Can You Keep A Secret? - HIATUS
10 Been waiting for a lifetime for you!
Notas iniciais
A vida podia ser um pé no saco quando queria!
Eu pensei que depois de ter me resolvido com o Oliver, nos beijaríamos loucamente pelos lugares, veríamos filmes fofos e todas essas coisas...
Sim, eu acho que já havia dito que minha paixão por doramas coreanos as vezes afetava a minha percepção de vida!
O problema é que nada disso havia acontecido, porque naquele mesmo dia, Oliver me ligou assim que eu estava saindo do restaurante onde estávamos comemorando o aniversário da Kara e do Mon-el, para dizer que um problema urgente na filial da Tóquio havia surgido e ele não sabia quanto tempo levaria para poder resolver tudo, além disso algumas coisas precisavam ser feitas na filial da Rússia também e por isso ele precisaria se ausentar por um bom tempo.
Resultado?
Bom, eu não o via há exatas três semanas e estava triste porque havíamos nos falado pouco durante esse tempo, afinal ele sempre me ligava quando podia, mas os fuso horários eram diferentes e as vezes quando ele finalmente tinha tempo para falar comigo, eu estava começando o trabalho e não podia atender.
—Você tá sentindo falta dele, né?
Apenas assenti e continuei ali divagando, até que eu percebi o que realmente havia escutado.
—Espera, como? –Finalmente ergui a cabeça e percebi que Kara me encarava com um sorriso no rosto. –Já é hora do almoço?
Ela assentiu e se sentou à minha frente.
—Sim, o Curtis ficou te chamando sem parar, mas você parecia em transe, então ele me ligou já que já estava de saída pra ir almoçar com o Paul. –Ela segurou a minha mão por cima da mesa e eu me senti imediatamente mais leve. Kara Danvers tinha esse poder sobre as pessoas. –É difícil ficar longe dele logo após vocês terem se resolvido né?
—É, bastante! Nós tivemos alguns poucos momentos juntos e aí ele teve que ir, quer dizer, eu sei que ele vai voltar, mas, a sensação é estranha.
Kara riu baixinho e se levantou só para vir me abraçar logo em seguida, ela sabia que Oliver e eu havíamos nos resolvido, na verdade, todo mundo sabia (e com todo mundo eu queria dizer, Diggle, Mon-el, Curtis, Paul e Kara), eu havia decidido contar porque já estava guardando segredos demais e não queria guardar mais nenhum, mas é óbvio que eu havia guardado pra mim os “detalhes” daquela noite.
—Ele vai voltar logo logo, quando você menos esperar, ok? –Assenti rapidamente, tratando de colocar um sorriso no rosto, afinal o homem não havia morrido, só viajado. –Agora, porque nós duas não vamos almoçar? Podemos ir no shopping e comer naquele restaurante coreano que você adora e depois podemos comprar aquele milk-shake gigante de chocolate branco.
Eu sabia que Kara estava fazendo tudo aquilo pra me animar e comecei a ama-la um pouco mais.
—Vamos logo mulher, não podemos deixar o milk-shake esperando! –Ela abriu um sorriso ao perceber que eu estava mais animada e logo nós duas já estávamos saindo do estacionamento da QC.
...
—Eu confesso que não tinha ideia do quanto esse negócio era bom até provar, olhar só, tem até os pedações de chocolate dentro! –Kara parecia realmente entusiasmada com o mik-shake e eu me sentia bem ao perceber que estava realmente mais feliz.
—Vocês me apresentaram ao Big Belly e eu apresentei vocês ao Santo Graal dos milk-shakes, uma mão lava a outra minha cara amiga! –Ela riu baixinho e então olhou no relógio.
—Ainda temos quarenta minutos de intervalo e eu não queria voltar pra empresa agora, o que vamos fazer? –Dei de ombros e revirei os olhos logo em seguida.
—O que você acha que vamos fazer meu amor? Vamos fazer o que toda mulher faz, bater perna e ficar babando nas vitrines das lojas que são caras demais pra que a gente sequer pense em entrar!
Ela bateu palmas parecendo animada, pegamos nossos sorvetes e então começamos a andar a esmo pelo shopping. Eu confesso que era exatamente nesses momentos que eu gostaria de ganhar na loteria porque eu simplesmente era louca por roupas e sapatos e olhar todas aquelas maravilhas e não poder comprar nada era torturante.
Por que mesmo que eu acabei nascendo pobre?
—Pode acreditar, eu me faço essa mesma pergunta todos os dias! –Nem me dei ao trabalho de me constranger, afinal a loira ao meu lado já estava mais do que acostumada a aguentar a minha língua sem filtro e se eu fosse ficar envergonhada cada vez que fizesse isso na frente dela, viveria parecendo um pimentão. –AH MEU DEUZINHO DO CÉU, FELICITY!
Me virei pra ela no mesmo momento, preocupada que algo tivesse acontecido em meio aos meus devaneios, mas percebi que o rosto dela estava voltado para uma vitrine e segui o olhar dela para ver o que a havia deixado assim.
—AH MEU DEUS! –O vestido à minha frente poderia ser considerado uma das coisas mais perfeitas que eu já havia visto na vida, ele era de um tom rosa bem claro, além disso, ele parecia ter sido feito exatamente com as minhas medidas.
—Amiga, esse vestido foi feito pra você, você nasceu pra usar ele! –Kara parecia tão embasbacada quanto eu e em meio a tudo aquilo eu tive vontade de rir ao perceber que só uma mulher seria capaz de nos entender nesse momento.
—Eu realmente nasci pra usar ele! –Afastei um pouco a cabeça, tentando ver o preço, mas me arrependi no momento em que achei a fita. –Não, eu não nasci pra usar esse vestido!
Minha amiga seguiu o meu olhar e arregalou os olhos ao ver o mesmo que eu...
Dois mil e cem dólares me separavam da felicidade!
—Eu acho que você realmente nasceu pra ele! –Assim como eu, Kara também se virou rapidamente e qual não foi a minha surpresa ao dar de cara com ninguém menos do que Anna!
—Meu Deus, eu não acredito que nos encontramos aqui!
Fui até ela rapidamente e lhe dei um abraço apertado, desde aquele “episódio” do Oliver bancando o ciumento, eu nunca mais havia visto Anna ou Ray pessoalmente, apenas ficávamos nos falando por mensagem já que estávamos os três bastante ocupados.
—É tão bom te ver, Felicity! Você precisa ir jantar conosco, sabe disso, não sabe? –Ela estava me cobrando isso há semanas e eu sempre acabava recusando por estar atarefada com a empresa ou com preguiça de sair de casa, mas vê-la cara a cara havia me dado um novo ânimo.
—Que tal nesse final de semana? Vocês podem? –Anna abriu um sorriso e voltou a me abraçar.
—Se podemos? Você vai passar o sábado inteiro com a gente, vamos ir velejar e você não escapa! –Ergui as mãos em sinal de inocência enquanto assentia rapidamente. –Agora, por que nós não vamos lá dentro pra você poder experimentar esse vestido?
—Ta doida? Ele custa uma nota preta! –Anna deu de ombros e então começou a nos puxar pra dentro da loja.
—Eu sei, considere um presente de aniversário, tudo bem? –Ela abriu um sorriso e em seguida uma das atendentes da loja chegou até nós e Anna já se adiantou. –A minha amiga gostaria de experimentar aquele vestido que está no manequim, você pode pegar pra ela?
—É claro, só um momento! –A atendente saiu com um sorriso no rosto e eu me virei pra Anna, ainda sem saber o que fazer.
—Mas nem é meu aniversário! –Sim, eu sei que não fazia o menor sentido, mas no momento era tudo em que eu conseguia pensar.
—Eu sei, isso é por todos os seus aniversários que eu perdi! –Anna falava tudo aquilo com tanta naturalidade e eu continuava ali, pasma.
—Anna, muito obrigada, mas eu não posso aceitar, quer dizer, é um vestido muito caro e...
—Felicity, sem querer ser arrogante, mas acho que já sendo, você sabe que o valor desse vestido não faz diferença pra mim, eu tenho mais dinheiro do que vou poder gastar durante toda a minha vida, então por que eu não posso presentear as pessoas que eu gosto? –Eu estava sem argumentos diante da fala dela, mas a verdade era uma só.
O motivo pelo qual eu estava me recusando a aceitar era que...
—Você não quer que eu pense que você é uma interesseira, não é? –Ela parecia estar lendo os meus pensamentos, então eu apenas assenti levemente. –Felicity Smoak, é estranho o fato de eu te conhecer a tão pouco tempo e já sentir uma amizade tão grande por você, quer dizer, conheço você e você é a pessoas mais honesta que eu conheço, luta pelo que quer e não tenta fingir ser o que não é pra conseguir ganhar alguma coisa, então apenas tire esses pensamentos bobos da sua mente e vá experimentar esse vestido.
Ela dizia isso tudo com um sorriso no rosto e apontou para a atendente que já estava no provedor, segurando o vestido, à minha espera.
Me virei na direção da Kara pra ver o que ela achava daquilo e minha amiga apenas deu de ombros.
—Se você não aceitar, vou te dar um chute na bunda!
Depois disso acabei me dando por vencida e praticamente corri para o provador, passei vários minutos apenas sentido a maciez do tecido e a delicadeza da renda e quando finalmente decidi vesti-lo, bem, apenas posso dizer que o vestido realmente parecia ter sido feito sob medida pra mim.
Saí de dentro da pequena cabine (não tão pequena assim, pra falar a verdade) e assim que me viram, Kara e Anna pareciam estar simplesmente encantadas.
—Você tá perfeita amiga!
—E precisa de um sapato que combine com esse vestido!
Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, Anna já estava me puxando pela loja enquanto ela e Kara discutiam sobre o melhor sapato pra mim, a vendedora ia atrás de nós, rindo baixinho da loucura que estava acontecendo e eu apenas seguia o fluxo, tentando entender o que estava acontecendo com as duas malucas.
—Esse é o sapato, com certeza!
Kara me empurrou um scarpin rosa com glitter altíssimo e assim que eu o coloquei nos pés, me senti pisando no próprio céu.
—Então, como eu tô?
Dei uma voltinha pra que as duas pudessem me ver completamente e Kara fez um enorme joinha com as duas mãos enquanto Anna me encarava mais atentamente.
—Poderosa, acho que essa é a palavra!
Eu realmente estava me sentindo poderosa, apesar de também estar me sentindo triste, pois a única pessoa pra qual eu gostaria de me mostrar linda nesse vestido não estava aqui pra me apreciar no momento.
A vida era um pé no saco, as vezes...
—Ai meu Deus, Felicity estamos atrasadas!
...
—Mas o que diabos deu nessa mulher?
Desliguei o telefone pela sétima vez após ele cair na caixa postal e me sentei em cima da minha cama, frustrada.
Eu estava inquieta desde que havia chegado em casa do trabalho e após tomar um banho, decidi vestir a roupa que havia ganhado hoje pra mostrar pra minha mãe, estava com saudades de ver os surtos dela.
Mas ela havia decidido não atender nenhuma das minhas SETE ligações!
Algumas pessoas pensariam que eu deveria estar preocupada, ligar pra conhecidos, talvez chamar a polícia, mas a verdade é que eu conhecia o suficiente de Donna Smoak pra saber que quando ela não atendia o telefone era porque estava aprontando alguma coisa e bem, imaginar a minha mãe “aprontando” algumas dessas “coisas” era um tanto quanto demais pra mim.
Estremeci só de pensar na cena e comecei a me esforçar pra focar em qualquer outra coisa antes que eu tivesse uma crise ou algo parecido.
Logo meus olhos se voltaram pra onde eu estava sentada e lembranças começaram a povoar a minha mente.
Tudo bem, talvez não fosse bom eu ficar pensando em algumas coisas mesmo!
O meu quarto estava começando a ficar quente demais quando ouvi a campainha tocando e percebi que deveria ser alguém conhecido já que René não havia anunciado a subida da pessoa.
Ainda de cenho franzido, apenas retirei os sapatos e caminhei confortavelmente até a porta, me enrolei um pouco com as chaves, mas finalmente consegue colocar a maldita no trinco enquanto alisava o vestido que havia criado um pequeno vinco.
É até bom receber uma visita, assim eu me distraio um pouco e paro de pensar no Deus Grego!
—Eu espero sinceramente que eu seja o tal Deus Grego em que você está pensando tanto! –Ergui a cabeça rapidamente, passando em um flash pelos sapatos bem lustrados, pelo terno que se adequava completamente ao corpo musculoso, pela barba bem feita e finalmente cheguei naqueles olhos azuis que sempre me tiravam do eixo e dos quais eu estava sentindo tanta falta.
—VOCÊ VOLTOU!
Me joguei nos braços dele e preciso dizer que a minha sorte era que o homem à minha frente era extremamente forte ou eu teria dado com a cara no chão e ainda levado ele junto.
Oliver me abraçou rapidamente e me ergueu do chão, eu passei os braços ao redor do pescoço dele e grudei minha cabeça ali, somente sentindo o cheiro dele e me deliciando com a sua presença.
—Essa vai ser a recepção que vou ter sempre que voltar? Acho que preciso ficar longe mais vezes. –O apertei com um pouco mais de força e sorri quando ele retribui instantaneamente.
—Não ouse ou eu mato você! –Ele riu baixinho e então beijou o meu pescoço, em seguida, comigo ainda grudada nele, começou a caminhar pra dentro do apartamento e fechou a porta com o pé.
—Senti sua falta, loirinha! –Finalmente me afastei dele, mas continuei dentro dos seus braços quentes.
—Também senti sua falta! –Ele abriu aquele sorriso de menino que eu tanto amava e então pareceu finalmente me notar, vi que seus olhos percorreram todo o meu corpo e quando finalmente voltaram a encarar os meus, estavam com uma chama contida no olhar, como se o azul começasse a derreter.
—Você estava se preparando pra sair ou algo do tipo? Não vai me dizer que adivinhou! –Acariciei a barba dele com uma das mãos e depositei um selinho em sua boca antes de continuar a conversa.
—Eu não faço ideia do que poderia ter adivinhado, mas eu estou assim porque ganhei ele de presente da Anna hoje quando nos encontramos no shopping e queria mostrar pra minha mãe, mas ela não me atendeu! –Dei de ombros e ele sacudiu a cabeça incessantemente, como se finalmente tivesse entendido o assunto.
—Bom, nesse momento o azar dela é a minha sorte! –Franzi o cenho na direção dele e Oliver leu a minha pergunta muda. –Eu vim aqui pra te levar pra jantar, fiz reservas no novo restaurante italiano que abriu na perto da orla, quer dizer, você gosta, certo?
—Todo mundo gosta de italiano, Oliver! –Ele riu do meu péssimo trocadilho e então aproximou a cabeça lentamente da minha.
Quando seus lábios tocaram os meus, gostaria de dizer que foi como a explosão de uma estrela, sininhos badalando ou algo do tipo, mas a verdade é que a única coisa que passou pela minha mente foi “CARVALHO”.
Beijar Oliver deveria ser considerada a oitava maravilha do mundo, o Queen tinha uma pegado de deixar qualquer uma sem fôlego e perceber o coração dele se acelerando, a respiração dele descompassada, ver que era eu quem estava fazendo isso com ele me deixava em êxtase.
Em poucos segundos eu já estava grudada contra a parede ao lado do sofá e tudo o que conseguia sentir contra mim era o seu corpo forte me pressionando nos lugares certos.
—Acho que podemos deixar o jantar pra lá, não acha! –Ele dizia isso enquanto respirava ruidosamente e depositava beijos no meu pescoço. Eu estava quase concordando com ele quando um pequeno momento de lucidez passou pela minha mente e eu me afastei rapidamente.
—Não, não! Temos uma reserva e eu tô morrendo de fome, além disso preciso usar meu vestido novo! –Corri pro outro lado da sala como uma forma de resistir a tentação e por fim, Oliver pareceu se dar por vencido e se jogou no sofá.
—Eu também estou morrendo de fome, Smoak! –Ele me olhou de uma forma que deixou bem claro que ele não estava falando de comida e eu me senti corando rapidamente.
—Vou terminar de me arrumar! –Depois disso corri para o quarto e assim que fechei a porta atrás de mim, me permiti soltar a respiração.
Meu Deus, o que esse homem fazia comigo?
Sacudi a cabeça várias vezes para poder clarear os pensamentos e só então comecei a me arrumar, fiz uma maquiagem simples e elegante, tomando o cuidado de caprichar bastante no batom vermelho e arrumei o cabelo em um coque trançado que era fácil de fazer, mas parecia muito rebuscado.
Por fim, calcei os sapatos e dei uma última olhada no espelho, eu sabia que precisava estar bonita porque sabia que as coisas agora eram diferentes, antes eu havia sido uma mera acompanhante de Oliver na festa da Global Merlyn, agora estávamos indo jantar sozinhos e era óbvio que as pessoas iriam reparar e comentar.
Respirei fundo uma última vez e saí do quarto a passos lentos, caminhei até a sala e parei na frente dele para que ele pudesse me ver com calma.
—Então, estou bem pra esse jantar? –Dei uma voltinha, assim como havia feito com as meninas no shopping mais cedo, a diferença é que as meninas não me olharam como se quisessem me devorar.
—Você está...está...deslumbrante! –Ele parecia extremamente encantado comigo, mas aquela não parecia ser a palavra que ele realmente queria usar.
Oliver ficou me olhando por tanto tempo que realmente comecei a ficar sem graça, ele estava me comendo com os olhos e isso já começava a fazer coisas comigo.
—Então, vamos? –Ele finalmente pareceu sair do transe e concordou rapidamente, em seguida se levantou e segurou a minha mão com força antes de sairmos do apartamento.
Seguimos em silêncio até o carro dele e eu percebi que ele parecia querer falar alguma coisa, alguma coisa que o estava deixando nervoso, por isso preferi esperar o tempo dele, porque por mais que eu estivesse muito curiosa, não queria pressioná-lo.
Eu sabia o quanto era difícil falar as vezes!
Fizemos a viagem em um quase completo silêncio, eu digo quase porque em algum momento Oliver decidiu comentar sobre o clima, então eu apenas dei uma resposta vaga e continuei observando ele.
—Nós estamos namorando, né? –Finalmente havíamos chegado em frente ao restaurante e eu já estava quase que me acostumando com o silêncio quando Oliver decidiu falar isso. Minha cara deveria estar estranha, porque Oliver me olhou rapidamente, parecendo nervoso. –Ou não? Quer dizer, não estamos?
Espera, era isso?
—É por isso que você estava tão nervoso? Oliver Jonas Queen, o rei das mulheres, estava suando frio porque não sabia como me perguntar se estávamos namorando? –Foi impossível não começar a rir, mas parei no momento em que percebi que ele estava extremamente constrangido.
—Oliver Jonas Queen, é claro que estamos namorando! –Pisquei na direção dele e percebi o exato momento em que toda a tensão pareceu deixar o seu corpo e ele sorriu. Sorri de volta e ficamos assim, nos encarando como bobos por algum tempo, até que a testa dele voltar a se enrugar e seu olhar voltou a se encher de preocupação.
—Mas você sabe o que vem no pacote, não é? –O encarei de volta, ainda tentando entender o que ele estava querendo dizer com aquilo. –Os repórteres, a falta de privacidade, os comentários na empresa sobre estar dormindo com o chefe, a doida varrida da Helena e...
—Está tentando me fazer desistir? –Interrompi ele rapidamente e percebi que ele já estava sem fôlego. –Porque você não vai conseguir, Oliver! Eu nasci em Vegas, se não soubesse lidar com gente doida eu não teria durado um dia na escola!
Acariciei a barba dele para acalma-lo e fiquei feliz ao ver o seu rosto se inclinando contra a minha mão, como se ele estivesse buscando mais daquele carinho.
—Você é uma pessoa notável, Felicity Megan Smoak! –Ele abriu um sorriso e me deu um selinho antes de sair do carro.
—Obrigada por notar! –Eu sabia que ele não podia me ouvir, já que estava do lado de fora, mas eu estava feliz mesmo assim.
Oliver me ajudou a sair do carro e então entregou a chave para um dos funcionários do restaurante, em seguida, começamos a caminhar pra dentro do local e comecei a perceber que alguns olhares já começavam a se voltar na nossa direção.
—Espera, o que você queria realmente dizer? –Oliver me olhou, confuso, e parou na metade do caminho.
—Como?
—No meu apartamento, quando você disse que eu estava deslumbrante, você parecia querer ter dito outra coisa, o que era? –Assim que terminei de falar, Oliver sorriu e eu soube que deveria ter ficado calada.
Aquele sorriso já deveria ter molhado quantas calcinhas meu Deus?
—Tive medo de parecer grosseiro, mas... – Ele aproximou a boca da minha orelha e então a mordeu de leve antes de sussurrar. –Queria dizer que você estava gostosa!
Pronto, mais uma calcinha molhada pra lista!
O cretino nem ao menos teve a decência de parecer envergonhado, simplesmente continuou sorrindo e passou o braço pela minha cintura, me puxando levemente para voltar a andar logo em seguida.
Tentei fingir que nada daquilo havia acontecido, afinal, eu não podia pular no homem no meio do restaurante, mas era difícil fazer isso enquanto ele mantinha aquele sorriso no rosto, mostrando que sabia o efeito que causava em mim.
Mas dois podiam jogar esse jogo, não podiam?
O garçom nos levou até a nossa mesa e no momento em que Oliver puxou a cadeira para que eu me sentasse, segurei a gravata dele discretamente e colei o meu rosto ao lado do dele.
—Se você acha que fiquei gostosa nesse vestido é porque ainda não viu o que está embaixo dele! –Depois disso afastei o meu rosto e abri um sorriso que beirava a inocência. Oliver ficou ali parado, olhando na minha direção sem piscar, pude perceber suas mãos segurando com força a cadeira atrás de mim e ele estava imóvel como uma estátua. –Querido, você não vai se sentar?
Meu namorado pareceu perceber que o garçom começava a encarar ele de uma maneira estranha e tratou de se recompor logo.
—É claro!
Ele logo foi se sentar no seu lugar e em instantes parecia totalmente bem novamente, mas eu o conhecia o suficiente pra saber que aquela veia saltada em seu pescoço era sinal de que ele não estava tão bem assim.
—O que vão escolher hoje? Posso sugerir os especiais do dia? –O garçom tratara de fingir que não havia visto aquela pequena “cena”, afinal esse era o trabalho dele e agora ostentava um sorriso gentil no rosto.
—Vou deixar meu namorado escolher por mim! –Acenei na direção de Oliver para que ele cuidasse disso e enquanto ele discutia com os garçons sobre vinhos e massas, peguei o celular e tentei ligar novamente pra mamãe.
Suspirei assim que a ligação caiu na caixa postal novamente e então mandei uma mensagem.
“Não sei o que diabos a senhora está aprontando, mas não faça nenhuma loucura de novo pelo amor de Deus, você sabe que a maluca da vizinha gosta de ficar chamando a polícia pra gente!”
—Tá tudo bem? –Ergui os olhos do celular e reparei que o garçom já não estava mais aqui e Oliver me encarava.
—Está sim, desculpe, não é nada! –Ele arqueou a sobrancelha e eu confesso que fiquei um pouco confusa.
—Tem certeza que não é nada? Você não estava com cara de nada enquanto digitava sem parar no celular. –Ele havia dito aquilo num tom de voz calma e passivo, mas eu conseguia ver a chama em seus olhos, era impressão minha ou ele estava com ciúmes?
—Ah, isso? Era o meu outro namorado, eu tenho um pra cada dia da semana, você é o namorado de quinta feira! –Ri baixinho após falar isso e Oliver acabou me acompanhando, voltando a sorrir logo em seguida, e eu percebi que aquele lindo calor havia voltado aos seus olhos. –Eu estava tentando falar com a minha mãe, essa é a oitava vez que eu ligo e ela não atende, então decidi mandar uma mensagem.
—Meu Deus, mas será que está tudo bem? Se quiser, podemos ir embora e...
—É claro que tá tudo bem! –Interrompi ele com um aceno de mão e assobiei baixinho, isso fez com que Oliver franzisse o cenho na minha direção.
—Você não deveria estar preocupada? Em geral quando alguém não atende, as pessoas começam a se desesperar achando que esse alguém foi sequestrado ou algo do tipo! –O coitadinho ainda não conhecia a minha mãe, era isso.
—Eu tenho pena é do sequestrador que decidir mexer com ela!
—Felicity!
—É sério! –Ele voltou a franzir o cenho na minha direção e eu me segurei para não rir da cara de medo que ele começou a fazer.
—Não pode ser tão ruim assim!
—Minha mãe é a pessoa mais incrível, louca e assustadora, tudo ao mesmo tempo! Eu não estou preocupada com ela, estou preocupada com as pessoas, porque toda vez que ela não atende o telefone, é porque está aprontando alguma coisa e eu não quero que a polícia acabe envolvida de novo!
—Espera, de novo?
Tudo bem, eu acho que havia dado informação demais!
—Acontece que há alguns anos atrás, eu estava em casa ligando pra minha mãe sem parar porque já passava da meia noite e ela ainda não havia voltado pra casa. Eu me lembro como se fosse ontem, estava assistindo Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, quando fogos de artificio horrorosos começaram a pipocar do lado de fora, eu fiquei desesperada e quando saí de casa vi que tudo estava um verdadeiro pandemônio, a casa dos Jackson estava parecida com um show de heavy metal muito doido e os vizinhos estavam entrando nos seus carros e correndo de lá achando que se tratava de uma espécie de ataque terrorista.
—E então? O que aconteceu? –Eu acabei sorrindo ao perceber que Oliver estava totalmente entretido pela minha história, se o coitado soubesse a sogra que ele havia conseguido arrumar.
—Acontece que em pouco tempo a polícia estava lá, os bombeiros também estavam, tinha até um helicóptero! Sabe o que aconteceu? Não era um ataque terrorista, era só a minha mãe, ela estava na casa dos Jackson em uma espécie de reunião com as amigas dela e decidiu ligar algum tipo de LED ou sei lá o que diabos era aquilo perto da piscina, resultado? Minha mãe conseguiu colocar fogo em uma piscina e a coisa ficou pipocando igual uma árvore de natal gigantesca, desde então nossos vizinhos olham pra gente de uma forma estranha e se qualquer coisa acontece no bairro, eles acham que é culpa da minha mãe, tá que na maioria das vezes é, mas nem sempre!
Assim que terminei de falar, percebi que estava sem folego e então vi que Oliver me encarava parecendo totalmente embasbacado, me perguntei se não havia sido demais pra ele quando de repente seu rosto se abriu em um largo sorriso.
—Ela parece totalmente incrível, não vejo a hora de poder conhece-la.
—Ah meu Deus, estou cercada por gente louca!
Oliver riu alto e isso acabou atraindo a atenção das pessoas ao nosso redor. Na verdade, quem eu estava tentando enganar? Já estavam nos olhando desde que havíamos entrado no restaurante.
—Será que você também tem uma veia de loucura assim como a sua mãe? –Em uma atitude totalmente infantil, dei língua pra ele, mas parei no exato momento em que senti sua perna tocando a minha panturrilha por debaixo da mesa. –Acho que vou descobrir hoje à noite!
Meu corpo inteiro se arrepiou com o tom de voz que Oliver havia usado e eu percebi que aquele homem sempre me colocaria em sérios problemas se decidisse falar assim comigo mais frequentemente.
Mordi o lábio inferior e me senti poderosa quando percebi que ele estava acompanhando todos os meus movimentos.
Meu Deus, como o clima podia mudar assim de uma hora pra outra?
—Bom, acho que você vai descobrir mais tarde!
...
—AI!
—Você tá bem?
—Tá tudo bem, eu escorreguei no tapete!
—Precisamos sumir com esse negócio então!
—Tem certeza que essa é a hora de falar sobre isso?
Eu estava encostada na porta da minha casa, tentando inutilmente colocar a chave dentro da fechadura enquanto Oliver estava encostado atrás de mim, as mãos descendo o zíper do meu vestido enquanto seu membro ereto se esfregava indecentemente na minha bunda.
—Tem certeza de que não quer que eu abra isso pra você? –Eu não sabia mais se ele estava se referindo à porta ou ao vestido, mas acabei concordando com os dois e ele tomou a dianteira da situação.
Em menos de trinta segundos eu estava sendo jogada contra a parede da minha sala de estar e a boca de Oliver descia com sofreguidão sobre a minha.
Ele praticamente estava moendo o meu corpo contra o seu e eu estava mais do que satisfeita com isso, quer dizer, ter todos aqueles músculos em cima de mim com certeza estava sendo o ponto alto do seu dia.
—Eu já disse o quanto o seu vestido é bonito? –Ele falava baixinho enquanto lambia o meu pescoço e tudo o que eu conseguia fazer era assentir e gemer. –Ele realmente é muito lindo, mas eu preciso que ele saia agora, então...
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele já estava puxando o vestido sobre a minha cabeça e eu me via completamente nua da cintura pra cima na frente de Oliver pela primeira vez.
Percebi que ele estava olhando fixamente pros meus seios e deixei que ele fizesse isso porque eu sabia que os homens tinham fetiche em seios e modéstia a parte, os meus eram realmente bonitos.
—Você é perfeita! Parece ter sido feita especialmente pras minhas mãos! –Assim que terminou de falar, suas duas mãos cobriram os meus seios e os apertaram com força, aquele gesto mandou uma vibração direto pro meu ponto mais sensível e eu grudei a minha boca na dele para me impedir de gritar alguma coisa que fizesse com que os vizinhos me olhassem como se eu fosse uma pervertida no dia seguinte.
Ele ficou ali, simplesmente brincando com os meus seios enquanto me beijava loucamente, os apertou tanto que eu realmente senti quando eles começaram a ficar sensíveis e logo percebi que já estava quase tendo um orgasmo enquanto ele fazia isso.
Pra quem nunca havia tido nenhum, depois do primeiro até que os outros estavam vindo bem rápido!
—Por que nós não vamos pro quarto agora? –A boca de Oliver estava vermelha e eu tinha certeza de que a minha não estava diferente, parecíamos dois selvagens e eu estava mais do que feliz com isso.
Me afastei dele minimante e depositei um último beijo em sua boca antes de começar a tirar a roupa dele. Fiz tudo em silêncio, enquanto depositava leves beijos pelo seu corpo e só parei quando assim como eu, ele só tinha uma peça cobrindo seu corpo.
—O quarto está muito longe! –Depois de dizer isso, joguei ele no chão e sorri satisfeita ao ver a expressão dele.
Oliver não esperava que a gatinha tivesse tantas garras!
Meu tapete era extremamente macio, tão macio que mais parecia um colchão, então tudo o que eu conseguia pensar era: por que não?
Caminhei lentamente até ele e então me sentei em cima das suas pernas.
—Podemos ir pro quarto mais tarde, não acha? –Ele sorriu antes de se virar rapidamente e me deixar por debaixo dele.
—Com certeza vamos conhecer mais a fundo todos os cômodos do seu apartamento hoje!
Ri alto assim que ele falou aquilo, mas a risada logo se transformou em um gemido no momento em que seus dedos resvalaram a minha calcinha, em seguida eu senti que aquele era o momento, o momento em que realmente tudo mudaria e me senti mais do que pronta quando ele começou a tirar aquela pequena peça.
Beijei a boca dele com sofreguidão e comecei a fazer o mesmo com a cueca dele.
Sei que a coisa toda deveria estar parecendo uma cena de filme, mas a verdade é que parecíamos dois sobreviventes de um apocalipse, nos beijando como se um meteoro estivesse prestes a acabar de vez com o mundo.
Estávamos excitados...
Selvagens...
Desejosos...
Ansiosos...
Apaixonados!
Mas será que era realmente apenas isso?
Em meio aos meus devaneios, escutei aquele característico barulhinho de alumínio sendo rasgado e me tranquilizei ao perceber que pelo menos um de nós dois estava com a cabeça no lugar o suficiente para se lembrar da proteção.
—Pronta pro segundo orgasmo da sua vida, senhorita Smoak? –Ele resvalou a ponta do seu pênis na minha vagina e eu me contraí inteira antes de finalmente encontrar forças para falar.
—Quem é que está contando? –Ele mordeu os meus lábios e então se encaixou na minha entrada.
—Eu com certeza, estou! –Depois disso, em questão de um segundo Oliver estava dentro de mim.
Gritei alto com aquela invasão repentina e agradeci aos céus por estar tão úmida, porque caso contrário aquilo poderia ter doído.
—Você tá tão molhada! –Ele se mexeu lentamente dentro de mim e eu arranhei as suas costas com força.
—Estou assim desde que você disse que eu estava gostosa no vestido!
-Mas isso foi há quase cinco horas atrás, Felicity!
—Eu sei!
Depois disso, palavras não eram mais necessárias e Oliver afundou a cabeça no meu pescoço enquanto se movimentava dentro de mim.
A cada movimento eu sentia a fisgada no meu baixo ventre crescer e enquanto eu tinha o primeiro orgasmo da noite tudo o que eu conseguia pensar era...
Eu corria o sério risco de amar esse homem!
...
A luz do sol batia contra o meu rosto e praguejei baixinho ao ser acordada por isso, tentei me levantar rapidamente, mas percebi um peso em cima de mim e só então me lembrei do que havia acontecido na noite passada.
Noite passada?
Olhei para o relógio e percebi que a expressão certa seria “o que aconteceu até duas horas atrás”, porque a verdade é que Oliver e eu havíamos sido bem vorazes e agora eu tinha certeza de que os vizinhos pensavam que eu era uma espécie de pervertida.
Me desvencilhei dele lentamente e então me levantei, me espreguiçando logo em seguida e catando a camisa dele que estava no chão.
Cobri o meu corpo com ela e após fechar os botões, segui até a cortina e cobri a janela completamente, garantindo que o quarto ficasse naquele escuro que eu tanto gostava na hora de dormir.
Saí do quarto rapidamente apenas para beber uma água e já estava prestes a voltar, quando ouvi batidas na porta.
Quem diabos seria a uma hora dessas?
Se eu não estivesse tão cansada e tão dolorida (nos lugares certos), teria tido mais senso e deixaria a pessoa se cansar de bater ou ao menos teria trocado de roupa, mas eu estava com tanto sono que simplesmente caminhei até a porta e abri da forma mais natural do mundo.
—BEBÊÊÊÊÊÊ! –Em menos de meio segundo eu estava sendo esmagada pelos braços de uma mulher baixinha e tudo o que eu conseguia ver era a cabeleira loira em baixo de mim.
MEU DEUS!
—Felicity, o que...
Não, a situação não podia piorar!
Me desvencilhei dela rapidamente e olhei pra trás, só pra dar de cara com um Oliver totalmente confuso, VESTINDO APENAS UMA CUECA BOX NA MINHA SALA DE ESTAR.
—E você seria o chefe bonitão da minha filha?
—Filha? –Oliver ficou dar cor de uma parede de gesso na mesma hora e eu tive vontade de morrer.
Carvalho, eu disse que ela sempre aprontava quando não atendia o telefone!
Fale com o autor