Notas iniciais
Eu estava tão ferrada!
Desde aquele maldito dia na festa eu não conseguia parar de sonhar com Oliver e agora a coisa toda estava tomando proporções tão grandes que eu simplesmente mal conseguia agir normalmente perto dele.
Não que nós dois já tivéssemos nos visto muito, é claro, porque já havia se passado pouco mais de uma semana desde aquele sábado e nós mal havíamos trocado cinco palavras. Agora só me restava mais três semanas na QC cumprindo o aviso prévio, ou seja, três semanas para que ele “conseguisse o meu perdão”, mas o homem simplesmente não falava comigo, o que me levava a pensar se esse não seria o plano dele, me esquecer de vez e mostrar que não me incomodaria mais aqui dentro da empresa.
Eu não sei se gostava disso!
Mas o que eu gostava menos ainda eram dos sonhos, dos malditos sonhos, quer dizer, porque só podiam ser sonhos, não é? Eu me vagamente dele me trazendo pra casa e me colocando na cama, mas as outras coisas só podiam ser fruto da minha imaginação porque em meio aos meus “sonhos” eu havia visto Oliver enfiando a mão dentro do meu vestido pra pegar a minha chave e abrir o meu apartamento, mas isso não fazia sentido porque a minha chave estava no bolso do Curtis e eu jamais colocaria alguma coisa no meio dos seios como uma melindrosa dos anos oitenta.
Além disso, existiam aquelas outras lembranças, dele colocando o cinto de segurança em mim, dele dizendo que conquistaria o meu perdão e me dando um beijo no rosto, dele me cobrindo com o cobertor e a mais assustadora de todas, nós dois na cama, dando o maior amasso do século.
Eu não sabia o que era verdade e o que era invenção da minha mente, mas Oliver parecia extremamente normal nas poucas vezes em que eu o havia visto o que me levava a crer que eu só podia ter imaginado essas coisas fora do comum.
Isso, provavelmente era só o meu lado bêbada manifestando os meus desejos mais íntimos, porque eu simplesmente havia decidido parar de negar isso pra mim mesma.
Eu queria Oliver Queen, essa era a verdade!
No fundo do meu coração eu meio que já o havia perdoado, mas sabia que precisava colocar o meu próprio valor acima de tudo e portanto não podia me desviar do acordo, se ele não fizesse nada pra conseguir o meu perdão, se nem ao menos tentasse, era porque não se importava comigo e por isso eu realmente precisaria ir embora.
“Você tem alguma ideia do que está fazendo com a minha cabeça desde que nos conhecemos naquele avião?”
Afastei a cabeça para sacudir aqueles pensamentos e gemi baixinho.
—De novo não! –Essas coisas ficavam indo e vindo na minha mente e eu simplesmente estava perdendo o controle dos meus próprios pensamentos.
O que era ótimo né? Não controlava a língua e agora não controlava mais a mente também, o que mais faltava? Eu perder a coordenação motora? Esquece, eu também já não tinha muita também!
—O que você acha dessas projeções, senhorita Smoak? –Ergui os olhos e percebi nesse momento que todos os acionistas estavam olhando pra mim.
Puta que pariu!
Me concentrei na planilha à minha frente, totalmente desesperada enquanto tentava entender algo rapidamente e me lembrar do que se tratava dessa reunião.
Abri a boca para falar algo, rezando pra conseguir disfarçar, mas Oliver foi mais rápido!
—É melhor não forçar a garganta, senhorita Smoak! –Me controlei antes de franzir o cenho pra ele e apenas assenti, como se eu totalmente soubesse do que ele estava falando.
—A senhorita Smoak não está podendo falar? O que aconteceu? –Moira Queen parecia realmente preocupada e em outra situação isso teria me comovido, mas no momento eu estava em pânico, com medo de ser pega no flagra em uma reunião cheia de acionistas da QC e principalmente passar a maior vergonha do mundo na frente dos deuses supremos do Olimpo, vulgo, Robert e Moira Queen!
—A senhorita Smoak teve uma crise seríssima de laringite nos últimos dias e até onde fiquei sabendo o médico receitou que ela fizesse o máximo possível de silêncio, não estou certo, senhorita Smoak? –Oliver me olhou com toda a calma do mundo e eu o invejei por conseguir parecer tão verdadeiro enquanto eu parecia prestes a ter uma síncope.
Me limitei a assentir rapidamente e mantive uma expressão concentrada no rosto o resto da reunião.
Eu sabia que agora estava devendo uma ao Oliver, pois essa era a primeira reunião em que eu participava na presença de Robert Queen, como diabos eu havia dado um fora desses?
Agora teria que ficar muda por um bom tempo para que nenhum dos dois me pegasse na mentira!
Assim que a maldita reunião acabou e Oliver se despediu de todos, as pessoas começaram a sair pouco a pouco, mas Moira veio em minha direção e deixou o meu chefe conversando com o pai.
—Senhorita Smoak, você tem certeza de que está bem mesmo? Quer dizer, você procurou o médico da empresa? Ele é ótimo e poderia te ajudar, eu já tive algumas crises de laringite horríveis também e sei como são dolorosas e incômodas, então não se preocupe, ok? A empresa cobrirá todos os custos!
—Obrigada! –Ela arregalou os olhos naquele momento e eu sabia o porquê, a coitada havia ficado assustada. Eu havia me esforçado ao máximo para fazer uma voz rouca, mas eu acho que havia acabado exagerando, pois eu tinha certeza que nesse momento a minha voz poderia ser confundida com a de um robô fumante.
—Meu Deus, talvez seja melhor você procurar o médico da nossa família porque isso...
—Mãe! Não sufoque a Felicity, ela vai ficar bem, só precisa de repouso, mas ela se recusa a parar de vir trabalhar. –Os olhos dele brilharam em minha direção e eu tive vontade de mostrar o dedo do meio praquele sorriso arrogante, mas como ainda estávamos na frente dos pais dele tudo o que fiz foi abrir um sorriso contido.
—Ah, sim...É claro! –Somente reparando o tom de voz dela é que eu percebi que algo estava errado. Robert e Moira se encaravam um tanto quanto paralisados, mas logo pareceram voltar ao normal e ele voltou os seus olhos pra mim.
—Bom, precisamos ir! Desejo toda a melhora do mundo à senhorita e saiba que está fazendo um ótimo trabalho aqui na empresa. –Dessa vez abri um sorriso maior ainda, afinal eu havia recebido um elogio vindo diretamente de Robert Queen. –Filho, nos vemos em casa no jantar, não se atrase!
Oliver assentiu e então ficamos ali parados, observando os pais dele irem embora. Percebi que eles começaram a cochichar assim que saíram e no momento em que passaram por uma das janelas que estava meio aberta, pude escutar um pedacinho da conversa.
“Você viu aquilo? Ele a chamou de Felicity!”
Arregalei os olhos rapidamente enquanto Oliver ria baixinho, será que aquilo poderia piorar?
—Bom, acho que você teve muito tempo pra repassar todas as suas cenas favoritas de Friends enquanto a reunião acontecia, não é mesmo? –Finalmente voltei a prestar atenção em Oliver após escutar as palavras dele e franzi o cenho, em confusão. Como diabos ele sabia disso? –A nossa conversa no avião, lembra? Você me contou!
Aquele dia rapidamente voltou à minha mente e eu senti o meu rosto começar a pegar fogo no mesmo momento.
—Na verdade eu estava pensando em outra coisa dessa vez, mas obrigada por ter me encoberto mesmo assim! –Ele abriu um sorriso de orelha a orelha e então se aproximou de mim um pouquinho mais do que o aceitável permitia.
—Então eu acho que conquistei alguns pontos com você, certo? –Olhei dentro daqueles olhos azuis e precisei de todo o meu auto controle pra me manter no presente e não deixar minha mente vaguear por aquelas fantasias quentes e maravilhosas. –Felicity?
Ergui o olhar e percebi que mesmo sem querer, eu havia começado a divagar, então respirei fundo e olhei pro homem que talvez um dia viesse a ser a minha perdição.
—Você ganhou muitos pontos, senhor Queen! Se continuar assim vou ter que te arranjar uma medalha de honra ao mérito! –Ele riu baixinho e então me lançou uma piscadinha.
UMA PISCADINHA!
Em qualquer homem aquele gesto parecia grosseiro e ridículo, mas naquele homem parecia sexy.
“Senhor, o que é que nesse homem não parece sexy?”
—Realmente, acho que alguém teria que ter muito trabalho pra conseguir me fazer ficar feio! –Também a boca com uma das mãos, apesar de saber que o estrago já estava feito.
Será que se eu me jogasse desse andar, eu morreria ou só quebraria todos os ossos? Porque no presente momento eu queria morrer.
—Não fique com vergonha, na verdade, eu também acho você extremamente sexy, senhorita Smoak! –Ele falou isso de forma baixa pra que ninguém escutasse, mas logo isso não pareceu o suficiente e ele se aproximou da minha orelha. –Principalmente quando você morde aquela sua caneta vermelha.
Após isso, um dos acionistas que ainda estava na sala chegou perto dele e então Oliver se afastou para lhe dar atenção enquanto eu fiquei ali parada, totalmente constrangida. Ou seria excitada?
Talvez os dois...
Saí da sala de reuniões como uma bala e não parei no caminho pra falar com ninguém, só consegui respirar aliviada quando avistei a minha sala no final do corredor do setor de TI, mas antes mesmo de entrar nela eu soube que estava longe de ter paz.
—Me conta tudo, como foi lá? –Curtis estava sentado na minha mesa, o que não me deixou outra escolha a não ser pegar a minha garrafa de água e ir me sentar na mesa dele.
—A reunião correu bem, os acionistas gostaram do projeto e o Sr. e a Sra. Queen parecem gostar do que estamos fazendo aqui. –O meu amigo revirou os olhos rapidamente e então jogou uma caneta em mim.
O que me fez lembrar do Oliver e do comentário dele!
Virei a garrafa de água e comecei a beber rapidamente em uma tentativa de disfarçar o rubor que provavelmente havia tomado conta do meu rosto inteiro.
—Eu não quero saber disso e você sabe. Quero saber sobre você e o gostosão Queen, vocês se falaram? Se tocaram? Rolou uma mão boba por debaixo da mesa? –Ele arregalou os olhos de uma maneira assustadora e mais parecia um voyeur nesse momento.
Jesus, Curtis conseguia ser mais pervertido que eu e olha que levando em consideração os sonhos que eu andava tendo com Oliver, isso era uma coisa e tanto.
—Você sabe que ainda estamos no ambiente de trabalho, não é? –Ele revirou os olhos e em seguida eu dei de ombros, decidida a brincar com ele. –Além do mais, aconteceu sim uma coisa, mas eu não vou te contar, se você queria tanto saber deveria ter ido à reunião junto comigo ao invés de ficar inventando desculpas.
Nesse momento, Curtis se levantou em um pulo e bateu com força as duas mãos na mesa.
—FELICITY MEGAN SMOAK, EU DEIXEI O MEU MARIDO PRA IR DORMIR DE CONCHINHA COM VOCÊ PORQUE A SENHORITA ESTAVA TRISTE, NÃO OUSE FAZER ISSO COMIGO! –Ele parecia tão ultrajado que foi impossível não começar a rir alto e eu só consegui parar depois de uns bons minutos, quando percebi que as pessoas estavam começando a passar pela porta da minha sala com expressões curiosas.
—Gente, o que aconteceu? Eu estava escutando a risada da Felicity lá do elevador! –Me virei nesse momento e dei de cara com ninguém menos que Thea Queen.
Ela ostentava um sorriso inocente no rosto, o que só podia significar uma coisa: problemas!
“Nossa senhora, se já não bastasse um, agora eu tinha dois malucos pra ficar perguntando sobre mim e o Oliver”.
—Que bom que você sabe disso, então porque você não vai desembuchando logo e me contando as novidades? –Ela se sentou junto com Curtis e me encarou de uma forma um tanto quanto assustadora.
—Eu não tenho nada pra contar! –Thea arqueou a sobrancelha e Curtis ergueu a mão rapidamente e eu tive vontade de mata-lo.
—Mentira, ela disse que aconteceu alguma coisa entre eles na reunião, mas está se recusando a contar pra mim! –Lancei o meu pior olhar na direção do vendido e então voltei a olhar pra Thea, que agora me encarava sem nem piscar.
Como eu havia dito, assustador!
—Vamos lá, você têm duas opções! Pode nos contar o que aconteceu e então depois disso poderemos sair pra almoçar e conversar besteiras pra nos divertir, ou você pode se recusar e eu vou ficar aqui o dia inteiro olhando pra sua cara até você se cansar e me contar, de qualquer jeito, até o final do dia eu vou saber o que aconteceu, então apenas torne as coisas mais fáceis pra você!
O pior de tudo é que eu sabia que ela estava falando sério!
—Mas você têm que ir pra boate! –Eu sabia que essa era uma defesa muito fraca, mas no momento havia sido tudo em que eu havia conseguido pensar.
—Hoje é segunda, a boate não abre! O que significa que eu posso seguir você até a sua casa se for necessário e ficar parada na frente do seu prédio, encarando a sua janela como uma maldita psicopata.
Tudo bem, ela realmente estava parecendo uma psicopata agora!
Olhei pra Curtis em busca de ajuda, mas ele parecia encantado com aquela cria do demônio, então não tive escolha a não ser contar o que havia acontecido.
Omitindo um ou outro detalhe, claro!
—Viram só? Como eu disse, não aconteceu nada demais! Então será que agora vocês podem me deixar trabalhar em paz?
Achei que aquilo seria o suficiente, mas quando olhei pra cima vi que os dois me encaravam de boca aberta, como se eu tivesse uma melancia no pescoço ou sei lá o que.
—Não foi nada demais? Jura? Ele te chamou de Felicity na frente dos meus pais, ele nunca chamada ninguém pelo nome além da nossa família, o Tommy, a Laurel e o Diggle! Isso é uma puta coisa importante, até os meus pais perceberam! –Thea parecia prestes a soltar fogos e simplesmente havia começado a dançar pela minha sala em uma espécie esquisita de comemoração, até que parou na minha frente e lançou uma piscadinha pra mim. –Cunhadinha!
Os Queens e suas piscadinhas!
—Você não acha que tá exagerando só um pouquinho? –Ela revirou os olhos, em um sinal claro que dizia um grande “não” e então continuou me encarando com um sorriso no rosto.
—Primeiro vocês saíram juntos da boate e agora isso? Quer dizer, o que mais falta pra vocês oficializarem? –Olhei pra ela como se ela estivesse louca, o que provavelmente estava e então respirei fundo, em busca de paciência.
—Pelo amor de Deus mulher, se controla! Ele só me levou em casa porque eu estava bêbada, foi uma gentileza e não aconteceu nada demais e hoje ele só disse o meu nome e você já está aí praticamente planejando o meu casamento. Por que você não vai se preocupar com a sua vida amorosa, em?
Ela me olhou de cima a baixo e então pareceu decidir que eu não era mais importante pra conversa, por isso se virou pro Curtis e simplesmente COMEÇOU A COCHICHAR COMO SE EU NÃO ESTIVESSE ALI!
—Você acha que ela realmente pensa que pode enganar a gente? Quer dizer, você tava meio bêbado naquela noite, mas eu vi ela praticamente se agarrando no meu irmão enquanto os dois saíam da boate! –Cruzei os braços e continuei olhando pra ela enquanto Curtis ria baixinho, mas como já era de se esperar Thea Queen continuou a me ignorar. –Além disso, eu escutei uma conversa entre o Oliver e o Diggle e posso dizer que as coisas esquentaram entre esses dois no apartamento dela, mas eles parecem insistir em querer negar!
Naquele momento tudo parou, todo o universo parou, minha respiração ficou trancada dentro do peito e eu podia jurar que era capaz de enxergar todas as partículas de poeira correndo por aquela sala tamanho era o meu desespero.
—Thea, eu preciso que você me escute com muita atenção agora! –Algo em meu tom de voz deve tê-la alertado de que eu não estava brincando, então ela se virou pra mim com o cenho franzido e eu lentamente me levantei e caminhei até ela. –Como assim você ouviu o Oliver conversando com o Diggle? Me diz exatamente o que você ouviu!
—Como assim? Felicity o que tá acontecendo? –Ela parecia realmente preocupada agora, mas a minha paranoia estava em um estado tão grave que no momento eu simplesmente não tinha paciência pra lidar com isso agora.
—Me diz exatamente o que você ouviu, por favor!
A Queen mais nova ainda parecia confusa e percebi pelo canto do olho que Curtis também, mas parecendo perceber que eu não estava brincando, ela respirou fundo e começou a falar em uma torrente de palavras sem fim.
—Então eu estava no meu quarto quando escutei o Oliver caminhando sem parar pra lá e pra cá e fui ver o que estava acontecendo porque é óbvio que eu não podia deixar isso passar, mas quando fui bater na porta, escutei a voz dele e vi que ele estava falando com alguém. No mesmo momento eu pensei que fosse você porque a única coisa que me vinha a cabeça é que vocês tinham se animado durante a noite e decidido estender a festinha no quarto dele, por isso eu estava prestes a flagrar os dois pombinhos quando ouvi ele dizer “Eu precisei sair de lá o mais rápido possível, John!” Aí é claro que eu percebi que ele estava sozinho e só então notei que ele parecia realmente desesperado, mas depois ele começou a sussurrar e eu só consegui entender algo como ele tendo colocado a mão dentro do seu sutiã!
Nesse momento eu me sentei em cima da mesa mesmo e percebi que só consegui fazer isso porque Thea me segurou, caso contrário eu teria caído de cara no chão!
Deus do céu, eu estava tendo um verdadeiro ataque de pânico agora!
—Meu Deus Felicity, por que diabos você tá assim? Quer dizer, é só sexo, todo mundo faz sexo, não precisa passar mal por causa disso! –As palavras dela eram pra me ajudar, mas estavam me deixando cada vez pior e quando eu dei por mim eu já estava hiperventilando. –Curtis, traz água pra ela!
Vi pelo canto do olho que Curtis fez o que a garota estava pedindo, mas quando ele me trouxe o copo d’agua eu simplesmente não encontrava forças para segura-lo e por isso ele praticamente teve que colocar o copo na minha boca e me fazer engolir um pouco do líquido gelado.
—Felicity? Você tá me assustando, qual é o problema? –Thea parecia realmente assustada e eu estava querendo acalma-la, mas simplesmente não conseguia me acalmar.
—Eu acho que já sei qual é! –Curtis falou baixinho e a Queen mais nova olhou pra ele no mesmo momento em buscar de respostas. –Acho que ela não se lembrava de ter feito nada com o seu irmão e agora está em choque!
Aos poucos a morena foi parecendo entender o que o meu amigo estava querendo dizer e sua boca foi se abrindo de choque.
—Não se lembrava? Ai meu Deus, eu sinto muito Felicity! Desculpa, desculpa, desculpa...-Ela parecia realmente culpada e acho que foi isso que fez com que eu finalmente conseguisse encontrar a minha voz.
—Eu me lembro sim do que aconteceu! –Os dois voltaram os olhos pra mim e me encararam como se eu fosse completamente louca.
—Mas então, o que aconteceu? Será que você pode começar a fazer um pouquinho de sentido, por favor? –Thea agora parecia querer pular em cima de mim e por um momento eu me perguntei se ela não seria levemente bipolar. –Felicity?
—Bom, eu me lembrava de tudo durante todos esses dias, mas o problema é que eu não acreditava que fosse verdade, jamais passou pela minha cabeça que aquelas coisas haviam acontecido mesmo, eu tinha certeza de que tudo não se passava de um delírio de uma mente bêbada! –Coloquei o rosto entre as mãos e me segurei para não começar a chorar. –Na segunda feira, quando fui falar com ele, acho que ele tentou me falar! Ai meu Deus, que vergonha!
Senti braços me segurando e percebi que tanto Thea quanto Curtis estavam ao meu lado agora.
—Não precisa se sentir tão envergonhada, tenho certeza que nada mudou pro meu irmão, ele continua te olhando com o mesmo respeito de sempre, o fato de vocês terem transado não vai mudar isso Felicity!
—Nós não transamos...mas foi quase...eu acho!
“Sabe, acho que se alguém pode acabar com a minha falta de orgasmos, esse alguém é você!”
MEU JESUS CRISTO...
—Eu vou fugir pro Azerbaijão e vocês nunca mais vão me ver porque eu vou mudar meu nome pra Matilda Johnson e vou criar 35 gatos!
Percebi que Curtis riu baixinho enquanto Thea se preparava pra falar alguma coisa, mas antes que isso pudesse acontecer, algo chegou mais rápido aos meus ouvidos.
—Bom dia, senhor Queen!
Antes que eu sequer conseguisse pensar, meus instintos agiram mais rápido e eu simplesmente corri e me joguei debaixo da mesa de Curtis e fiquei ali de cabeça abaixada, torcendo pra que Oliver não entrasse na minha sala e muito menos me visse porque eu simplesmente não conseguiria olhar pra ele nos próximos cem anos.
—Bom Dia senhor Holtz! Thea, o que você está fazendo aqui?
—Não é óbvio? Eu vim ver a Felicity! –Mesmo sem poder vê-la eu consegui visualizar perfeitamente a cena da Queen mais nova revirando os olhos com aquela expressão debochada que ela sempre lançava na direção do irmão.
—Mas o que você? Esquece...não, eu não quero saber! A propósito, cadê a Felicity? Eu preciso muito falar com ela! –Me encolhi ainda mais e tinha certeza de que estava muito parecida com uma bola de massa completamente deformada.
—Ela...ela...não...ela não está! –A voz de Curtis havia saído tão suave que nem parecia ele mesmo falando.
Meu Deus, o homem adorava uma loucura, mas quando eu mais precisava ele simplesmente não conseguia mentir?
—Não está? –A voz do Oliver parecia em dúvida e longos segundos de silêncio se passaram, segundos esses em que meu coração pareceu ficar do tamanho de uma melancia. –Aaaaah, tudo bem então! Eu volto mais tarde, digam a ela que eu a estou procurando, tudo bem?
—É claro!
Assim que escutei os passos dele saindo da minha sala e se afastando pelo corredor, eu soltei a respiração que estava prendendo e só então percebi que eu deveria estar sem respirar a um bom tempo porque os meus pulmões estavam doloridos com o esforço.
—Uma mulher adulta se escondendo em baixo de uma mesa, que vergonha Felicity Megan Smoak! –A voz de Curtis soava como uma verdadeira piada, como se ele estivesse achando graça da situação toda.
Aquele bastardo!
—Felicity, querida! Será que você poderia sair daí? Ele já foi! –Vagarosamente, fui saindo de baixo da mesa enquanto olhava pra todos os lados, com medo de que Oliver ainda estivesse ali me esperando e tudo não se tratasse de uma armadilha, mas dei graças a Deus quando vi que ele realmente havia ido.
—Isso era mesmo necessário? –Lancei o meu melhor olhar de ódio na direção de Curtis e voltei a me sentar na cadeira. –Não estou te julgando, ok? Só estou dizendo que talvez seja melhor vocês conversarem logo de uma vez e resolverem isso.
—É claro, por que eu não pensei nisso antes? “Oi Oliver, como vai a vida? A propósito, eu gostaria de dizer que me lembro de fazer você enfiar a mão dentro do meu sutiã pra pegar as minhas chaves porque eu estava completamente bêbada e louca pra transar com você, mas podemos seguir a vida agora como se nada tivesse acontecido, não é mesmo?”
Curtis ergueu as mãos rapidamente em sinal de rendição enquanto me olhava um tanto quanto chocado.
—Você fez meu irmão enfiar a mão nos seus peitos? Mulher, eu achei que eu era a doida safada quando ficava bêbada, mas você totalmente me superou! –Ela praticamente saltitou até mim e então depositou um beijo no meu rosto. –Eu sabia que havia um bom motivo pra que eu me apaixonasse por você tão rápido, cunhadinha!
Bufei pelo que deveria ser a milésima vez no dia e tive vontade de empurra-la pela janela.
—Não me chame assim, eu não tenho nada com o seu irmão, ok? Graças a essa sua loucura, a doida da Helena deve estar até agora pensando em uma forma de me matar, além disso, eu nem sei como vou falar com o seu irmão depois do que aconteceu. –Ela abriu a boca, provavelmente para me contradizer como sempre, mas eu a impedi rapidamente. –Essa é a vida real, Thea, não um conto de fadas! E sabe o que acontece na vida real? Nada termina em flores e pessoas como ele não ficam com pessoas como eu e se ficam, nunca acaba bem!
Acho que ela acabou se assustando com o meu discurso um tanto quanto “acalorado”, mas é óbvio que ela não poderia deixar de dar a cartada final, não é mesmo?
—Você tá completamente errada e sabe disso, mas por mais que eu queira me intrometer, acho que dessa vez nada melhor do que o universo pra mostrar isso à você! –Eu travei, pois simplesmente não tinha resposta pra isso e foi Curtis que me salvou de ser engolida por aquele silêncio constrangedor.
—Bom, o que acham de irmos almoçar agora?
...
—Mas que porra tá acontecendo? É a terceira vez só essa semana que tentam invadir o sistema da QC! –Curtis, assim como eu parecia extremamente frustrado, mas o lado bom é que havíamos conseguido mais uma vez impedir essa nova tentativa de invasão.
—Você sabe o porquê de estarem fazendo isso, desde que o Sr. e a Sra. Queen anunciaram que o Oliver estava com um grande projeto nas mãos, todas as outras empresas estão tentando descobrir o que diabos é isso, mal sabem eles que tudo não passa de marketing e que o projeto nem saiu do papel ainda.
Me joguei contra a minha mesa e Curtis fez o mesmo na dele, nós estávamos tão cansados, pois nem sequer havíamos conseguido almoçar, afinal, no momento em que estávamos saindo com a Thea, um dos nossos estagiários (acho que o nome dele é Aaron) entrou correndo na sala dizendo que estavam tentando roubar nossos dados.
Depois disso a confusão foi grande e Thea acabou percebendo que não poderíamos sair com ela, por isso nos deu um abraço e foi embora pra nos deixar trabalhar. Havíamos ficado até então resolvendo isso e agora estávamos esgotados.
—Uma coisa eu não posso negar, esses hackers são realmente bons! –Curtis balançou a cabeça em concordância, mas logo abriu um sorriso.
—Mas nós somos melhores! –Ri baixinho e concordei rapidamente e ele logo se levantou e veio até mim com a mão levantada para mais um dos seus high fives. –Time Curlicity, babe!
Ótimo, agora tínhamos um nome também!
Conversamos mais um pouco, mas no fim de tudo, eu só queria ir pra minha casa e tentar esquecer o dia de hoje, quer dizer, no fundo eu era até meio que agradecida a essa tentativa de invasão, afinal, eu havia ficado tão louca tentando resolver isso que simplesmente havia me esquecido por algumas horas de toda a minha situação com o Oliver, mas agora a merda toda havia voltado pra minha cabeça e eu tinha certeza de que não conseguiria dormir pensando nisso e amanhã estaria com olheiras terríveis.
Curtis saiu antes de mim, fiquei ali arrumando tudo, mas no momento em que pisei no estacionamento, xinguei mentalmente e me arrependi pra caralho quando vi quem estava me esperando ao lado do meu carro.
—Senhor Queen, o senhor precisa de alguma coisa? –Ele me encarava sério, mas ergueu a sobrancelha ao me escutar chama-lo de maneira tão formal.
—Eu voltei a ser o Senhor Queen agora? Então talvez você deva voltar a ser a Senhorita Smoak, suponho? –Troquei o peso das pernas, enquanto evitava olhar pra ele.
—Acho...q...que assim talvez seja melhor! –Ele assentiu lentamente e eu continuei ali, tensa, mas antes que eu pudesse erguer o olhar, senti suas mãos puxando a minha cintura e me colocando entre seu corpo enorme e o meu carro.
—Eu não sei se você lembra ou não, não sei o que está acontecendo e no momento não me importo, mas eu só quero que você me responda a uma pergunta, porque depois daquela noite eu prometi a mim mesmo que não tocaria em você, a menos que você estivesse sóbria e quisesse isso. Então aqui está, você quer isso, Felicity?
Ergui a cabeça e mirei aqueles olhos que eram extremamente azuis!
Talvez fosse o efeito deles, talvez fosse essa sucessão de coisas que vinham acontecendo, talvez fosse uma mistura de tudo ou talvez não fosse nada disso.
Mas a minha resposta foi simples...
Porque eu sabia que não conseguiria responder de outra forma!
—Sim!
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