Notas iniciais
Eu imaginei como seria se Jane vivesse com Kurt e em algum momento eles resolvessem assumir os seus sentimentos. Algum lugar no futuro depois da finale.

Fazia cerca de 2 meses que Jane tinha vindo morar na minha casa. Os primeiros dias haviam sido os mais difícies. Tensos demais para conversar, então apenas aceitamos a presença um do outro e tentamos ignorar tudo que tinha acontecido, mas era meio impossível.

Claro que quando se vive com uma pessoa, não há distancia suficiente que os mantenha separados. Não era diferente para nós dois. Desde dividir tarefas, desejar bom dia ou simplesmente comentar sobre o caso que estava tirando nosso sono.

Não demorou muito até o team se reconectar a Jane, por que na verdade eles nunca tinham se desconectado completamente. Patterson foi a primeira, elas tinham longas conversas no telefone todas as noites, eu podia escutar a risada da Jane do meu quarto. Por algum tempo esse foi o som que me fez dormir melhor com tudo que estava acontecendo.

Zapata veio logo em seguida, trazendo Reade á força com ela. Era engraçado como a Tasha tinha um poder sobre ele e como eles lidavam com isso, naturalmente.

E então havia eu, sendo bombardeado de informações sobre o passado da Jane e tendo que tê-la todos os dias comigo, eu me sentia invadindo sua privacidade, mas a raiva era sobreposta.

Não demorou muito até que nós tivéssemos uma rotina. Uma vida que em algum momento eu imaginei ter com ela. E não havia parado, eu acho.

Eu escutei Patterson, Tasha e Jane comentarem sobre adolescência e algo de “nós vamos fazer você passar por todas as fases”. Isso me alegrava, mesmo que eu não demonstrasse, parte de mim ficava aliviado em saber que a Jane tinha alguém ao seu lado.

Passei num restaurante tailandês antes de ir para casa, sabendo da preferência da Jane por esse tipo de comida. Não era ruim, todavia. Era quase 20h e o peso do dia crescia nas minhas costas. Destranco a porta e entro silenciosamente, pensando que iria encontra-la sentada no sofá fazendo algo interessante. Mas nada como isso.

Jane está assistindo um filme, eu posso ter certeza que ela está vidrada. Passo silenciosamente para cozinha e coloco a sacola na bancada, enquanto a observo de longe. Um garoto está tentando convidar a garota para sair. Totalmente falho.

Ela gargalha e eu sorrio junto. É hilário, de verdade. Depois de um tempo me aproximo do sofá e fico assistindo o filme. Ela rapidamente nota minha presença e se vira para pegar o controle da TV.

— oh... — percebo ela se encaminhar para apertar o botão de desligar e rapidamente a impeço.

— deixa, agora eu quero ver também – digo enquanto sento ao seu lado. Distante, mas ao seu lado.

Ela apenas deixa o filme continuar e solta o controle ao seu lado novamente. Eu sei que a comida vai esfriar, não que eu me importe. O filme tem tudo para ser um besteirol adolescente, mas tem uma história realmente boa, é até possível rir.

Me estico e pego a caixa do DVD que está na mesinha de centro. – A Escolha Perfeita 2? – sorrio do nome e ela também.

ㅡPatterson me emprestou – ela explica – ela falou que se eu assistisse, eu saberia o que era ser uma adolescente – sorrimos. Isso é a cara da Patterson. – então eu pensei – ela continua – por que não?

Sorrio devolvendo a caixa ao seu lugar – parece um bom filme – digo sinceramente.

Ela acena com a cabeça e volta a assistir o filme. Fico a encarando por um tempo antes de voltar minha atenção para a TV também. Não posso dizer que voltamos a ser como antes, mas mantínhamos uma relação amigável agora.

― dá pra fazer um CD com todas essas músicas – eu digo exaltando o números de músicas existentes em 2h de filme. Mas eu já estava acostumado com todos os DVDs infantis que eu fui obrigado a ver nesses últimos 9 anos.

― uhum – ela sussurra, então percebo que ela está realmente prestando atenção ao que acontece nas cenas finais do filme. Presto atenção em como ela mantém os olhos abertos e atentos. É bom vê-la desse jeito, se organizando numa nova perspectiva, uma forma de viver, mesmo que seja na minha casa.

Não demora muito e filme acaba. Então estávamos nós dois sentados juntos no mesmo sofá, depois de muito tempo, eu prezava essa aproximação e não a repudiava mais. Algo sobre ter ela por perto me fazia calmo, saber que ela estava segura.

Ela se levanta automaticamente, retirando o DVD e o guardando na caixa com uma destreza enorme. Fico observando seu movimento e não percebo que ela está falando comigo.

― Kurt – a olho e rapidamente ajeito o corpo no sofá.

― sim? – lhe olho de relance.

― você quer que eu esquente? – faço cara de confuso e ela aponta pra sacola com a nossa comida esfriando dentro.

― eu esquento, pode deixar – me encaminho para cozinha e retiro as embalagens do saco.

― eu vou tomar banho, já volto – ela caminha para o quarto e eu a observo ir. Logo escuto seu chuveiro ligar e coloco nossa comida no micro ondas, organizo a mesa e vou até o meu quarto trocar de roupa.

Quando já estou quase no meu quarto escuto uma voz suave vindo do quarto da Jane, então paro perto da sua porta, tentando reconhecer de onde vem. É impossível não reconhecer, a voz dela é inconfundível, a canção também é conhecida.

Ela está cantando trechos repetidos da música que acabamos de escutar no filme.

“...I got all I need when I got you and I, I look around me and see a sweet life, I'm stuck in the dark but you're my flashlight...” continuo a ouvindo cantar e um sorriso impulsivo aparece em meu rosto, eu não posso conte-lo.

Percebo seus passos se aproximarem e volto para cozinha, ela ainda cantarola quando sai do quarto e eu sorrio quando ela para de cantar, me lançando um sorriso envergonhado, é bom ter o sorriso dela de volta.

― essa música... – ela começa e se perde nas palavras.

― algumas são difíceis de esquecer – digo sentando e colocando a comida nos nossos pratos. Ela se senta á minha frente.

― sim – ela concorda antes de começar a comer.

Fazemos toda a refeição em silêncio, como sempre. Ela se levanta e coloca os pratos na pia. ― Deixa comigo – ela fala e começa a lava-los.

Aceno com a cabeça e vou para o meu quarto fazer o que eu deveria ter feito antes do jantar. Tomo um banho rápido e troco de roupa. Observo o colar de Taylor Shaw que ela havia me dado de volta semanas atrás. Percebo que ele provavelmente pertenceu a Taylor, em algum tempo. Mas agora pertencia a Jane, e era com ela que ele deveria estar.

Agarro o colar e sigo de volta para a cozinha, para encontra-la cantarolando novamente o mesmo pedaço da música. Sigo seu som e quando ela percebe minha presença, se cala, rapidamente se virando e enxugando as mãos.

― eu não sabia que você cantava – digo suavemente.

― eu não canto – ela diz sem me encarar, limpando a mesa e eu apoio meu ombro na parede.

― sim, você canta – ela sorri e cruza os braços se apoiando na pia.

― talento secreto? – ela diz depois de um tempo, como se estivesse realmente convencida que pode cantar. Concordo e ficamos nos encarando por um tempo.

Lembro do que vim fazer aqui e caminho para perto dela. Ajeito o colar na minha mão e direciono a ela. – eu acho que você deveria ficar com ele.

Ela fica encarando o colar e fala depois de um tempo – não é justo – ela empurra minha mão suavemente pra longe dela. – eu não posso aceitar ele de volta.

― por quê? – é a única coisa que eu digo e ela caminha pra longe de mim, dando as costas.

― por que eu não sou ela, Kurt – ela aumenta a voz e rapidamente volta ao eu tom normal. – eu não sou a pessoa certa. – sinto sua voz falhar e penso que ela pode quebrar a qualquer momento, então me aproximo novamente.

― você é exatamente quem você deve ser, Jane. – eu digo e os olhos dela crescem para cima de mim. – eu não estou devolvendo esse colar a você pela Taylor, eu estou te devolvendo por que ele pertence a você. – ela abre a boca para falar mas eu a impeço – antes que você proteste – ela desiste e eu continuo – isso – faço um movimento com as mãos entre mim e ela – entre nós dois, seja o que fosse – seguro sua mão sorrateiramente – deixou de ser sobre a Taylor a muito tempo. – eu falo sinceramente e coloco o colar na sua mão, a fechando.

Percebo as lagrimas nos olhos dela que logo aperta o colar, mexendo no pingente da ponta, como era de costume. Sorrio da sua reação.

Meu sorriso logo desaparece quando noto que ela está chorando, toco seu rosto ainda sem largar a sua mão, tento pegar todas as suas lágrimas, mas é impossível. ― Jane… ― eu começo mas ela me interrompe.

― Me desculpa — é a única coisa que ela diz antes de voltar a chorar intensamente. Encosto sua cabeça no meu peito e faço carinho no seu cabelo, tentando acalma-la. Sinto seus soluços diminuirem e ela desloca sua cabeça do meu peito, me encarando, seus olhos estão vermelhos ― eu não deveria ter mentido ― ela diz e eu percebo sua força voltar a evidência.

― Jane, você não precisa... ― estavamos finalmente voltando ao normal, eu não estava pronto para uma outra discussão.

― Você tem todo o direito de me odiar, eu sei disso ― ela diz com lágrimas voltando aos seus olhos ― mas por favor entenda que eu só estava tentando te proteger.

Um silencio reina entre nós nesse tempo, ela ainda está abraçada a mim e minha mão continua na sua. ― eu não odeio você, Jane ― digo suavemente ― eu fiquei com raiva, você mentiu, me traiu ― ela engole seco ― mas eu nunca consegui te odiar de verdade, nem nos nossos piores dias ― digo com um suspiro, era bom estar finalmente dizendo isso a ela.

― Por que? — ela diz, sorrio irônicamente e movo minha mão lentamente para sua barriga. em cima da sua cicatriz recém curada.

― Por que eu nunca conseguiria tirar você da minha vida, nem se eu quisesse ― deslizo o dedo suavemente por cima da sua cicatriz e ela estremece ― por que eu percebi, que se aquele tiro tivesse tirado você de mim... ― respiro pesado lembrando de todo sangue que pode sair de apenas um buraco de bala e o seu corpo quase sem vida no chão ― ...nada sobraria. ― movo minha mão para o seu pescoço e ela fecha os olhos ― por que eu descobri que eu não posso viver sem você.

Nossas respirações podem ser confundidas nesse momento, encosto minha testa na dela e fecho os olhos. Sua mão envolve meu pescoço e fechamos nossos lábios num beijo lento e calmo, que se transforma num beijo ansioso e cheio de saudades. Nos separamos apenas para retomar a respiração.

― Eu não queria ser protegido ― sussurro e ela presta atenção ― eu só queria você.

Ela sorri e nos beijamos novamente, ela para o beijo e sussurra ― mesmo quando eu estava com ele, era com você que eu queria estar ― ela diz e eu sorrio da sua sinceridade. ― eu te amo, Kurt. ― ela diz com um tom de ansiedade e meu coração dispara. Como 3 palavras podem ter tanto efeito?

― Eu também te amo, Jane ― digo em seguida, sem medo de estar colocando as coisas muito adiantadas, é isso que eu sinto, eu não posso mais negar. Sorrimos enquanto nos beijamos de novo.

Começo a andar em direção ao meu quarto sem parar de beija-la. A deito na cama suavemente e quando desgrudo meu rosto do seu, vejo seu sorriso, e é naquele sorriso que eu entendo o seu sim. Levanto sua camisa e passando minha mão suavemente por sua pele machucada, dou um beijo na sua cicatriz ― eu vou te proteger, Jane. ― aproximo meu rosto do seu ― vamos passar por isso juntos.

― Juntos ― ela repete e sela nossos lábios. Eu sabia que aquela noite seria a melhor da minha vida, a saudade e o perdão tomariam conta para que fosse.

Notas finais
Assumo completamente a responsabilide se você teve diabete depois de ler isso hahahah mas no meio de tanta angústia para o nosso casal um pouco de doce não vai fazer mal. Espero que vocês tenham gostado e comentem, vai ser muito bom saber o que vocês acharam ♥ *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!