. Mas era bonito.

– Eu conheço você. — Diana murmurou para ele e sem prudência nenhuma, aceitou que ele pagasse sua bebida.

– Eu também conheço você. Columbia. — ele disse. — Estudamos na mesma universidade.

Diana fez um sonoro "ah" de lembrança.

– Você é filho de um dos organizadores.

Ele acenou.

– É isso mesmo. — ele deu um breve sorriso. — Não sabia que curtia baladas, Diana.

– É, nem eu. — ela disse, interrompendo-se quando sua bebia chegou. Ela segurou como se nunca tivesse tocado em um copo antes. Ela beberia de uma vez? Será que era assim que eles faziam? Sem saber o que fazer, Diana colocou tudo para dentro. A bebida queimou sua garganta e ameaçou voltar, mas ela engoliu fortemente e tentou se acostumar com o gosto. — Ah, merda, isso é horrível. — ela fez uma careta antes de um sorriso travesso surgir nos seus lábios. — Eu quero outra. — ela apontou para seu copo e para o senhor careca.

O garoto riu. Lembrou-se do seu nome rapidamente. Liam Obrosey.

– Eu pago tudo. — ele relaxou na cadeira.

Diana não pode evitar sorrir. A bebida esquentou seu corpo em segundos, fazendo sua cabeça girar instantemente e voltar ao eixo logo depois. Ela queria sentir o azedo de novo porque de certa forma era muito bom.

– Você não acha que deva ir com mais calma?

– Ah, não. Quero ultrapassar os limites hoje, Liam. — Diana lhe respondeu, virando o copo com Whisky logo depois.

Ele riu.

– Quer mais uma rodada?

Diana não sabe como aconteceu, mas quando ultrapassou o terceiro copo de whisky, uma turma a cercou por trás e começaram as apostas. Vários caras sentaram ao seu lado apostando dinheiro na mesa e suspeitando quantos copos ela beberia em menos tempo com o adversário. Para alguem virgem de álcool, ela estava indo muito bem. Havia ganhado todas. Já estava com dez dólares no bolso na sua quarta rodada e um coro se ascendia nas sua costas. Mal focara os olhos em volta, mas ao mesmo tempo era como se a bebida a fizesse bem, tornando-a alguém realmente divertida que a fez ignorar as sensações de náuseas e tontura. Ela queria mais. Finalmente, completou quinze dólares. Diana não conseguia aguentar seu próprio peso em pé quando Liam a segurou pelo braço e sussurrou alguma coisa em seu ouvido fazendo ela rir mesmo sem saber o que significava.

– O que acha de dançar comigo? — Liam inclinou seu rosto para ela.

– Eu acho uma...

– ... Péssima ideia. — alguém surgiu atrás dela.

– E quem é você?

– Estou acompanhando a Diana. — mesmo bêbada, ela pode focar-se na voz rapidamente. Nem mil litros de whisky faria esquecê-lo. Adam estava parado ao seu lado, bufando de raiva e olha do ameaçadoramente para Liam.

– Seja esperto e saia de perto dela.

– Cara, ela não parecia estar sobre sua proteção há algumas horas atrás.

– Cara, — Adam se aproximou. — se me chamar assim novamente, eu quebro todos os dentes da sua boca. Agora afasta-se dela.

Diana bufou, mas quando Liam soltou-se dela, ela não pode se segurar em pé. Adam correu para apanhá-la com os braços, fixando-se seu corpo no dela impedindo que ela despencasse.

– Que inferno, Diana. Você não disse que iria atrás da Abby?

Ela empurrou seu peito.

– Eu não preciso de sua ajuda. — ela tentou se desvencilhar, mas era como sair de correntes sem a chave de abertura do cadeado.

– Deixo você por uma hora e já está bêbada. Achei que fosse mais prudente.

– E aonde você estava? — ela resmungou para ele. — Certamente verificando os litros de silicone naqueles peitos turbinados daquelas morenas na fila, não é?

– Que morenas, Diana?

– Não se faça de desentendido. — ela fez uma careta. Finalmente ela conseguiu fixar os pés no chão sem os braços malhados de Adam ao seu redor. — Você estava flertando com aquelas morenas na fila que eu vi.

Adam riu.

– Você viu, é? Por isso não estava falando comigo?

– Isso não vem ao caso. — ela murmurou. — Mas estava com elas, não estava?

Adam não respondeu, mas foi o suficiente para Diana se enraivecer.

– Espero que a rapidinha tenha valido a pena. — ela empurrou seu peito para longe, conseguindo se equilibrar em pé e podendo se afastar. Não sabia porque havia dito aquilo e nem porque estava tão furiosa. Tentou culpar a bebida, mas odiava mesmo ter experimentados tantos copos com whisky e ainda guardar seu lado prudente e lógico intacto. Estava puta com Adam, era verdade, estava furiosa com sua melhor amiga também, parecia que seu dia estava indo de mal a pior. Era tão estranho se sentir como se pudesse explodir a qualquer momento. Por que estava com tanta raiva dele? Adam não lhe devia nada e mesmo assim era como se ela não pudesse perdê-lo. Algo se remexeu dentro dela. Não era a bebida querendo sair, era uma sensação estranha...

– Espere, — alguém a segurou por trás. — não acredito que está com ciúmes de mim!

Adam estava cara a cara com ela, respirando forte e a olhando como sempre, mirando-a como se não quisesse perder nenhum detalhe do seu rosto.

– É claro que na estou com ciúmes. — mentiu. — Nunca estaria. — consertou. — Você seria o último homem da face da terra que eu sentiria ciúmes, Adam.

Ele ficou quieto.

– Posso ir embora agora ou lhe devo alguma satisfação?

– Eu vou fingir que acredito na sua desculpa. — ele deu um sorriso traiçoeiro.

– Eu não me importo. — Diana mostrou a língua para ele, isso parece ter o divertido muito. — Eu vim aqui para me divertir e não será você e nem Abby que me atrapalhará.

Adam nem se mexeu. Diana saiu de seu aperto e andou mais para o centro. Ainda estava quente e ainda estava zangada com ele por causa das morenas. Ele deve ter as encontrado, por isso não notara que ela havia ficado sozinha. Isso a perturbava até a alma. Queria de certo modo lhe dar o troco. A primeira coisa que passou por sua mente ela decidiu fazer. Intrometeu-se entre um cara e uma garota e dançou junto a eles. A garota ruiva estava tão bêbada que não notara nada estranho Diana se meter na sua dança sensual com seu parceiro. O garoto parecia se divertir ainda mais. Diana segurou a cintura da ruiva e desceu sensualmente até o chão com ela, suas costas deslizando pelo corpo do garoto na ida e na subida, sentindo suas mãos alcançar sua barriga no ato, prendendo ela e a ruiva. Seu corpo aqueceu, não achava que só por causa de uma dança fosse se sentir tão o instigada e quente, mas sentiu. Era uma sensação libertadora. Ela alcançou o pescoço do cara e dançou a sua frente, sentindo sua mão alcançar a desenvoltura da sua clavícula e aos poucos descer até sua bunda. Foi nesse momento que alguém a puxou dali, prendendo-a nos seus braços. Era Adam. Ele havia estado o tempo todo ali, segurando-se para não cometer nenhuma insanidade vendo Diana se insinuar para um desconhecido. Ele ferveu de raiva e ela pode perceber quando seu rosto se colou ao dele, alguns centímetros os afastando.

– Eu não transei com as garotas. — ele disse de repente.

– Por que você acha que eu me im...

– Se estava querendo me torturar... Eu não fiz nada com as garotas, nem estava com elas. — ele a interrompeu. — Eu encontrei o Sven. Acho que se lembra dele.

Diana fez que sim. A noite no metrô veio a tona como um relâmpago. De alguma forma, ela se sentiu aliviada por e decidir lhe dizer a verdade.

– Eu não deixaria você sozinha se soubesse que não estava com Abby.

Se dançar com aqueles desconhecidos havia aquecido seu corpo, estar perto de Adam, sem movimento sexy algum apenas ouvindo-o sussurrar, seu corpo entrava em chamas.

– Eu acredito em você.

– Acredita? — ele sussurrou, olhando ligeiramente para os lábios de Diana, umedecendo os seus no ato. Quando ele finalmente decidiu se mexer, Diana se afastou, segurando sua mão e passando-a por cima de sua cabeça, fazendo-a girar num passo de dança.

Adam ficou em êxtase, mas teve que sorrir. Diana se aproximou e tocou sua barriga.

– Dança comigo?

– Você está impossível hoje, Diana.

– Na verdade, — ela sussurrou no seu ouvido. — esta sou eu numa versão que ninguém conhece.

Ela notou que sua voz fez seu corpo todo se arrepiar. Ela tinha o mesmo efeito com ele, tornando-o maluco em segundos.

Diana tocou seu pulso e colocou seu braço direito em volta de sua cintura e o outro também. Ele abraço seus pescoço e começou a dançar no ritmo da música. Quando o DJ aumentou o ritmo, ela se soltou dele e dançou a sua frente, tocando seu corpo em lugares íntimos do Adam. Ele estava indo a loucura. Adam segurou sua barriga e colou suas costas nele enquanto ela descia e subia lentamente antes de mudar o percurso novamente. Ela alcançou sua barriga e deslizou suas mãos sobre o tecido de sua camisa, sentindo a elevação de seu abdômen, as imagens sensuais formadas em sua mente e seu corpo ganhando vida em partes que não notara a um bom tempo. Adam estava olhando para ela, a boca levemente aberta enquanto ela passeava seus dedos sobre seu corpo. Ele parecia estar beirando o limite. Adam segurou firmemente as costas de Diana e a apertou no seu corpo. Ela gemeu e Adam jogou a cabeça para trás, sem aguentar. Ele colou seus lábios no seu rosto suado quando ela alcançou sua nuca e acariciou seu cabelo.

– Diana... — ele gemeu no seu ouvido. — O que você está fazendo é uma tortura.

– Por que?

– Não acha que é melhor eu levá-la para cara? Você está sobressaltada, bêbada.

– Eu aguento.

– Mas eu não. Tenho vários defeitos, menos a de tirar proveito de uma garota na sua situação.

Diana bufou.

– Vou levá-la para casa. — ele decidiu antes que se arrependesse.

Diana se aproximou. Encostou seu rosto no dele e beijou o seu queixo. O corpo de Adam tremeu no toque.

– Tudo bem. Me leve para casa.

Notas finais
o que vocês acham? Demorei bastante porque não sabia como começar e nem desenvolver o capitulo, fiz ele todo ontem as duas horas da manhã e espero que tenham gostado. O que esperam para o próximo? Estou animada. O que acharam da Diana bêbada? Será que o Liam vai entrar para o time de caras atraídos pela Diana? Comentemmm! ps: tava pensando, o que acham de Adiana? Diadam? Primhans? Eu gostei de todos.